Trama Inteligente, Tema Pouco Atraente

Lembram-se daquele velho ditado das indústrias norte-americanas que dizia: “feito por americanos, para americanos”? Pois bem, não existe nada melhor a ser dito sobre Ponto de Impacto, o terceiro livro publicado pelo escritor Dan Brown e que terminei de ler ontem.

O romance, logo no início, nos apresenta Rachel Sexton, uma agente do NRO e filha do Senador Sedgewick Sexton, o mais forte candidato à presidência na eleição que se aproximava. Rachel, sem motivos muito fortes, é convocada às pressas pelo atual presidente, concorrente de seu pai, para fazer parte de uma equipe de civis que estão ajudando a NASA (a Agência Espacial Norte-americana) a comprovar a autenticidade de um meteorito encontrado nas profundezas do Ártico: um pedaço de rocha carbonizada que pode mudar pra sempre a compreensão do ser humano sobre o Universo. No entanto, ao chegar à desolada plataforma de gelo Milne, a destemida agente se vê em meio a uma conspiração capaz de destruir a NASA e dar início a uma crise política sem precedentes. Ao tentar entrar em contato com o Presidente e exclarecer toda a situação, Rachel e seus companheiros passam a ser perseguidos por assassinos profissionais, a Força Delta, comandados por alguém capaz de fazer qualquer coisa para manter a verdade encoberta. Porém a história toda não consegue cativar.

Dan Brown tenta sempre abordar temas polêmicos em seus livros. Em Fortaleza Digital, Brown abordou o tema da falta de privacidade na internet, levantando a possibilidade do governo dos EUA ter total acesso a todas as mensagens trocadas pela rede, até mesmo esses e-mails que você troca com seus amigos sobre a baladinha de ontem. Um livrinho muito sem sal. Em Anjos de Demônios, o escritor aborda o tema da Igreja Católica ser sempre contra o avanço da Ciência e também o fato da Física tentar provar a existência de Deus. Já em O Código Da Vinci, com certeza o mais polêmico deles, Brown coloca em prova a divindade de Cristo, expondo uma antiga teoria de que Jesus teria tido filhos com Maria Madalena e que sua linhagem permanecia ainda hoje, dando início a uma moderna caçada pelo Santo Graal.

Todos esses três temas abordam crenças e interesses do mundo todo, independente da nacionalidade do leitor: o mundo todo usa a internet, e boa parte das pessoas têm como base de vida as crenças cristãs e o respeito a Igreja Católica.

Já em Ponto de Impacto, o assunto abordado é mais fechado aos norte-americanos: a serventia da NASA para o desenvolvimento da ciência espacial e os perigos que ela pode trazer à segurança nacional. O tema pode ser do interesse dos estadunidenses, mas não é algo que atraia a atenção de leitores de outros países. Saber se a NASA vai permancer como está, ou se vai ser englobada pelos militares, ou mesmo se será privatizada, não é algo que desperte o interesse de seus leitores estrangeiros. O que me importa se a NASA está dando prejuíso para os cofres públicos e gerando conflitos internos no alto escalão do Governo? Claro que é interessante saber o que acontece por trás das cortinas da Agência que levou o homem à Lua, mas o leitor de outros países não tem pela NASA o mesmo carinho que lhe é atribuido pelos norte-americanos.

Tudo isso tira parte da empolgação ao se ler o livro. Mas se Brown errou no tema, parece que dessa vez, finalmente, ele acertou em outro ponto: a trama. Pela primeira vez em seus quatro livros, os caminhos da narrativa conseguiram me enganar e a trama toda só me foi revelada nas últimas páginas. Não que ele tenha escondido os pontos culminantes como fazem alguns escritores. Não, dessa vez estava tudo lá, na minha cara, ação após ação, diálogo sobre diálogo, tudo levava a um único suspeito. Só que eu não o descobri e ainda fui tentado e imaginar que era outro o culpado de tudo. Realmente algo surpreendente em se tratando dos livros de Dan Brown, sempre tão fáceis de decifrar.

Porém, mesmo com uma boa trama, continua sendo um Dan Brown e isso quer dizer pobreza literária. Assim como os outros, Ponto de Impacto não tem conteúdo, é corrido como um roteiro de cinema, os personagens não cativam, não existem frases de impacto e o final, assim como em Fortaleza Digital, se arrasta por várias páginas de suspense desnecessário, cuja a intenção clara seria deixar o leitor aflito, mas que só conseguem ser cansativas e entendiantes.

Apenas mais um produto norrte-americando feito para as massas… norte-americanas.

Ficha Tecnica

Título: Ponto de Impacto (Deception Point)
Autor: Dan Brown
País: EUA
Publicação Original: 2001
Publicação Lida: Editora Sextante, 2005

Conselho de amigo: Não leia o Epílogo. É decepcionante!

Leia mais artigos sobre Dan Brown:
“Fortaleza Digital” não Fede nem Cheira

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2 respostas em “Trama Inteligente, Tema Pouco Atraente

  1. Concordo, concordo e concordo! Fui enganada também… :/
    mas desta vez, pelo menos o final foi engraçadinho… O que detestei no livro foi a demora que a trama leva pra se desenrolar. No meio do livro eu já tava analisando tudo nele menos a história…
    Mas enfim, consegui ler todo. E fiquei surpresa, pois realmente as evidências do real vilão estavam ali, bem ali… ¬¬’

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