Sobre Snaga

Nome: Snaga é mais que suficiente pra você Nasc.: 01-1986 Profis.: Comunicador Social Pronto, agora você já sabe demais.

O Templo dos Ventos: estréia com pé direito

Um mistério envolve O Templo dos Ventos, o romance de estréia de Marcelo F. Zaniolo, e o primeiro da Trilogia dos Pássaros: porque o mundo encontra-se submerso? O que exatamente aconteceu no planeta e há quanto tempo isso ocorreu? Uma grande inundação, aparentemente de proporções globais, apagou toda a História da humanidade e deixou poucos sobreviventes, cujas tradições orais, com o tempo, deixaram esquecer todo conhecimento adquirido pela sociedade ao longo de tantos séculos. A modernidade há muito está perdida metros abaixo do oceano.

Mas este é apenas o pano de fundo do romance, a paisagem geral criada por Zaniolo, em um misto de fantasia e enredo pós-apocalíptico.

Com uma narrativa ágil e descrições marcantes, o autor inicia sua história com a descoberta de um garoto encontrado morto, supostamente assassinado. O fato desperta a atenção dos moradores da Aldeia – um pequeno assentamento de sobreviventes, no alto da última montanha do mundo. Gavin, irmão da vítima, deixa o local em busca de vingança e desaparece na mata.

O possível homicídio, no entanto, não é o único motivador da história. Enquanto os demais moradores do lugar se organizam para enviar um grupo de busca, uma grande águia branca surge nos céus e, de maneira inexplicável, consegue se comunicar com Átila, o mais forte dentre os guerreiros locais. O pássaro viera para cobrar uma dívida, não com ele, mas com todos os poucos remanescentes da Grande Inundação. A humanidade não sabia (ou não lembrava), mas devia sua sobrevivência às aves.

É a partir desse enredo e com um misterioso e catastrófico pano de fundo, que se inicia a jornada de Noah, Átila, Deni, Gavin e a misteriosa Zoe. Os cinco protagonistas, entre encontros e desencontros, percorrem as terras inabitadas da montanha, não apenas em busca de vingança, mas também à procura de algo que explique como alguns deles, de repente, passaram a se comunicar com os pássaros.

Envolvendo mistério e aventura muito bem equilibrados ao longo do texto, O Templo dos Ventos é um romance infanto-juvenil empolgante, capaz de despertar a curiosidade e envolver os leitores com um enredo original e um mundo de fantasia que, apesar de beber em muitas fontes, não copia ou arremeda nenhuma delas. Zaniolo traz um cenário verossímil, crível, de uma montanha solitária em meio ao oceano sem fim. O panorama de um mundo limitado, que vai sendo descoberto aos poucos pelos aventureiros de sua história. Mas que, diferente do que se possa imaginar, passa cada vez mais a sensação de encarceramento a medida que os personagens descobrem novas terras da grande ilha – mesmo sendo um espaço gigantesco e inexplorado, há sempre a presença do mar como um limite intransponível.

Se há um ponto realmente forte no romance, ele está nos personagens e seus arcos evolutivos – principalmente em Noah, o jovem narrador da história.

“Um guerreiro, um sonhador e o filho de um contador de histórias. Nossa aventura parecia promissora.” Some ainda os outros dois que entrarão posteriormente na história e se terá a trupe completa, cada qual com sua respectiva ave. Os cinco protagonistas não são apresentados individualmente ao leitor, nem mesmo são definidos em descrições. Suas personalidades vão sendo desvendadas ao longo da trama, em conjunto, através de ações e diálogos. Como a história é narrada por um deles, os dramas e pensamentos dos demais personagens se tornam um mistério para o leitor, mas suas atitudes e falas, registradas por Noah ao longo da aventura, aos poucos vão expondo a real personalidade de cada um.

Mas não se pode ignorar o narrador, de maneira alguma. O arco evolutivo de Noah é o maior trunfo de O Templo dos Ventos: inicialmente vendo-se apenas como uma sombra do irmão mais novo, um peso a ser carregado pela comitiva, com o passar do tempo Noah torna-se mais auto-confiante e seus dramas pessoais envolvem com facilidade o leitor. Seu despreparo para a aventura o coloca em pé de igualdade com o leitor juvenil e é impossível não se identificar com sua trajetória. Sua responsabilidade e suas prudência e sensatez o tornam um exemplar e carismático herói – tornando-se  por fim um total contraponto ao inimigo a ser enfrentado.

Este, talvez, seja um dos poucos defeitos da história: um mundo deveras maniqueísta e sem surpresas com relação ao caráter de cada um dos personagens. A trama que envolve as aves e acaba por se mostrar a principal motivação da história também se mostra vaga a maior parte do tempo, deixando sem explicações muitos dos fatos que ocorrem ao longo do romance. Algo perdoável, já que o livro termina em aberto, deixando mistérios a serem resolvidos nos próximos dois volumes que ainda virão.

Ao ler O Templo dos Ventos, não espere uma história grandiosa, cheia de diálogos marcantes, mas uma aventura leve e divertida, que irã despertar a curiosidade para um novo e original mundo de fantasia, além de ensinar que, as vezes, os que parecem ser seus piores defeitos, na verdade podem ser suas melhores qualidades.

Pruuu.

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Ponte entre as escolhas

as-pontes-de-madisonQuando Clint Eastwood aparece em cena, o expectador já espera por um personagem viril, bruto, pronto a protagonizar cenas de tensão e violência. Mas quando o mesmo Eastwood assume sua cadeira de diretor, pode-se aguardar mais um ótimo drama, de viés extremamente humano, inquietante e comovente. Esta última característica é a que se sobrepõe em As Pontes de Madison (The Bridges of Madison, EUA, 1995), onde Francesca Johnson (Meryl Streep) e Robert Kincaid (o próprio Clint) protagonizam um rápido romance, criado pelo acaso e impedido pelas circunstâncias.

O roteiro de Richard LaGravanese (adaptado do livro de Robert James Waller) poderia ser apenas mais uma história romântica e adocicada, um filme de amor proibido, impedido de ir em frente por algum antagonista egoísta ou ciumento. No entanto, apesar do triângulo amoroso presente no longa, quem trama contra o amor dos protagonistas são suas próprias escolhas e as conjunturas da vida. E a sensibilidade de Eastwood na direção apenas reforça a profundidade do texto.

Ambientado na década de 1960, o longa narra a história póstuma de Francesca, uma dona de casa do interior de Iowa. Vinda da Itália após se casar com Richard (Jim Haynie), então um militar em campanha na Europa, a protagonista leva uma vida pacata na fazenda da família, devotada aos filhos e ao marido. Após sua morte, seus filhos, já adultos, são procurados por um advogado, que lhes entrega um comunicado de que a mãe queria ser cremada e um diário, onde Francesca revela o segredo que guardou por metade da vida.

as-pontes-de-madison03Ao lerem as confissões de Francesca, seus filhos descobrem seu envolvimento com Kincaid, um fotógrafo de passagem pelas redondezas para fotografar as famosas pontes cobertas do Condado de Madison. Durante a ausência da família, que viajara por quatro dias, a recatada dona de casa conhece, se apaixona e se entrega ao gentil fotógrafo que aparece em sua porta pedindo informações. Mesmo num espaço de tempo tão curto, a paixão arrebatadora desperta a indecisão de Francesca: fugir e se ver livre de sua prisão familiar ou ficar e cultivar a lembrança de um amor que não pôde viver.

Desenvolvida sobre a atuação impecável de Streep, que reveza momentos de timidez, atrevimento e receio, Francesca se mostra presa entre os desejos e sonhos primitivos de liberdade e amor e aqueles realistas e racionais, que ponderam sobre seus possíveis arrependimentos, sua gratidão ao marido e suas obrigações de mãe. Não apenas isso, sua preocupação com a opinião da sociedade, não consigo própria, mas com o julgamento que fariam de seu marido abandonado.

A moral construída no seio familiar, somada àquela da sociedade rural ao qual estava inserida, são as formadoras do caráter da personagem, que a colocam nesse impasse e acabam por guiar suas decisões: os impulsos primitivos são refreados pelos deveres com a família; o amor a um homem desconhecido é cerceado pelo amor aos filhos; e, mesmo insatisfeita com um casamento que lhe tirou da Europa para lhe colocar entre caipiras americanos, a compreensão diante de um marido que nunca lhe tratou mal. Privada de seus sonhos, os problemas de Francesca eram levar uma vida perfeita demais: um lugar tranquilo, em meio à rotina, o enfado e o tédio.

as-pontes-de-madison01Esta mesma moral perpassa as gerações e é refletida nos filhos da protagonista, que aos poucos leem seu diário e descobrem seu segredo. Apenas o desejo de ser cremada já lhes foi um primeiro golpe. Quebrar a tradição familiar e não ser enterrada ao lado do marido já era motivo suficiente para chocar seus herdeiros. Estar diante da história de traição lhes fora um choque ainda maior, impensável e incompreensível a princípio.

Do outro lado desse romance, o aventureiro Robert Kincaid se mostra mais que um simples sedutor. Diferente de Francesca, o personagem de Eastwood é livre, desbravador, corajoso o suficiente para se livrar daquilo que não o satisfaz. Mas ao mesmo tempo, de certa forma, infeliz com a solidão do trabalho que o obrigava a viajar com frequência. A face bruta de Clint Eastwood, seu olhar penetrante, sua expressão dura e decidida, dão ao longa a contraparte das frustrações de Francesca.

Mais uma vez Eastwood coloca os personagens de seus filmes vivendo os dramas de suas escolhas, num filme que não trata de amor, mas de sacrifícios.

Literatura, podcasts e sentimentos

Sentimentos à Flor da PeleNos antigos mitos das civilizações ancestrais, os deuses eram a personificação de sentimentos humanos ou de eventos da natureza, como o amor, a morte, a sexualidade, o ódio e tantos outros. Parece-nos natural humanizar as emoções, através das atitudes de personagens, para que possamos entendê-las melhor. Foi baseado nessa idéia que um grupo de podcasters brasileiros se uniu para criar a antologia Sentimentos à Flor da Pele, um pequeno livro com dez contos curtos, mas profundos em significados.

Os podcasts dedicados à literatura estão entre os mais populares da podosfera brasileira. Vários programas abordam a temática dos livros e seus participantes cativam ouvintes, incentivam a leitura e apontam dicas de boas histórias, muitas vezes desconhecidas. No entanto, esses podcasters, apaixonados pelo mundo das narrativas, tão acostumados a criar conteúdo em diferentes mídias da internet, tecendo críticas, elogios e resenhas a obras consagradas, foram desafiados não a falar sobre literatura, mas produz-la.

Seguindo a proposta dos organizadores Anna Schermak (ex-participante do LiterárioCast) e Vilto Reis (apresentador do 30:Min), cada um dos autores escolheu um sentimento como guia e, a partir dele, desenvolveu sua narrativa. Solidão, depressão, obsessão, apatia, raiva, ódio, nostalgia, medo, escapismo e poder se tornam protagonistas em seus respectivos contos.

As dez histórias presentes na antologia são narradas de forma ágil, sem floreios, contando situações que fogem à realidade, mas servem de contexto para o surgimento e desenvolvimento do sentimento-protagonista. Alguns dos autores não são escritores, no entanto a narrativa de todos é concisa e bem desenvolvida. É preciso que se diga que alguns dos contos fogem ligeiramente da proposta ou alguns personagens não representam bem o sentimento que lhes foi designado. Talvez pelo tamanho imposto a cada uma das histórias (apenas 8 páginas por autor) tenha faltado espaço para aprofundar as narrativas e desenvolver melhor cada um dos personagens.

Mesmo assim o livro possui uma qualidade indiscutível: a visão de diferentes pessoas sobre determinados sentimentos humanos. Afinal, sendo algo abstrato, cada qual possui sua própria interpretação de determinada emoção, mas, vista pelos olhos dos outros, o ódio pode ser mais próximo do amor que a obsessão. Ou a raiva pode se aproximar mais da apatia que a depressão. Conhecer como um autor representa suas aflições é um modo de entender melhor nossos próprios sentimentos.

Além dos organizadores, os outros oito autores são participantes dos programas CabulosoCast, LivroCast e O Drone Saltitante. A idéia do livro surgiu através da internet e sua publicação também usou da rede para se realizar. Os gastos de impressão foram pagos através de financiamento coletivo – crowdfunding – realizado através do site Catarse. Pessoas de todo o país, fãs dos podcasts literários, contribuíram com a produção do volume, num processo que transformou podcasters em escritores, com a ajuda de ouvintes que se tornaram leitores.

O sacrifício que nos deu a vida

Estrela“Somos poeira de estrelas”. A frase, dita por  Carl Sagan, é a constatação de um fato averiguado pela cosmologia moderna: todos os materiais que compõem nosso corpo foram produzidos há milhões de anos, no coração de estrelas agonizantes.

Desde que a física descobriu o funcionamento dos átomos, no início do século XX, nossa ligação com o universo vem se estreitando cada vez mais. Povos primitivos, desde a antiguidade, adoravam os pontos luminosos do céu, tratando-os como deuses e criadores de toda a vida na Terra. Mesmo que não soubessem, essas antigas religiões tinham um fundo de verdade: nossas vidas estão intimamente ligadas ao funcionamento das estrelas, próximas ou distantes, brilhantes ou já extintas.

Se não fossem essas grandes fornalhas, milhões ou bilhões de vezes maiores que nosso planeta, os elementos químicos que compõem as montanhas, os oceanos, o ar e nossos próprios corpos jamais poderiam existir. Todo o universo seria apenas uma gigantesca nuvem de hidrogênio e partículas subatômicas.

Mas, para entender como as estrelas nos deram a vida, é preciso saber como elas nascem e como funcionam.

Motor e combustível

As estrelas geram calor e luz durante bilhões de anos. Nosso sol, por exemplo, em apenas um dia, envia para a Terra 10 bilhões de vezes mais energia que a Usina de Itaipu em pleno funcionamento. E para conseguir isso, é preciso um motor de grande força e muito combustível.

Até o início do século XX, a fonte da energia das estrelas ainda era um mistério para a ciência. Não à toa, quem a descobriu é considerado um dos cientistas mais geniais de toda História da humanidade: Albert Einstein.

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Bomba atômica que dizimou Nagazaki, no Japão.

A Teoria da Relatividade, desenvolvida por Einstein na primeira década do século passado, expôs ao mundo o poder do átomo. Segundo o físico alemão, toda matéria é formada por energia condensada, armazenada dentro das partículas atômicas que compõem os elementos. A partir das teorias de Einstein, descobrimos que existem dois processos distintos capazes de liberar essa energia: destruindo o átomo completamente ou fundindo-os para formar um novo elemento.

A descoberta de Einstein não apenas nos fez entender o funcionamento das estrelas, mas também nos ensinou a acender pequenos sóis em nosso planeta: as bombas de fissão e de fusão – também conhecidas como bombas atômicas.

O funcionamento de uma bomba de hidrogênio é exatamente igual ao processo de fusão que ocorre constantemente no coração de uma estrela. O núcleo de uma estrela como o Sol gera o equivalente a um bilhão de bombas nucleares por segundo. E o motor de todo este processo é a força da gravidade.

A força gravitacional é o que mantém a estrela unida, mesmo com tanta energia sendo gerada em seu interior. A gravidade é diretamente ligada à massa de um objeto. Quanto maior o volume de sua massa, maior a curvatura espaço-temporal gerada por esse objeto, ou seja, maior é sua gravidade.

Apesar de serem tão grandes e tão brilhantes, as estrelas têm uma origem humilde: é necessário apenas uma gigantesca nuvem de poeira espacial e a ação da gravidade sobre as partículas soltas no espaço. Estas nuvens, chamadas de nebulosas, são formadas basicamente por átomos de hidrogênio. Em constante movimento pelo espaço, os átomos acabam por se chocar, unindo-se em pequenos aglomerados. Estes aglomerados se chocam entre si, aumentando de tamanho, até a gravidade ser grande o suficiente para, aos poucos, começar a sugar toda a nuvem ao seu redor, em um grande redemoinho cósmico. Quando toda a poeira é condensada em uma imensa esfera de gases, a força da gravidade se torna tão alta que começa a comprimir os átomos de hidrogênio, jogando-os uns contra os outros. Quando dois átomos de hidrogênio se chocam em alta velocidade, eles se fundem, formando um único átomo de hélio. Essa fusão, a mesma que ocorre em uma bomba nuclear, é o que libera a energia emanada pelo astro.

Da morte à vida

A cada segundo, nosso sol “queima” 600 toneladas de hidrogênio. Uma estrela maior pode queimar o dobro dessa quantidade ou mesmo 10 vezes mais. Durante bilhões de anos, a pressão gerada pela força da gravidade comprime os átomos de hidrogênio, fundindo-os e formando átomos de hélio. Mas chega o dia em que o estoque de combustível acaba e a força gravitacional começa a fundir os átomos de hélio, formando carbono.

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Processo de fusão dos átomos

Quando o átomo foi descrito pela primeira vez, ainda na Grécia Antiga, acreditava-se que ele era indivisível. Foi apenas no final do século XIX e início do XX que partículas ainda menores foram descobertas. Mais do que isso, descobriu-se que todos os átomos, de todos os elementos, são formados das mesmas três partículas, agrupadas em números diferentes: nêutrons, prótons e elétrons. Ou seja, a única diferença entre um átomo de ferro e um de ouro é que o primeiro possui 26 prótons, enquanto o segundo possui 79.

Portanto, para formar um novo elemento, basta somar à sua massa mais algumas partículas de prótons, nêutrons e elétrons. Sempre que um elemento é totalmente “queimado” na fornalha estelar, o elemento seguinte começa a se fundir para criar outro mais pesado. Porém, quanto mais pesada é a substância, mais calor é consumido em sua fusão. Até o momento em que a estrela começa a produzir o seu próprio veneno: ferro.

Quando o núcleo do astro começa a fundir átomos de manganês e gerar ferro, a estrela está fadada à morte. É o fim de seu combustível e de sua força de expansão. Sem a constante explosão atômica em seu interior, a força da gravidade a comprime cada vez mais, tão rapidamente, que uma explosão é gerada, destruindo completamente a estrela. Essa explosão, chamada Super Nova, espalha pelo universo toda a matéria produzida pelo núcleo da estrela.

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Restos de uma Supernova fotografada pelo telescópio Hubble

Na década de 1920, a Teoria do Big Bang explicou que o Universo e de tudo o que conhecemos dentro dele se iniciou a partir de uma grande explosão: o evento primordial que criou o tempo e o espaço e se expandiu por todo o cosmo, espalhando átomos e partículas. Acredita-se que, logo após a expansão, o espaço era um mar de hidrogênio. Uma gigantesca nuvem composta pelas moléculas do mais simples elemento da tabela periódica.

Se não fosse pelas estrelas, queimando o hidrogênio e o transformando em todos os materiais que hoje conhecemos, não haveriam planetas, nem luas. Não haveria água, oxigênio ou carbono. Os átomos que compõem tudo o que conhecemos, inclusive nós mesmos, só existem porque, em algum momento da história do Universo, uma estrela se formou, se consumiu e se sacrificou para espalhar pelo espaço a poeira que hoje dá forma a tudo o que existe.

 

Debutando no Na Porteira Cast

NaporteiracastFoi com imenso prazer que participei do NaPorteiraCast, um dos meus programas favoritos, talvez o melhor da podosfera nacional atualmente.

Neste episódio, debatemos sobre Imparcialidade – não só na mídia, mas na vida como um todo. Discutimos sobre técnicas jornalísticas, sobre a formação da opinião e debatemos a importância da internet neste novo cenário da comunicação, onde todos têm direito a se expressar.

Neste momento crítico da política nacional, este programa é um ótimo guia sobre como consumir a mídia.

Ouça o programa “NPC #71 – Imparcialidade” clicando neste link.

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A Segunda Renascença

 

TiposQuando Gutenberg criou a prensa de tipos móveis, em meados do século XV, o domínio da informação e do conhecimento era restrito à Igreja e à nobreza. Sua invenção, no entanto, facilitou a reprodução de textos e a publicação em massa de livros. Naquela época, ao “piratear” o conteúdo privado dos poderosos, esta simples máquina de madeira contribuiu não apenas para o fim da Idade Média e início do Renascimento da ciência, como também acabou com o monopólio católico ao abrir espaço para novas idéias Protestantes.

Aquela situação, distante mais de 550 anos no tempo, não é muito diferente da que vivemos hoje. A informação, que no século passado se industrializou, tornou-se, talvez, a mais poderosa das moedas e hoje é concentrada nas mãos de poucos poderosos ao redor do mundo. A mídia do século XX foi chamada de “Quarto Poder” e ganhou status suficiente para eleger ou derrubar líderes políticos e religiosos – ou mesmo se misturar a eles. Porém o crepúsculo do último milênio deixaria um legado para uma nova revolução, uma segunda prensa de Gutemberg: a internet

Foi na década de 1990 que a rede mundial de computadores começou a engatinhar com agilidade em direção às massas. Primeiro como suporte acadêmico, mas logo ganhando novas funcionalidades, até ser capaz de abalar as estruturas dos impérios midiáticos.

Online-x-offline-550x286Mesmo que tais impérios também tenham agregado territórios deste novo continente virtual, logo os fóruns de discussões, os blogs e, mais tarde, as redes sociais, iriam se tornar as mais democráticas nações de informação e disseminação de cultura, questionadores do conteúdo da mídia tradicional – ou mesmo suas fontes.

O blog foi, talvez, o mais popular destes meios. Criado por volta de 1997, a ferramenta facilitou o uso da internet de tal maneira, que, a partir dela, ficou muito mais simples publicar conteúdo na rede. Usado a princípio como simples diários, versões online dos cadernos adolescentes, logo o sistema ganhou ares jornalísticos e formato corporativo. Blogs noticiosos, opinativos e culturais se disseminaram pela internet e foram o embrião de diversos portais independentes, muitas vezes com mais credibilidade que a mídia tradicional.

Não apenas questionadores, os blogs também se mostraram uma alternativa que fugia à regra sensata dos conglomerados informativos. Na “blogosfera” havia espaço para assuntos que fugiam da agenda da imprensa: religiões diferentes, teorias conspiratórias, arte alternativa, aparições alienígenas etc.

/TARIFAS/PROTESTO/RJOs grandes veículos de imprensa viram nos blogs um forte concorrente e, a princípio, se afastaram deles, proibindo seus profissionais de manterem páginas pessoais, paralelas ao trabalho corporativo. Mas como no dito popular: se não pode com eles, junte-se a eles. Não foi preciso sequer uma década para que os grandes portais de notícia abrissem espaço e contratassem seus próprios “blogueiros”. Estadão, Veja, Cartal Capital, New York Times… esses e muitos outros veículos mantém um grande número de blogs em seus portais, fazendo as vezes das colunas opinativas dos jornais impressos.

Logo as redes sociais ganharam força e o disseminar de informações ficou ainda mais rápido e fácil. Os blogs foram incorporados por elas. Hoje, o Facebook nada mais é que um gigantesco mural com milhões de blogs interligados, bombardeando postagens infinitas diante dos olhos do usuário.

gutenberg50A deep web acobertou a Primavera Árabe; as redes sociais impulsionaram as manifestações brasileiras em 2013; blogueiros cubanos, chineses e norte-coreanos são caçados por seus respectivos governos e tratados como inimigos, apenas por emitirem suas opiniões. Espiões das grandes potências disseminam segredos de Estado para o público geral.

Isentos ou não, sensatos ou não, os blogs e as postagens nas redes sociais – a internet como um todo – estão levando o mundo a um novo período renascentista, abrindo as portas para um novo iluminismo, tirando o poder das mãos dos grandes impérios e distribuindo-o ao povo, tal qual o fez a prensa em sua época. Quando cairá a próxima Bastilha?

Debutando no Livrocast

LivrocastTecnicamente, esta não foi a primeira vez que participei de um dos programas do Livrocast. Desde o episódio #51 que eu já participava das gravações, porém fazia apenas as locuções introdutórias.

Desta vez, no entanto, sou um dos convidados do programa, onde debatemos o livro “A Revolução dos Bichos”, do escritor anglo-indiano George Orwell.

Não deixem de ouvir e dar boas risadas… além de aprender bastante sobre o livro e um pouco da história da Revolução Russa e da implementação do socialismo.

Só clicar neste link para acessar a página do LIVROCAST #53!!!

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