A cultura esquecida dos Quilombos

Reportagem produzida originalmente para o jornal Ora-Pro-Nobis,
da Universidade Federal de São João del-Rei.
Por Aléxia Pinheiro, J. V. V. B. Militani (eu) e Viviane Basílio

Como vivem os descendentes de escravos nas comunidades quilombolas próximas a São João del-Rei

QuilomboQuando se fala em Minas Gerais, o imaginário popular evoca a busca pelo ouro e o fascínio das cidades históricas, onde até mesmo os sinos falam. Mas muitos desconhecem a existência de comunidades remanescentes de um povo que participou diretamente da memória cultural do Estado. Escondidos entre as alterosas, – a cerca de 50 km de São João del-Rei – os quilombos Jaguara e Palmital resistem há mais de um século em seus respectivos vilarejos, embora enfrentem uma crise de identidade ligada as suas tradições, que foram perdidas ao longo do tempo.

O reflexo deste esquecimento é a inexistência de manifestações culturais desenvolvidas pelos quilombolas contemporâneos. Somente no Dia da Consciência Negra, os nativos têm contato com os hábitos advindos de seus ancestrais. Nessas ocasiões, os moradores são os responsáveis pelo preparo de comidas típicas enquanto as apresentações afro-brasileiras são feitas por pessoas alheias ao convívio quilombola. “Nós ficamos o dia inteiro cozinhando. Todos comem à vontade. Nosso feijão é nota 10, se existisse nota 1000, era para a gente”, se orgulha uma das moradoras de Palmital. “Capoeira, dança e congado vem de fora”, explica o presidente da Associação de Moradores, João Rosa, sobre o legado africano não ser transmitido internamente em Jaguara.

Outro aspecto que se destaca é a ausência de religiões de matriz africana, como o candomblé. A influência da Igreja Católica na vida espiritual e cotidiana da comunidade é intensa, tanto que todos os entrevistados afirmam que suas terras pertencem à igreja.

Diante desta fragilidade, alianças estão sendo formadas para que esta manifestação cultural afro-brasileira seja valorizada na sociedade e reconstituída na própria mentalidade da população local. De acordo com o professor do curso de História da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), Manuel Jauará, seu primeiro contato com as comunidades foi muito aquém de suas expectativas. “Foi talvez a nossa maior decepção: a grande diferença entre o que a literatura diz sobre os quilombos e o que nos revela a realidade”, afirma.

Quilombo Palmital- João Victor Militani

Palmital: moradores do vilarejo se reúnem ao ar livre, sob a árvore seca. (Foto: J. V. V. B. Militani)

Este episódio, de certa forma, o motivou a desenvolver projetos de extensão junto à universidade, visando a troca de conhecimento e o bem comum dos envolvidos. Em meio ao intercâmbio de experiências, os moradores foram orientados a respeito da importância de serem legitimados pelo Governo Federal e desde 2013 são legalmente reconhecidos como remanescentes de quilombolas pela Fundação Palmares.

Este órgão, vinculado ao Ministério da Cultura, por meio do Departamento de Proteção ao Patrimônio Afro-Brasileiro (DPA) e do Programa Brasil Quilombola, é responsável pelo conjunto de exercícios relacionados à proteção, preservação e promoção das culturas e religiões africanas. Segundo a assessoria de comunicação da entidade, “a proposta do departamento é assisti-los e acompanhar ações de regularização fundiária dos já certificados, propondo atividades que assegurem a sua assistência jurídica”.

Os habitantes ainda podem ser beneficiados com cestas-básicas, melhorias na saúde, educação, moradia, infraestrutura e saneamento. Entretanto, as lideranças da Associação de Moradores de Jaguara e Palmital, estariam desarticuladas e desinformadas, sendo assim, não encaminham solicitações com suas demandas para o DPA, ficando sem acesso a estes amparos sociais.

Quilombo Jaguara-Aléxia Pinheiro

Um dos moradores de Palmital. Ao fundo, a capela: catolicismo é a religião predominante no vilarejo. (Foto: Aléxia PInheiro)

Ainda assim, os quilombolas têm acesso ao programa Bolsa Família e à aposentadoria rural. Para complementar a renda familiar, a líder comunitária do Palmital, que preferiu não se identificar, conta que os moradores da comunidade buscam vender sua mão de obra apenas durante três meses por ano nas fazendas próximas. “A gente trabalha de ano em ano, nas colheitas de café e milho”, declara. Sobre a economia local, Jauará acredita que, por já se sentirem seguros com os programas governamentais, não se empenham para criar uma economia interna autossuficiente. “O governo reconhece a necessidade e a relevância da assistência familiar, mas nesse caso em particular, isso tem impactado no esforço da maioria, e tem feito um afrouxamento do laço de solidariedade e fraternidade que sempre uniu essas comunidades.”

O projeto socioeconômico desenvolvido pelo professor de Economia da UFSJ, Glauco dos Santos, tenta modificar esta situação e apresentar novas fontes de renda a estas comunidades quilombolas. A proposta principal é desenvolver a educação financeira, trabalhar a questão ambiental e desenvolver técnicas de economia. “Estamos tentando trabalhar com estratégias de desenvolvimento local, o que fazer para dar condições de progresso para estas populações vulneráveis, não só em termos de geração de emprego e renda, mas também consciência coletiva”, explica Santos.

Porém algumas destas iniciativas são mal interpretadas por alguns dos moradores, especialmente em Palmital. Dentre as reclamações, as principais se referem à demora em atingir resultados, o hiato entre os projetos e, aparentemente, a falta de continuidade de alguns deles.

Quilombo Jaguara- João Victor Militani

Jaguara: líder comunitário João Rosa (à direita) conta sobre a história do vilarejo. (Foto: J. V. V. B. Militani)

Questionado sobre esta declaração, Santos explica que a Extensão não pode atuar como uma medida assistencialista, pois cabe aos poderes públicos esta função. “A universidade dever prover as condições para que as comunidades, a partir delas mesmas, tenham uma trajetória de emancipação e desenvolvimento”, defende o professor. Já com relação ao tempo, ele admite a demora dos resultados: “Projeto de Extensão é algo que você não consegue mensurar resultados imediatos em termos de ensino e pesquisa.”

Entre estes entraves, está a baixa autoestima dos quilombolas que já se reflete na juventude.  “Elas brincam com pedra, não tem brinquedo e a única boneca que ficou foi a negra”, alude o professor Santos ao relembrar de quando distribuiu doações. Durante a reportagem, as crianças de Jaguara se entusiasmavam ao serem fotografadas. Já em Palmital, fugiam das lentes.

Porém a sensibilização das comunidades começa a surtir efeito de forma gradativa. “Tivemos um longo trabalho até mesmo para convencê-los de que eram descendentes de escravos”, conta Santos. E conclui: “Hoje eles têm mais orgulho e afirmam ‘somos um quilombo!’”.

História

Reproduzindo um antigo costume de se reunirem sob a sombra de um jatobá bicentenário, alguns moradores de Palmital, ao serem questionados, evitaram comentar suas origens.

Quilombo Palmital-João Victor Militani 2

Com relutância, moradores de Palmital se reúnem para contar suas histórias. (Foto: J. V. V. B. Militani)

“Quem era o contador de casos, era o meu pai que morreu. Tem o pessoal mais velho que sabe, mas não quiseram vir até aqui e não vão contar”, explica uma das quilombolas que ainda ressalta a amnésia cultural por parte dos mais jovens: “Nem eu, nem os outros não sabemos de nada”.

Embora um pouco mais abertos em relação ao seu passado, os habitantes de Jaguara repetem o mesmo comportamento. “A gente sabe um pouco, os velhos que sabiam mais”, destaca João Rosa. Quando questionado sobre o motivo da tradição oral não ter sido repassada ao longo das gerações, Rosa revela a “falta interesse” por grande parte dos descendentes mais novos.

Apesar da aparente apatia em relação à sua história, esta é frequentemente negociada em troca de benefícios. “A gente está cansado de falar do quilombo e não receber nada em troca”, alega uma moradora que não quis ter a identificação divulgada. Por consequência, foram raros os que se dispuseram a fornecer algumas informações. Rosa foi um dos poucos que aceitou divulgar parte do que sabia, contando que “Jaguara tem esse nome em homenagem à cachorrinha das irmãs que doaram a terra para os escravos”.

Quilombo Jaguara- Aléxia Pinheiro

Jaguara: “os mais jovens desconhecem suas origens” (Foto: Aléxia Pinheiro)

Oficialmente, a história possui variações. Conforme registros do Instituto do Patrimônio Histórico Artístico Nacional (IPHAN), no século XIX surge a fazenda Jaguara na cidade de Nazareno, conhecida anteriormente como Arraial Ribeiro Fundo. Com o falecimento do proprietário da fazenda, as terras ficaram para sua esposa e, posteriormente, metade da fazenda ficou para sua filha Mariana Isabel Cândida da Conceição. A outra foi arrendada ao capitão Antônio Leite Ribeiro, proprietário da fazenda Palmital. Treze anos antes da abolição da escravatura, Mariana concedeu aos seus escravos a liberdade e lhes deu o direito de usufruir da sua propriedade.  Os arquivos referentes à Palmital são escassos.

Infraestrutura

Apesar de culturalmente semelhantes, as duas comunidades são estruturalmente distintas.

Jaguara é marcada por características urbanas, apresenta asfaltamento, quadras esportivas, praças de convivência e pontos comerciais. Enquanto Palmital é predominantemente rural, com ruas de terra e casas esparças.  “Aqui precisa é de tudo, principalmente, calçamento. Eu queria que tivesse uma pracinha e uma quadra para os meninos jogarem bola”, confidencia uma das moradoras, que quis ter seu nome preservado.

Ambos quilombos ficam no município de Nazareno. Frente a estas diferenças, um dos vereadores da cidade, Jovino César Romão, analisa as possíveis causas destes contrastes. Segundo ele, Jaguara é privilegiada por estar próxima da rodovia, ter casas aglomeradas e ser vizinha de outro povoado. Enquanto Palmital é afastada geograficamente e possui o agravante de ser dividida entre os municípios de Nazareno e Conceição da Barra. Sobre este impasse, uma moradora desabafa. “Nós nascemos em Nazareno, batizamos em Nazareno, enterramos em Nazareno, o registro de Palmital está todo lá. Como nós somos de Conceição da Barra?”.

Ao saber das reclamações da comunidade, o vereador se posiciona sobre este problema. “A divisão gera um pouco de dificuldades para os investimentos serem feitos naquela localidade. Para que as melhorias aconteçam naquele povoado, precisa haver um consórcio entre as duas prefeituras”.

*

Se quiser ler a versão digital do jornal Ora Pro Nobis, basta clicar aqui.

Anúncios

Documentário – “História do Hip Hop” (Assista)

O ano era 2007. Eu acabara de entrar para a faculdade, acabara de deixar minhas Minas e me mudar para São Paulo. Ainda não conhecia ninguém, estava começando a descobrir o mundo novo da universidade, da comunicação, da TV, do rádio e do cinema. Enfim, estava completamente perdido!

Já no primeiro período do curso, o professor de Antropologia nos pediu um trabalho de pesquisa que teria por tema “A História do Hip Hop”. Um trabalho que poderia ser apresentado como quiséssemos, desde que atendesse aos pedidos feitos pelo professor. Todos os outros grupos (que tiveram por tema o break, o rap, a moda hip hop e a linguagem e suas gírias) aprensetaram de maneira tradicional, usando slides, discursos e levando convidados para debater o tema em sala de aula.

Meu grupo, no entanto, se amalucou e um colega disse: “se nosso curso é de rádio e TV, porque não fazer um vídeo então?” Pronto, estava feito o desafio. Mas como, se a faculdade não liberava equipamentos para alunos recém chegados? Como, se não tínhamos experiência alguma com vídeo, roteiro, câmeras e tudo o mais? E a resposta foi: “vamos fazendo. Se não der, passamos para o papel tudo o que conseguirmos e apresentamos da maneira tradicional.” Afinal já teríamos a pesquisa feita.

Pois bem, foi o que fizemos! Conseguimos uma câmera Hi8 emprestada com uma colega, um microfone bem tosquinho com outro colega e fomos à luta! Foi, portanto, a minha primeira produção audiovisual.

Ao fim pensamos que o resultado do vídeo era suficiente para ser apresentado, mesmo o áudio estando baixo e a imagem com uma baixissíma qualidade. Chegamos na sala com um DVD e colocamos para rodar, sem dizer mais nada, deixando que o vídeo falasse por si. Houve silêncio durante toda a apresentação e logo após, salvo as crítias têcnicas que já citei, recebemos o seguinte elogio do professor, o então Mestre Alfredo d’Almeida: “Há quatro anos ministrando esse mesmo trabalho, esse foi o melhor que já vi!”

Hoje eu assisto ao documentário e não acho nada de mais, e ainda encontro vários defeitos. Mesmo assim, é um doc do qual tenho orgulho em dizer que fiz. E agora, 4 anos depois de ser feito e apresentado, divulgo ele na internet, com exclusividade no Covil (e no meu canal do YouTube):

 

Como nos créditos têm apenas o nome dos integrantes do meu grupo, deixo abaixo algumas especificações sobre o o curta.

Produção:
LETÍCIA CAVALCANTE
J. V. V. B. MILITANI (Eu)
MARIANA VELOSO

Câmeras:
DANIEL ELEUTÉRIO
J. V. V. B. MILITANI (Eu)

Edição:
DANIEL ELEUTÉRIO

dentre outros…

Agradecimentos Especiais:
CASA DO HIP HOP DE DIADEMA
KING NINO BROWN
NELSON TRIUNFO
LEVI

Agradecimentos:
CASPER
MC VELOKO
E todo o pessoal da ZULU NATION e da CASA DO HIP HOP!

UNIVERSIDADE METODISTA DE SÃO PAULO – 2007

Remake “Clube da Luta”

No quarto perído da faculdae, ainda em 2008, tivemos nossa primeira experiência com dramaturgia audiovisual. O exercício era simples, porém deu trabalho – e muito.

Era necessário escolher uma cena de, no máximo, um minuto de duração, seja de um filme, uma novela, um comercial de TV ou um clip musical. E depois reproduzí-la da maneira mais fiel possível, tanto nas falas e nos movimentos dos atores, como também na iluminação, enquadramento e cenários. O sucesso da realização do exercício dependia da exatidão do conjunto.

Nossa equipe escolheu um trecho de 37 segundos do filme Clube da Luta (Fight Club, EUA, 1999), com a participação de Edward Norton e Brad Pitt e, a partir daí, começamos a pesquisar todo o material e equipamento que seria necessário para a reprodução da arte e da fotografia. Além claro, de ensaiar os atores.

Claro que muito do sucesso devemos ao talento dos atores Victor Cassoni e Wagner Galvão, que se dedicaram com afinco ao trabalho e fizeram uma imitação impecável dos personagens originais. E, puxando a sardinha para mim, devo dizer que fui eu quem os ensaiou, contando tempo, indicando marcações e repassando movimentos. Foram dias muito divertidos!

O vídeo que é apresentado abaixo foi editado para ser exposto de maneira contínua e seus créditos foram suprimidos. No DVD entregue aos professores, cada trecho foi apresentado em uma faixa diferente: Vídeo, Imagem Comparada e Making-of.

CRÉDITOS:

Elenco:
VICTOR CASSONI – Norton
WAGNER GALVÃO – Pitt

Direção:
ANDREWS NASCIMENTO

Assistente de Dir.:
LUIZ BRAS

Produção:
CRISTIANO SILES

Direção de Atores:
J. V. V. B. MILITANI (EU)

Direção de Fotografia:
WILLIAN MELO

Direção de Arte:
BÁRBARA NEVES

Câmera:
MARCELO SOUZA

Dentre outros…

Post Scriptum – Do Projeto à Conclusão (e mais o Trailer)

Só quem já escalou uma montanha sabe como é grandiosa a sensação de se chegar ao cume, mesmo que lá em cima não tenha nada. Após quatro anos de faculdade, eis que também chego ao cume, no ápice do curso, o momento final que separa o estudante do profissional! E para a conclusão desses quatro anos, apresentei na última quinta-feira, dia 25, o nosso trabalho derradeiro, o último, que vem sendo desenvolvido desde agosto do ano passado: Post Scriptum, a série!

Há um ano e meio minha equipe e eu estamos trabalhando duro, em diversas áreas, para realizar um trabalho desafiador e que, por muitas vezes, parecia estar além das nossas capacidades. No início foram apenas pesquisas – passeios históricos pela Literatura, o Cinema, o Teatro, as Histórias em Quadrinhos, a TV e por diversos jornais e revistas, acumulando todo o conhecimento possível sobre uma peculiar e consagrada criatura mística que a todos seduz com grande facilidade: o Vampiro! Da Grécia Antiga ao Brasil Moderno, passando pela China e pelos vampiros Andinos; de Polidori a Stephani Meyer, passando por Stoker e Rice; do expressionismo alemão, passando pelo terror adolescente dos anos 1980, até chegar ao terror romântico das atuais produções vampirescas… Todo o caminho foi percorrido para que a pré-banca, em novembro de 2009, aprovasse com louvores o nosso projeto! E só então passamos à parte prática.

Paralelamente aos demais trabalhos da faculdade, começamos, ainda em janeiro, a desenvolver o roteiro da série e a criar os personagens. E assim Post Scriptum começou a tomar forma: uma micro-série de seis episódios por temporada, com 40 minutos de duração cada, projetada para um canal a cabo. Claro que não gravamos todos. A exigência da faculdade é que se faça apenas o programa piloto, ou seja, apenas o primeiro episódio. Os demais foram entregues no papel mesmo.

Após um debate sobre a Copa do Mundo (outro trabalho da faculdade, que, infelizmente, ainda não apresentei aqui no Covil) estávamos finalmente com o roteiro pronto, em junho deste ano. Daí partimos para a fase de produção. Entre julho e agosto aconteceram muitas coisas, as quais não vou entrar em detalhes, mas que resultaram em desistências, brigas, 3500 reais jogados no lixo e um recomeçar do zero. Não foi exagero quando nosso colega Will nos comparou a Fenix, pois realmente renascemos das cinzas e superamos as expectativas de todos que apostavam no fim do projeto. Voltando à idéia da montanha, caímos de um abismo e tivemos que reescalar todo um contraforte. Mesmo com a frustração, nós continuamos.

Agosto, setembro, outubro e agora novembro, sempre produzindo e gravando, nos divertindo e nos matando, elogiando e, algumas vezes, esgoelando alguns atores. Mas tudo deu certo e a edição feita pelo Kikito fechou o trabalho com chave de ouro! E ao fim, a apresentação final, o desafio da Banca, o recebimento da nota e, com honras, o fim da faculdade!!! A chegada ao cume.

Ao fim de tudo, eu mesmo me achei um chato. Antes da entrega aos professores, quando finalmente assisti ao piloto pronto, fiz diversas críticas e não gostei de muitas coisas. Porém, para minha surpresa, tudo o que eu apontei como defeito, durante a banca foi apontado como qualidade pelos professores. Desde o Barril, nunca vi um trabalho ser tão elogiado. Eu realmente não esperava tantos comentários positivos da banca e ainda aqui reforço meu desgosto por alguns trechos. Mesmo assim, se a banca disse, então tá dito!

Em resumo, nós fomos aprovados com grande glória, sob aplausos, abraços, lágrimas e elogios!

Mas o que é Post Scriptum?

A série nos conta a história de duas vampiras paulistanas, as irmãs Júlia e Sofia, que há 15 anos foram mordidas e transformadas pelo cínico e secular vampiro Felipe. Porém a personalidade forte de Sofia e a morte súbita de Felipe, fazem com que as irmãs, mesmo com a nova dieta, continuem a levar uma vida relativamente normal, alheias ao sub-mundo dos demais vampiros. Mas a vida tranqüila das irmãs começa a virar de ponta-cabeça quando elas descobrem que alguém mais sabe sobre seus segredos. Será que Felipe está de volta? Ou algo ainda pior está caçando Sofia e sua irmã?

E o cenário dessa aventura de suspense e terror é a imensa cidade de São Paulo, com suas típica paisagens cinzentas, tempo chuvoso, trânsito fechado, drogas e violência.

Em breve, não percam a estréia do episódio piloto, aqui mesmo no Covil! Por enquanto, deixo apenas o trailer para vocês terem um gostinho do é todo o episódio.

O Barril de Amontillado (Brasil, 2009)

Banner BarrilBaseado na obra homônima de Edgar Allan Poe, apresento abaixo “O Barril de Amontillado”, curta-metragem de 3 minutos produzido pela minha equipe da faculdade.

Para assistir em “tela cheia/inteira” clique no penúltibo botão da janela do vídeo.

Detalhes técnicos:

Foram cerca de duas semanas de pré produção.
Mais de dois meses de produção.
Porta volta de 16 horas de gravações (em um único dia).
E outras duas semanas de pós produção.
Gravado em half HD (aqui no Covil tem apenas metade da qualidade do DVD).
Formato 16:9 (widescreen).
A catacumba foi construída no estúdio da faculdade.
Para o salão de festa foi usado como locação o hall do Salão Nobre da UMESP.

Ficha técnica: Se encontra nos créditos finais do filme. Portanto assiste e leia!

 

Links relacionados:

Pasta de Direção de Arte
Meu Primeiro Filme! Não Percam!!!

Pequeno Diário de Produção e Apresentação

Banner Barril

EliteSub

Equipe EliteSub

Eram 5 contos. Três crônicas do Veríssimo e dois contos de terror de Edgar Allan Poe. E desde que essa notícia foi dada em sala, passei a torcer por um dos contos de Poe. Não estava nem um pouco afim de fazer comédia, assim como o resto do pessoal do meu grupo, a EliteSub Produções. E pra nossa sorte, fomos agraciados no sorteio com “O Barril de Amontillado”, um dos mais famosos contos de Poe, situado na Itália, no período do carnaval.

Porém, juntamente com a vontade de fazer terror, veio a grande questão: adaptar a história para um período contemporâneo, ou mantê-la fiel à original, no século XIX e seguindo a temática do carnaval italiano? Fugir das dificuldades em produzir algo de época ou fugir da facilidade de fazer mesmice?

Não precisamos discutir muito. Se há uma qualidade na EliteSub, essa é gostar de desafios. Antes mesmo de começar a adaptar o roteiro, as meninas já haviam decidido que ele permaneceria na época original do conto. E daí pra frente seguiram-se as pesquisas e a fase de pré-produção.

Tendo em vista o roteiro em preparação, as pesquisas da catacumba adiantadas e alguns rascunhos já elaborados, fomos apresentar o projeto à disciplina de Direção de Arte. Para a nossa surpresa, fomos desacreditados e, praticamente, vetados, sob as palavras “estão no 5º semestre e já pensam que são profissionais. Jamais irão conseguir montar isso tudo” e daí mandados de volta para a disciplina de roteiro, para que readaptar a obra. Uma decepção e tanto.

Porém não queríamos fazer diferente. Queríamos a Itália! Queríamos uma catacumba! Queríamos 200 anos no passado!

Não desafiamos os professores abertamente. Continuamos nosso projeto às escondidas até onde deu. Fiz toda a Arte do filme sem auxílio ou orientação. E, quando fomos descobertos, o projeto já estava tão desenvolvido e tão bem feito que só restaram a eles admitir que conseguiríamos!

Com relação às outras disciplinas, conseguimos o apoio todas desde o início.

Houveram discussões internas também. Idéias discordantes, com relação aos atores e principalmente com os roteiros mal escritos… Muito bate-boca. Mas o projeto caminhava a passos largos.

Pelo menos chegamos com tudo pronto no dia das filmagens. Das 7h às 23h, com apenas uma hora de descanso durante todo o dia. Atrasos à parte, o filme foi feito! Cena por cena, tomada por tomada. Quando terminamos, a Universidade já estava fechada e éramos os únicos lá dentro.

Só que a noite não acabou aí. Tínhamos uma grua para devolver. Eu cheguei em casa cedo (moro do lado, oras), mas, bem longe dali, o Cristiano ainda bateu o carro.

Um dia de cão… e de muita diversão! Se existe um stress de vale a pena, é o de um ambiente de gravações. Pelo menos pra mim!

Depois disso foi edição, dublagem, sonorização… Mais duas semanas de trabalho corrido pra entregar tudo no prazo.

Se o roteiro já era ruim, os cortes para encaixá-lo nos 3 minutos exigidos o piorou ainda mais. Mas o trabalho foi finalizado e entregue. Agora restava apenas a ânsia em saber a opinião dos professores.

 

DIA DE APRESENTAÇÃO

 

OgAAAFL3SD6wugpoIX-GuNXOO87c7V2nzWJoSLrJ7oWsFPAK0NG6PkfV6KHcpBtQ_wKXYXVSVLaxTcOJXtCHhStH0oQAm1T1UGp9utLC8HUl6hujBWmSi7qVwnRZEu esperava o pior. Orgulhava-me do que havia feito, daquilo que aparecia na tela e do trabalho que todos tivemos. Mas ainda tinha medo, pois eu mesmo já criticava (e critico) o filme por demais. Quem diria os professores!

Para a grande surpresa, no dia da apresentação, recebemos o comentário em público de um dos professores: “é o melhor que vi até agora!”

O melhor… bom… quem sou eu para dizer? Mas o mais comentado foi!

O Andrews (diretor) apresentou o filme e logo em seguida seguiu-se as perguntas, os elogios, as dúvidas com relação à produção vindas de toda a platéia, alunos ou mestres.

Foi a minha vez de subir ao palco dar meu parecer. Falei por mim e pelo Will (Diretor de Fotografia) que não estava presente. Expliquei sobre suas inspirações buscadas na obra de Caravaggio e em filmes como Lavoura Arcaica. Falei das minhas pesquisas sobre as catacumbas e as inspirações que busquei no livro de Benjamin Scott.

Aplausos!!! Ah, aplausos!

Aliás, alguém chegou a ver alguma nota abaixo de 9? Na EliteSub eu acho que não!

Pasta de Direção de Arte

Há alguns dias anunciei aqui o lançamento do meu filme, um curta metragem de 3 minutos realizado no decorrer do 5º período da faculdade. Além do trabalho prático – a produção em si – ainda é exigido pelos professores um trabalho teórico: as “Pastas”, como as chamamos. Cada disciplina pede uma pasta, ou seja, o Diretor de Arte (eu) entrega uma pasta de Arte; o de Fotografia, uma pasta de Fotografia; os roteirias, uma pasta de roteiro e o editor e sonorizador, uma pasta de edição e sonorização.

Sendo assim, apresento abaixo partes (e de maneira resumida) daquela que coube a mim fazer, a Pasta de Direção de Arte. Nela está detalhado todo o trabalho realizado na comcepção dos cenários e figurinos. Boa leitura!

 Banner Barril

INTRODUÇÃO À DIREÇÃO DE ARTE

Catacumba

Tumba de S. Pedro - inspiração p/ o cenário

A pesquisa para a Arte começou a ser desenvolvida ainda em cima do conto original. Seguindo as descrições e a narrativa em primeira pessoa do personagem principal, Montresor, chegou-se  às temáticas essenciais da história e que, com certeza, seriam abordadas no roteiro e mostradas no filme, como o período em que a história se desenrola, as catacumbas (que também são uma adega) e o carnaval italiano.

Com essa certeza em mente, foram escolhidos livros que descreviam e ilustravam os cenários e as temáticas que precisaríamos, como “As Catacumbas de Roma”, de Benjamim Scott e “La Tumba de San Pietro y las Catacumbas Romanas”, de Engelberto Kirschbaum; além de pesquisas na web, em sites especializados, sobre o Carnaval de Veneza, suas fantasias e máscaras.

Os projetos cenográfico e de figurino só tiveram início depois, após a formulação do roteiro e do argumento do filme. Só então o cenário começou a ser esquematizado, através de desenhos e plantas baixas. Em paralelo ao cenário, aconteceu a idealização do figurino e a escolha de suas cores.

Finalmente, baseando-se na interpretação inicial do conto e no roteiro final, foi decidido que o filme se passaria na Itália do século XIX, no período do carnaval, durante uma única noite.

PROJETO

O filme conta com três (3) cenas, sendo uma delas em flashback. Para isso, usamos dois (2) cenários diferentes: uma catacumba romana (cenas 1 e 3) e o hall de entrada de um salão de festas da nobreza italiana (cena 2).

Cenário Catacumba Cenas 1 e 3):

Por se tratar de uma cena de terror e suspense em lugar subterrâneo, optou-se por um ambiente de baixa luz e cores escuras, como as das paredes que variam entre preto, cinza e marrom escuro, causando assim uma perda no contraste e nas nuances.

Apesar das cores escuras, a ação dos personagens ganha uma tonalidade mais quente devido à iluminação amarela do lampião e das velas.

Cenário Salão de Festa  (cena 2)

Em contraste com as cenas escuras das catacumbas, esta mostra um ambiente bem mais iluminado, principalmente por tratar-se de uma festa da nobreza, e possui cores quentes e vivas, destacando amarelo e vermelho de um dos figurinos, além de tons mais sóbrios como o vinho e o branco das cortinas, tapeçarias e o mármore do chão.

Estética

“O Barril de Amontillado” se passa em meados do séc. XIX, tratando-se, assim, de um filme de época. Predominam-se as cores quentes. Por se passar em um única noite, os ambientes são escuros ou nitidamente iluminados com luz artificial.

Como o filme ressalta os contrastes entre os dois personagens, os cenários e os figurinos buscam sempre essa oposição: uma cena clara, outra escura; um figurino sóbrio, outro espalhafatoso.

CENOGRAFIA

Catacumba Italiana

DSC_0017Foram usadas três tapadeiras confeccionadas especialmente para o projeto. Duas delas foram revestidas de papel marchê para, assim, assemelharem-se à textura de paredes de terra escavada (como um túnel). Estas, que foram usadas ao fundo do cenário, possuem 2x2m e 3,5×1,2m, sendo que na mais longa existe um lóculo, um buraco na parede onde os corpos eram depositados.

A terceira tapadeira da catacumba foi encaixada de maneira transversal às demais, encoberta por blocos de espuma floral pintados de marrom e contornados com a mesma massa de papel marchê, para assim se assemelhar a uma parede de alvenaria, sendo que as espumas serias os tijolos e o papel marchê seria a massa de rejunte.

Uma quarta estrutura, também confeccionada por nós, e que também recebeu o tratamento com papel marchê, foi encaixada sobre o cenário, formando um teto curvo.

Para fixar toda essa estrutura de paredes e teto, foram usadas duas tapadeiras do estúdio, apenas como apoio para as demais já citadas.

Para o chão foi usado uma mistura de húmus de minhoca e terra vegetal.

Este ambiente, apesar de ser uma catacumba, é usado pelo personagem como um adega. Por este motivo aparecem, além de ossos, caixas, engradados e garrafas de vinho.

Ainda foi cogitado, no decorrer do projeto, o uso de goteiras e umidade, entretanto levou-se em consideração o aspecto destoante entre a umidade e a poeira. Ou seja, ou o ambiente seria úmido, ou seria empoeirado, sendo que este último foi a opção final.

Tratamento cenográfico:

Todos os objetos que aparecem em cena passaram por tratamento para ganharem aspecto envelhecido.

– Caixotes de vinho foram lixados e sujos com carvão, terra e tinta.

– O lampião foi revestido por uma camada de tinta marrom, assemelhando-se a ferrugem.

– Sobre todos os objetos de cena foi peneirado uma mistura de pó de carvão e gesso, simulando poeira.

– As velas foram queimadas com antecedência, para que a cera derretida escorresse pelas garrafas (usadas como castiçais).

– Todas as garrafas foram cheias com uma mistura de água e corante roxo (com exceção da garrafa erguida pelo personagem, que continha suco de uva).

Outras Observações:

– Para o revestimento das tapadeiras, foram gastos cerca de 670 rolos de papel higiênico (rolos de 30 m), além de 10 litros de cola branca, 10 quilos de gesso e cerca de 2 litros de corantes marrom e preto.

– O esqueleto humano foi confeccionado a partir de gravetos e massa de Durepox.

Salão de Festa

Usamos como locação o hall de entrada do Salão Nobre da UMESP, decorando-o com tecidos, tapeçarias e candelabros, encobrindo, dessa forma, detalhes modernos da locação, como o corrimão de metal e as paredes de vidro, dando ao cenário uma aparência mais luxuosa e nobre.

FIGURINOS

Montresor

Figurino MontresorComo que alheio a todo aquele clima carnavalesco da nobreza, o figurino de Montresor, com cores neutras, deixa transparecer sobriedade e seriedade. Levando em conta o contraste de sua caracterização com o período festivo do filme, o figurino nos dá a sensação de frieza e metódica do personagem, que usa apenas um traje social típico daquele século e uma máscara de festa para ocultar sua face.

O traje é composto de uma camisa branca, um colete acastanhado, fraque preto, uma gravata estilo dândis preta, roquelaire preto, cartola, calças sociais e um par de sapatos, os três últimos também pretos.

Máscara

Máscara MontresorA máscara usada por ele esconde sua face, mas não sua personalidade e suas intenções. Dividida ao meio, mostrando dois sentimentos em uma mesma face, deixa transparecer as características do personagem: por um lado, introvertido, recessivo e tristonho, porém, por outro, oculto para momentos oportunos, debochado e sarcástico, vingativo e rancoroso.

Fortunato

Fortunato usa uma fantasia completa de Arlequim (truão, bobo da corte) e uma máscara do mesmo personagem.

Ao contrário de Montresor, Fortunato possui em seu figurino cores mais quentes e vivas, passando-nos um pouco de seu espalhafato. Além disso, sua fantasia nos conta um pouco da situação dos nobres daquela época: em decadência.

PierrôBaseando-se em estudos de heráldica, chegou-se às duas cores do figurino (vermelho e amarelo), por melhor representarem a nobreza italiana, pois são as cores mais presentes em todos os brasões, armas e escudos das cidades e das famílias italianas. Além de o amarelo representar sua riqueza e o vermelho podendo representar seu poder.

Máscara

A máscara de Fortunato foi inspirada no Pierrô, típico personagem do carnaval italiano, semelhante ao Arlequim, porém de feições mais tristes.