Por questões históricas e culturais (talvez pelo fato de considerarmos a Grécia o berço de nossa civilização), nós brasileiros, difundimos e conhecemos apenas a mitologia greco-romana, seus deuses, suas lendas e seus heróis. E por muitas vezes ignoramos a existências de tantos outros mitos que, tais quais os gregos, formam as fundações de outros vários povos e civilizações. Um deles, tão rico quanto as histórias legadas por Homero, é o proveniente das regiões nórdicas da Europa (hoje Dinamarca, Finlândia, Islândia, Noruega e Suécia) e conhecido como Mitologia Nórdica. E foi com intenção de nos expor esta tão rica e complexa mitologia que os autores gaúchos A. S. Franchini e Carmen Seganfredo publicaram suas versões dos contos escandinavos no livro “As Melhores Histórias da Mitologia Nórdica”. Pena que fizeram isso tão parcamente.
Para contar essas histórias, Seganfredo e Franchini dividiram sua adaptação em duas partes. Na primeira, as lendas são adaptadas dos registros encontrados na Islândia e contam, principalmente, as fábulas relacionadas aos deuses, citando como Odin se tornou o deus supremo, dando um de seus olhos em troca de sabedoria; ou sobre os corajosos feitos de seu filho, o deus Thor; ou ainda as artimanhas frustradas de Loki, o deus da trapaça. Ainda nessa parte existem pérolas como o conto no qual Thor e seus companheiros enfrentam a Rigidez das montanhas, a Voracidade do fogo, a Rapidez do pensamento e a Imensidão do oceano; ou a morte do invencível deus Balder, assassinado por um mísero e inocente ramo de azevinho; ou ainda a grande batalha do Ragnarok e o fim absoluto dos deuses.
Esta mitologia oriunda da Escandinávia difere em muitos pontos daquelas que conhecemos. Um dos principais é o fato de seus deuses serem mortais, mantendo-se vivos e jovens por tanto tempo apenas devido às maçãs mágicas cultivadas nos jardins da deusa Idun. Nisto se encontra grande parte da beleza dessas histórias, pois, desde a criação dos Nove Mundos, existia a profecia do Ragnarok, o Crepúsculo dos Deuses, a grande batalha que poria fim ao reinado de Odin, o deus supremo, sobre o mundo. No entanto, mesmo sabendo que a derrota era predestinada, eles, tal como os humanos que os cultuavam, jamais desistiram de lutar. É o que hoje os estudiosos chamam de “Teoria da Coragem do Norte”, uma coragem que se mantinha inabalável mesmo diante da derrota iminente.
A segunda parte, porém, tem um quê de grandiosidade que se soma ao próprio mito que ali é contado: é a versão romanceada da obra-prima do compositor alemão Richard Wargner, a ópera “O Anel dos Nibelungos”. O conto do anel é a versão germânica da Mitologia Nórdica e, com certeza, a melhor parte do livro. Um verdadeiro ensaio sobre o medo e a coragem, a prudência e a ousadia. Tudo com um toque de heroísmo e tragédia. A ópera, contada aqui em prosa, narra a história de Sigfried, filho de Sigmund, que por sua vez era filho bastardo do próprio Odin (chamado aqui e Wotan). Sigfried era predestinado a ser um grande herói, porém o personagem, com sua arrogância e prepotência, nada tinha de herói a não ser o fato de sua coragem desmedida.
Outro motivo interessante para se conhecer tais histórias é poder relaciona-las com a obra do escritor inglês J. R. R. Tolkien, criador de uma mitologia própria, cujo livro mais conhecido é O Senhor dos Anéis. Afinal, foi com a Mitologia Nórdica que Tolkien estabeleceu as bases para seus contos e muitas de suas inspirações podem ser encontradas neste livro, principalmente relacionadas à história de Túrin Turambar, a encarnação tolkienina do herói Siegfried.
Entretanto “As Melhores Histórias da Mitologia Nórdica” tem lá suas pobrezas, e elas não são nada pequenas. A primeira intenção do livro era traduzir de maneira acessível os antigos contos nórdicos, tratando-os como fábulas. O resultado, porém, foi algo extremamente infantilóide, que destruiu por completo toda a beleza das antigas lendas dos vikings, empobrecendo-as e idiotizando-as. A começar pelo excesso de linguagem coloquial, que diminui a grandiosidade e austeridade da mitologia, como o abuso dos “vocês” e de expressões como “ué” ou, ainda pior, “minha nossa” saindo da boca de deuses nórdicos. Esta última, por sinal, a pior delas, afinal “nossa” é uma expressão católica, inexistente na época do surgimento destas histórias.
Outro ponto fraco são as desnecessárias comparações com a mitologia grega em todo o decorrer da primeira parte do livro: “A deusa Freya (a equivalente a Venus da mitologia grega)…”, sendo que, se havia mesmo a intenção de comparar ambas, que isso fosse feito de maneira mais aprofundada e em um capítulo à parte, dedicado exclusivamente ao tema (assunto, aliás, que os autores parecem desconhecer, pois Vênus e Freya possuem poucas semelhanças se comparadas diretamente). Além de vários outros problemas, como o absurdo de se chamar Asgard, o reino dos deus nórdicos, de Olimpo (o monte grego onde, acreditava-se, viviam Zeus e companhia limita).
No conto do Anel dos Nibelungos existem miseráveis tentativas de descrição, mas parece ter faltado talento aos dois autores gaúchos.
Mesmo assim, o livro tem lá seus valores (estes, claro, não estão ligados de maneira alguma com seus “autores”): as antigas histórias que ali estão contadas. E para um primeiro contato com este novo universo, talvez até valha a pena ler o volume. Afinal se até Odin perdeu um dos olhos para se tornar sábio, então vale a pena perder um pouco de tempo com este livro.



Snaga é um sonhador, alguém que criou seu próprio mundo e hoje vive boa parte do tempo nele e em função dele. É fanático por cinema, literatura e música de qualidade; formado em Comunicação e trabalha com TV e Cinema. Vive para criar e dar vida, afinal "criamos tal como fomos criados".






























Eu li esse livro e achei que a narrativa ficou muito simplificada, como quem atira para todos os lados e acaba não acertando nada.
A parte em que o lobo Fenrir olha para a rede e pensa “Barbada!” é de chorar.
Mas as lendas nórdicas valem a pena, de qualquer forma.
Parabéns pelo blog.
Olá, “Snaga”, tudo bem? Sou A. S. Franchini, um dos autores do livro que voce resenhou. Só para esclarecer: nossos livros tem a intenção mais ou menos óbvia de desmistificar os mitos, daí o uso – e talvez abuso – do coloquialismo e de um tom que, aos devotados do gênero heróico, pode parecer algo vulgar ou desrespeitoso. Nossa versão vai para o lado da sátira, e não da reverência cega a estas histórias que, apesar de serem muito engenhosas, não deixam de ser, a meu ver, elas próprias, infantis. Não posso levar a sério histórias que, em sua grande maioria, mais parecem esquetes do Chaves, digam o que disserem os adoradores de Odin e de Loki, esta dupla cômica realmente magnífica. (Desculpem, mas não consigo realmente levá-los a sério, nem os deuses nórdicos, nem Tolkien, nem a legião aborrecidíssima dos seus imitadores e adoradores.) Pelo menos é assim que eu vejo tudo isto, procurando levar a coisa para o lado da sátira e da brincadeira, a exemplo do que faz Terry Pratchet na sua série “Discworld”. Um grande abraço e muito obrigado por ter se ocupado de nosso livro em seu site, que está realmente muito interessante.
Eu li esse livro recentemente e concordo com sua resenha. Poderia, caso seja de seu conhecimento, indicar outro livro que trate do assunto?
Olá, Renan! Obrigado pela visita ao Covil.
Infelizmente desconheço outro livro sobre Mitologia Nórdica. O que posso lhe indicar são os artigos do pesquisador brasileiro Johnni Langer. Joga o nome dele no Google, associado à Mitologia Nórdica, e irá achar vários textos muito interessantes e tratados com mais relevância.
Diferente de muitos, eu achei esse livro muito divertido e aproveitei muito cada momento de literatura. No inicio do Livro, A.S Franchini e Carmen Seganfredo explicam as origens da mitologia e de onde retiraram as informações necessárias para romancear as histórias. Lendo esse livro, você consegue ter uma idéia de como é o panteão Nórdico, mesmo que seja levado ao lado da sátira, que convenhamos, existe muito na mitologia nórdica. Não precisa tomar como base a história, o odinismo em si, pois no odinismo a coisa é muito mais complicada e tende a ser mais massante e dificil de se ler. Existe bons livros que levam para o lado historico e literário da mitologia Nórdica, porém, não discarto de forma alguma a literatura de AS Franchini e Carmen seganfredo que fazem livros sobre mitologias ficarem muito mais interessantes.
Renan tem um livro novo que saiu este ano, eu ainda não li mas parece ser uma sátira.O nome é Ragnarök – O Crepúsculo dos Deuses da autora Mirella Faur , editora Cultrix.
Não é sátira não. Foi mal erro meu, descupa ae.
Complicado no livro é uma passagem sobre a morte de Balder onde diz-se que loki ficou feliz por trazer tamanha dor ao… Olimpo…
Obrigado ao Daniel pela sua opinião favorável, e cumprimentos também ao Renan, que tem, evidentemente, todo o direito de não apreciar os meus livros. Quanto ao seu reparo acerca do “Olimpo”, agradeço bastante, pois se trata, evidentemente, de um ato falho, do qual até mesmo os grandes escritores não estiveram jamais isentos de incorrer. Numa futura edição este lapso evidente será certamente corrigido. Finalmente, um abraço ao Snaga, por nos permitir a todos esta saudável troca de ideias no seu Covil democrático. Apesar de não ter sido merecedor das suas boas vindas, quero crer que minhas visitas eventuais não o desagradem.
Olá, Franchini!
Fiquei adiando uma resposta ao seu post e acabei me esquecendo.
Mas é claro que você é bem-vindo ao Covil, assim como todos. E claro também que suas opiniões e críticas são essenciais para o desenvolvimento deste espaço, assim como as de todos que por aqui passam.
Primeiramente, a intenção do artigo não era ofender os autores, de maneira algum, apenas expressar meu descontentamento ao ver uma cultura tão rica quanto a escandinava ser tratada de maneira tão desleixada.
E seu primeiro comentário aqui apenas almentou o descontentamento ao mostrar que você, ao que parece, sequer gosta do que escreve. Ao fim você e Seganfredo exploram o tema apenas por ter certa demanda comercial no país, já que obras do tipo são raras por aqui. Ou seja, o livro tem apenas apelo comercial, o que explica muito do que eu escrevi aqui.
Você falou sobre fãs do gênero heróico. Sou fã de épicos, capa e espada etc e tal. Mas isso não vem ao caso aqui. O grande valor dos antigos mitos, sejam gregos, nórdicos, celtas, maias ou indús, é o valor metafórico. Se para alguns parece infantil, isso advem do fato de não compreender o real significado escondido por trás de cada fábula. As próprias fábulas de Esopo ou Andersen, quando não-interpretadas corretamente, parecem apenas passa-tempos infantis, quando, na verdade, possuem um grande significado metafórico.
Sou um grande fã de Chaves e tenho Bolaños como um ídolo do humor, mas por um motivo completamente contrário a tudo o que se apresenta em uma obra mitológica: Chaves nos arranca gargalhadas por ser simples, ingênuo, nonsense. Não há significados por trás de Chaves, há apenas um humor humilde. Bem ao contrário do que se apresenta em histórias mitológicas, que, mesmo tendo passagens de humor (como as intrigas de Loki e Odin, como você bem disse), possuem grandes significados ao fundo.
E uma coisa realmente me deixou pasmo: você não consegue levar a sério os fãs dos mitos. Isso quer dizer que você não leva a sério os leitores dos seus livros. Porque devo ler um livro de um autor que não acredita naquilo que escreve. Seria o mesmo que depositar meu dinheiro em um banco que faz propaganda contra sua própria segurança.
Não conheço ainda os livros de Pratchat, ma sei muito bem que ele vende seus livros como sátiras. Já vocês vendem como algo sério, enquanto, na verdade, não o são, como você mesmo disse aqui. Propaganda enganosa!
“Fantástica” a justificativa rasa que um dos autores deu para ter escrito o livro da maneira que escreveu. Só serviu para desqualificar ainda mais a obra.
Nossa, que gente mais raivosa! Será que toda a nossa juventude anda assim, neste estado alterado de nervos? Por Odin, mas que juventude mais pesada e ortodoxa esta de hoje! Relaxa, Snaga amigo!… É só um livro, garoto!… São só histórias!… É claro que eu não me senti ofendido com nada do que você disse na sua crítica, mesmo porque até concordo com algumas delas. E sabe por que, Snaga? Porque eu estou completamente leve, garoto. Achei até graça em alguns momentos, porque sempre acho graça – não é deboche, amigão! – quando vejo pessoas se altetarem emocionalmente por causa de ninharias. A mitologia nórdica é ninharia, garoto. Tolkien também é ninharia, meus livros são ninharia, tudo é ninharia porque tudo que foge da vida real, no fim das contas, é de faz de conta, rapaz. É ninharia, é de papel. O que vale mesmo, garoto, é a vida, a vida real e concreta. Odin, como todos os deuses, não passa, no fim das contas, de um fantoche criado por algum mago charlatão ancestral para enganar os trouxas daquele tempo. ODIN NÃO EXISTE, GAROTO. É tudo mentira, ainda que, muitas vezes, bela e engenhosa. Eu sei que tem gente que gosta de cavar significados esotéricos “profundos” nestas histórias, mas eu não gosto, e não tenho obrigação nenhuma de seguir esta linha. Eu sei de tudo isto que você falou, conheço a maioria das “metáforas profundas” que os exegetas aplicam a cada uma destas lendas, não sou um idiota escrevendo sobre algo que não entende, pode estar certo disto, garoto. Quanto a motivação principal que você descobriu para eu escrever os meus livros – os quais adoro escrever! – quero dizer que você está redondamente enganado. Não, Snaga, eu não escrevo apenas por mero “apelo comercial” (acho que aqui, sim, você pegou meio pesado, garoto!…) Também faço pelo dinheiro, é lógico – é o meu ofício, vivo disto – mas, acima de tudo, pelo prazer de despertar o gosto na leitura e o prazer de despertar o espírito crítico das pessoas. Minhas versões são provocantes, porque não quero apenas reproduzir algo mecanicamente. Faço isto rigorosamente em todos os livros, procuro mostrar a contradição que há nestas histórias, justamente para que as pessoas demasiado “ortodoxas” – como você e o nosso amigo Tilion parecem definitivamente ser – percebam que nada neste mundo está a salvo do debate, da investigação e da crítica. Eu sei que Odin, Loki e toda a corja dos deuses nórdicos têm adoradores demasiado exaltados. Meu propósito, ao mesmo tempo que é o de divulgar este magnífico conhecimento milenar – certamente que é magnífico! – é também o de desmistificá-lo nos pontos que considero inadequados. Eu sei que existem “odinistas” que admiram o hábito que os vikings tinham de invadir e matar, ou de praticar sacrifícios humanos. Existem lunáticos que acham “bárbaro” o fato deles empalarem bebês em meio a estas matanças. Bom, este é um hábito que eu vou ridicularizar sempre que puder, e tantos outros que não podem ser exaltados por entusiastas juvenis da selvageria arcaica. Odin fazia muita coisa errada nas histórias, todos os deuses faziam, e eu os critico para mostar que eles, no fim das contas, não passam de representações humanas. Quanto ao Chaves, que você diz admirar, volta e meia ele trata de temas mitológicos nos seus sketches, recriando-os de uma maneira alegre. Ele não tem só um humor “humilde e sem significado” como você afirma. Você está julgando-o de maneira um tanto superficial, como diz que eu faço com as lendas. Ele pertence a uma tradição cômica muito inteligente que se perde no tempo, que passa por Chaplin, Keaton e o próprio Cantinflas, seu patrício (um humorista fabuloso que a gurizada hiper-internet-intelectualizada de hoje provavelmente jamais ouviu falar). Finalmente, no que diz respeito ao conteúdo dos meus livros, eles são exatamente o que são. Não há neles “propaganda enganosa” alguma (como você, de maneira um tanto abusada, afirma). Esta impressão sua advém do conceito limitado que você parece fazer de qualquer obra – ou seja, de que ela deve atender e satisfazer exclusivamente o seu gosto pessoal e os seus pré-conceitos acerca do que deve ser dito num livro antes mesmo de abri-lo. Pois muito bem, garotão, fique sabendo que você e os seus amigos de ortodoxia juvenil caíram direitinho na minha esparrela, pois ERA EXATAMENTE ISTO QUE EU QUERIA! Finalmente você se confrontou com algo que abalou a sua ortodoxia, Snaga amigo. Por alguns instantes você foi retirado do seu culto pessoal de adoração às fábulas para ingressar no mundo adulto do pensamento crítico. Por Odin se não era isto o que eu queria!… Sim, é possível ler-se estas histórias com senso crítico, e mesmo considerá-las até mesmo idiotas, sem que um Tribunal Supremo da Inquisição Nórdica desça do Valhalla para punir o herege blasfemo!
Bom, acho que por hoje já chega. Desculpe se me estendi, Snaga amigo, mas é que gostei muito de responder aos seus argumentos. Respeito suas opiniões e a de todos os demais, e agradeço mais uma vez a sua generosidade em permitir que eu desenvolva, junto com você e os demais participantes deste belo fórum, as nossas ideias acerca do que um livro de mitologia nórdica deva conter, ou não conter. Eu, particularmente, espírito livre que sou, acho que pode conter tudo, da reverência o mais puro deboche.
Um abração e obrigado pela gentileza.
Olá, Snaga!
Já que ninguém respondeu ao meu “tratadinho” quero aproveitar para abusar mais um pouco da sua generosidade e esclarecer aquele negócio de que eu “não levo a sério os fãs dos mitos, nem os leitores dos meus livros”. Isto sim, mais do que qualquer outra coisa, tem de ser esclarecido. É claro que eu os levo a sério e os respeito, adoro conversar com todos os leitores, concordem ou discordem de mim (a discordância é fundamental, a luz só surge do atrito, podem meter o pau à vontade). O problema todo é que não consigo, de jeito nenhum, bajular ninguém. Já perdi amizades por causa disto, mas é simplesmente impossível que eu aja de outro modo. Para mim respeitar o leitor é ser sincero com ele, e não dizer coisas apenas para afagar as suas convicções. Jamais vou escrever um livro apenas para lisonjear o gosto ou a opinião de alguém. Tenho a consciência de que posso estar perdendo muitos leitores por causa disto, como você afirmou, e com razão, na sua metáfora bancária. Bom, então, seja lá como for, pelo menos fica bem claro que, definitivamente, A. S. Franchini não é um mercenário que escreve somente para ganhar dinheiro. Se fosse assim jamais teria cometido a loucura de dar um tiro no meu próprio pé. (Muito provavelmente meu editor, ao saber disto, irá me exigir uma indemização judicial por perdas e danos). Mas é evidente, Snaga e amigos deste qualificado fórum, que ali há um exagero com intenção cômica. É lógico que eu levo todos a sério, até mesmo os exaltados do “odinismo” ou do “tolkienismo”. O que eu quis dizer – e continuo dizendo – é que, mesmo adorando o tema do qual trato – ou seja, a mitologia, e a maior parte da literatura de fantasia que gira em torno de temas correlatos -, acho que não se deve nunca descambar para o exagero ou o fanatismo. Quando, por exemplo, vejo pessoas – não digo a gurizada, mas homens feitos e de barba na cara, praticantes regulares de sexo e de sonegação de impostos – chegando ao extremo de se vestirem de elfos ou de magos, ou calçando “pezinhos-imitação” de hobbits em congressos festivos, bom, aí sim eu admito que sinto uma vontade danada de dar um piparotezinho na orelha nesta gente. Um adulto vestido de Frodo – com orelhinhas e tudo – convenhamos, Snaga, que é lamentável…!
Agora, quanto ao livro, que é o que realmente interessa: relendo-o com calma, sinceramente não vejo nele, na verdade, nada que soe ofensivo aos mitos. Apesar de ter adotado um tom um tanto escrachado, as histórias não estão deturpadas, e seguem rigorosamente o teor das lendas originais, que têm, como já disse, um tom originalmente cômico (A história do roubo do martelo, com Thor vestido de mulher, o seu duelo grotesco com a velha giganta, e a pescaria da cobra são rigorosamente cômicos, não podendo ser recontados de outra forma.) Já o Anel dos Nibelungos, que ocupa mais da metade do livro, mantém um tom sério, com alguns vagos interlúdios cômicos, como acontece em boa parte das tragédias clássicas. Finalmente, Snaga, quero ressaltar algo que parece não ter ficado bem claro: o livro meu e da Carmen não pretende, de maneira alguma, disputar espaço com as obras de eruditos. (A propósito: existe um livro muito bom, nesta linha, da editora Madras, que se chama Mitos do Norte da Europa, ou algo assim; quem não conhece, entre no site da editora, que ainda deve estar disponível. O livro esmiuça muito bem os “significados profundos” que você tanto gosta. Foi ali que descobri, por exemplo, que o cavalo Sleipnir, que Odin utiliza para fazer suas viagens ao reino dos mortos de Hel, possui oito patas porque seria uma representação de um esquife. Como um esquife é carregado geralmente por quatro pessoas, aí temos a razão de Sleipnir possuir oito pernas. Admitamos que, “se non é vero, é bene trovato”.) Meu livro e da Carmen se destina àqueles neófitos que desejam ter um primeiro contato com o universo da mitologia nórdica. Você, entretanto, como boa parte dos demais frequentadores do seu Covil, me parecem estar num plano bem mais elevado em termos de conhecimento acerca do assunto, a ponto de fazerem algumas correções acertadas. Na última edição – já está na décima (felizmente, para um livro “ruim”, até que está agradando a maioria dos leitores) – foram feitas algumas correções, especialmente gramaticais.
Muito bem, Snaga, e com isto encerro, de vez, minha participação neste debate, pois o que tinha a dizer está dito, e não me agrada estar me repetindo, a maneira de um robô dogmático. Vou me limitar, a partir de agora, a escutar o que você os demais visitantes têm a dizer.
Um grande abraço, Snaga, e, mais uma vez, muito obrigado pelo espaço.
Só existe uma coisa que ficou me cutucando durante sua resposta, Franchini.
A maioria das pessoas quando querem conhecer alguma cultura distante no tempo ou no espaço, não querem nenhum julgamento de valor que só diz respeito a moral ocidental cristã, todos nós já sabemos o quanto você está por dentro daquilo que é “certo” e “errado”.
Os vikings queimavam e empalavam, assim como os árabes apedrejam adúlteros, os celtas e os astecas sacrificavam humanos, os romanos crucificavam inimigos, os indígenas matam os filhos e alguns brasileiros sacrificam animais em rituais afro, etc.
Os fãs de mitologia, seja ela qual for, sabem muito bem diferenciar aquilo que é uma característica histórica e social daquilo que se tem de interessante de cada cultura.
Os mitos não foram feitos para serem analisados como se fossem narrativas literárias, eles não são frutos da imaginação individual de um autor para um público, justamente por isso são universais.
Não condeno a sua iniciativa de publicar o livro, vivemos em um país livre e cada um pode publicar o que quiser e viver da maneira que quiser, você não está roubando e nem fazendo nada de ilegal… só estou te dando um toque do tipo de público que procura as suas obras.
Também não suporto alguns reconstrucionismos que não respeitam a especificidade sócio-temporal daquilo que se quer “reconstruir” filosoficamente… mas os cristãos não fazem isso com a Bíblia também? Posso lhe assegurar que este seu tipo de crítica aos “odinistas” não é cabível aos fãs de mitologia.
Ao julgar como “certo” e “errado” as atitudes de uma sociedade e de uma mitologia de centenas de anos será que você também não estaria respeitando a especificidade social e temporal daquilo que se propôs a analisar!?
Os vikings não existem mais, a época e o meio que eles viveram é completamente diferente do nosso, e nem sei se é possível até mesmo para um acadêmico reconstruir a estrutura mental de um povo que viveu centenas de anos atrás, para que então julgar essa cultura através de nossa moral contemporânea ?
Só vi este resenha hoje, gostaria de ter visto mais cedo, quando a discussão ainda estava em curso, mas concordo com o o Hades disse, e ao autor, se ele ainda lê esta discussão, não é uma raiva cega e dogmática, é uma reação à algo que soa como falta de respeito, em uma sociedade judaico-cristã que julga os valores e crenças que são diferentes, fazer sátira com eles é andar em terreno pantanoso.
Ao autor, recomendo a leitura de stuart hall e maffesoli, já que acha que “chegando ao extremo de se vestirem de elfos ou de magos, ou calçando “pezinhos-imitação” de hobbits em congressos festivos, bom, aí sim eu admito que sinto uma vontade danada de dar um piparotezinho na orelha nesta gente”
Se não consegue entender a importância do simbólico, dos rituais, dos grupos, muito me espanta que você goste de mitologia. Como o Hades disse, eles não são um testemunho fiel de determinado povo em determinada época, são uma das possíveis facetas para se entender o imaginário social, as angustias, medos e alegrias grupais desses povos.
Sim, existem inúmeros relatos de que a comédia e sátira eram comuns na escandinavia medieval, porém perceber o porque isso era assim, é diferente de tratar o tema dessa maneira. Não faz muito tempo, negros eram motivo de piada e punições físicas em trabalho escravo, isso era a corrente, era o comum no meio social. Isso torna correto fazer piadas sobre negros, índios, etc? Então por que justificaria tratar as crenças e valores da mesma forma?
E enfatizando o que o Hades havia dito, julgamento de valores é uma coisa que não deve ser feita, em hipótese alguma.
Vamos apenas comentar um fato ao Senhor Franchini:
Se levarmos pelo lado de “Odin não existe” podemos também afirmar que Deus / Jeová não existe.
Os deuses, sejam eles de que panteão forem, existem a medida que existe quem acredite neles…Ou seja que se crie Egregora e energia suficiente de fé para que tenham sentido nesse tempo/espaço.
Ou seja, se temos hoje reconstrucionistas Helenicos, Celtas e Nordicos, existe culto a estes deuses, existe necessidade de tratar a “mitologia” como algo melhor.
Bem dizia Campbell: O meu é religião o dos outros é mitologia.
Se for assim, podemos transcrever o mito judaico cristão contado na Biblia como nada mais que historinhas de susto, temor e medo (vide Velho Testamento) feitas pra por os homens a sujeição da invenção do Jeová ou Deus.
O livro descreve de forma pobre a mitologia de um região inteira.
Infelizmente o autor ainda vem a um site que resenha seu livro pra falar que não acredita em nada do que escreveu e diz que não ésó por dinheiro…Só pode ser por dinheiro.
Historia necessita crença, seja no que se escreve, como boa literatura, seja no assunto que se trata.
Escrever pelo escrever é prerrogativa de alguns vestibulandos que garatujam redações nos vestibulares da vida sem se preocupar com o portugues ou o conteudo, visando apenas passar (veja que marquei como alguns, tem gente que leva isso a sério, por favor, prestem atenção!).
É péssimo quando um autor fica criando juizos de valor, ainda mais quando se refere ao fato de fãs…
Fãs de Tolkien ou de Anime ou do que for, tem o direito de se expressarem, seja estudando o assunto do qual gostam, seja indo numa convenção, reunião ou afim fantasiado do que for – direito esse garantido pelo direito de ir e vir constitucional – se você, como fã de Tolkien, vai a um encontro vestido de Hobbit, você deveria poder se isentar de tomar o tal piparote na orelha de algum desconhecido que não entende o que você pretende e nem o que você gosta.
Pois percebe-se que o senhor Franchini não gosta da obra do Professor John R.R. Tolkien, autor que ainda será lembrado por muitos séculos e criador a obra mais lida depois da Biblia (será que alguem vai lembrar dos contos mal contados de mitologia nordica?).
Tolkien e muitos autores são fantasia. E isso deve fazer parte da vida, não como fuga do real, mas como parte do que nos faz querer mais, nos faz ir adiante e nos mostra os caminhos da imaginação.
Pena…pena que o Senhor Franchini não consegue ver nem o quão sério Mitologias podem ser e nem o quão bom é poder viajar na sua imaginação sem tirar os pés do mundo real…
O que me assusta em manifestações desse tipo é que, sob a “proteção” da democracia”, alguém se sente à vontade para exprimir todo seu preconceito. Foi isso que aconteceu nas palavras do Sr. Franchini, ao desqualificar a crença de outras pessoas ou suas práticas lúdicas.
A despeito da situação (essa sim, cômica) dele próprio desprestigiar sua própria obra – acredito que seus editores não concordam com essa postura -, o que realmente me causou espanto foram as seguintes palavras do Sr. Franchini:
“Meu livro e da Carmen se destina àqueles neófitos que desejam ter um primeiro contato com o universo da mitologia nórdica.”
A irresponsabilidade é tamanha. Um primeiro contato com a Mitologia Nórdica” (ou de qualquer outra mitologia, inclusive a cristã), deveria ser tratado com maior seriedade.
É como se o autor estivesse “se lixando” para os leitores e a compreensão que estes podem ter sobre o assunto.
É notório que o autor desconheça o trabalho literário de J.R.R.Tolkien. Dá a entender que o máximo que ele viu foram as capas dos livros “O Senhor dos Anéis” e os filmes de Peter Jackson. Desconhece, com certeza, suas pesquisas linguisticas e seu trabalho como docente de Oxford. E, também, acredito que ele desconheça o que realmente é Literatura.
Pegar um punhado de texto pela wikipedia e transformar em livro está longe de ser obra de alguém que entenda o que é trabalho literário de fato.
Mas isso nem merece maior atenção.
O fato da obra estar na XXX edição não é sinônimo de qualidade ou de conteúdo, nunca foi. Iludido está o preconceituoso autor.
Nota mental: nunca ler nada desse tal de Franchini… para dar risada existem opções bem melhores.
Gente, realmente não tem como levar a sério um autor tão estúpido… Depois que ele fez uma puta salada e misturou mitologia grega com mitologia nórdica, sem contar em desqualificar a crença de outras pessoas e/ou suas práticas, não precisa falar mais nada…
Que mané, meu Deus, preconceituoso e além de tudo BURRO… Espero que a editora tenha conhecimento disso, e passe suas publicações para a seção: “Micos e Piadas”.
Próximo passo dele será escrever quadros para o “Zorra Total”.
Aqui em Brasília, minha cidade natal, autores assim dificilmente sobrevivem… Hahaha…
a principio gostaria de adquirir tal livro, mas depois das palavras do próprio autor da façanha neste blog, percebi que não vale a pena aprimorar meus conhecimentos sobre a rica e encantadora mitologia nórdica através deste volume. escritor pobre em suas palavras ao ofender a cultura de outros povos.
ridiculo desconhecido Franchini!
Snaga parabéns pelo blog!
Oi, pessoal, sou eu, Franchini, o autor do livro de novo.
Olha, depois de ler todos os enxovalhos que me deram, no começo realmente não se senti inclinado a responder a nenhum deles, especialmente às ofensas do tipo das que me chamam atrevidamente de burro, ignorante, desonesto, ou coisa pior. Naturalmente que a estas não vou me dar ao trabalho de responder, pois seria descer ao mesmo nível daqueles que parecem estar habituados com a falta de educação.
Quanto aos argumentos, sinceramente, a única coisa que posso responder é o seguinte: não vou mudar uma vírgula do que afirmei, pois tudo o que eu disse é exatamente o que eu penso. Quanto ao desrespeito à cultura, seja ela qual for, tenho a certeza de que jamais fiz isto. Então o filme Erik, o Viking, do Monty Python também é desrespeitoso? É uma sátira. O meu livro não chega a ser uma sátira, apenas leva as histórias – que originalmente já têm essa inclinação – para o lado da comédia, e nem sempre.
Quanto a criticar alguns aspectos da cultura nórdica – como o dos sacrifícios e massacres – vou continuar criticando, não porque não seja capaz de compreender que faziam parte da cultura da época, mas porque acho que são traços arcaicos que, de uma forma ou de outra, deveriam ser banidos da mentalidade do homem moderno. O homem evolui. Antes, o canibalismo era a regra, hoje não é mais admissível. Sacrificar-se crianças em altares para divindades inexistentes – INEXISTENTES, tenho todo o direito de, em pleno século 21 não crer mais nelas, nem em Odin, nem em Júpiter, nem em Shamash, nem em Tupã, e muito menos na “Egregora” da Sheilla, ou nas criações extravagantes da mente dos esotéricos espalhados pelo mundo todo (embora lhes reconheça o direito de cultuarem o que bem entenderem) -, sacrificar crianças, dizia, é um crime bárbaro, seja em que época for. As culturas antigas eram muito imbecis neste aspecto, e os homens que davam ouvidos a estas sandices eram uns pobres de uns tontos, iludidos por druidas, bonzos, xamãs, e toda a casta sacerdotal, que sempre soube muito bem tirar o seu lucro de tais abominações. Ainda assim, devia haver algum esclarecido que, mesmo naquele tempo bárbaro, abominava tais práticas, e as censurava abertamente. Mas este coitado devia terminar, invariavelmente, também na fogueira (como eu, nos dias de hoje, pareço estar prestes a ser lançado). Voltaire passou a vida toda censurando as práticas bárbaras disseminadas pelas religiões como sendo produto da época do obscurantismo humano. Eu concordo totalmente com ele. É preciso compreender, mas não admirar tais coisas, como fazem, ainda hoje, alguns lunáticos (obviamente que é somente a estes que dirijo minhas críticas). E a coisa vem até os dias de hoje. A prática cristã de atribuir a salvação humana por conta de um sacrifício divino, por exemplo (sempre os sacrifícios!), mostrou-se maléfica, gerou horrores mentais sem tamanho, milhões de pessoas tiveram vidas miseráveis e oprimidas pelo sentimento de culpa por conta de tais crenças, que já deveriam ter sido banidas há muito tempo da mente humana.
Agora, um recadinho a Shyrlei, que se acha muito culta, e a mim muito ignorante. Você disse que eu devo desconhecer “com certeza” a obra do Tolkien e suas pesquisas linguísticas. Dá licença, dona Shyrlei: COM CERTEZA É VOCÊ QUEM ESTÁ REDONDAMENTE ENGANADA. Já li o Senhor dos Anéis inteirinho, de cabo a rabo, e só não me dei à reprise porque, ao contrário de você, achei-o um livro chatíssimo.
Dá licença, dona Shyrlei, de eu achar O Senhor dos Anéis um livro chatíssimo, assim como vocês todos acharam o meu livro idiota? Para o meu gosto – dá licença, dona Shyrlei, de eu ter o meu próprio gosto? – o Hobbit é um livro infinitamente superior, justamente pelo seu senso de humor, e a alegria de viver que ele transmite. Depois deste livro a impressão que me dá é que o sr. Tolkien se empolgou em demasia com o seu talento e acreditou que estava pronto para fazer um “Guerra e Paz” povoado por elfos e anões. No meu entendimento, com a devida licença da nossa querida Shirley, o SdA é um livro pedante, narrado à maneira de um romance realista oitocentista, repleto de descrições enfadonhas e psicologismos bisonhos aplicados a hobbits, seres fantásticos que, em nome da graça e do encanto da literatura de fantasia, deveriam continuar a ser, para todo o sempre, as criaturas menos psicológicas do mundo, tal como defendia Jorge Luís Borges (que a nossa cultíssima Shirley já deve ter lido, também, de cabo a rabo).
Em resumo: o Senhor dos Anéis é um Pé! Eis a minha opinião, e quem não gostar, paciência. Que leia de novo o calhamaço todo e procure se acalmar.
Bom, para finalizar: de todas as acusações que me imputaram, certamente que a pior de todas é afirmar, de maneira totalmente inconsequente, que eu não gosto de mitologias, nem do que escrevo. Gosto, À MINHA MANEIRA. Eu me sinto perfeitamente livre para gostar da mitologia – ou de qualquer outra coisa no universo – à minha maneira, e esta minha maneira não precisa ser reverente como a de vocês. Por favor, minha gente, façam um esforço mental para tentar entender isto. Respeitem o meu modo de encarar as coisas, assim como eu respeito o de vocês. Vocês estão contaminhados pela praga moderna do politicamente correto. Qualquer afirmação mais irreverente provoca uma rebelião no seu sistema nervoso. O sujeito diz que Tolkien é um chato, então é preconceituoso. Se eu digo que acho uma asneira certo episódio das lendas nórdicas, então sou tachado de “um cristão preconceituoso que se arvora em enxovalhados das sagradas crenças pagãs”, ou outra baboseira sectária qualquer. Pessoal, vocês têm que se acalmar. Vocês se investiram na condição de Guardiões da Cultura Pagã Universal e agora estão em campo para a sua Guerra Santa. O semblante de vocês está carrancudo, o fígado bombeando bílis negra para os seus cérebros. Relaxem, por favor!
Vamos, lá, pessoal, sorriam!
Vamos, é fácil, basta distender os músculos da face!
Isto, gurizada! Já melhorou!
Sou só um escritor dizendo o que pensa, Isto não pode ser motivo para vocês ficarem tão brabos. Não gostaram do livro? Joguem-no na cesta. Não gostaram das minhas ideias? Danem-se as minhas ideias. Mas o Franchinizão aqui não vai mudar uma palavra do que disse, pois está convicto do que afirma. Também não quer que vocês se prostrem aos pés dele reconhecendo-o como o Senhor da Razão. Mas tentem, apenas, meus amigos e minhas amigas, conviver com uma visão diferente de uma coisa que vocês estão habituados a idolatrar. Discordem à vontade, mas não se enfureçam comigo só porque eu não penso como vocês.
Ok, pessoal?
Um abração a todos.
A propósito: estou lançando um novo livro, na mesma linha da mitologia nórdica, uma adaptação – ou “deturpação”, como já antevejo as críticas – de algumas sagas nórdicas, aquelas mesmas que Tolkien (olha aqui, Shirley, o “Ignorantão de Tolkien”!) tanto apreciava, a ponto de surrupiar alguns nomes para os seus personagens. O meu novo e maravilhoso livro se chama FÚRIA NÓRDICA. Pode crer, pessoal, se eu tivesse tomado parte neste debate antes de terminá-lo certamente que eu o dedicaria a todos vocês.
Um abraço a todos vocês, meus queridos odiadores, em especial ao Snaga, que me convidou a retornar à esta maravilhosa liça do Covil para, à melhor maneira mitológica, retomar este valoroso duelo de um contra cem.
Franchini.
E continua a exposição de falta de senso e de noção do Sr. Franchini.
Até quando teremos que aturar suas esculhambações e falta de educação com a opinião alheia?
Se as Editoras se dão ao trabalho de sacrificar arvores pra por mais lixo nas livrarias, se depender de mim e de todos os que eu puder avisar, o livro não venderá.
É um desrespeito com todas as religiões o modo como ele encara as mesmas.
Inexistente é a sua noção de que a ciencia justifica o mundo. Coisa alias que nenhum cientista sério jamais afirmará.
Se você é um cetico, ateu, problema seu, mas então pare de tentar ganhar dinheiro com a religião dos outros!
Canibalismo, sacrifios humanos não estão mais entre as praticas do mundo moderno, não nos moldes que você as vê, mas a forma simbolica destes permanece até mesmo na Missa no momento da Comunhão, afinal, segundo a Igraja Catolica Apostolica Romana, na comunhão você recebe o corpo e sangue de Jesus Cristo.
Se você já foi enganado por um religioso, não faça disso sua regra de vida, afinal pessoas são diversas, com a graça dos bons Deuses.
Sobre sacerdocio, vá pesquisar sobre religiões inciáticas, quem sabe assim, você descobre que ser seu proprio sacerdote evita essa de ser enganado.
As pesquisas cientificas provam que o ser humano precisa de Deus (ou Deuses) e muita coisa não pode ser provada pela ciencia, nos leva a acreditar na existencia dos tais Inexistentes Deuses.
E para cada um picareta (como você), existem dezenas de pesquisadores sérios pelo mundo que podem nos oferecer material de qualidade infinitamente superior a do seu livro.
Quanto a SdA ser chato, cada um tem direito a uma opinião, ainda bem que o resto do mundo não concorda contigo, pois Tolkien foi considerado o livro do seculo, já o seu, aposto que nunca chega nem a segunda impressão da primeira edição.
Tolkien foi traduzido e publicado no mundo todo, livros do Sr. Franchini, acho dificil…
Quanto a sua certeza nas opiniões e afins, fique com elas.
Ah, antes que eu me esqueça! Pare de destruir arvores para publicar suas porcarias, faça esse favor ao planeta Terra. A Natureza agradece.
Caríssima Sheila:
Em momento algum desrespeitei a sua opinião nem a de ninguém. Voce, como a maioria de meus contraditores, não entendeu ainda o o que eu disse. Apenas expus a minha opinião. Você é que, com esta resposta extremamente ofensiva, demonstrou não ter o menor respeito pela opinião dos outros.
Caríssima Sheila, onde foi que eu disse que “a ciência justifica o mundo?” Onde foi que eu disse que sou ateu ou descrente?
Aproveito para fazer um pedido ao Snaga, que é o mediador deste espaço, no sentido de que coíba o uso de expressões injuriosas como esta de “picareta” que esta moça acabou de utilizar. Se a coisa vai descambar para a baixaria, então vou me retirar deste espaço, pois não estou aqui para escutar desaforos.
Peço encarecidamente a você, Snaga, que estabeleça as regras para este debate, coibindo severamente este tipo de ofensa pessoal. Quem não for capaz de expressar suas opiniões sem recorrer ao expediente baixo da injúria pessoal, que, por favor, vá fazer outra coisa.
Atenciosamente.
Franchini.
Caríssima Sheila:
Em momento algum desrespeitei a sua opinião nem a de ninguém. Você, como a maioria de meus contraditores, não entendeu ainda nada do que eu estou querendo dizer. Por favor, leia de novo tudo o que eu disse, com o espírito aberto de uma verdadeira esotérica, e verá que não há a intenção, em momento algum, de ofender a crença de ninguém. Apenas expus a minha opinião. Você é que, com esta resposta extremamente ofensiva, demonstrou não ter o menor respeito pela opinião dos outros.
Aliás, onde foi que eu afirmei que “a ciência justifica o mundo?” Onde foi que eu afirmei que sou “ateu ou descrente”? Quanto a me meter em religiões iniciáticas, muitíssimo obrigado. Conheço o bastante de todas elas para julgá-las um mero emaranhado de fantasias. É a minha opinião, Sheila, e ninguém tem o direito de me impedir de expressá-la. Sei que você pensa de maneira diametralmente oposta, e respeito as suas convicções, mas o que que quer que eu faça? Eu não vou mentir e dizer que admiro algo que não admiro. Mas todos devem ter o direito de crer no que quiserem, e também no de descrerem, se for o caso, tendo, EM AMBOS OS CASOS, o direito de se expressarem livremente. É lógico que as religiões e as mitologias têm o seu aspecto benéfico. Nem por isto vou ser cego para aquilo que nelas julgo nefasto.
Aproveito para fazer um pedido ao Snaga, que é o mediador deste espaço, no sentido de que coíba o uso de expressões injuriosas como esta de “picareta” que você, Sheila, num momento de destempero, acabou de utilizar. Infelizmente, se a coisa vai descambar para a baixaria, vou ter de me retirar deste espaço, pois não estou aqui para escutar ofensas pessoais.
Peço encarecidamente a você, Snaga, que estabeleça as regras para este debate, coibindo severamente este tipo de prática. Quem não for capaz de expressar suas opiniões sem recorrer ao expediente da injúria pessoal, que, por favor, vá fazer outra coisa.
Um abraço sincero a você, Sheila, ao Snaga e a todos os demais (inclusive ao meu colega de espécie João Paulo Nogueira, que me brindou com um epíteto que, apesar de inflamado, talvez seja mesmo exato. Um abração, meu confrade!)
Franchini.
Bom, Sheila, dessa vez não tiro a razão do Franchini. Seus comentários são sarcásticos em vários momentos, porém em momento algum ele ofendeu particularmente a ninguém.
Acho que a discussão descambou para um lado diferente do que é abordado pelo livro e pelo post em si.
Franchini abordou crenças em seus comentários e, a partir daí, a coisa toda se voltou para este lado.
Pois bem, creio que o desrespeito que mencionei aqui não faz alusão à crenças, religiões ou nada do tipo. Quando me referi que o livro deturpava a mitologia nórdica, não era porque desrespeitava os deuses, mas sim a grandiosidade das histórias.
Mesmo que Odin ou Zeus tenham sido cultuados e louvados em algum período da História, hoje não passam de um mito. O fato de eu admirar suas histórias, não quer dizer que eu acredite na existência deles.
O pobresa do livro que aqui critiquei é puramente com relação à interpretação dada e linguagem usada na obra.
Não é uma questão de reverenciar os deuses, mas sim entender o que eles têm à dizer. Não só os deuses, mas os heróis, os seres fantásticos e suas respectivas aventuras. Parece que você, Franchini, não entendeu que a riquesa dos mitos já foram usados por grandes mentes como base para seus estudos – mesmo que estes estudos nada tenham com relação às mitologias: como Freud, que usou dos mitos gregos para criar seus dianósticos de psicanálise, por exemplo.
Não preciso adorar Apolo ou Ganesha para entender que eles têm muito a me ensinar, assim como Frodo, Aquiles, Ulisses, Sigurd e outros tantos que não são deuses, mas que merecem uma boa interpretação e certa admiração, afinal posso aprender muito com suas aventuras, mesmo que elas nunca tenham existido de verdade.
E com relação à SdA e Tolkien, é mesmo uma questão de opinião alguém gostar ou não. Mas dizer que SdA não tem nada a ensinar e que os hobbits não merecem atenção é também de uma grande pobreza de espírito e falta de entendimento das entrelinhas.
Os valores de amizade, superação, humildade e tantos outros, são mostrados ali pelos hobbits e não pelos humanos. Além do mais, o sentimento de enfado dos elfos, que faz com que eles invejem a mortalidade dos humanos, é também um grande ensinamento que nos faz não desesperar com a chegada inevitável da morte, dando a esse momento um conforto a mais. Ou o valor que se pode dar às coisas simples da vida, como os hobbits, que, mesmo envolvidos em uma grande história, tinham como porto seguro a sua terra natal, onde a vida ainda era simples e boa.
Os valores presentes são tamanhos, que até pessoas como o Ministro do TST, o sr. Ives Gandra, é um apaixonado pela mitologia tolkieniana, a ponto de escrever teses e mais teses sobre o assunto, comparando as aventuras míticas a vários fatos do dia a dia. Aliás, em suas próprias palavras, apesar de ser um livro de fantasia, com seres fictícios, Tolkien conseguiu capturar a “a natureza humana, a alma humana da melhor forma possível. As grandezas e misérias do ser humano muito bem retratadas“. Sendo que a Saga dos Anéis “mostra o apegamento do homem ao poder, aos vários deuses que o homem pode ter, que o atraiam e o desviam dos princípios éticos fundamentais e de sua dependência para com o criador“. Aliás, algo totamente cabível nos rumos que essa discussão levou.
Se as descrições são enfadonhas, isso vai de cada um. Eu as acho fantásticas, não só pelo talento com que Tolkien nos apresentava aquele mundo de maneira realística, como também pelo simples fato de tornar a coisa toda realística. Tanto é que vários ilustradores e os próprios filmes, mostram as paisagens de maneira exremamente parecidas, tamanha é a perfeição das descrições.
Quanto a O Hobbit, este é grande pela sua simplicidade. Como o simples fato de se sair de casa e conhecer o mundo, pode ser uma grande aventura, mesmo que não existam trolls ou orcs para nos atacar no caminho. E que, a maior recompensa, é voltar.
São a valores desse tipo que eu me referia, Franchini! A adorações e admirações pelo o que há de concreto nestas histórias, mesmo que o concreto seja apresentado através de metáforas, como a vitória de Arjuna no Mahabaratha, que só poderia ser conquistada se ele se mantivesse no exílio e esquecesse tudo o que já passou pela vida, para voltar como um homem renovado e assim, sem a deturpação do ódio que sentia, poder encontrar o caminho para reconquistar o reino de seu irmão e seu próprio.
Ou como a simplicidade de Gimli ao pedir um simples fio de cabelo a uma mulher que, antes, sem a conhecer, ele a odiava. Aliás, tem alguém aqui em casa que devia ter a mesma simplicidade de não abrir a boca sobre coisas que não conhece, só pelo prazer de falar mal delas.
E o livro alvo desta discussão apresenta exatamente essa pobreza, de não apresentar com clareza os grandes significados. Além, claro, da linguagem igualmente pobre. Mas não vou falar disso, porque já me referi a tudo isso no post.
Enfim, galera, vamos parar com as ofensas pessoais e discutir a coisa de maneira sadia.
E gostaria de agradecer ao Franchini por responder meu e-mail e passar novamente por aqui para responder os argumentos de todos. E por mais que discordemos dele – e sim, eu discordo – não é todo autor que dá a cara a tapa para discutir suas opiniões com seus leitores.
Sr. Franchini, desculpe se o epiteto de picareta lhe doeu.
Não sou sua Caríssima, o senhor não me conhece, prefiro apenas o Sra. como me convem, afinal somo adultos e responsáveis por nossos atos.
Snaga, perdão se desrespeitei seu forum.
Não retiro uma palavra do que disse.
Joseph Campbell já dizia que o meu é religião e o dos outros é MITO.
Pra mim, os deuses são reais. E existe o Mito Judaico Cristão.
São pontos de vista. Vivamos cada um com o seu.
O Sr. Franchini se doeu porque ele deu a entender que preferia ciencia a religião e extrapolei a premissa colocada.
Considero que o que me doi nessa afirmações dele são de que tudo é mito, igualando o mito a mentira, historinha…
Mito não é isso, mito é a narrativa de um povo ao tentar explicar seus modos, meios, medos e anseios.
A religião se criou com base nisso.
Ela é real? Não sei, pra mim funciona.
Mas a religião tem servido a humanidade, bem ou mal, desde o principio dos tempos.
Quanto ao uso de arvores, considero que muitos livros continuariam melhores como arvores e nesse sentido englobo todos os que escrevem sem pesquisas, sem aprofundamento, sem embasamento em assuntos tão sérios quanto a religião (ou o mito como quiser chamar) e acham que tudo pode ser humor e brincadeiras.
Não é.
A escrita eterniza o fato, seja ele bem pesquisado ou não. Daí a importancia de cuidar do que se escreve.
Daí a minha “necessidade” de não retirar a palavra dada.
Existem povos pelo mundo que não escrevem certos aspectos de sua historia e mitologia, pois a escrita é palavra morta, não pode evoluir, nem crescer. (povos Celtas, por ex emplo, que saibam escrever mas não escreviam seus mitos até sua cristianização).
Sobre o livro do Sr. Franchini vou sempre me abster de comentar pois ainda não o li, e só terei esse “prazer” (?) se checar se meu marido o ganhou de presente, pois nem eu e nem ele gastaríamos com um livro que me parece tão fraco.
Sugiro pra quem gosta: A volta ao mundo em 80 mitos – Rosana Rios – Ed Artes e Oficios.
A Rosana é uma grande amiga, pesquisadora seria, cristã que respeita a religião e o mito alheio, assim como se faz respeitar pelo modo como age e escreve sobre o assunto.
Pra quem não conhece Rosana Rios é autora de mais de 100 livros, foi redatora do Bambalalão, do Ratimbum e do Agente G. Joga RPG e gosta de Tolkien, além de diversos outros autores.
Ah! Snaga, se quiser te apresento alguns grupos de reconstrucionismo religioso de várias correntes, só pra te mostrar que cultos helenicos, nordicos e afins não são só mitologia hoje. Temos adoradores de Odin (conheço alguns bem sérios) e outros de Zeus e Dionísio (esses mais sérios ainda), afinal cada um tem o direito de achar a religião que melhor te RELIGA ao divino.
Fiquem bem!
Sra. Sheila:
É lógico que o epíteto de picareta me doeu, como qualquer ofensa dói a uma pessoa de respeito. Se eu lhe chamasse de vigarista ou de qualquer outra coisa parecida certamente que você também se ofenderia. Mas como você se declara disposta a não retirar a ofensa, meu assunto com você está encerrado. Pelo visto a sua “religião iniciática” é bastante falha no quesito espiritual, já que se mostra pouca disposta a exercitar as virtudes da caridade, da compreensão e do mais básico respeito humano. Esqueça um pouco os seus dogmas e patuás esotéricos, sra. Sheila, e se aplique mais na parte espiritual – ou de mera educação – da sua crença, que, pelo visto, é bastante limitada.
Agora dá licença, que vou responder ao Snaga, que é um rapaz de categoria.
Parece incrível, Snaga, que eu ainda não me tenha feito entender, mas vamos lá, vou repetir tudo de novo.
É lógico que eu admiro e respeito as crenças mitológicas. É lógico que elas têm muito a nos ensinar, tudo isto que você falou eu assino em baixo entusiasticamente. Tolkien, apesar de não ser do meu agrado, é um grande escritor, autor de um universo literário magnífico. Seu livro tem uma mensagem muito bela, apenas não me agrada o modo dele escrever, como a minha maneira não agrada a você, Snaga. Questão de gosto.
Meu livro não desrespeita a grandiosidade das histórias, de forma alguma. Ele apenas as leva para um lado mais descontraído. Luciano de Samosata, um autor clássico grego, ia muito mais além com relação aos deuses gregos, chegando a ridicularizá-los abertamente no Diálogo dos Deuses, por exemplo. Especificamente neste livro dos nórdicos apenas acentuei um pouco mais a minha veia satírica, porque as histórias me pareceram mais propícias a isto. Os fabulários da Idade Média também estão repletos de histórias a respeito de Jesus, nas quais São Pedro – e às vezes o próprio Jesus – são apresentados como criaturas ingênuas ou matreiramente espertas. A mitologia nórdica também é pródiga de histórias neste sentido. O venerado Thor, em sua visita ao país dos gigantes é apresentado como um paspalho, e feito de palhaço até mesmo por uma velhota. Eu sei que há ali todo um simbolismo, mas que a história é engraçada, é, e nem por isso há nada de desrespeitoso em privilegiar este aspecto. As pessoas de mente aberta também gostam de rir de si mesmas e até mesmo dos seus deuses. O que eu estou querendo dizer, o tempo todo, é que vocês levam a coisa a sério demais. Isto de não admitirem nem uma ironia com respeito a cultura dos nórdicos, ou a qualquer outra, demonstra azedume de espírito. (Aliás, se tivesse de dar um conselho a este pessoal mais raivoso, diria: namorem mais e leiam menos, pessoal. Vocês estão lendo demais. Larguem os livros e vão namorar um pouco.)
Meus livros possuem histórias sérias e jocosas. Já escrevi sobre a mitologia grega, nórdica, africana, hindu, e tenho pronto um da mitologia celta. Em todos estes livros procuro fazer um mix de histórias engraçadas e sérias, para tornar a leitura mais agradável. Se eu escrevo mal, é outra história, sou o primeiro a admitir que meu texto não é nenhuma “pérola do idioma”, nem imagino algum alcançar a mesma posteridade do Tolkien com meus pobres livros. Aliás, se tem algo que não ambiciono é a fama nem a posteridade. Pode estar certo, Snaga e amigos, que a vaidade é um dos poucos defeitos humanos que não integram o cardápio dos meus vícios morais. Não escrevo para me envaidecer, nem para aborrecer ninguém, mas também não escrevo para afagar as crenças de quem quer seja. Digo simplesmente o que penso. E pela última vez vou repetir o meu pensamento: Eu adoro e respeito todas as mitologias, reconheço nestas histórias o que de melhor o espírito humano pôde conceber, já que não são criação de uma vaidade pessoal, mas de milhões de seres humanos que, ao longo dos séculos, foram desenvolvendo esta verdade poesia do espírito humano que são as suas lendas e mitologias. Acontece que, muitas vezes, estas histórias pode encerrar algumas práticas e noções que eu considero nefastas. A prática do sacríficio humano, por exemplo, que se incrustou em algum momento na vida mental dos povos arcaicos eu considero como a mais nefasta e abominável ideia que um dia pôde penetrar na alma humana. Eu conheço todas as explicações etnológicas a respeito, li quase tudo que Mircea Eliade e outros estudiosos escreveram sobre o assunto, e ainda assim me sinto perfeitamente à vontade para dizer que foi um momento desastroso do espírito humano.
Mas estou fugindo do tema. O meu caro Snaga disse que eu escrevo mal e que não sei dimensionar a grandeza dos mitos. Quanto a primeira crítica, é bem possível que assim seja, mas quanto à segunda não posso aceitar. Eu tenho uma profunda admiração pelas lendas e mitos, senão estaria escrevendo sobre outra coisa. Acontece que eu não rendo admiração absoluta e incondicional a coisa alguma deste mundo. É isto que parece incomodar a maioria dos meus detratores. Estas pessoas estão imersas num “sonho dogmático”, como dizia Kant. Elas encontraram nas crenças uma caverna cálida e aconchegante, e agora pretendem passar o resto das suas vidas ali alojadas, a salvo das dúvidas e terrores concretos deste mundo. A propósito, não conheço declaração maior de verdadeira indiferença religiosa quanto esta frase lamentável proferida pela Sra. Sheila a respeito de sua crença: “Ela é real? Não sei, pra mim funciona.” Isto, para mim, é reduzir a sua religião – ou o próprio Deus – a algo muito parecido com um ventilador, que só presta se funcionar. Ah, estes religiosos utilitários…!
Quanto a Rosana Rios, que esta mesma senhora mencionou, eu conheço sua obra, ela editou o livro Volta ao Mundo em Oitenta Mitos pela mesma editora que eu edito. Seu trabalho é magnífico e recomendo a todos os interessados no tema. Já no que diz respeito ao “reconstrucionismo religioso” – a mais nova bandeira alçada pelo esoterismo entusiasta – respeito-o como um movimento sincero e bem intencionado, mas infelizmente não posso julgá-lo senão como um retrocesso na marcha ascensional do espírito humano. A seguirmos a lógica desta marcha “retrocessional” (desculpem!), daqui a pouco correremos o risco de voltarmos a venerar crocodilos e cebolas, tal como faziam no Antigo Egito. E se o negócio é reconstruir, então será forçoso retomar os sacrifícios humanos, já que na crença dos celtas e dos maias se tratava este de um princípio fundamental. Para assegurar-se uma boa colheita, ou o simples ressurgir do sol, era indispensável a esta boa gente sacrificar a vida de seres humanos. Este é o risco que corremos quando queremos reconstruir “Idades do Ouro perdidas”. Infelizmente, elas não eram tão douradas quanto imaginamos, já que os seres humanos daquele tempo eram exatamente iguais aos de hoje, um misto complexo de virtudes e vícios, e suas crenças um espelho de sua alma – boa e má ao mesmo tempo.
Bom, Snaga, é isto. Obrigado pela sua intervenção no tocante a cessação das ofensas pessoais. Da minha parte, peço desculpas a você e a todos os outros debatedores se em algum momento me excedi, embora tenha a certeza de jamais ter ofendido pessoalmente a ninguém, tal como esta senhora teima em continuar fazendo, e um certo fulano que, num momento de destempero leviano, entendeu de me chamar de burro, estúpido e mané. Que estranha fixação pessoal o levará a acumular sinônimos para exprimir um mesmo termo num espaço tão curto de texto é um mistério esotérico que me julgo dispensado de investigar.
Um abração, Snaga, e até a próxima.
Franchini.
Sr. Franchini
Caridade deve ser merecida.
Eu não sigo religião que manda perdoar, ela manda aguentar as consequencias de meus atos e isso estou fazendo.
Quanto a compreensão, se ela não existisse, vossa senhoria não merecia a educação de resposta, ainda mais com direito a a replicas e treplicas de sua parte.
Compreendo que o senhor não quer e não vai levar a sério o assunto MITO.
E voltemos ao fato de que sacrificios podem ser figurativos, até porque o termo Sacrificio quer dizer TORNAR SACRO. E ponho em duvida a falta de vontade de qualquer pessoas dos tempos antigos em ser tornar sacro pelo bem de seu povo, pois esse era o objetivo.
Não, eu nunca sacrifiquei mais do que pão, cerveja, vinho e afins, afinal TUDO é vivo. E honrar a coxinha, pra dar um exemplo extremo, (como um conhecido diz) é honrar o fato dela ter sido trigo, batata e ave…
Se não houvesse sacrificio, não haveria missa, pois o Cristo se sacrificou para que seus seguidores se salvassem. E esse sacrificio é repetido todas as missas de forma alegorica com direito a misterio da transfomação da hostia em carne e do vinho em sangue.
Não vou colocar um comentario jocoso aqui, merecido, mas a compreensão me faz parar e não colocá-lo…
Então, encerremos nossa discussão.
O Senhor não cede, e nem tampouco eu.
Fiquemos cada um na sua, eu não lendo seus arremedos mitologicos e o senhor continuando com sua vida.
Viva…! Trato feito, dona Sheilla!!!
Não faço questão alguma que você leia meus arremedos mitológicos. Mas, por favor, continue escrevendo seus comentários a respeito do seu assunto predileto neste blog. Esta do renascimento do culto a Odin, Mercúrio, Anúbis e cia. foi uma grata surpresa para mim. Os esotéricos são deliciosamente imprevisíveis, e é sempre um prazer para mim tomar conhecimento de suas últimas “inovações”. Tenho a esperança de ainda viver o bastante para ver, nos próximos anos, o retorno triunfal do pré-animismo.
Falando sério, agora:
Desejo, sinceramente, que as suas crenças a façam feliz, dona Sheila. Eu não tenho religião alguma, mas para mim não me custa absolutamente nada perdoá-la por ter me chamado de picareta, e também pedir-lhe perdão se, em algum momento, a ofendi ou desagradei. (É tão fácil perdoar, dona Sheilla. Experimente de vez em quando!) Quanto ao comentário jocoso, que você preferiu suprimir, pode fazer quantos quiser. Não havendo ofensa pessoal direta, fica-se no terreno da inteligência, e não no da grosseria – algo realmente incompatível com a Egrégora de pessoas votadas às coisas do espírito.
Atenciosamente,
Franchini.
Franchini.
Só vou fazer um comentário:
Sr. Franchini, porque o meu é arremedo esoterico de patuás e afins e a dos outros é religião?
Só porque não esta no Main stream, não é valido?
Fico indignada pois se eu fosse catolica, estaria tudo lindo, mas como busco um caminho de vivencia diferenciado, sou taxada de esquisotérica.
Cada pessoa tem direito a opinião, o senhor mesmo afirmou isso, então eu afirmo que cada pessoa também tem o direito de viver sua RELIGIÃO seja ela qual for.
Minha religião acredita em animismo, pois segundo o que creio, tudo tem ALMA.
Eu cultuo os Deuses Antigos, no meu caso, os Celtas. Pra mim Brihgid esta viva, falei com ela hoje (parafraseando um adesivo evangelico que grassa por ai).
Se o senhor não tem religião, então ou é ateu ou é agnostico, e não deveria ficar preocupado com perdões e afins, afinal, não tem sentido ficar nesse “sentimentalismo cristão…”, mas tá, eu comentei o que eu queria.
Inté.
Dona Sheila:
Já vi que a senhora tem o dom sobrenatural de expandir as coisas que escuta, além de levar tudo para o lado pessoal. Conheço muitas pessoas assim, mas ainda não consegui entender o porquê delas serem assim.
Em primeiro lugar acho que está bastante óbvio, para qualquer pessoa que leia meus apartes, que eu tenho um apreço muito pequeno pelas religiões, e menos ainda pelo seu ramo burlesco, que é o esoterismo. Trata-se de uma questão filosófica. Quando digo burlesco não é para ofender você nem ninguém, mas é porque considero todas estas seitas um amontoado de equívocos. Desculpe, dona Sheilla, não é nada pessoal contra você nem os simpatizantes destas seitas, pessoas sinceras e bem intencionadas, que têm o direito constitucional e humaníssimo de professarem a sua crença, seja ela qual for. Não se trata de preconceito, mas de observação. Já li muito sobre o esoterismo, desde a alta magia de Eliphas Levi até os gracejos da cartomancia e da astrologia (desculpem, cartomantes e astrólogos, sei que grande parte de vocês são honestos e bem intencionados, mas é assim que eu penso, não posso fingir outra coisa). Nunca vi seita nenhuma das milhares que pululam por aí que não me deixasse, ao fim e ao cabo, com a sensação de que estive perdendo miseravelmente o meu tempo. A confusão mental nestas seitas é total. Misturam despudoradamente alhos com bugalhos, num mix discrodante, ao transformarem, por exemplo, Cristo em avatar do espiritismo (ele, que pregava a ressurreição e jamais a reencarnação!). Profetas e Magos de credos absolutamente inconcliliáveis transitam alegremente, como num piquenique místico, de um lado para o outro. Doutrinas tão díspares quanto o budismo e o islamismo surgem, de repente, misturadas a força numa mesma panela, resultando num mingau impossível e discordante.
Mas o pior não é isto. O pior é que os abracadabras místicos aos quais toda esta gente se entrega entusiasticamente não levam, ao fim de tudo, a lugar nenhum. Já que o negócio é “funcionar”, nenhuma destas crenças realmente funciona, senão para criar um estado permanente de hipocrisia na mente da maioria dos seus praticantes. Todos, a partir daí, imaginam-se eleitos, com acesso direto às “fontes secretas do saber” – mesmo que as seitas se contradigam radicalmente umas com as outras – e não raro ingressam no terreno da mais pura demência, quando seus seguidores se descobrem, de repente, como lemurianos reencarnados ou exilados de Capela. Estas crenças, é a minha convicção, não passam de um anestésico moral, ou, no máximo, de uma lavanderia da alma. A questão do sacrifício, por exemplo. Sacrifício para que? em que ele melhora alguém? Conheço pessoas que ingerem o deus cristão regularmente três vezes por dia, e isto não as torna nem um tico melhores. Os beatos estão com a hóstia na boca e já tramando a sua próxima patifaria. Noutras crenças, milhares de animais são degolados barbaramente para que seus adeptos se lambuzem repugnantemente no seu sangue. Impossível imaginar como alguém se tornará melhor depois disto.
, numa cerimônia repugnante que certamente não as tornará melhores do que eram antes.
Quer ler algo realmente religioso? Leia Voltaire. Voltaire passou a vida toda combatendo os fanáticos de todos os credos, mas tinha um sentido profundo do Criador. Toda a sua luta foi para expugar da crença no Ser Supremo os disparates humanos que milênios de erros lhe foram incrustrando. Voltaire desprezava os dogmas de cristãos, judeus, budistas, maometanos, e acima de tudo, as suas práticas extravagantes. Sua crença era a mais simples possível: a crença num Deus justo e compreensivo. Sua crença não ia além disto. Não admitia os furores coléricos do deus bíblico, nem tampouco as extravagâncias imorais das divindades pagãs (a propósito, quer dizer que andam cultuando Baco de novo, com bacantes e tudo? as orgias rituais e a prostituição sagrada também deverão ressurgir?). Voltaire Não admitia as cerimônias ridículas e circenses que os homens inventaram sob o pretexto de honrar o Criador. Quando lhe diziam isto ele lhes respondia, irado: “Vós, honrá-Lo? Mas que honra podeis lhe render, formigas?” Admitia a oração, mas que não fosse um repetir insensato de fórmulas que, pela própria repetição, perdiam todo o sentido, convidando ao sono o próprio Criador. Os disparates de todas as teologias lhe eram odiosos. Voltando à metáfora da formiga, para ele um ser humano imbecil e limitado pretender “explicar”, através de sua mente limitadíssima, o Criador, seria exatamente como uma formiguinha pretender abraçar o Himalaia. Pode a formiga abraçar o Himalaia?
Bom, sra. Sheilla, é isto mais ou menos o que eu penso sobre seitas e religiões. Quem pensar diferente deve continuar com a sua crença, seja ela qual for. Conheço bem a sua Brighd, que os cristãos, bem ao seu estilo, transformaram em Santa Brígida. Se a deusa lhe fala na alma, quem sou eu para me intrometer nos assuntos de vocês?
Uma última palavra: Onde foi que eu a chamei de “esquisotérica”, meus deuses? A sua crença, eu mal posso imaginar qual seja – pelo visto é um mix de quase todas as crenças que já existiram desde que o ser humano começou a ter medo do escuro, já que engloba coisas tão díspares quanto Odin, Baco, Brighid e Jesus Cristo. E quem foi que disse que o perdão é patrimônio exclusivo de cristãos? Um ateu não pode perdoar? Por que “sentimentalismo cristão”? O que a sua religião tem contra o perdão, meu Deus?
Inté.
Franchini.
Sra. Sheilla:
Relendo o meu aranzel percebo que cometi um equívoco de desatenção, fruto, provável, da minha abominável cegueira espiritual.
Pelo que entendi você professa a RELIGIÃO dos celtas. Não se trata, portanto, de culto esotérico, mas de uma religião, um sistema original e coerente de crença, muito distante do verdadeiro saco de gatos que são os cultos “legitimamente” esotéricos. Apesar de julgar esta religião ultrapassada – como todas as demais que se baseiam no velho politeísmo -, não posso deixar de consertar o meu equívoco. E insisto em afirmar como elementarmente justo o seu direito de professar a sua crença (ainda que ela fosse de índole esotérica, naturalmente).
Mas acho que já tempo de voltarmos, em atenção ao mestre de cerimônias deste blog, ao tema principal que deu origem ao debate, ou seja, a ruindade do meu texto e o tratamento pretensamente desrespeitoso que dediquei ao tema “mitologia nórdica”. Quanto ao primeiro argumento, já me declarei disposto a admitir a possível veracidade dele. Como foi um dos meus primeiros livros, é natural que o texto possa se ressentir da inexperiência autoral. Já no que diz respeito ao segundo argumento, permaneço firme na minha tese de que nada há no livro que desrespeite a mitologia nórdica. Nem poderia ser diferente, já que a julgo, junto com a celta e a grega, como as três mais originais e divertidas de quantas o espírito humano possa ter um dia inventado. (Uso o termo “divertido” de propósito, pois é justamente este o ângulo que busco privilegiar nas minhas recriações).
Atenciosamente,
Franchini.
EU ME RACHO DE RIR!!!!!
Todos acreditaram mesmo que aquele é o autor? Olha, vou dizer uma coisa, quem acreditou é mesmo muito burro mesmo, heim! Conheço, mais ou menos (distante, é verdade), a família dele e, indiretamente, sei sobre ele. Não apenas ele não se importa com a opinião dos outros (é educadíssimo e muito legal com os fãs, mas não perde tempo discutindo pontos de vista porque passa o tempo inteiro com um projeto novo), nem mesmo utiliza internet, a não ser pra negócios.
Olha, vou começar a dizer que sou o Papa. Aqui é o Brasil: tem trouxa vaidoso e prepotente que vai ter certeza que vai estar falando com o Papa.
Só tenho uma palavra pra esse “pseudo-autor”: TROLL.
Olá, Erik.
Sim, todos nós acreditamos que ele é o autor, pelo simples fato dele realmente o ser.
Digo isso por já ter entrado em contato com ele através de seu e-mail pessoal (para comentar no Covil, é obrigatório deixar um e-mail, que fica em sigilo e só pode ser visto pelo administrador – no caso, eu). Além disso, o endereço de e-mail foi confirmado pela editora Artes e Ofícios e, mais tarde, pelo próprio Franchini, que foi notificado pela editora.
Portanto, pessoal, nossa discussão, se o Franchini ainda estiver disposto, pode continuar tranquilamente.
E vamos dar as boas-vindas ao Papa, que agora também está participando desta animada discussão! ;)
Ha, ha,ha!
Taí, gostei do Erik! Este, pelo menos, tem senso de humor.
Infelizmente, porém, sou obrigado a reafirmar a minha condição de péssimo autor do livro em debate. De tudo o que ele disse só uma coisa é verdadeira: que eu sou educadíssimo e muito legal com os fãs (não meus fãs, que não tenho nenhum, graças a Odin, mas com os fãs dos temas que abordo).
Quanto a opinião dos outros, desde que expressa com civilidade e educação, me importa muito, pois serve como instrumento de autocrítica. Muitas das críticas que foram feitas aqui neste blog eu admito como justas e coerentes, e certamente servirão para o meu aperfeiçoamento como escritor – ou seja lá o que eu seja no mundo das letras.
Não sei quem é este Erik, pessoal, mas admito que o fato dele me julgar com talento bastante para pregar uma peça no melhor estilo borgiano chega a me envaidecer. E, no fim das contas, se o nosso anfitrião Snaga pode ser um orc, por que eu não posso ser também um troll?
Franchini, o Troll.
É isso aí que você disse, Snaga: eu sou eu mesmo.
Vamos adiante com o debate, pois estou ávido para conhecer mais alguns pontos falhos do meu livro. Por favor, debatedores, não se sintam constrangidos diante da minha presença para externarem as suas opiniões. Sintam-se a vontade para criticar, dirigindo-se diretamente a mim, ou entre vocês próprios. Espinafrem à vontade (sério…!). Se acham o livro uma merda, não há problema algum – vai que é mesmo?. Críticas não me ofendem de maneira alguma. Antes, como já disse, servem para aprimorar o meu trabalho.
Gostaria de propor, acessoriamente, este tema:
Os capacetes dos vikings podem ou não apresentar chifres, mesmo em livros de ficção? (Parece gracejo, mas não é. Se trata de saber se a ficção tem ou não liberdade para inventar, e quais os seus limites, um tema que me interessa muito.)
Abraços a todos.
Franchini-Troll.
Imagino que dependa bastante do “tom” que se quer dar para a história. Em uma história de comédia/sátira acho que é “válido” colocar um viking com o iconico elmo com chifres. Até mesmo em uma história com um tom mais sério algum personagem numa época moderna poderia fazer referencia aos vikings usarem tal capacete (até porque o personagem não precisa ter o conhecimento de que na realidade eles não usavam).
Contudo, acredito que no momento em que um personagem viking de fato aparece numa história, ele deveria estar usando as vestimentas que os vikings realmente usavam, não o que foi popularizado.
Sempre que alguém cita esse assunto perto de mim, mando assistirem O Senhor dos Anéis – As Duas Torres e prestar muita atenção no figurino do povo de Rohan.
Afinal, os Rohirrin (tanto no filme quanto nos livros) foram largamente inspirados nos nórdicos, tanto na aparência física quanto no vestuário.
No entanto, Plutarco afirma que os cimbros, ancestrais dos vikings, usavam chifres. Outros dizem que somente o usavam os sacerdotes, em suas cerimônias. Celtas também usariam, pois eram tão burros que temiam que o céu, um dia, pudesse lhes desabar sobre a cabeça. Nos livros de “ficção histórica” de Bernard Cornwell, bem se imagina que não há chifres. Já num gibi maravilhosamente destrambelhado do Tex – “A Ilha Misteriosa” -, em que o autor conseguiu misturar surrealmente cowboys e apaches com vikings, os nórdicos estão devidamente chifrados. No Asterix é o mesmo. No filme Vikings, de Richard Fleisher, Kirk Douglas (impossível imaginar um viking menos viking do que aquele anãozinho de cabelo pintado de gema!) parece que não há chifres. Em compensação Kirk Douglas tem, bem no topo do seu elmo, uma ave que lembra vagamente um periquito…
Para mim, que entendo que a ficção deve estar livre das peias da erudição, penso da seguinte maneira: se for para tirar os chifres e tornar o viking aborrecido, prefiro o velho viking-de-faz-de-conta enlouquecido e com um belo par de chifres “anelados e ornamentais”, como dizia Nelson Rodrigues.
Do mesmo modo, se é para ressuscitar o Robin Hood com a cara depressiva do Russel Crowe e sem as divertidas fantasias com as quais nos habituamos, então que o deixem como estava, que estava muito bom. O mesmo se passa com o rei Arthur. Toda vez que tentam restabelecer a figura exata e original do senhor de Camelot – que ninguém tem como saber – os filmes e livros se tornam cada vez mais melancólicos e enfadonhos.
Há algum tempo travei um debate semelhante sobre o que se pode ou não fazer num livro de ficção: a questão era saber se era possível colocar num livro de ficção nórdico – não necessariamente cômico – um anão navegador. Os anõezistas ortodoxos negavam iradamente tal possibilidade. Anões são seres das profundezas da terra, totalmente incapazes de lançarem-se ao mar. Já eu entendia que nada poderia ser mais emocionante do que ver meia dúzia de anões, naturalmente despreparados, em mar aberto num drakkar naturalmente mal enjambrado. Entendia também que o líder deles poderia ser um anão que, desde pequeno, nascera com a inesperada vocação náutica. Depois de ser estigmatizado e banido do seu clã, as últimas esperanças de salvação deste mesmo clã acabavam, no entanto, convergindo para o sucesso ou não desta viagem marítima. (Quem quiser pegar o enredo, fique à vontade, pois não sofro da moderna e chatíssima obsessão paranóico-autoral.)
Finalmente, para que não digam que estou com táticas diversionistas para fugir ao tema principal, que é a ruindade do meu livro, gostaria de saber dos participantes do fórum quais são os cinco pecados mortais do meu livro. (Alguém poderá dizer que é um só: que o livro é muito ruim. Mas mesmo assim apreciaria que fizessem um esforço para esmiuçar pelo menos cinco defeitos imperdoáveis que acabaram por lhes tornar o livro intragável.)
Franchini-Troll.
Desde que a ficção seja bem embasada em si própria (ou seja, desde que a história tenha lógica), não há problema algum em fugir completamente da realidade, sendo este o propósito do livro, claro.
Se dentro da história os seus anões tiverem bons motivos para irem ao mar, ora, porque não pode ir?
Os vampiros de Stehpane Meyer brilham ao sol, os da HQ do Blade viram pó e o Drácula de Stoker, apesar de enfraquecido, saia ao sol normalmente. Qual deles tem a razão? Todos, menos a Meyer! haha
Na série de Rick Riordan, os deuses gregos se mudaram para os EUA e moram no topo do Empire States. E para isso ele tinha uma boa justificativa, que existe dentro – e somente dentro – de sua história.
O próprio Tolkien, em seu “A Lenda de Sigurd e Gudrún”, mudou completamente a história deste dois personagens nórdicos, estendendo ainda mais suas aventuras.
Então, qualquer coisa é válida na ficção, desde que tenha lógica e faça sentido.
E quanto ao seu pedido, bom, eu já citei todos os defeitos do livro no texto que está no início desta página. Pelo menos os que me incomodaram. E, depois de um ano que li o livro, fica meio complicado relembrar o que me agradou e desagradou.
Em primeiríssimo lugar: o exagerado uso de linguagem coloquial e gírias (barbada, minha nossa, ué, você etc).
2º – As desnecessárias comparações entre a mitologia nórdica com a mitologia grega no meio do texto. (Porque não deixar um apêndice para isso ao fim do livro? Ou notas de rodapé.)
3º – Na versão romanceada da ópera, as descrições. Não conheço o texto original de Wagner, mas fica claro no texto de vocês as tentativas de descrição de ambientes e roupas que, de alguma forma, se destacam da narrativa como algo que foi inserido ali posteriormente e que não fazia parte daquilo tudo. Meio forçado, sabe?
4º – Erros: citar o Olimpo como a morada dos deuses nórdicos, por exemplo.
5º – A maneira deveras rasa como alguns contos são apresentados.
Basicamente, estou de acordo.
Quanto ao fato dos coloquialismos e a “maneira rasa” dos contos faz parte da proposta do livro, que é a de eliminar um pouco a pomposidade do tema, na tentativa de torná-lo mais leve, aproximando-o do púlico jovem, que não tem todo o cabedal de conhecimentos que você e a maioria dos participantes deste fórum possuem. Certamente que o público alvo do livro não era você nem os aficcionados do tema, que talvez conheçam mais sobre o assunto do que eu próprio, que escrevi o livro.
Ainda assim, tirando os defeitos que considero realmente graves – como equívocos e atos falhos -, renovo o meu entendimento de que a questão do estilo e do tratamento dado ao tema é mera questão de gosto, pois conheço muitas pessoas que dizem adorar o livro justamente por causa do tom descontraído e desinformal. O público alvo do livro é justamente o daqueles que procuram antes a diversão que a erudição. E nem poderia ser diferente, já que não sou um erudito, mas um simples estudioso do assunto.
Bom, mas agora acho que é hora de deixar que os demais se manifestem sobre o assunto da maneira que quiserem, sem que eu me intrometa. Aliás, acho que este assunto já deu o que tinha de dar, afinal, o livro meu e da Carmen não é tão importante assim para merecer um debate desta magnitude. Aqui, entre os frequentadores do blog, está claro que o livro não agradou, e ponto final.
Depois de explicadas as minhas razões, e desfeitos alguns mal-entendidos, acho que é hora de eu pegar o meu drakkar e dar o fora. Vou deixar os blogueiros à vontade para dizerem o que pensam, pois a verdade é que já estou farto de escutar a minha voz.
Saudações vikings.
Franchini.
O maior problema desta Sheilla é a falta de leitura ou compreensão do que fora citado pelo então “Franchini”, que não sei se realmente é o verdadeiro, tendo em vista que dificilmente o mesmo perderia seu tempo junto a um blog expondo suas opiniões.
Creio eu que a garota nem se deu o trabalho de ler seus comentários.
Mas continuando com meu comentário, mesmo que não seja o autor aqui comentando no blog, assim mesmo cabem estas informações.
Eu sou da seguinte opinião. O Autor ele tem a liberdade de escrever o que ele bem entender, até porque a editora é quem escolhe se irá ou não publicar aquele livro, ficando então sob escolha do leitor se irá ou não ler aquele livro. O Autor não tem a obrigação de agradar a todos e nem levar exatamente a sério o que ele está escrevendo e nem de acreditar no que ele escreve, mas infelizmente vemos lunáticos perdidos por este mundo a fora, onde criticam qualquer coisa com unhas e dentes para defenderem o que acreditam, sem respeitar a opinião alheia. A meu ver, Franchini não obrigou ninguém aqui a ler seu livro e nem acreditar ou levar a sério o que o mesmo escreveu, isto não é uma leitura obrigatória, sendo assim, se acham que há algo melhor para ler, que isto façam, não percam seu tempo criticando algo que vocês não teriam a mínima capacidade para escrever. Muitos do que aqui criticaram e disseram ou tentaram se expor como especialistas sobre determinado assunto, não teriam a capacidade para se quer escrever uma folha sobre determinado tema.
Quanto a Sheilla ter citado que nunca Franchini chegará perto de Tolkien, posso até concordar, sabe porque?
Porque brasileiro é assim, “paga pau” para culturas e pessoas de fora e não dão valor ao que é daqui, coisa que em minha opinião é extremamente ridícula, por mim, o governo daria uma passagem só de ida para este povo para fora daqui, pois não precisamos de gente como esta em nosso país.
Creio que este livro é apenas para despertar a curiosidade sobre o tema, ficando assim sob escolha do leitor se o mesmo irá procurar mais informações sobre o referido tema, sendo estas informações veridicas e trabalhadas de forma profunda e mais séria, ou então de maneira comica como a do livro de Franchini.
Obrigado pelos conselhos. Ando tentando descobrir algum oficio em que eu consiga juntar a obrigação ao prazer, mas é uma tarefa muito difícil. Tenho mesmo vontade de ser escritor, mas minhas habilidades ainda são muito escassas. Limito-me a escrever resenhas dos livros que li, dos filmes que assisti, etc. Por essas e outras que estou procurando o plano B.
Quanto ao amor, eu ainda estou esperando ele aparecer, começo a suspeitar que ele ficou lá na caixa de pandora junto com a esperança. Haha
Quem sabe mais pessoas apareçam se pedirmos ao Snaga que crie um novo tópico voltado só a discussão de mitologia, pois este tópico está disfarçado de uma resenha de livro e o assunto acabou desenvolvendo além dela.
Olá, Tiago!
O Franchini que aqui posta é mesmo o autor do livro.
Ele e eu trocamos alguns e-mails à parte desta discussão e seu e-mail foi confirmado pela editora do livro, quando entrei em contato para confirmar sua veracidade.
E quanto ao seu comentário: UMA DAS propostas deste blog é criticar (para o bem ou para o mal) aquilo que eu li, vi ou ouvi. Sendo assim, são opiniões pessoais, embasadas naquilo que conheço sobre cada tema abordado.
A mesma liberdade de alguém publicar um livro também é válida para que alguém o critique.
E fico grato pelo comentário e pela visita. A discussão (também para o bem ou para mal) é o que mais me dá prazer em manter esta página!
Abraços!
Olá Snaga,
Obrigado pela confirmação quanto ao autor.
Quanto oportunidade de utilizarmos este espaço para estas discussões, fico grato.
Só creio que uma pessoa ao criticar, deve ter ao menos fundamentação em seus comentários e um pouco mais de conhecimento do que a pessoa que ela crítica, mostrar que possui algo melhor do que aquela, um embasamento adequado para tais comentário, me desculpe, questão de opinião mesmo. Creio que exagerei um pouco devido aos comentários da Sheilla, que foram arrogantes e notou-se uma falta de leitura por parte da mesma.
Mas lhe dou os parabéns por disponibilizar este espaço para discussão do tema.
Olá, pessoal,
Aqui é o Franchini verdadeiro.
Trago uma excelente notícia para os amantes da mitologia nórdica: acaba de sair pela Cultrix o livro “Ragnarök (com trema e tudo), o Crepúsculo dos Deuses – uma Introdução à Mitologia Nórdica”.
Acredito que seja o livro mais completo sobre o assunto já publicado no Brasil. A autora Mirella Fauer parece dominar muito bem o assunto, que vai desde as origens dos povos nórdicos até alcançar o atual “renascimento odinista”.
Os leitores que ficaram descontentes com o meu livro já podem ler uma obra composta de uma erudição sólida, mas nem por isto aborrecida de se ler.
Parabéns a autora pelo belo trabalho, e a todos nós que apreciamos o assunto.
Um abraço ao Snaga e aos demais – e, em especial, ao Tiago Henrique, que compreendeu, com extraordinária facilidade, tudo o que eu venho tentando dizer.
A. S. Franchini.
Olá Franchini,
Creio que com um pouco de atenção e sem preguiça para ler, fica fácil de entender o que quis expor, mas vemos sempre pessoas com dificuldade de leitura e interpretação, fazendo um reboliço por pura ignorância.
Quanto ao livro citado, não tive ainda o prazer de ler, vi a venda pela internet e pretendo adquirir o mesmo o quanto antes, para asim poder opiniar sobre algo, creio que antes de qualquer opinião, nada melhor do que uma boa leitura e releitura se necessário para não sair soltando “asneiras” por aí.
Vamos aguardar agora as reclamações sobre o próximo livro, já que percebe-se que é só isto que ocorre.
Até logo.
Acho que desta vez não teremos reclamações, Tiago. Além do livro ter bastante conteúdo e de estar solidamente embasado, ele também “puxa” para o lado do esoterismo, o que fará as delícias de todos os adeptos do “renascimento pagão”.
Como eu não me inscrevo no número dos esotéricos, só tenho isto, na verdade, a objetar ao livro. (Na verdade, não se trata nem mesmo de objeção, já que a autora tem todo o direito de crer no que quiser e de divulgar as suas crenças.)
Mas, repito: o livro é excelente, e quem anda em busca de aprofundamento no assunto, certamente encontrará no livro da Mirella um excelente manancial de informações.
Abraços.
Uma vez que temos a presença ilustre de um dos autores, gostaria de perguntar se as versões de “O Anel dos Nibelungos” ( a presente nessa obra e a publicada de maneira isolada, pela mesma editora) adaptadas pelo mesmo diferem em conteúdo ou característica.
Quanto ao assunto vigente, acredito que as críticas apresentadas são construtivas, mas contradizem o objetivo da obra, uma adaptação de viés infanto-juvenil com objetivos introdutórios. Não se trata, de maneira alguma de um Junito Brandão, Dabdab Trabulsi ou (o questionável) Joseph Campbell.
Olá, Thales.
A versão do Anel é a mesma nos dois livros. Como o primeiro livro – As Melhores Historias da Mitologia Nórdica – se trata, na verdade, de dois livros num só, a editora achou que seria uma boa ideia disponibilizar a versão isolada da ópera para aqueles que quisessem ler apenas esta história.
Quanto às críticas, quando feitas respeitosamente, julgo-as todas construtivas, e não me custa nada dar razão a muitas delas, que julgo realmente procedentes. Para mim é muito fácil reconhecer os defeitos de qualquer coisa que escrevo, já que tenho a plena consciência de não ser o dono da verdade nem o melhor escritor já surgido sobre a face da Terra.
Obrigado pelo interesse.
A. S. Franchini.
Quando citei a resenha do site de vocês não tinha visto que o autor veio falar essa gigantesca quantidade de merdas aqui. É (MUITO) lamentável notar que existam pessoas com esse tipo de pensamento andando por aí e ainda por cima escrevendo sobre isso.
Eu creio que o autor está certo.
Vocês são muito cheios de frescuras, gostam é de pagar pau para autores de fora.
Ele tem a opinião dele e a expressou, assim como você está fazendo e eu também. Logo, por ser um autor, não tem tal direito?
Deve escrever apenas o que vocês gostam, se for assim, escrevam seu próprio livro, que com certeza nele terá apenas abordagens que gostem.
Parabenizo a coragem do Franchini em vir a debater junto aos leitores e desprezo os medíocres que mal sabem escrever em seu blog e que se acham superiores a julgar e desprezar a obra de alguém que com certeza teve esforço para poder lançar a mesma.
Sugiro que estudem um pouco ou mostrem suas habilidades como escritores e lancem um livro para que aqui possamos então medir a vossa qualidade com a do autor criticado.
Sabemos que o livro do Franchini não é um livro voltado a estudos sobre a Mitologia nórdica, logo, não é obrigado a escrever detalhadamente sobre tudo isto.
Se quer algo verdadeiro sobre mitologia nórdica, povos escandinavos, vá ler artigos e livros voltados a tal estudo, como por exemplo do Dr Johnni Langer, que escreve sobre tal tema.
Como estou decidido a não responder a críticas cujo único argumento se limita ao uso de um palavrão, me vejo obrigado a deixar o sr Seja-lá-quem-for do icultgen (seja lá o que for isto) sem resposta.
Aconselho ao Thiago que faça o mesmo. Seguramente o sr. Seja-lá-quem-for do icultgen (seja lá o que for isto) está mal humorado e deseja “pendurar o macaco” nas costas do primeiro que enxergar.
Um grande abraço a todos os leitores capazes de se expressarem em termos minimamente inteligentes e educados..
Ademilson Franchini.
Infelizmente temos que conviver com pessoas deste tipo em nossa sociedade, que se acham bons, porém, nada fazem, apenas infectam de ignorância e soberba este mundo que já não é dos melhores. Sugiro aos camaradinhas aí que estudem e vão ser alguém na vida, para depois sim ter cultura e argumentos concretos e principalmente capacidade de superar o que se critica, se achou ruim, faça melhor, BÁSICO.
Uma coisa é crítica construtiva, outra, é criticar sem fundamentos e conhecimentos adequados se dizendo o bom e humilhando os outros, e principalmente desmotivando o trabalho dos outros.
Estive no site do tal icultgen e postei uma resposta, já que por lá também decidiram me escalpelar, mas até agora não a publicaram. (A resposta não é para o tal icultgen, que não sabe conversar em termos respeitosos, mas aos outros leitores que estão embarcando na sua canoa de tentar desqualificar meu trabalho sem o terem lido.) Aliás, duvido muito que a publiquem, já que um dos blogueiros revelou-se decepcionado pelo fato de lá só publicarem comentários favoráveis ao articulista-seja-ele-quem-for. Aliás, o próprio articulista, que se acha muito inteligente, confirma a discriminação, ao dizer que “cansou de alimentar trolls” (os trolls, naturalmente, são todos aqueles que discordam das suas brilhantes perorações).
Portanto, a confirmar-se a minha suspeita de que lá não publicarão mesmo a minha resposta, sinto-me no direito – e mesmo no dever – de avisar a todos os blogueiros do nosso honesto e decente Covil do Orc – e também a algum leitor eventual daquele blog que tenha migrado para cá – de que o blog do Icult não respeita a isenção nem a independência intelectual, uma vez que não publica opiniões discordantes. O sr. Seja-lá-quem-for – que, depois de ter vindo aqui me ofender gratuitamente, promoveu por lá a ideia completamente falsa de que eu desrespeito meus leitores – prova, assim, que quem realmente desrespeita seus leitores é ele, ao ofender pessoas, de maneira gratuita, e suprimir respostas a seu bel prazer.
O noisso bom Snaga também fez uma aparição sucinta naquele blog e disse, referindo-se ao meu livro, que “existem livros e livros” sobre o tema da mitologia nórdica. Me permitirei parafraseá-lo aqui, dizendo que também existem blogs e blogs, e que o do sr. icultgen-seja-lá-quem-for, a despeito de toda a sua parafernália digital e carnavalesca, seguramente não é o lugar mais indicado para ser frequentado por pessoas que prezam coisas fundamentais como isenção e respeito à opinião alheia.
Estou esperando, portanto, Sr.Seja-lá-quem-for do Icult, que o senhor se digne a publicar a minha resposta, sem corte algum, já que não há ofensa alguma nela, e desminta esta minha suspeita, que até esta data, 3 de outubro de 2011, está plenamente justificada (acabei de entrar no icult sem conseguir encontrá-la). Se ela surgir, ou estiver escondida em algum recanto obscuro do blog, naturalmente que retiro esta crítica, transferindo imediatamente os meus exércitos para lá a fim de dar combate aos nervosinhos que insistem em me acusar de ser desrespeitoso para com os meus leitores, além de outras bobagens anda mais descabidas
Estou esperando, sr. Seja-lá-quem-for do INCULT.
Olá, Snaga, há quanto tempo!
Muito bom o novo visual dark (ou seja lá como chamam isto hoje em dia). Parabéns.
É, a nossa discussão parece que esfriou mesmo. Eu estava gostando tanto de bancar o D´Artagnan… Muito divertido esgrimir contra cem ao mesmo tempo.
Comecei a escrever outro livro, desta vez sobre a mitologia asteca. Muito interessantes as lendas e também os sacrifícios humanos que os astecas faziam a Huitzilopochtli, Xipe Totec, e outras gracinhas de deuses. No mais emocionante deles, arrancava-se a pele do sacrificado e o sacerdote desfilava vestido com ela pelas ruas dfurante vinte dias, até a pele cair de podre.
O livro está sendo escrito exatamente no mesmo estilo da nórdica e da mit. celta, recém lançado.
Não percam.
Abraços, Snaga e amigos, e até a próxima!
A. S. Franchini.
Sua presença é sempre bem-vinda, mesmo com a discussão já parada por aqui.
E obrigado pelos elogios ao novo visual.
Quanto ao livro, se não houver ressentimentos, mande-me um autografado! xD
Mesmo tendo o assunto esfriado, gostaria de ressaltar que, embora tenha sofrido correções com o tempo, uma versão mais atual do livro que nos referimos ainda sofre com pequenos erros que podem acabar por afetar o conteúdo da obra. Por exemplo, na página 141 temos citado o Olimpo como, claralmente, os autores se referiam à Asgard….Isso ocorre, possivelmente, pois na época de sua escrita, havia pouco tempo que a coletãnea de mitos clássicos dos mesmos autores havia sido lançada e, creio, que a temática greco-romana ainda estava muito fresca em suas memórias….
Trocando de assunto, já que um dos autores ainda está presente, gostaria se saber qual o motivo da separação dos mesmos nas últimas obras? Desde a coletãnia de lendas do folclore brasileiro, cad autor tem trabalhado sozinho….
Olá, Snaga e Thales.
Francamente, Thales, eu não sabia que aquela barrigada do “Olimpo” no lugar de Asgard continua sendo reeditada, depois de dez edições. Eu jamais releio meus livros, livro escrito é livro morto. (Sinto uma vontade louca de dizer que tenho deixado o erro de propósito, edição após edição, só por sadismo, mas infelizmente não é o caso: não tive, de fato, este lance de genialidade…) Vou avisar o editor sobre esta mancada reiterada, algo que, a esta altura, não podia mais acontecer.
O livro eu mandaria com todo o prazer para você, Snaga, mas não entendo destas coisas de reembolso postal, e correios, e não-sei-o-que-mais, tenho horror a burocracia. (É óbvio que não há ressentimento algum. Tu achas o meu livro uma droga, e com uma boa dose de razão, pois se tem coisa que ele não é, definitivamente, é o melhor livro de mit. nordica já escrito.)
A Carmen e eu demos um tempo na parceria, Thales. Ela tem os projetos dela, e eu os meus, mas nada impede que voltemos a escrever juntos, pois continuamos bons amigos. Aliás, o livro dela, da mitologia japonesa, eu considero como o melhor de todos da série, pela escrita sóbria e elegante, e pela ausência das cretinices que eu teimava – e teimo ainda – em atirar para dentro dos meus livros. O livro das Lendas Brasileiras, p. ex., teve a metade do texto cortado (acertadamente) pelo editor por ser “politicamente incorreto”, ficando bem mais comedido e “apolíneo”.
E o restante dos blogueiros, onde andam?
E a Sheilla, meu Deus, cadê ela? Será que está braba, ainda, com os meus “arremedos mitológicos”? Será que abandonou o fóssil do paganismo e retornou à luz de Cristo?
E o tal fulano do I(n)cult, de quem não sei até hoje o nome? Já mandei várias msgs. para o tal blog, mas nunca publicaram. Que diferença do Covil, onde se respira o ar balsâmico da democracia!
E o Thiago Henrique, com suas análises ponderadas e lúcidas?
Se alguém conhecer algo sobre astecas, maiias e incas, por favor, não se eximam de comentar algo. Poderá ser útil na confecção da minha nova bomba literária e também para ampliar a minha visão sobre as crenças mesoamericanas, que em matéria de selvageria ultrapassam qualquer coisa já vista na longa história dos disparates religiosos inventados pelo homem (inventados, seguramente, pois há muito tempo que se deixou de arrancar corações a Huitzilopochtli, sob o pretexto de que era essencial para a manutenção do sol, e o velho astro-rei continua a brilhar. Alguém, portanto, mentiu nesta história, com um preço altíssimo em vidas.)
Bom, chega.
Um abraço a todos, e vamos reavivar a chama da discussão mitológica. Os meus livros não tem a menor importância, importando sim a visão que temos do fenômeno mitológico e da importância ou não de reavivarmos estas crenças no coração do homem. A minha posição com respeito ao tema vcs. já conhecem: admiro o lado poético e imaginativo, embora abomine as práticas bárbaras (ainda mais quando alguns entusiastas pretendem ressuscitá-las). Apesar disto, jamais me canso de escutar os argumentos dos que pensam em contrário – que é o melhor meio de se aprender algo, pois eles, muitas vezes, nos trazem algo que desconhecemos, ou teimamos, por prevenção ou ignorância, em reconhecer como válido.
Franchini.
Não sei se ao indicar “Popol vuh” ao autor estarei divagando do tema central desse, antigo, post, mas recomendo a versão bilingue de Gordon Brotherston. Trata-se de, ao meu ver, o mais importante “manual” da mitologia Maia e, posteriormente ao que foi adaptado, Asteca. O livro “Américas Antigas: As grandes civilizações”, de Nicholas J. Saundres também é uma boa pedida para uma visão geral dos povos pre-colombianos. Existe um grande livro sobre uma específica cultura mesoamericana (o qual, infelizmente, não me lembro se tratar de Maias ou Astecas) que foi ricamente recomendado por uma professora de História da América II na UFMG e lembro-me que, quando cursei tal matéria, os livrso “A civilização Maia”, ” A civilização Asteca” e “A civilização Inca” de Paul Gendrop, Jacques Soustelle e Henri Favre respectivamente, também foram destacados como leitúra básica. Esses últimos três, apesar de breves, formam um conjunto muito rico….aqueles que já estudaram ou estudam ciências humanas já se acustumou com o formado de tais leituras introdutórias….seria vital ao autor buscar informações com professores e pesquisadores da área pois, assim, a melhor bibliografia e conteúdo poderiam ser passados….
Mudando de assunto, fiquei realmente intrigado quanto ao conteúdo retirado de sua obra pela editora. Atualmente curso “Estudos Clássicos” pelo departamento de História da UFMG e, apesar de, em vários momentos ser um grande crítico da maneira com que o presente autor e Carmen Seganfredo expõem o conteúdo de seus livros, em outros, aprecio muito a simplicidade do conteúdo e a maneira rotineira com que o mesmo, antes complexo e “indireto”, se torna leigo e “direto” (à nossa cultura). Existe hora para se buscar as fontes originais, leitura academica, primária ou secundária de conteúdo exigente e trabalhoso, mas também existe a hora de algo mais descompromissado, coloquial, adaptações modernas de textos antigos. Não sei se foi, realmente assim que os autores desejavam, mas é assim que visualizo suas obras quando as leio (tenho cerca de 15 livros de, pelo menos um dos autores). Até mesmo nosso querido Prof. Dr. Johnni Langer leu “As melhores histórias da mitologia nórdica” e soube determinar seu papel como não cabível à leitura direta e acadêmica, mas, aparentemente, soube destacar que o livro não foi feito para isso. Atualmente olho para minha prateleira e vejo que “As 100 melhores histórias da mitologia” logo ao lado de um Gustav Schwab e lembro-me que, masmo este tendo um objetivo, basicamente, igual ao de Seganfredo e Franchini, ninguém, atualmente, o critica por isso, sua obra é, guardadas as devidas proporções, até mesmo comparada à “Idade da fábula” e acredito que isso é fruto de um maior entendimento dos objetivos de cada autor.
Gostaria de pedir desculpas por extender essa novela, mas creio que vários erros foram cometidos nesse “tópico”, e todos, acredito, podem ser resolvidos quando tentamos entender o objetivo dos autores ao escrever um livro. Comparar o conteúdo como é dado na Edda com o do livro em questão é algo sem fundamentos, cada um, entretanto, cumpre bem seu papel.
Para finalizar, fico feliz em saber que está havendo mercado para as “sagas mitológicas” de Seganfredo e Franchini. Gostando, ou não, eles estáo abrindo as portas dos jóvens brasileiros para o assunto, e isso é maravilhoso. Acredito que, no futuro, obras como essa, muito tolas em certas partes, mas de alma pura e objetivo coerente, possam ser o fundamento de uma introdução à mitologia que acabe nos textos originais. Assim como fiz, em meados de 2003 com “As 100 melhores histórias da mitologia”, e hoje conto com Bulfinch, Mircea Eliade, Joseph Campbell, René Menard, James Frazer, Junito Brandão, Dabdab e Le Goff (além é claro dos originais) em minha pequena biblioteca, espero que obras desse cunho possam abrir as mentes dos “iniciantes”. Podem até me crucificar, mas sempre que me recomendam uma leitura introdutória de mitologia, eu recomendo a Franchini e Seganfredo com as mesmas frases de sempre:
“É bobinho e infantíl, mas é de fácil compreensão, divertido e serve bem de leitura introdutória”
Olá, seja novamente bem vindo Franchini :)
Demorei, mas apareci.
Com certeza, estas discussões sobre mitologia são ótimas, estou torcendo para que outras apareçam.
Bom… eu sei me colocar em meu lugar. Sou um mero leitor cuja opinião, por algum milagre, mereceu muita atenção (e não nego que fiquei feliz por isso). Mas, mesmo assim, um mero leitor e fão de mitos. Por isso, quando os grandes discutem, eu apenas observo.
Admito que o que escrevi, em alguns aspectos, principalmente nos últimos dois parágrafos, foi por demais indecoroso e exagerado. E até me arrependi, após um tempo, dos ataques diretos aos autores. Porém mantenho boa parte das minhas opiniões, principalmente com relação ao exagero de linguagem coloquial e expressões abobalhadas (“barbada”), quando (assim ainda acredito) os mitos necessitam de linguagem mais expressiva e formal para transmitir a grandiosidade das histórias e seus significados.
Enfim… eu espero que a discussão se estenda mais e mais e que todos fiquem à vontade para dar opinões. E sou sempre grato ao Franchini pela presença, paciência e por dizer que não existem ressentimentos.
Eu acho que a questão da qualidade dos meus livros se esgota a partir do momento em que eu próprio reconheço as limitações daquilo que escrevo. Eu sou o Percy Faith da mitologia (Percy Faith era aquele maestro popular dos anos 60 e 70 que fazia “músicas de elevador”, adaptando músicas famosas, e até clássicos, para um contexto mais simples. Eu adorava estas versões, e até hoje as escuto, digam o que disserem os críticos).
Praticamente todos os defeitos apontados pelo Snaga e pelos demais opinadores realmente existem nos meus livros. De um autor iniciante – a mit. grega e nórdica são os meus 2 primeiros – não se pode esperar muito mais – e menos ainda de um autor que admite publicamente que jamais terá a qualificação daqueles gigantes que o Thales referiu. Não tenho o conhecimento nem o talento destes senhores – e, para falar a verdade, não gostaria jamais de ser um deles. Acho que o conhecimento em excesso torna as pessoas quando não pedantes, pelo menos amargas. Uma pessoa entupida de conhecimento é humanamente insuportável, e por melhor que isto possa ser para os leitores, eu não gostaria de me converter num tal monstro de erudição. Não aspiro a ser sábio, nem famoso, nem patrono de feira do livro alguma, nem ser reverenciado pelas academias e universidades. Deus que me defenda.
Certa vez eu disse, brincando, aos meus detratores que largassem um pouco os livros e fossem namorar. Continuo aconselhando isto a todos aqueles que, como eu, sabem lá nas profundezas do ego que jamais serão um Claude Lévi-Strauss ou um intelectual do seu porte (no meu caso, eu digo: graças a Deus). O negócio para nós, reles mortais, que sabemos que jamais seremos um Tolkien ou um Lovecraft, é irmos lendo aqui, escrevendo ali, mas acima de tudo, tratarmos de viver, porque o tempo não para, e o forno crematório está logo ali adiante, só nos esperando.
O meu principal propósito ao escrever é o de divertir, daí o tom coloquial e descontraído que – com resultados às vezes calamitosos, admito – procuro sempre empregar. Mas é assim que sei escrever, e prefiro seguir escrevendo assim do que me tornar um intelectual rabugento e pedante. Se eu tivesse o talento e o conhecimento profundos de um Mircea Eliade, p. ex., muito bem. Mas quem é que iria aguentar um A. S. Franchini bancando o intelectual? Então, cada qual no seu quadrado.
Eu acho que a mitologia tb. pode ser encarada como uma diversão, pois as histórias têm, para além do seu conteúdo profundo, um viés de diversão e de emoção. Os nórdicos do tempo dos vikings – eu digo os nórdicos do povo, ignaros como eu – certamente apreciavam naquelas histórias o apelo da aventura e da emoção que elas transmitiam, além do narcótico da fé e da esperança de que alguma força superior os auxiliava na sua miserável marcha terrena. Nenhum viking beberrão e fedorento estava interessado no simbolismo esotérico das estripulias de Odin, assim como nenhum carola moderno está interessado em compreender o significado da Santíssima Trindade, nem jamais perdeu o sono ao tentar descobrir se Deus é Três-em-Um, ou é Um-em-Três.
Quanto aos astecas, conheço estes autores que o Thales citou, e tenho muitos destes livros. Tb. encontrei em sebos muitos livros de autores mexicanos considerados especialistas no assunto _ Alfonso Caso, entre outros – que têm me servido muito para entender as motivações religiosas e os sentidos dos mitos e ritos dos povos mesoamericanos. A edição que vc. falou do Popol Vuh eu possuo, e irei utilizá-la para fazer a parte referente aos maias. Obrigado pelas dicas.
Um abraço a todos.
Franchini.
Apenas mais uma pequena adição, o livro “sobre uma específica cultura mesoamericana” ao qual me referí, na verdade é bem geral, chama-se “Deuses do méxico indígena”, trata-se de uma comparação de relatos e é, ao que pude observar, um tratado de culto e religião, por isso, pode ser útil aos objetivos do sr. Franchini, mas isso deve ser feito com cuidado….
Espero ter ajudado em algo…
Também possuo este livro, Thales. É muito bem fundamentado, apesar do tom meio raivoso. Existem autores que tratam os astecas, maias e incas como coitadinhos, como se eles, quando hegemônicos, também não tivessem sido tirânicos. Os astecas eram os imperialistas do seu tempo, e escravizavam as cidades vizinhas por meios de tributos e da violência. (Nem poderia ser diferente, pois era a lógica do tempo.) Mas o livro tem sido bastante útil, já o li duas vezes.
Essa visão ocorre, principalmente quando destaca-se o conflito entre o povo nativo e o “invasor” espanhol. Não sei se você chegou a ler Tzvetan Todorov, mas em um de seus livros (creio que em A conquista da América) ele traça um panorama dos principais navegantes, conquistadores e líderes envolvidos nos conflitos da América espanhola pré-colonização e traz Montezuma com uma ingenuidade e inocência infantíl, ao mesmo tempo que mostra como vários outros povos se uníram para ajudar Cortez em sua “aventura” contra os Aztecas…lógicamente, preferiam o domínio europeu do que a opressão das altepetl…
Essa visão do índio vivendo em um sistema bárbaro, mas puro quando comparado ao europeu é, ao que observei, muito presenta na antropologia e história do século XX pós-guerra….
Não li o livro do Todorovo, mas dei umas folheadas, e deve ser muito bom.
A minha visão é a seguinte: os nativos, do México ou de qualquer outra parte do mundo, eram seres humanos iguais a quaisquer outros, com virtudes e defeitos iguais. A regra, nos tempos antigos, era dominar e escravizar, ou ser dominado e escravizado. Desde as cavernas foi assim, mas alguns historiadores demagogos gostam de eleger povos coitadinhos e os idealizarem. Os nossos índios também guerreavam o tempo todo entre si, escravizandio-se recirpocamente. (Existe uma tribo nossa que foi eleita como uma das dez raças mais cruéis do planeta, pelo modo bárbaro como trata os adversários e as suas próprias mulheres.)
Historiadores tendenciosos do tipo Eduardo Galeano, engajados e pró-esquerdistas, já tiveram a sua vez, graças a Deus. Não suporto ler uma linha do seu “revanchismo socialista”. Graças a Deus já sabemos hoje muito bem o que vale o tal do socialismo que a tropa inteira dos latino-ressentidos defendiam. O socialismo encontrou finalmente o seu destino manifesto de ser uma mera fábrica de esporos parasitários chamados “ongs” e de fornecer uma vida boa a um bando de salafrários ainda piores que os da ditadura (aqueles pelo menos não eram cínicos e demagogos).
O que estes socialistas de araque querem é nadar no dinheiro, como qualquer capitalista.
O socialista – tirando os bem intencionados (será o caso de se aplicar o plural?) – é o beato hipócrita de uma época sem fé. Não saberia dizer qual dos dois é o mais desprezível.
Eu, ainda, sou um projeto de historiador, pois ainda estou cursando história, e pretendo concluir :)
Infelizmente, tive que ler alguns textos de autores/historiadores que me davam uma tristeza enorme, muito trágico.
O pouco que li sobre civilizações pré-colombianas, foi no meio de leituras de antropologia e história da América.
Quanto aos índios no Brasil, do que li, tenho que confessar, que nada “santos” foram e são, e jamais serão, ainda mais com nossa cultura unindo-se a deles, e aos poucos, tomando conta.
Vou buscar ler os livros aqui citados. Normalmente, leio alguns artigos que tratam do tema, desta vez, vou ficar espiando mais a conversa do que participando, já que pouco li sobre tal tema. Mas o que eu puder “cutucar”, farei hehe
Abraços a todos.
Naturalmente que a nossa cultura cristã-ocidental é outra cacaca… Mas é inegável que, ao menos no aspecto material, mostrou-se infinitamente superior a dos indígenas. (Pronto: acendi o estopim!)
Se dependesse dos indígenas, ainda estaríamos de tanga, esperando que o pajé curasse um crise de apendicite com o o chacoalhar do seu maracá. Na época era o que se tinha, mas os indígenas, como todo povo fatalista, demonstraram sempre muito pouco vontade de evoluir e pesquisar, preferindo entregar seus destinos nas mãos de entidades fictícias.
Ao mesmo tempo, o que tb. não dá para aguentar, indo ao outro extremo, é o excesso de tecnologia que nós civilizados estamos promovendo. Esta história de celular de quinhentos tipos, da verdadeira obsessão pela comunicação, sob todas as suas formas eletrônicas, eu considero como uma verdadeira demência tecnológica que precisa urgente de um freio. Depois que um lunático lançou a ideia da “rede mundial de cérebros”, foi que senti o perigo da coisa.
Qualquer dia hackers perversos invadirão nossos cérebros, obrigando-nos a escutar pagodes, canções-de-presidiários e músicas “sertanojas” a qualquer hora do dia, como já fazem nos ônibus e metrôs os divulgadores tirânicos deste tipo de excremento musical.
Mas saí completamente do assunto. Voltemos à nossa mitologia, que é melhor.
Eu ri! haha
Com relação ao desenvolvimento material, é inegável que fomos superiores. O problema não é o capitalismo ou o materialismo, mas sim o consumismo!
Se aprendermos que não temos necessidade de tudo isso, o mundo será bem melhor. Sem querer me usar de exemplo, mas já usando, eu tive o mesmo celular por quase 9 anos (só comprei um novo mês passado, porque o antigo desmanchou). E não senti falta de nada dessas tecnologias que se encontram no celular hoje em dia.
Mas voltemos à mitologia!
É isso aí, vamos à mitologia!
TEMA NÚMERO 1:
O QUE VCS. ACHAM DO ODIN ENQUANTO DEUS?
Acreditam na sua existência real?
Será uma emanação esotérica da verdadeira divindade, feita para uso exclusivo dos nórdicos?
Caso exista, é um deus que, pelas suas atitudes, mereça ser cultuado?
Cultuar um deus que tb. faz o mal não é um contra-senso?
Odin é mesmo um deus, ou terá sido, como a própria Mirella Faur sugere, um líder tribal divinizado?
Não será um demônio, criado por Satanás, como afirmam as Testemunhas de Jeová, com o propósito exclusivo de enganar os homens, levando-os à perdição eterna?
Aquela história do olho perdido não será uma mera versão poética para algum episódio trivial no qual o líder tribal do gelo tenha perdido o seu olho? Será que o inventor da história pensava tudo isto que os comentadores descobriram depois nas suas especulações?
Os exegetas não exageram quando interpretam de todas as formas histórias que podem muito bem não passar de lorotas inventadas por vikings beberrões para distrair suas noites geladas de tédio?
Os vikings, afinal, eram uns patifes ou não?
Aquele negócio de empalar bebês nas lanças não foi passar demais da conta?
Acho que com esta lenhazinha dá para voltar a reacender a fogueira da discussão.
Abraços!
Agora sim acho que o tópico volta a bombar hahaha
Eu não sigo nenhuma religião específica, eu na verdade, me considero de certa forma agnóstico.
Eu tenho a idéia de que a criação de divindades foi uma necessidade do homem, sempre, de alguma forma, o homem busca algo para acabar com o seu medo, se tem medo da morte, calma, Deus é a salvação, ele te promete sempre um paraíso. Se tem medo de espíritos do mal, calma, sempre tem um anjinho protetor, que Deus promete estar a seu lado haha
Mas creio que todos os Deuses criados, são para atender a necessidade do homem, e a diferença deles se dá, devido a cultura de cada um.
Eu creio que ele seja assim como o Deus da Mitologia cristã. Não acho que ele tenha sido apenas um líder que tenha sido divinizado.
Não consegui ler toda a discussão de vcs, já que descobri esse site faz pouco tempo. Mas vim deixar minha opinião a respeito do livro, que ainda estou lendo e achando muito divertido. Principalmente a historias em que aparecem Loki e Thor juntos. Para ser sincero ainda n conseguir entender qual é a do Loki, ele gosta de fazer travessuras mas boa parte delas não são, por assim dizer malignas. Penso que ele apenas que deixar o dia-a-dia dos Asgardianos mais emocionante. Mas aí tem aquela profecia, que na parte do livro que me encontro foi apenas citada, em que o próprio Loki trará a destruição de tudo.
Mas enfim, passei para dizer que admiro o trabalho do Ademilson e da Carmen, depois que terminar a leitura desse livro irei procurar As Melhores Historias da Mitologia Japonesa, que sempre foi um assunto que me encantou e muito.
Viva, um novo debatedor!
Vou deixar para o Snaga dar as boas-vindas, afinal o blog não é meu, mas é bom ver que o pessoal que se interessa pelo tema da mitologia comparece de novo para dar a sua opinião.
É, Arcanis, a coisa é assim: assim tem gente que, como você gostou do livro, e outros – sou obrigado a dizer: a maioria (pelo menos aqui no blog) – não.
Quem está com a razão?
Todos, pois gosto não se discute.
O livro da mit. japonesa foi escrito apenas pela Carmen, e, a meu juízo, é o melhor de todos, pois, como já disse, não tem as babaquices que eu costumava colocar nos livros (muitas vezes sob os protestos dela). Por isto que eu digo que a discussão que se criou aqui no blog foi muito importante, principalmente para mim, pois vendo as críticas do Snaga e de outros percebi com clareza boa parte dos defeitos dos meus livros que antes não enxergava (o ego é ceguinho).
Quanto ao Tiago, acho que ele tem quase cem por cento de razão. O conceito de deus – ou de deuses – foi criado e manipulado pelo próprio homem e muito bem “gerido” – economicamente falando – pelos sacerdotes de todos os credos. A crença é um dos negócios mais rendosos do mundo – basta ver a prosperidade cada vez maior da infinidade de seitas evangélicas que se espalham por tudo feito cogumelos.
Os anos e uma certa experiência, porém, me deram a convicção – exclusivamente pessoal e subjetiva – de que existe, de fato, um poder superior, que eu chamo de Deus Verdadeiro, seja ele qual for, e de que esta vida não se encerra com a morte. Não tenho prova nenhuma para apresentar nem de uma nem de outra coisa, mas é a minha crença.
Mas qual é o deus deus verdadeiro?
O dos pagãos eu tenho ceerteza que não é. Eles pertencem a uma era superada do espírito humano, impossível de ser reavivada, por mais esforços que façam os abnegados entusiastas do “revivalismo pagão”. Odin nunca existiu, nem Huitzilopochtli, nem Zeus, nem o seu clone romano Júpiter, nem qualquer destes deuses que pululam nos manuais de mitologia, por mais fascinantes que sejam. (É a minha opinião, mas quem quiser acreditar neles evidentemente tem todo o direito de fazê-lo, e o meu dever é o de respeitá-los na sua crença.)
Mas se não creio nos deuses pagãos por que razão gosto tanto de escrever sobre isto?
Porque acho a maioria destas histórias muito bem inventadas, algumas com verdadeira elevação de espírito. Mas não creio que sejam mais verdadeiras do que a do Lobo Mau e os Três Porquinhos.
Aliás, o problema com estas histórias começa justamente quando algum lunático, querendo levar a coisa a sério demais, decide que crianças devem começar a ser vestidas de porquinhos e atiradas numa cisterna cheia de lobos de verdade, a fim de louvar o Deus-lobo Dente-de-Faca, ou qualquer outra entidade estapafúrdia do mesmo gênero.
Finalmente, quanto ao Loki, ele pertence a vasta e divertida galeria dos tricksters, tipo de um bufão ou arruaceiro que exerce nos mitos o papel do provocador, do agitador, não necessariamente mau. (Na Wikipédia tem um pequeno texto que explica melhor do que eu (larga “trickster” no Google). O Pica-Pau é um exemplar perfeito do tipo, mais gozador que perverso. (Mas nem por isto vamos passar a cultuá-lo, não é?)
Bom, chega por hoje.
Abraços (E o Snaga que me perdoe se pareço estar me apropriando do blog.)
O blog é seu Franchini… e de todos os outros que o frequentam.
Só não respondi nada ainda por falta de tempo. Mas estou acompanhando a disucussão muitíssimo interessado.
“Os anos e uma certa experiência, porém, me deram a convicção – exclusivamente pessoal e subjetiva – de que existe, de fato, um poder superior, que eu chamo de Deus Verdadeiro, seja ele qual for, e de que esta vida não se encerra com a morte. Não tenho prova nenhuma para apresentar nem de uma nem de outra coisa, mas é a minha crença.”
Curioso, é muito parecido com o que eu penso. Eu não consigo enxergar nenhuma religião como verdade, mas também é complicado viver sem acreditar em nada. Quando eu tento explicar isso geralmente sou motivo de troça. Por isso às vezes quando perguntam em que eu acredito, digo que sou agnóstico. O termo não representa o que eu penso, mas por algum motivo costumam entender e largar a discussão de lado. (devem achar a palavra bonita). Falar nisso me traz lembranças de um texto que me marcou muito, é um trecho do livro de Carl Sagan que fala sobre um dragão invisível. De tempos em tempos volto a pensar nele.
Por outro lado, também acho a religião uma coisa maravilhosa. Mas só quando uma pessoa consegue encontrar paz sem precisar forçar o Deus dele encima de ninguém, ou ficar brigando a respeito de qual Deus tem o pau maior, por assim dizer. Se vale a citação:
“Jesus veio para nos livrar do pecado, mas eu vejo muitos pecadores.
Thor nos protege dos gigantes de gelo… Parece está funcionando.”
Kkkkkkkk
Quanto ao Loki, acabei pesquisando o termo que vc falou e entendendo mais o papel dele. Mas será que existe algum significado oculto pela escolha de ser ele o escolhido para liderar os gigantes? Logo um dos próprios deuses. Outra coisa que n entendo é como os deuses conseguem se casar com gigantes, é uma cena meio difícil de imaginar.
A Mitologia tem uma lógica de desenho animado, Thales – não a profunda, naturalmente, mas a do encadeamento dos fatos. É uma espécie de sonho desperto da humanidade, onde detalhes como tamanhos e proporções não interessam. Afinal, é tudo simbólico mesmo.
Quanto ao significado oculto do Loki liderar os gigantes, se pesquisares bem – especialmente entre a turma engenhosa dos esotéricos – eu te garanto que vais encontrar. Só não garanto que seja a explicação real ou o mero fruto das elucubrações de um aficionado pelo assunto.
Eu, confesso que não sei. Pior ainda: confesso não ter o menor interesse em saber que motivo secreto ou esotérico levou o autor (ou autores) a elegê-lo como líder da corja dos gigantes. Pelo que eu me lembro ele era filho de uma giganta (Loki não é um deus.). Como ele encarna, em muitos momentos, as forças obscuras da alma humana, me parece explicação suficiente.
O que interessa mesmo, para mim, é que ele é um personagem complexo e dramaticamente (e também comicamente) muito rico. É este o lado deste tipo de personagem que me atrai, e não o místico. (Quem vem acompanhando meu blá-blá-blá já percebeu que não tenho muita simpatia por estes aspectos “arcanos” da mitologia, embora os admita, evidentemente, como válidos e mesmo importantes.)
(Quando é que vai aparecer um esotérico, meu Deus, para me tirar da minha ignorância astral? Vinde, ó esotéricos do mundo todo, para o Covil do Snaga!)
Estou adorando e ao mesmo me espantando com a mitologia asteca. Por ali a gente como vê como o ser humano poder ser criativo e, ao mesmo tempo, louco.
A lenda do Quinto Sol, por exemplo, diz que ele só pôde movimentar-se pelo céu após o sacrifício da vida dos demais deuses. Provavelmente trata-se de um mito celestial. Aí chega um desequilibrado e determina que os seres humanos tb. devem sacrificar suas vidas aos deuses porque eles, certa feita assim o fizeram em prol da humanidade.
A história é bonita enquanto lenda. mas vira um pesadelo de sangue e horror quando alguém dicede levá-la demasiado a sério.
Coyolxauhqui, a irmã do deus Huitzilopochtli, é morta junto com seus quatrocentos irmãos, e esquartejada por ele. A explicação é que se trata de um mito lunar. Ela é a lua e os quatrocentos irmãos são as estrelas, que Huitzilopochtli, na condição de deus solar, derrota, permitindo o retorno da luz solar e do dia. Aí vem outro doido e decide que pessoas devem ter o coração arrancado e depois serem arremessadas escadaria abaixo – estamos numa pirâmide – até irem cair numa escultura em forma de disco, na base da pirâmide, que retrata a deusa despedaçada. Uma vez ali, o corpo é desmembrado também e devorado, num banquete de canibalismo ritual, renovando-se, assim, sob uma forma macabra e repugnante, o duelo fantasioso do sol e da lua.
Eram ou não doidos de pedra estes astecas?
Somos ou não loucos quando repetimos hoje, sob outras formas, estas mesmas práticas?
“Quando se porão, finalmente, a pensar?”, dizia Voltaire.
Se n me engano é esse ritual retratado no filme Apocalypto né? Mas que nada, doido somos nós agora, o sistema em que vivemos. Terminei o colégio faz pouco tempo, e me vi solto nessa selva que chamamos de cidade, onde tive que me adaptar e arranjar um emprego pela manha para poder pagar minha faculdade a noite. Passado essa fase começa a batalha infindável de acumular riqueza para se tornar enfim “independente” e ter minha casa, constituir família e por fim, continuar acumulando riquezas como um dragão entocado numa caverna, cheio de coisas brilhantes e ao mesmo tempo sempre entediado. Sorte que nunca foi do tipo ambicioso, quero viver confortável e só, acho que o anel dos nibelungos não conseguiria me seduzir kkkkkk Foi meio que um desabafo, mas para mim isso é loucura, o que é o canibalismo ao lado de uma perspectiva dessas? xD
Tá foi um pouco exagerado, mas eu acho que é justamente por esse motivo que gosto tanto de fantasia, se na nossa sociedade “civilizada” eu já me sinto assim, imagina um camponês que passa a vida sendo explorado… ele deve agarrar a isso com todas suas forças.
Quanto a esses astecas, eu penso que sofreria um bocado se fosse ler esse livro. Os nomes são muito difíceis de assimilar, isso pq nem tentei falar eles xD. Mas tem uns bonitinhos, quetzacoalt por exemplo, acho um nome muito foda.
O Apocalypto fala dos maias, mas é quase a mesma coisa.
Com a experiência que meus 47 anos de idade me deram, eu posso dizer que tenho a receita para não achar este mundo um tédio: se dedique a algo que gosta. Se vc. se dedicar a algo que gosta MUIIIIITO MESMO vc. nem vai ver o tempo passar, e quando se der conta, verá que está um velho caquético, a um passo de escapar da sua jaula de carne. Aprenda a fazer cadeiras, as melhores cadeiras do mundo, e se dedique a isto de corpo e alma. Eu vejo isto quando estou escrevendo: o tempo passa voando. Mas quando termino um livro, o tédio retoma o império.
A receita para a felicidade eu tb. tenho. Só um cretino total, aos 47 anos de idade, pode dizer que não sabe. A felicidade nesta vida é amar uma mulher decente e ser amado por ela. Pode parecer pieguice, mas é isto mesmo. Só que isto é muito difícil de acontecer. É como acertar na mega-sena. É mais difícil porque é infinitamente melhor.
Mas como achar um propósito na vida é mais fácil, já que não depende de outra pessoa, é o conselho que eu dou aos entediados do mundo.
Ou tentar a mega-sena mesmo, que um montão de dinheiro não faz mal pra ninguém.
Um bom meio de ler estes nomes astecas é dividi-los em dois. Na verdade, os astecas, como os germânicos, adoravam aglutinar nomes. Se dividir em dois tempos, fica mais fácil. Huitzilopochtli de uma vez é brabo. Huitzilo-pochtli (Colibri do Sul) fica mais fácil. Malinalxochtl fica Malinal-xochtli (Flor de Malinal). Malinal é uma planta têxtil.
Semana que vem, com a concordância do Snaga, vou propor novos temas mitológicos, já que o primeiro questionário ficou sem resposta. (Cadê os odinistas xiitas, meu Deus?)
Obrigado pelos conselhos. Ando tentando descobrir algum oficio em que eu consiga juntar a obrigação ao prazer, mas é uma tarefa muito difícil. Tenho mesmo vontade de ser escritor, mas minhas habilidades ainda são muito escassas. Limito-me a escrever resenhas dos livros que li, dos filmes que assisti, etc. Por essas e outras que estou procurando o plano B.
Quanto ao amor, eu ainda estou esperando ele aparecer, começo a suspeitar que ele ficou lá na caixa de pandora junto com a esperança. Haha
Quem sabe mais pessoas apareçam se pedirmos ao Snaga que crie um novo tópico voltado só a discussão de mitologia, pois este tópico está disfarçado de uma resenha de um livro e o assunto acabou desenvolvendo.
bom eu achei muito bom pq livros de mitologia são muito emocionantes até parece que estamos no livro
Faça adaptações que nem eu, Arcanis, e depois, se tiver imaginação bastante, tente um livro seu. Mas, por via das dúvidas, garanta o “de comer” com o plano B.
Muito boa a sua ideia de criar um tópico novo, voltado ao tema específico da mitologia. Vamos ver se o Snaga acolhe a ideia.
Escrevendo o livro de mitologia asteca, descubro que o deus Quetzalcoatl pode ter sido um viking. Pelo menos é o que alguns imaginativos sugerem, pelo fato do deus aparecer com barba ruiva numa das suas representações e por trajar uma túnica com uma cruz. (Quetzalcoatl usa barba como sinal de velhice, e a pretensa cruz era uma representação dos quatro pontos cardeais, uma das obsessões do imaginário místico mesoamericano.)
As coisas que os eruditos inventam…!
Em todo caso, joguem “Quetzalcoatl e viking” no Google e deleitem-se com esta curiosidade.
Muito curioso isso, encontrei um tópico de discussão sobre esse tema do Quetzalcoatl viking, e pelo visto há vários indícios de que o povo nórdico teve contato com os Astecas. Falam de nativos de cabelos loiros e pele clara, murais pintando homens barbudos com armaduras lutando (e perdendo) a batalha contra eles e ainda influências vikings na etimologia de algumas palavras. Realmente fascinante!
Mais tarde vou dar uma olhada melhor nisso, talvez esteja falando coisas sem fundamento =S.
Se tiveram contato eu não sei, mas já foram descobertos resquícios vikings na costa leste do Canadá. Os nórdicos foram ótimos navegadores e chegaram muito longe em suas viagens. Não duvido que tenham visitado o Golfo do México.
Dizem que até mesmo os romanos já tinham mapas das Américas e que Colombo e Pedro Álvares Cabral saíram da Península Ibérica já munidos de conhecimento sobre o Novo Mundo. (Minhas fontes sobre isso são muito tendenciosas, mas vai saber, né?)
Franchini, no seu post do dia 1º de fevereiro aqui nesta página, você sugeriu alguns temas e perguntas. Disse há alguns dias que iria continuar, mesmo ninguém tendo respondido.
Continue!
Eu gostei da idéia de um novo post. Vou pensar!
Vou esperar terminal o carnaval, Snaga, e fazer um super-questionário polêmico. Pode ser que os odinistas e os esotéricos, feridos nos seus brios místicos, retornem com toda a fúria.
Quem sabe a Mirella Faur também compareça. Ela é uma esotérica de respeito e conhece em profundidade os segredos arcanos do odinismo. Certamente aprenderíamos muito com ela.
Mas agora o pessoal só quer saber mesmo é de ziriguidum…
Argh…!
Três datas horríveis: Natal, Ano-Novo e Carnaval, o período mais cretino do ano. (Como é que pode aquela gente toda bêbada, se esfregando no suor uns dos outros e pulando feito bicho atrás de um caminhão mandando pro ar, a todo volume, aquelas músicas abomináveis?!)
Será que na Suíça, onde jamais estarei – não estarei jamais no Piauí, quanto mais na Suíça – tb. se pula carnaval? Que experiência superior estar lá no meio das suíças frias e ponderadas, sexualmente reprimidas e com um resfriado permanente, que não se despem por qualquer coisinha! (Será que é assim?)
Em breve, o questionário.
Que os vikings estiveram no Canadá é certo. A saga de Erik, o Vermelho, conta sobre isto, e arqueólogos descobriram restos de construções comprovadamente vikings cerca de 500 anos antes de Colombo. No meu livro Fúria Nórdica (desculpe a propagandinha…) recriei, junto com a Carmen, os episódios da colonização malsucedida do Canadá, mais extamente em L´Anse aux Meadows.
Leif, o Sortudo, filho de Erik, deu início à colonização viking, mas um bando de esquimós (ou inuits) os pôs para correr da América, pois os nórdicos estavam em inferioridade numérica.
Os espanhóis e anglo-saxões, muito mais tarde, mostrariam-se bem mais determinados.
Quanto a chegada dos vikings ao México acho muito improvável. Estudiosos do assunto refutam categoricamente esta hipótese, incluindo-a na categoria de hipóteses do tipo “deuses-astronautas”. AS semelhanças que possam haver não passam de interpretações fantasiosas de historiadores e romancistas. Uma escritora escreveu um livro inteiro, mas é obra de pura ficção.
Incrível como os antigos se impressionavam com os astros. Estive vendo aquele documentário Zeitgeist, ou algo assim, do youtube sobre as semelhanças entre o culto cristão e os cultos pagãos do sol. Pela quantidade de semelhanças apresentadas, não é impossível de crer que o cristianismo – incluindo os próprios evangelhos – tenha sido esquematizado pelos primeiros cristãos para ser a nova religião solar, sucedânea de tantas outras. Fantasiaram, assim, a vida de Cristo, acrescentando eventos fictícios, como o nascimento da virgem (um dos tópicos mais velhos do fabulário místico universal), a perseguição do herói pelo rei, a ressurreição, etc., a ponto de converter o personagem real Jesus num personagem supranatural, recriando em sua pessoa, em uma roupagem quase idêntica, o velhíssimo culto solar.
Praticamente todas as religiões antigas são representações poéticas de eventos astronômicos. A religião dos astecas e maias é eminentemente astronômica. O que não quer dizer que seus personagens sejam meros símbolos dos astros. Os magos e astrólogos da época eram habilíssimos em “acoplar” vidas terrenas aos eventos cósmicos, de tal forma que um ser humano podia ser, ao mesmo tempo, real e simbólico.
Seria algo como pegar a história de Napoleão, que realmente existiu, e “acoplar” sua história pessoal com eventos astronômicos. Um mago hábil poderia facilmente converter Napoleão num deus solar, caso sua história tivesse se passado alguns milhares de anos atrás. Bastaria pegar seus generais e dizer que eram doze, para combinar com os doze signos do zodíaco (os apóstolos de “Cristo-Sol” eram doze também), e dizer que a derrota de Napoleão para o inverno russo é uma “alegoria evidente” do solstício do inverno (Napoleão-sol derrotado pelo inverno). Depois, acrescentariam-se alguns prodígios ao nível das fábulas, a fim de cativar as massas (Napoleão atracando-se à unha com a esfinge durante a sua campanha no Egito, etc. etc. etc.) e pronto: aí estaria mais um belo mito solar.
O cristianismo, assim, parece ter sido a última expressão dos velhos mitos solares, uma mistura hábil feita pelos idealizadores do seu culto – que deve ter começado pelos próprios judeus, já que os evangelhos apresentam a figura de Cristo com todos os elementos da divindade solar, demonstrando que a fábula se instalou muito antes do estabelecimento da igreja romana. (Existe uma frase atribuída ao papa Leão X, que parece autorizar as suspeitas de manipulação dos verdadeiros eventos da vida de Cristo: “Quanto nos é útil esta fábula de Cristo!”, diz ele. “A fábula de Cristo é de tal modo lucrativa que seria um erro advertir os ignorantes do seu erro.”)
Seja como for, tudo isto não invalida, de forma alguma, os ensinamentos morais que Jesus nos transmitiu. É preciso saber sempre distinguir a história da fábula (se é que se trata mesmo de uma fábula), e o ensinamento da embalagem na qual vem acondicionado. O problema é que a maioria dos crentes ama muito mais os prodígios que os ensinamentos. Eles não poderiam continuar a viver se retirassem os prodígios da sua devoção, preferindo mil vezes reescutar a lenda de que Sansão derrotou sozinho um exército inteiro armado apenas de uma queixada de burro, do que ter de reescutar o sermão da montanha – e o pior de tudo: TER DE COLOCÁ-LO EM PRÁTICA.
Henry Asgar Kelly, no seu livro “Satã, uma biografia”, ( ed. Globo, trad. Renato Rezende) dá um resumo da Bíblia, tal como é entendida pelos cristãos. É um resumo caricato, evidentemente, mas que, no fim das contas, sintetiza com exatidão o enredo da história que o livro conta:
1- Gênio do mal, vindo do espaço, arma cilada para casal nu desavisado.
2- Gênio consegue aprisionar casal – agora vestido – e todos seus descendentes.
3- Deus tem um plano de resgate, envia filho.
4- Plano parcialmente bem-sucedido: milhões ainda aprisionados no inferno, mas alguns são salvos.
Depois, o autor acrescenta:
“Humm. Ainda não parece certo. Na verdade, parece totalmente injusto. Que bom que isso não esteja de fato na Bíblia!”
Estive lendo o livro “Antologia Hede”, lançamento da Cia. das Letras, do autor argentino Manuel Graña Etcheverry. O livro é muito interessante, e se baseia numa mitologia inventada pelo autor. Uma mitologia primitiva, neanderthal. O tom do livro é de paródia, mas mostra bem como devem ter sido todas as mitologias nos seus estágios primais.
Na verdade, todas as as mitologias tiveram aquela origem bárbara, e suas histórias originais são todas repletas de barbarismos iguais ou piores do que as apresentadas pelo autor na sua mitologia particular.
Ou vocês acham que a mitologia grega, da maneira como hoje a conhecemos, foi sempre assim, toda cheirosinha e penteadinha? Todas as mitologias começaram nas cavernas, e não diferem daquela passada na fictícia Hedália. O Thor que vemos nas pinturas, de barba esvoaçante e manto com etiqueta Armani, é produto da mente fantasiosa de poetas.
Todas as mitologias, brutais e estúpidas na sua origem mais remotda – produtos que eram de mentes pré-lógicas, situadas apenas um degrau ou dois acima da pura animalidade – foram coadas dezenas de vezes, e açucaradas e coloridas artificialmente pelos poetas, que deram um jeito de suavizar as asperezas do mito original. Os contos de fada dos irmãos Grimm são basicamente produto da imaginação deles, versões edulcoradas das versões bárbaras originais, que envolviam canibalismo, incesto, coprofagia e outros horrores.
Os artistas transformaram as mitologias no que são hoje. A mitologia grega, toda bonitinha, ainda que tenha guardado boa parte do primitivismo original, tornou-se, com o tempo, produto de artistas.
Na origem, todas as mitologias são representativaas daquilo que Nélson Rodrigues chamava de “o vil passado do homem”. Às vezes vemos surgir rasgos poéticos belos e originais, mas na maioria das vezes são produto de um ambiente bárbaro e de uma péssima compreensão de como as coisas funcionavam no universo. A questão do sacrifíciio humano é exemplar. Não existe nada na natureza que autorize imaginar que o sacrifício propiciatório seja necessário para a manutenção da vida no universo ou para a obtenção de qualquer favor natural. Mas um dia algum cérebro embrutecido imaginou que este seria um excelente meio para se obter favores do céu ou da natureza, e daí começou a carnificina insensata que dura até hoje. Milhares – talvez milhões – de seres humanos, sem contar animais, tiveram suas vidas imoladas em nome de uma estupidez crassa, fruto da má compreensão do funcionamento do universo.
Mitologias são belas, mas não convém levá-las a sério demais, pois são todas, na origem, motivadas por erros e enganos de observação, com resultados infinitamente mais danosos do que benéficos para a própria vida humana. Ganhou-se poesia, mas, em muitos momentos, à custa de muito sangue.
Por isto que, nos meus livros, procuro sempre manter um clima de ceticismo, e às vezes até de ironia, para que o leitor, que muitas vezes chega ao assunto um tanto fanatizado, perceba que não se deve levar demasiadamente a sério estas coisas que, no fim das contas, não passam de lendas, por mais belas e engenhosas que seja (e, na maioria das vezes, não são.). O mesmo vale, é claro, para as religiões.
O pensamento mítico cega a pessoa para a lógica mais simples. Veja-se a questão de Moisés, durante o cativeiro do Egito. Se ele possuía mesmo o poder fantástico que se dizia possuir – ele ou o seu deus, o que dá no mesmo, pois ambos agem em conformidade – , um poder avassalador de lançar pragas medonhas e devastadoras e até mesmo de abrir um oceano ao meio, não lhe seria muito mais simples tirar o Faraó do trono a pontapés e sentar-se ele próprio no seu lugar? “De hoje em diante sou eu o Faraó e o Egito passará a se chamar Israel, e vocês egípcios é que irão peregrinar pelo deserto!”, deveria ter dito o mago hebreu.
Bom. aí está um tópico sobre mitologia, cheio de pontos falhos esperando para serem atacados.
Abraços, e obrigado ao Snaga pelo espaço.
A origem pode ser bárbara como você diz, mas o que não é? Assim como nossas histórias, nós mesmos já fomos bárbaros e evoluímos. Assim como o pensamento humano cresceu, os mitos e lendas também.
Citando o próprio exemplo dos Irmãos Grimm que você deu. As histórias eram bárbaras, pesadas, carregadas de obscuridade. Se tinham lá sua lição de moral ao fim, não sei, pois desconheço totalmente. Mas veja como os Grimm evoluíram suas fábulas! O que era uma lenda do povo, se tornou um conto de fadas mundial, que tem a algo a ensinar às crianças, mesmo sem que elas percebam. E, apesar de muitos criticarem Walt Disney (incluindo Tolkien, que era um ferrenho crítico do cineasta), eu acho fantásticas suas adaptações das fábulas. O modo como os filmes conversam com as crianças e apresentam temas delicados, como a morte dos pais em Bambi e Rei Leão, por exemplo, é fascinante e para poucos.
Mas voltando aos mitos, basta lembrar da Mitologia Grega que você disse. Podem ter se originado de atrocidades, mas se tornou o legado de uma sociedade evoluída, poética, criativa e bela. Se me permite citar Maquiavel um pouco fora de contexto: “os fins justificam os meios”… neste caso, o início.
Já quanto a Moisés, a interpretação dos religiosos é um bocado diferente desta que você disse. Havia um propósito para que fosse daquela forma. A questão não era apenas salvar os judeus, mas também ensinar e mostrar aos egípcios quem era o verdadeiro Deus, sem tirar-lhes o direito de escolha. Mas enfim, esse parágrafo é tendencioso, pois eu próprio cresci sob esta doutrina e nunca a abandonei de todo.
Aliás, já que toquei no assunto, comecei a ler bastante sobre mitologia judaica e hebraica recentemente. É também uma história fascinante e, muitíssimas vezes, destoante da Bíblia Católica que conheço relativamente bem.
É com alguma vergonha que volto aqui, depois de ter esquecido a discussão por quase um mês! Ademilson, também assisti ao Zeitgeist. Lembro que na época gostei muito mas eu acho que ele sofre um pouco por ser muito tendencioso quando chega lá na parte do atentado e tudo mais. A primeira parte do filme eu não tenho o que reclamar.
Outro vídeo legal que lembrei agora foi um documentário da BBC (se n me engano) com uma entrevista gravada com o Joseph Campbell falando da saga do herói, e teve algo que me intrigou e muito. Como por exemplo, tinha uma parte que ele citava um mito Hindu em que a divindade abria os olhos e o que era vazio se tornava real, as coisas passavam a existir e quando a divindade (perdoem-me por não lembrar o nome xD) fechava o olho representava o fim daquele universo. Até aí tudo bem, mas eis que estava assistindo um documentário da Discovery falando sobre o Big bang e tem cientistas que acreditam que o ele foi formado pelo encontro de duas dimensões representadas na forma de um manto que estavam sempre ondulando. Quando os mantos se tocavam acontecia um big bang e o universo começava a se expandir, mas existiria uma hora em que a expansão acabaria e novamente os mantos tornariam a se separar, fazendo o universo regredir ao ponto inicial e conseqüentemente deixar de existir. Não é isso tão parecido com o piscar de olhos desse deus hindu? Como pode coisas tão perdidas no tempo ter tamanha semelhança? Talvez eu esteja viajando e fazendo ligações com coisas sem sentido, mas enfim.
O nome do documentário é “Through the Wormhole” caso vcs tenham curiosidade em ver. Falar mais sobre questões da física moderna, mas o primeiro episódio fala sobre a questão da existência de deus sobre varias visões diferentes.
Se for reparar, todas as mitologias apontam o fim dos tempos dessa forma: um reinício.
O Apocalipse judaico-cristão é assim, com o despertar dos mortos e tal.
O Ragnarok dos nórdicos também, pois quando tudo acaba, sobram alguns deuses apenas para reiniciar o mundo.
Até Tolkien criou sua mitologia dessa forma. Na Segunda Profecia de Mandos é dito que Melkor retornará do Vazio, será vencido e então todos os mortos ressuscitarão e os desígnios de Eru/Deus estarão completos.
No caso da mitologia hindu, o universo também é cíclico e creio que você esteja falando do deus Brahma. Quando Brahma desperta, ele cria todo o universo. Quando ele dorme, todo o universo é destruído. Então ele acorda novamente e tudo é recriado e assim sucessivamente.
Uma curiosidade: Shaka de Virgem, personagem dos Cavaleiros do Zodíaco, é considerado o homem mais próximo de deus, a encarnação de Buda. Shaka está de olhos fechados há muuuuuitos anos, acumulando energia. Esse era seu mais poderoso golpe do mangá: se Shaka abrisse os olhos, seu poder poderia destruir o mundo.
Mas o personagem foi baseado no fundador do budismo, Siddhartha Gautama, que também era conhecido como Shakya. Não sei quais as ligações entre budismo e hinduísmo, mas geograficamente estão bem próximos. É possível que Massami Kurumada tenha se baseado em bamas para criar o Cavaleiro de Ouro de Virgem.
A segunda parte do documentário sobre Jesus naturalmente que não vi. Deve ser mais uma das paranóias sobre o tema dos atentados de 2011. Não perco tempo com este tipo de bobagem.
Quanto aos mitos não sou contra eles, naturalmente. Eles são a origem de tudo o que somos. Numa época em que o homem estava atrasado cientificamente, foi a maneira como ele conseguiu interpretar o mundo. Além do mais, o mito não lida somente com explicações mecanicistas do mundo. Ele trata de sentimentos e da maneira como o homem deve ser relacionar consigo mesmo, com o próximo e com o próprio mundo. É um patrimônio valioso e inalienável do homem.
Acho apenas que devemos, como seres racionais que somos, saber “peneirar” o que, nos dias de hoje, nos convém, e o que se tornou obsoleto. Mitos que versam sobre a imposição da força para impor dogmas ou conceitos de mundo, devem ser radicalmente banidos (estudados, certamente, mas não acolhidos mais como exemplos de conduta).
A prática do sacrifício humano é o feijão com arroz de muitas mitologias. Eu acho que nós, como pessoas sensatas, devemos banir esta ideia do nosso consciente, ou inconsciente, pois é uma ideia completamente absurda. Como eu disse anteriormente, não existe qualquer coisa na natureza que remeta a este tipo de prática. Ela é uma invenção exclusivamente humana, fruto da má compreensão do funcionamento do universo.
É lógico que a história de Moisés é muito mais que uma mera disputa de poder. Por mais histórico – ou não – que ela seja, ele também é uma alegoria sobre o deus dos hebreus, como bem enfatizou o Snaga. Pena que este deus não tenha arrumado um meio melhor de “desqualificar” os outros deuses que matando os seus crentes. (A solução para esta diferença entre o Jeová e os demais deuses é resolvida com um simples apelo ao extermínio dos “idólatras”. Uma postura que levou a verdadeiras abominações. Se Jeová é superior aos outros deuses ele deveria se mostrar sempre sereno, como um Buda diante dos adversários. Não é preciso arrebentar a cabeça dos bebês babilônios sobre a rocha, como preceitua um dos salmos, para que se prove a superioridade de um deus.
Existe um livro muito bom, chamado “Quem Jesus foi, e quem Jesus não foi”, de Bart D. Ehrman, que mostra como se construiu o mito do Jesus, e as fábulas da sua concepção miraculosa e da sua ressurreição, com base na crítica textual dos evangelhos. Cada evangelista diz uma coisa, com um propósito teológico definido, uma disputa que passou bem longe das motivações religiosas – e principalmente morais – de Cristo.
Outra leitura muito estimulante são os livros do Osho. Aquele guru era realmente endiabrado e “não deixava nada no tinteiro”, como se dizia antigamente, quando se trata de criticar as crenças organizadas, chamadas por ele de “alucinações religiosas”. Seus livros são saudavelmente provocadores. Este dias vi na Saraiva um dvd dele, chamado “Quem disse que a humanidade precisa ser salva?” Segundo ele, a crença desenvolvida pelo cristianismo dogmático não passa de uma “armadilha religiosa” destinada a escravizar a humanidade. Se eu sou culpado, só Jesus – ou seja, a Igreja – pode me salvar. Uma lógica rasteira e maníaca, que manteve, e ainda mantém, milhões de pessoas escravizadas mental e espiritualmente.
Finalmente, quanto ao Walt Disney e Tolkien, penso o seguinte: quando um artista superior se apodera dos mitos, ele os transforma em coisas superiores, às vezes melhores que o original. A versão original do anel dos nibelungos, apesar de belamente escrita, é um banho de sangue insensato protagonizado por um bando de trogloditas germânicos. Wagner, porém, artista superior que era, converteu a carnificina numa obra superior. O problema acontece, na verdade, quando os mercadores da fé se poderam dos mitos, ou da história, para fins escusos. Aquela frase do Papa Leão X é emblemática, ao afirmar o quanto era rendosa à Igreja “a fábula de Jesus”.
É preciso evoluir. Os mitos são belos, trazem belas mensagens, mas não podemos mais interpretá-los literalmente, dando ênfase à fábula em detrimento da lição. Agora, na Páscoa, todos os pretensos cristãos irão se empaturrar de chocolate e comer peixe – uma combinação explosiva que termina invariavelmente no WC. Eu acho que honrar o mito de Jesus seria procurarmos agir de maneira um pouco mais parecida com a dele.
Ah, mas isto é muito cacete. Deixa de blablablá e passa pra cá a tainha recheada e o ovo gigante!
Abraços.
Olá, senhores, primeiramente gostaria de dizer que me senti meio envergonhada em saber que somente duas mulheres comentaram e de forma pobre (e me atrevo a dizer de forma podre) neste post.Fico feliz em saber que existem pessoas de alto nível intelectual nesse país e que não estão enredados no Panem et Circenses que é o atual estado em que se encontram a maioria esmagadora da população brasileira, também fico feliz em encontrar o Covil do Orc.Confesso que achei muito engraçada a parte em que Franchini (O Troll, hehe) convida a “gurizada” a namorar mais e ler menos, mas convenhamos Sr Franchini eu convivo com pessoas que se assustam ao ver um livro de 100 páginas e dizem que a leitura é chata e desgostosa,então creio que pessoas que gostam de leitura são raras e precisam existir cada vez mais, me senti tentada em ler a sua obra que gerou tantos comentários, alguns podres mas alguns ricos em conteúdo e conhecimento, alguns os quais geraram em mim maior interesse e curiosidade em abordar e conhecer assuntos sobre Mitologia em geral.Longe de mim julgar-me conhecedora de quaisquer assuntos sobre a mitologia, baseando-me em um conteúdo fraco fornecido pela mídia, (eu que sou uma garota dos números pois estudo engenharia).
Peço que me perdoem se fugi do assunto e se cometi algum erro aqui (pois como já disse sou a garota dos números) e agradecê-los por publicar um conteúdo tão excelente como este.
A propósito Sr Snaga, também gosto muito das obras de Tolkien. ^.^
Olá,
Tomo liberdade, até em nome de outros que aqui comentaram, em pedir que faça a leitura do livro, para novamente colocarmos fogo nestes comentários! ^^
A obra do Franchinni é boa, é uma introdução muito bacana a Mitologia Nórdica, coisa que muitos, infelizmente, por falta de intelecto, não conseguiram compreender, querendo comparar a obra a Tolkien.
Bem, fico fascinado ao ver brasileiros criando coragem e começando a escrever sobre Mitologia Nórdica, povos escandinavos e alguns outros temas específicos, os quais, se quer são citados nas escolas, e tais povos e mitologia, são tão completos e fascinantes quanto qualquer outro que tentam enfiar na cabeça da gurizada.
Mas, bem vinda garota dos números! ^^
Bem-vinda, garota dos números! hehe
E não há nada a perdoar, foram ótimas as suas considerações.
E, Tiago, não sei se você se referiu a mim ou não, mas não quis comparar nada com Tolkien. Pelo contrário, fui contrário à comparação que vem logo marcada na capa do livro. De resto concordo contigo!
Não mesmo Snaga!
^^
Com você foi uma bela conversa, cito outros que ficaram revoltados, cegos e falaram asneiras, você não, você apenas foi crítico, dentro de seu direito, assim como outros, tendo embasamento no que falava.
Olá, pessoal.
Prazer em ver que temos uma nova integrante do painel nórdico, a nossa simpática Driana, desde já cognominada A Garota dos Números.
Graças aos deuses que você conseguiu compreender o sentido da coisa, Driana. Meus livro e da Carmen Seganfredo não passa de um esboço, uma tentativa – muitas vezes tosca, admito – de fazer uma introdução ao magnífico universo da mit. nórdica.
Até agora não entendi o porquê das críticas raivosas. Muitas pessoas se enfurecem ao descobrir erros nos livros, como se eles fossem obra e culpa do autor. Errar é humano, e corrigir também. Adoro quando as pessoas apontam os defeitos, pois elas estão ajudando-me a não repeti-los.
Muito legal que você, apesar de cursar engenharia, também se interesse pelas letras e pelo universo do pensamento e da fantasia. Serás, certamente, uma grande engenheira, pois um profissional, seja de que área for, só se torna realmente grande e diferenciado quando possui um arcabouço cultural e intelectual. É deste cabedal de conhecimentos que irás tirar grandes ideias para as obras que um dias virás a realizar. Da arquitetura avistada numa obra de um grande escritor como o Tolkien, por exemplo, podem surgir ideias para nobras construções, ou simples ornamentações. Um escritor é geralmente um espírito plutal e multifacetado. Na obra de um Balzac, por exemplo, há de tudo um pouco, e mesmo de uma ideia abstrata que ali se colha pode surgir o estalo para uma criação concreta no mundo ultracriativo das artes da construção. (Certamente que a engenharia e a arquitetura são verdadeiras artes.)
Continue lendo, Driana, e enriquecendo o seu espírito, e fique a vontade para criticar os meus livros, pois a crítica é vital para o aperfeiçoamento de qualquer profissional.
Um abraço a você, e também ao Tiago e ao Snaga, duas pessoas que, sem abrirem mão das suas opiniões, sabem fazê-lo com elegância e serenidade.
É sempre um prazer poder conversar com todos por aqui e demais blogs que acesso. Mesmo tendo as vezes uma opinião, aprendemos muito com os outros, o que pode também, mudar nossa opinião. É aquela questão da verdade, que a verdade, não existe, é sempre mutável, e é exatamente assim. Quando achamos que temos as respostas definitivas e que aquela é nossa opinião ou aquilo é a verdade, sempre podemos mudá-la, e uma das coisas mais bacanas de se ver, é que o indivíduo aceite que estava errado ou que nem sempre está certo, aceitando mudar a sua então, verdade.
Ultimamente estou com pouco tempo para participar dos blogs que costumava frequentar, assim, como estou com pouco tempo para leitura do que eu realmente gosto, estou me obrigando a ler textos e livros da faculdade, os do meu TCC e ainda, as centenas de textos da empresa. Então, espero daqui um tempo poder participar mais ativamente, para termos algumas boas discussões, construtivas.
Onde se leu “nobras construções”, leia-se “novas construções”, e onde se leu “espírito plutal”, leia-se “espírito plural”.
O preguiçoso aqui postou o comentário sem dar antes uma boa relida.
Olá, desejo uma boa tarde aos senhores,
Gostaria apenas de agradecer as calorosas boas vindas.
^.^
Para os aficcionados da mit. nórdica:
Li recentemente o livro “Cantiga de Sangue”, de Melvin Burgess, da editora Rocco. É uma recriação futurista da saga dos Volsungs.
Tem suas qualidades, mas o autor apelou demais, metendo inclusive fartas doses de homossexualismo, algo que inexiste na versão original. (Soa mais como “homossexualismo promocional”, como diria Nelson Rodrigues).
Em todo caso, vale como curiosidade…
Outra dica – esta quentíssima:
“Conquistador – Hernan Cortés, Montezuma e a epopeia da resistência asteca”, de Buddy Levy, da editora Objetiva.
Um livro fabuloso e indispensável, contando todos os passos da conquista do México. O encontro – e confronto – de duas civilizações que até então se desconheciam completamente é retratado de maneira brilhante pelo autor (Não sei porque Montezuma me lembra a figura de Jango, o nosso presidente deposto em 1964. As atitudes dúbias de ambos diante da catástrofe iminente parecem torná-los irmãos.)
Este livro vale a pena comprar, ainda mais se sabendo que as tiragens deste tipo de livro costumam ser pequenas no Brasil, com reedições improváveis).