Debutando no Na Porteira Cast

NaporteiracastFoi com imenso prazer que participei do NaPorteiraCast, um dos meus programas favoritos, talvez o melhor da podosfera nacional atualmente.

Neste episódio, debatemos sobre Imparcialidade – não só na mídia, mas na vida como um todo. Discutimos sobre técnicas jornalísticas, sobre a formação da opinião e debatemos a importância da internet neste novo cenário da comunicação, onde todos têm direito a se expressar.

Neste momento crítico da política nacional, este programa é um ótimo guia sobre como consumir a mídia.

Ouça o programa “NPC #71 – Imparcialidade” clicando neste link.

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A Segunda Renascença

 

TiposQuando Gutenberg criou a prensa de tipos móveis, em meados do século XV, o domínio da informação e do conhecimento era restrito à Igreja e à nobreza. Sua invenção, no entanto, facilitou a reprodução de textos e a publicação em massa de livros. Naquela época, ao “piratear” o conteúdo privado dos poderosos, esta simples máquina de madeira contribuiu não apenas para o fim da Idade Média e início do Renascimento da ciência, como também acabou com o monopólio católico ao abrir espaço para novas idéias Protestantes.

Aquela situação, distante mais de 550 anos no tempo, não é muito diferente da que vivemos hoje. A informação, que no século passado se industrializou, tornou-se, talvez, a mais poderosa das moedas e hoje é concentrada nas mãos de poucos poderosos ao redor do mundo. A mídia do século XX foi chamada de “Quarto Poder” e ganhou status suficiente para eleger ou derrubar líderes políticos e religiosos – ou mesmo se misturar a eles. Porém o crepúsculo do último milênio deixaria um legado para uma nova revolução, uma segunda prensa de Gutemberg: a internet

Foi na década de 1990 que a rede mundial de computadores começou a engatinhar com agilidade em direção às massas. Primeiro como suporte acadêmico, mas logo ganhando novas funcionalidades, até ser capaz de abalar as estruturas dos impérios midiáticos.

Online-x-offline-550x286Mesmo que tais impérios também tenham agregado territórios deste novo continente virtual, logo os fóruns de discussões, os blogs e, mais tarde, as redes sociais, iriam se tornar as mais democráticas nações de informação e disseminação de cultura, questionadores do conteúdo da mídia tradicional – ou mesmo suas fontes.

O blog foi, talvez, o mais popular destes meios. Criado por volta de 1997, a ferramenta facilitou o uso da internet de tal maneira, que, a partir dela, ficou muito mais simples publicar conteúdo na rede. Usado a princípio como simples diários, versões online dos cadernos adolescentes, logo o sistema ganhou ares jornalísticos e formato corporativo. Blogs noticiosos, opinativos e culturais se disseminaram pela internet e foram o embrião de diversos portais independentes, muitas vezes com mais credibilidade que a mídia tradicional.

Não apenas questionadores, os blogs também se mostraram uma alternativa que fugia à regra sensata dos conglomerados informativos. Na “blogosfera” havia espaço para assuntos que fugiam da agenda da imprensa: religiões diferentes, teorias conspiratórias, arte alternativa, aparições alienígenas etc.

/TARIFAS/PROTESTO/RJOs grandes veículos de imprensa viram nos blogs um forte concorrente e, a princípio, se afastaram deles, proibindo seus profissionais de manterem páginas pessoais, paralelas ao trabalho corporativo. Mas como no dito popular: se não pode com eles, junte-se a eles. Não foi preciso sequer uma década para que os grandes portais de notícia abrissem espaço e contratassem seus próprios “blogueiros”. Estadão, Veja, Cartal Capital, New York Times… esses e muitos outros veículos mantém um grande número de blogs em seus portais, fazendo as vezes das colunas opinativas dos jornais impressos.

Logo as redes sociais ganharam força e o disseminar de informações ficou ainda mais rápido e fácil. Os blogs foram incorporados por elas. Hoje, o Facebook nada mais é que um gigantesco mural com milhões de blogs interligados, bombardeando postagens infinitas diante dos olhos do usuário.

gutenberg50A deep web acobertou a Primavera Árabe; as redes sociais impulsionaram as manifestações brasileiras em 2013; blogueiros cubanos, chineses e norte-coreanos são caçados por seus respectivos governos e tratados como inimigos, apenas por emitirem suas opiniões. Espiões das grandes potências disseminam segredos de Estado para o público geral.

Isentos ou não, sensatos ou não, os blogs e as postagens nas redes sociais – a internet como um todo – estão levando o mundo a um novo período renascentista, abrindo as portas para um novo iluminismo, tirando o poder das mãos dos grandes impérios e distribuindo-o ao povo, tal qual o fez a prensa em sua época. Quando cairá a próxima Bastilha?

Novos Peixes, Antigas Correntes

Para um comunicador,
principalmente para quem trabalha com TV
e as grande mídias, este texto é perigoso.
Magá e eu estudamos nessa área,
no entanto certas verdades não podem ficar escondidas,
mesmo que nossas carreiras,
hoje, dependam delas.
Enfim, o texto abaixo é do Magá e,
mais uma vez, fala de indignação:

banner-assistencialismo

bolsa-familiaNo Brasil uma prática já conhecida, há muito na história, ganhou intensidade e conceitos novos. O enraizado assistencialismo. Ele se configura na reunião de atividades que visam prestar algum bem ou suprir alguma carência de quem se mostra socialmente necessitado.

Uma das características mais fortes do assistencialismo é prestar ajuda e sanar uma deficiência momentânea. Tal prática não tem a preocupação de criar meios para o auto- provimento da sociedade. Essa política social se difundiu pelo país especialmente durante o governo de Getúlio Vargas.

Não longe do estado, a prática invadiu também os meios de comunicação nacional e não são raros os casos de assistencialismo televisivo. Seus precursores são os famosos programas de auditório do início da década de oitenta que sobrevivem até hoje. Com o tempo o assistencialismo ganhou forma mais comercial na TV.

E os anos 90 viram no fenômeno dos reallity shows uma alternativa dos participantes ‘merecerem’ tal premiação. Esses não ficaram no tempo, bem com evoluíram, mas o assistencialismo buscou também outras formas de se firmar na telinha brasileira. Outros exemplos sempre vincularam prêmios em dinheiro em troca de audiência, como a reforma de carros velhos, a doação de casas novas, a reforma de casas antigas, tarde ou noites de luxo em lugares em que os premiados não teriam chances de ir.

Alguns fatores prendem tal audiência. Um, a esperança de modificar a condição em que essas pessoas vivem. Mesmo na classe média, o trabalhador que esgota suas forças nas indústrias, metalúrgicas e demais fábricas, nutre uma intenção de um dia reverter seu quadro de estresse e possíveis endividamentos. Ou em classes mais baixas como trabalhadores informais que lotam feiras livres nas cidades, praias, vendedores de porta em porta e desempregados que esporadicamente fazem algum serviço remunerado. Esse é o rebanho de uma TV que promete mudanças aos seus ‘escolhidos’.

O que realmente causa desconforto é ver a TV se utilizar dessa condiçãogugu desigual da sociedade brasileira com fins de audiência e, consequentemente, lucros. Se ganha muito dinheiro, hoje, em cima da pobreza e indignidade da imensa massa de brasileiros que não são contemplados por programas de TV. O estado também tem seus meios escusos ao assistencializar a sociedade. Fins eleitoreiros, claro. Manipuladores que visam uma submissão dos assistidos.

O assistencialismo televisivo, bem como o político é um sistema que fixa nas camadas populares a dependência e a submissão a quem as ajuda. Atrelada às dívidas de gratidão impagáveis, são conduzidos às urnas para eleições cada vez menos significativas. Talvez isso justifique em partes a manutenção no poder de peças como senador e ex-presidente Fernando Collor de Melo no poder, como o já falecido e não tão esquecido Antônio Carlos Magalhães e muitos, digo, muitos outros.

A desgastada frase “dar o peixe ao invés de ensinar a pescar” é simbólica desse problema. Dar é vincular, criar laços e esperar retorno de quem é ajudado. Ensinar é gratuito e sinal de evolução e autonomia.

Em 2008, completou-se 120 anos que a escravidão acabou, oficialmente, no país. Seu legado, como sabemos, é terrivelmente desastroso para o Brasil. Mas o preocupante é que a falta de um ensino concientizador entre nós, e uma estrutura televisa exploradora e despreocupada com a formação da consciência social, hoje nos dão outras correntes e outros alforjes, ou seja, os grilhões da dependência intelectual, e conseqüentemente econômica e social.

Enfim, resta a eterna e indignada pergunta: “Que país é este?”. Ou melhor, que país estamos formando?