TV é Isso!

A Faculdade tem tomado quase todo o meu tempo.
No pouco que me sobra eu quero apenas descanso.
É devido a isso que ando tão afastado do Covil e há semanas não o atualizo. Para não mantê-lo às moscas,
achei recentemente uma resenha que escrevi no primeiro semestre da facul,
há mais de 2 anos, para a disciplina de Introdução a Tecnologia Digital,
e resolvi publicá-lo, só para motivo de registro.
A resenha não possui título,
portanto desconsiderem o título deste post.

TV

ObjetivaGuilherme Alves Bravo é Radialista e professor das matérias “Introdução a Tecnologia Digital”, “Computação Gráfica”, “Multimídia” e “Pós-produção de Vídeo” do curso de Rádio e Televisão da Faculdade de Comunicação e Mídia da UMESP.

Em seu artigo publicado no segundo Caderno Didático Metodista de RTV, Bravo detalha o funcionamento e a estrutura de um Controle Mestre de uma emissora de TV, salientando, na elaboração e execução de um projeto, a importância de um bom preparo técnico e teórico. Para tal, Bravo divide seu artigo em quatro importantes pontos.

O primeiro ponto é apresentar ao leitor a função de um Controle Mestre, onde se centralizam todos os sinais de áudio e vídeo de uma emissora vindos das mais diversas fontes. Salienta também que cada emissora tem seu modo para trabalhar e é necessário adaptar seu ambiente de trabalho as suas necessidades, tal como o cálculo dos recursos financeiros e os gastos com equipamentos.

A estrutura de um Controle Mestre é o tema da segunda parte. Aqui é lembrado como funcionavam os antigos Controles, apenas com VTs e uma Botoneira, e seu funcionamento arcaico com a troca manual e constante das fitas, o que Bravo chama de “uma verdadeira edição ‘ao vivo’”. Passa-se daí para as atuais e modernas estruturas, munidas de computadores potentes onde a programação da emissora é organizada em uma playlist.

Na terceira e quarta parte, o autor chama a atenção para detalhes como a rede elétrica, que precisa ser estável e suportar a grande quantidade de equipamentos ligados, assim como estabilizadores de voltagem e no-breaks. Fecha-se assim o artigo, atentando para a prudência, pedindo ao leitor que esteja sempre prevenido para o pior dos problemas, lembrando que estar sempre bem informado e ser humilde são os melhores caminhos para o sucesso.

Mesmo sem apresentar citações de outros autores ou profissionais da área, Bravo apresenta um belo texto, objetivo e claro, pois baseia-se em sua própria experiência no ofício, lembrando de trabalhos feitos entre 2004 e 2005. Usando de diagramas, deixa o texto ainda mais compreensível, ótimos para informar a universitários e atuantes, a importância da técnica e da experiência. 

Novos Peixes, Antigas Correntes

Para um comunicador,
principalmente para quem trabalha com TV
e as grande mídias, este texto é perigoso.
Magá e eu estudamos nessa área,
no entanto certas verdades não podem ficar escondidas,
mesmo que nossas carreiras,
hoje, dependam delas.
Enfim, o texto abaixo é do Magá e,
mais uma vez, fala de indignação:

banner-assistencialismo

bolsa-familiaNo Brasil uma prática já conhecida, há muito na história, ganhou intensidade e conceitos novos. O enraizado assistencialismo. Ele se configura na reunião de atividades que visam prestar algum bem ou suprir alguma carência de quem se mostra socialmente necessitado.

Uma das características mais fortes do assistencialismo é prestar ajuda e sanar uma deficiência momentânea. Tal prática não tem a preocupação de criar meios para o auto- provimento da sociedade. Essa política social se difundiu pelo país especialmente durante o governo de Getúlio Vargas.

Não longe do estado, a prática invadiu também os meios de comunicação nacional e não são raros os casos de assistencialismo televisivo. Seus precursores são os famosos programas de auditório do início da década de oitenta que sobrevivem até hoje. Com o tempo o assistencialismo ganhou forma mais comercial na TV.

E os anos 90 viram no fenômeno dos reallity shows uma alternativa dos participantes ‘merecerem’ tal premiação. Esses não ficaram no tempo, bem com evoluíram, mas o assistencialismo buscou também outras formas de se firmar na telinha brasileira. Outros exemplos sempre vincularam prêmios em dinheiro em troca de audiência, como a reforma de carros velhos, a doação de casas novas, a reforma de casas antigas, tarde ou noites de luxo em lugares em que os premiados não teriam chances de ir.

Alguns fatores prendem tal audiência. Um, a esperança de modificar a condição em que essas pessoas vivem. Mesmo na classe média, o trabalhador que esgota suas forças nas indústrias, metalúrgicas e demais fábricas, nutre uma intenção de um dia reverter seu quadro de estresse e possíveis endividamentos. Ou em classes mais baixas como trabalhadores informais que lotam feiras livres nas cidades, praias, vendedores de porta em porta e desempregados que esporadicamente fazem algum serviço remunerado. Esse é o rebanho de uma TV que promete mudanças aos seus ‘escolhidos’.

O que realmente causa desconforto é ver a TV se utilizar dessa condiçãogugu desigual da sociedade brasileira com fins de audiência e, consequentemente, lucros. Se ganha muito dinheiro, hoje, em cima da pobreza e indignidade da imensa massa de brasileiros que não são contemplados por programas de TV. O estado também tem seus meios escusos ao assistencializar a sociedade. Fins eleitoreiros, claro. Manipuladores que visam uma submissão dos assistidos.

O assistencialismo televisivo, bem como o político é um sistema que fixa nas camadas populares a dependência e a submissão a quem as ajuda. Atrelada às dívidas de gratidão impagáveis, são conduzidos às urnas para eleições cada vez menos significativas. Talvez isso justifique em partes a manutenção no poder de peças como senador e ex-presidente Fernando Collor de Melo no poder, como o já falecido e não tão esquecido Antônio Carlos Magalhães e muitos, digo, muitos outros.

A desgastada frase “dar o peixe ao invés de ensinar a pescar” é simbólica desse problema. Dar é vincular, criar laços e esperar retorno de quem é ajudado. Ensinar é gratuito e sinal de evolução e autonomia.

Em 2008, completou-se 120 anos que a escravidão acabou, oficialmente, no país. Seu legado, como sabemos, é terrivelmente desastroso para o Brasil. Mas o preocupante é que a falta de um ensino concientizador entre nós, e uma estrutura televisa exploradora e despreocupada com a formação da consciência social, hoje nos dão outras correntes e outros alforjes, ou seja, os grilhões da dependência intelectual, e conseqüentemente econômica e social.

Enfim, resta a eterna e indignada pergunta: “Que país é este?”. Ou melhor, que país estamos formando?

Breve Intensidade

Absorvido por sua leitura de “Furacão Regina”
e pela recente mini-série da Globo “Maysa”,
Magá compõe mais um artigo,
desta vez falando sobre como a vida intensa de certas
celebridades acaba por matá-las,
na maior parte das vezes, cedo demais.
Enfim… abaixo está postado mais um belo texto do Magalhães.

elis-regina-e-maysa

Enquanto todo o país assistia os devaneios da cantora Maysa, na minissérie da TV, eu me pego absorvido na leitura da biografia de Elis Regina em Furacão Elis da jornalista Regina Echeverria. Se as semelhanças entre as duas é grande, a distância entre elas também é expressiva, no entanto, uma coisa chama a atenção em ambas: a breve intensidade de suas vidas.

Parece que as pessoas que vivem intensamente, como elas e como outros nomes da música, da literatura e da política são muito mais dos outros do que deles mesmos. Parece que a intensidade com que experimentam as coisas, as consomem, as expõem. Viver assim pode até ser bonito, mas também é doloroso. Leva rápido gente que admiramos, e só admiramos, por que são assim. São acima de tudo personagens interessantíssimas, um pouco perdidas, e sempre com uma pergunta à frente de suas vidas.

A resposta? Difícil de dizer, nem todo o sexo, nem todo o dinheiro e fama puderam lhes dar a paz que buscavam. Assim, acontece também conosco, meros mortais de um circo de fantasias chamado mundo. As pessoas intensas, são sobre tudo pessoas marcadas pela falta. Seres faltosos, isso, somos todos nós, mas alguns estão mais submetidos a elas. Desta forma, não raro, são essas intensas-faltosas-breves existências que têm as grande sacadas sobre o mundo. A grande dúvida de Cazuza no final de sua vida foi exatamente essa, será que se ele tivesse uma existência mais simples seria feliz? De novo, difícil responder, penso que se não fosse intenso e complexo não seria Cazuza, seria outra pessoa.

Enfim, a intensidade com que vivemos certas experiências são acompanhadas dos buracos que nossa vida apresenta. Quem se entrega aos excessos, está na verdade tentando se encontrar, e se encontrar é o grande desafio de nossas vidas. É o que tenta nos dizer Jacques Lacan, com seu côncavo e convexo. O lado convexo avança, a intensidade nos leva a experimentar coisas novas e fortes, andamos pra frente, aprendemos, muito. O lado convexo, o buraco, é que empurra nossas vidas para novas buscas para preencher o vazio dessa realidade côncova.

Elis e Maysa, uma história de intensidade que poderia ter durado mais tempo. E nós quanto tempo vamos durar nessa luta? Alguém arrisca pular fora?