Debutando no Na Porteira Cast

NaporteiracastFoi com imenso prazer que participei do NaPorteiraCast, um dos meus programas favoritos, talvez o melhor da podosfera nacional atualmente.

Neste episódio, debatemos sobre Imparcialidade – não só na mídia, mas na vida como um todo. Discutimos sobre técnicas jornalísticas, sobre a formação da opinião e debatemos a importância da internet neste novo cenário da comunicação, onde todos têm direito a se expressar.

Neste momento crítico da política nacional, este programa é um ótimo guia sobre como consumir a mídia.

Ouça o programa “NPC #71 – Imparcialidade” clicando neste link.

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A Segunda Renascença

 

TiposQuando Gutenberg criou a prensa de tipos móveis, em meados do século XV, o domínio da informação e do conhecimento era restrito à Igreja e à nobreza. Sua invenção, no entanto, facilitou a reprodução de textos e a publicação em massa de livros. Naquela época, ao “piratear” o conteúdo privado dos poderosos, esta simples máquina de madeira contribuiu não apenas para o fim da Idade Média e início do Renascimento da ciência, como também acabou com o monopólio católico ao abrir espaço para novas idéias Protestantes.

Aquela situação, distante mais de 550 anos no tempo, não é muito diferente da que vivemos hoje. A informação, que no século passado se industrializou, tornou-se, talvez, a mais poderosa das moedas e hoje é concentrada nas mãos de poucos poderosos ao redor do mundo. A mídia do século XX foi chamada de “Quarto Poder” e ganhou status suficiente para eleger ou derrubar líderes políticos e religiosos – ou mesmo se misturar a eles. Porém o crepúsculo do último milênio deixaria um legado para uma nova revolução, uma segunda prensa de Gutemberg: a internet

Foi na década de 1990 que a rede mundial de computadores começou a engatinhar com agilidade em direção às massas. Primeiro como suporte acadêmico, mas logo ganhando novas funcionalidades, até ser capaz de abalar as estruturas dos impérios midiáticos.

Online-x-offline-550x286Mesmo que tais impérios também tenham agregado territórios deste novo continente virtual, logo os fóruns de discussões, os blogs e, mais tarde, as redes sociais, iriam se tornar as mais democráticas nações de informação e disseminação de cultura, questionadores do conteúdo da mídia tradicional – ou mesmo suas fontes.

O blog foi, talvez, o mais popular destes meios. Criado por volta de 1997, a ferramenta facilitou o uso da internet de tal maneira, que, a partir dela, ficou muito mais simples publicar conteúdo na rede. Usado a princípio como simples diários, versões online dos cadernos adolescentes, logo o sistema ganhou ares jornalísticos e formato corporativo. Blogs noticiosos, opinativos e culturais se disseminaram pela internet e foram o embrião de diversos portais independentes, muitas vezes com mais credibilidade que a mídia tradicional.

Não apenas questionadores, os blogs também se mostraram uma alternativa que fugia à regra sensata dos conglomerados informativos. Na “blogosfera” havia espaço para assuntos que fugiam da agenda da imprensa: religiões diferentes, teorias conspiratórias, arte alternativa, aparições alienígenas etc.

/TARIFAS/PROTESTO/RJOs grandes veículos de imprensa viram nos blogs um forte concorrente e, a princípio, se afastaram deles, proibindo seus profissionais de manterem páginas pessoais, paralelas ao trabalho corporativo. Mas como no dito popular: se não pode com eles, junte-se a eles. Não foi preciso sequer uma década para que os grandes portais de notícia abrissem espaço e contratassem seus próprios “blogueiros”. Estadão, Veja, Cartal Capital, New York Times… esses e muitos outros veículos mantém um grande número de blogs em seus portais, fazendo as vezes das colunas opinativas dos jornais impressos.

Logo as redes sociais ganharam força e o disseminar de informações ficou ainda mais rápido e fácil. Os blogs foram incorporados por elas. Hoje, o Facebook nada mais é que um gigantesco mural com milhões de blogs interligados, bombardeando postagens infinitas diante dos olhos do usuário.

gutenberg50A deep web acobertou a Primavera Árabe; as redes sociais impulsionaram as manifestações brasileiras em 2013; blogueiros cubanos, chineses e norte-coreanos são caçados por seus respectivos governos e tratados como inimigos, apenas por emitirem suas opiniões. Espiões das grandes potências disseminam segredos de Estado para o público geral.

Isentos ou não, sensatos ou não, os blogs e as postagens nas redes sociais – a internet como um todo – estão levando o mundo a um novo período renascentista, abrindo as portas para um novo iluminismo, tirando o poder das mãos dos grandes impérios e distribuindo-o ao povo, tal qual o fez a prensa em sua época. Quando cairá a próxima Bastilha?

A cultura esquecida dos Quilombos

Reportagem produzida originalmente para o jornal Ora-Pro-Nobis,
da Universidade Federal de São João del-Rei.
Por Aléxia Pinheiro, J. V. V. B. Militani (eu) e Viviane Basílio

Como vivem os descendentes de escravos nas comunidades quilombolas próximas a São João del-Rei

QuilomboQuando se fala em Minas Gerais, o imaginário popular evoca a busca pelo ouro e o fascínio das cidades históricas, onde até mesmo os sinos falam. Mas muitos desconhecem a existência de comunidades remanescentes de um povo que participou diretamente da memória cultural do Estado. Escondidos entre as alterosas, – a cerca de 50 km de São João del-Rei – os quilombos Jaguara e Palmital resistem há mais de um século em seus respectivos vilarejos, embora enfrentem uma crise de identidade ligada as suas tradições, que foram perdidas ao longo do tempo.

O reflexo deste esquecimento é a inexistência de manifestações culturais desenvolvidas pelos quilombolas contemporâneos. Somente no Dia da Consciência Negra, os nativos têm contato com os hábitos advindos de seus ancestrais. Nessas ocasiões, os moradores são os responsáveis pelo preparo de comidas típicas enquanto as apresentações afro-brasileiras são feitas por pessoas alheias ao convívio quilombola. “Nós ficamos o dia inteiro cozinhando. Todos comem à vontade. Nosso feijão é nota 10, se existisse nota 1000, era para a gente”, se orgulha uma das moradoras de Palmital. “Capoeira, dança e congado vem de fora”, explica o presidente da Associação de Moradores, João Rosa, sobre o legado africano não ser transmitido internamente em Jaguara.

Outro aspecto que se destaca é a ausência de religiões de matriz africana, como o candomblé. A influência da Igreja Católica na vida espiritual e cotidiana da comunidade é intensa, tanto que todos os entrevistados afirmam que suas terras pertencem à igreja.

Diante desta fragilidade, alianças estão sendo formadas para que esta manifestação cultural afro-brasileira seja valorizada na sociedade e reconstituída na própria mentalidade da população local. De acordo com o professor do curso de História da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), Manuel Jauará, seu primeiro contato com as comunidades foi muito aquém de suas expectativas. “Foi talvez a nossa maior decepção: a grande diferença entre o que a literatura diz sobre os quilombos e o que nos revela a realidade”, afirma.

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Palmital: moradores do vilarejo se reúnem ao ar livre, sob a árvore seca. (Foto: J. V. V. B. Militani)

Este episódio, de certa forma, o motivou a desenvolver projetos de extensão junto à universidade, visando a troca de conhecimento e o bem comum dos envolvidos. Em meio ao intercâmbio de experiências, os moradores foram orientados a respeito da importância de serem legitimados pelo Governo Federal e desde 2013 são legalmente reconhecidos como remanescentes de quilombolas pela Fundação Palmares.

Este órgão, vinculado ao Ministério da Cultura, por meio do Departamento de Proteção ao Patrimônio Afro-Brasileiro (DPA) e do Programa Brasil Quilombola, é responsável pelo conjunto de exercícios relacionados à proteção, preservação e promoção das culturas e religiões africanas. Segundo a assessoria de comunicação da entidade, “a proposta do departamento é assisti-los e acompanhar ações de regularização fundiária dos já certificados, propondo atividades que assegurem a sua assistência jurídica”.

Os habitantes ainda podem ser beneficiados com cestas-básicas, melhorias na saúde, educação, moradia, infraestrutura e saneamento. Entretanto, as lideranças da Associação de Moradores de Jaguara e Palmital, estariam desarticuladas e desinformadas, sendo assim, não encaminham solicitações com suas demandas para o DPA, ficando sem acesso a estes amparos sociais.

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Um dos moradores de Palmital. Ao fundo, a capela: catolicismo é a religião predominante no vilarejo. (Foto: Aléxia PInheiro)

Ainda assim, os quilombolas têm acesso ao programa Bolsa Família e à aposentadoria rural. Para complementar a renda familiar, a líder comunitária do Palmital, que preferiu não se identificar, conta que os moradores da comunidade buscam vender sua mão de obra apenas durante três meses por ano nas fazendas próximas. “A gente trabalha de ano em ano, nas colheitas de café e milho”, declara. Sobre a economia local, Jauará acredita que, por já se sentirem seguros com os programas governamentais, não se empenham para criar uma economia interna autossuficiente. “O governo reconhece a necessidade e a relevância da assistência familiar, mas nesse caso em particular, isso tem impactado no esforço da maioria, e tem feito um afrouxamento do laço de solidariedade e fraternidade que sempre uniu essas comunidades.”

O projeto socioeconômico desenvolvido pelo professor de Economia da UFSJ, Glauco dos Santos, tenta modificar esta situação e apresentar novas fontes de renda a estas comunidades quilombolas. A proposta principal é desenvolver a educação financeira, trabalhar a questão ambiental e desenvolver técnicas de economia. “Estamos tentando trabalhar com estratégias de desenvolvimento local, o que fazer para dar condições de progresso para estas populações vulneráveis, não só em termos de geração de emprego e renda, mas também consciência coletiva”, explica Santos.

Porém algumas destas iniciativas são mal interpretadas por alguns dos moradores, especialmente em Palmital. Dentre as reclamações, as principais se referem à demora em atingir resultados, o hiato entre os projetos e, aparentemente, a falta de continuidade de alguns deles.

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Jaguara: líder comunitário João Rosa (à direita) conta sobre a história do vilarejo. (Foto: J. V. V. B. Militani)

Questionado sobre esta declaração, Santos explica que a Extensão não pode atuar como uma medida assistencialista, pois cabe aos poderes públicos esta função. “A universidade dever prover as condições para que as comunidades, a partir delas mesmas, tenham uma trajetória de emancipação e desenvolvimento”, defende o professor. Já com relação ao tempo, ele admite a demora dos resultados: “Projeto de Extensão é algo que você não consegue mensurar resultados imediatos em termos de ensino e pesquisa.”

Entre estes entraves, está a baixa autoestima dos quilombolas que já se reflete na juventude.  “Elas brincam com pedra, não tem brinquedo e a única boneca que ficou foi a negra”, alude o professor Santos ao relembrar de quando distribuiu doações. Durante a reportagem, as crianças de Jaguara se entusiasmavam ao serem fotografadas. Já em Palmital, fugiam das lentes.

Porém a sensibilização das comunidades começa a surtir efeito de forma gradativa. “Tivemos um longo trabalho até mesmo para convencê-los de que eram descendentes de escravos”, conta Santos. E conclui: “Hoje eles têm mais orgulho e afirmam ‘somos um quilombo!’”.

História

Reproduzindo um antigo costume de se reunirem sob a sombra de um jatobá bicentenário, alguns moradores de Palmital, ao serem questionados, evitaram comentar suas origens.

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Com relutância, moradores de Palmital se reúnem para contar suas histórias. (Foto: J. V. V. B. Militani)

“Quem era o contador de casos, era o meu pai que morreu. Tem o pessoal mais velho que sabe, mas não quiseram vir até aqui e não vão contar”, explica uma das quilombolas que ainda ressalta a amnésia cultural por parte dos mais jovens: “Nem eu, nem os outros não sabemos de nada”.

Embora um pouco mais abertos em relação ao seu passado, os habitantes de Jaguara repetem o mesmo comportamento. “A gente sabe um pouco, os velhos que sabiam mais”, destaca João Rosa. Quando questionado sobre o motivo da tradição oral não ter sido repassada ao longo das gerações, Rosa revela a “falta interesse” por grande parte dos descendentes mais novos.

Apesar da aparente apatia em relação à sua história, esta é frequentemente negociada em troca de benefícios. “A gente está cansado de falar do quilombo e não receber nada em troca”, alega uma moradora que não quis ter a identificação divulgada. Por consequência, foram raros os que se dispuseram a fornecer algumas informações. Rosa foi um dos poucos que aceitou divulgar parte do que sabia, contando que “Jaguara tem esse nome em homenagem à cachorrinha das irmãs que doaram a terra para os escravos”.

Quilombo Jaguara- Aléxia Pinheiro

Jaguara: “os mais jovens desconhecem suas origens” (Foto: Aléxia Pinheiro)

Oficialmente, a história possui variações. Conforme registros do Instituto do Patrimônio Histórico Artístico Nacional (IPHAN), no século XIX surge a fazenda Jaguara na cidade de Nazareno, conhecida anteriormente como Arraial Ribeiro Fundo. Com o falecimento do proprietário da fazenda, as terras ficaram para sua esposa e, posteriormente, metade da fazenda ficou para sua filha Mariana Isabel Cândida da Conceição. A outra foi arrendada ao capitão Antônio Leite Ribeiro, proprietário da fazenda Palmital. Treze anos antes da abolição da escravatura, Mariana concedeu aos seus escravos a liberdade e lhes deu o direito de usufruir da sua propriedade.  Os arquivos referentes à Palmital são escassos.

Infraestrutura

Apesar de culturalmente semelhantes, as duas comunidades são estruturalmente distintas.

Jaguara é marcada por características urbanas, apresenta asfaltamento, quadras esportivas, praças de convivência e pontos comerciais. Enquanto Palmital é predominantemente rural, com ruas de terra e casas esparças.  “Aqui precisa é de tudo, principalmente, calçamento. Eu queria que tivesse uma pracinha e uma quadra para os meninos jogarem bola”, confidencia uma das moradoras, que quis ter seu nome preservado.

Ambos quilombos ficam no município de Nazareno. Frente a estas diferenças, um dos vereadores da cidade, Jovino César Romão, analisa as possíveis causas destes contrastes. Segundo ele, Jaguara é privilegiada por estar próxima da rodovia, ter casas aglomeradas e ser vizinha de outro povoado. Enquanto Palmital é afastada geograficamente e possui o agravante de ser dividida entre os municípios de Nazareno e Conceição da Barra. Sobre este impasse, uma moradora desabafa. “Nós nascemos em Nazareno, batizamos em Nazareno, enterramos em Nazareno, o registro de Palmital está todo lá. Como nós somos de Conceição da Barra?”.

Ao saber das reclamações da comunidade, o vereador se posiciona sobre este problema. “A divisão gera um pouco de dificuldades para os investimentos serem feitos naquela localidade. Para que as melhorias aconteçam naquele povoado, precisa haver um consórcio entre as duas prefeituras”.

*

Se quiser ler a versão digital do jornal Ora Pro Nobis, basta clicar aqui.

Este Texto não é Livre – Como o Pensamento de Foucault Pode Explicar as Limitações do Jornalismo

O texto a seguir foi composto
para a avaliação da disciplina
Análise do Discurso e é postado aqui
apenas para registro e curiosidade dos leitores.

FoucaultA partir  do momento em que o jornalista detém para si  a fala do entrevistado, ele detém também o poder do discurso, a capacidade de moldar o discurso alheio de modo a se beneficiar dele em seu próprio discurso. Essa mesma relação de poder, porém, também se dá entre o jornalista e fatores que o impedem de enunciar os acontecimentos com total liberdade e originalidade.

Segundo Foucault, existem fatores Internos e Externos que limitam e conduzem o discurso. A relação de poder, partindo desta análise, foca-se nos sistemas Externos, ou seja, na relação do enunciador com a instituição na qual ele está inserido. Foucault enumera três fatores externos: a “Interdição”, a “Separação” e a “Vontade Verdade; cada qual uma formação complementar de relação do enunciador com o ambiente que o cerca.

A Interdição é o impedimento de se dizer o que quer à quem e/ou onde quiser. A Separação é a necessidade de aprovação do discurso por outrem. Enquanto a Vontade de Verdade diz respeito à relatividade dos valores, que poder ser verdadeiros ou falsos, dependendo do âmbito no qual estão inseridos.

Tendo por base o pensamento de Foucault, é fácil entender as relações de poder que limitam o discurso do jornalista, sendo que este encontra-se naturalmente inserido em instituições que conduzem e moldam seu texto. É fácil citar exemplos que cerceiam o discurso jornalístico, como a linha editorial do veículo, influências econômicas dos anunciantes, empecilhos políticos ou mesmo determinações legais.

Em um exemplo extremo, o jornalista jamais poderia publicar acusações ao veículo do qual faz parte ou aos funcionários que ali trabalham. Nem mesmo se voltar contra empresas que o patrocinam ou ir contra a legislação local.

É, portanto, compreensível que todo e qualquer discurso jornalístico seja limitado a regras implícitas – jogos de poder – que conduzem o jornalista na construção do seu texto e o impedem de expor livremente seu enunciado.

Não, Obrigado. Obrigatoriedade!!!

Por 8 votos a 1, o STF decidiu que agora
não é mais necessário ter diploma de jornalista
para exercer a profissão.
E a polêmica tomou conta do país!
E o Magá, como estudante de jornalismo,
não poderia deixar de dar sua opinião, expressa abaixo:

Jornalismo

Por Lucas Magalhães

JornalismolateralA noite da última quarta-feira, 17 de junho parecia terminar como muitas outras, jogo de futebol, jornal, sono. Mas, como eu, muitos estudantes de jornalismo, por pouco não perderam o prazer do descanso, quando o noticiário deu a nota que abria aquela edição, “STF derruba a obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão de jornalista”.
A frase caiu como um punhal. Frustração. Medo. Revolta e indignação não faltaram naquele momento.

Por 8 votos a 1, o Supremo Tribunal Federal derruba uma lei que vigorou quarenta anos no país. Foi um ato legal, mas insano. Talvez comparado à muitas insanidades legitimadas pelo direito brasileiro.

Uma decisão do judiciário que coaduna com o senado proporcionalmente mais oneroso do que o de países maiores e mais desenvolvidos, como os EUA. Com um legislativo que usa o dinheiro público para viagens particulares de amigos, esposas e namoradas. Enfim, uma última revolta sobre esse prisma, cabe dizer aqui, que foi uma decisão própria para um Supremo Tribunal Federal em que seus participantes trocam ofensas do tipo, “Vá às ruas, Ministro Gilmar Mendes” já dizia a voz do Ministro Joaquim Barbosa. “Vá às ruas…” Lembro ainda, na voz do mesmo Barbosa, “vossa excelência está desmolarizando a justiça neste país”, bradava o magistrado. Acusações ocas? Sem frutos? Mas que neste momento comprovam sua fundamentação. Vá pra rua Ministro Gilmar! Vá pra rua! Assim pudéssemos parafrasear, todos nós, estudantes de jornalismo do país.

Bem, foi um golpe duro e injusto. Uma das teorias estudas no curso de jornalismo nos ajuda a analisar um dos principais argumentos para derrubada da obrigatoriedade do diploma. Facilitando o entendimento, segue, segundo a Análise do Discurso, existe um dizer implícito nos atos e falas de quem enuncia. Exemplificando, ao vetar a obrigatoriedade do diploma para o exercício do jornalismo esse atual STF está mostrando ao que se convencionou chamar de “quarto poder” quem realmente manda neste país.

O ministro Gilmar foi acusado, por seu colega Barbosa de não estar nas ruas, ou seja, perto da realidade do povo, sentindo os desejos e necessidades daqueles para quais as leis são feitas. Barbosa disparou na ocasião, “vossa excelência está na mídia!”. Como excelentíssimo está na mídia, para que ter jornalistas com formação histórica, crítica, política, comunicativa e filosófica na cobertura de seu exercício?
Segundo Nilson Lage (1999), informação é utilidade pública, nada melhor para a formação crítica da sociedade do que jornalistas, portanto operários da informação, com senso e formação específica, mas parece que o primeiro poder teme tais profissionais.

Segundo o STF, “a obrigatoriedade do diploma cerceia a liberdade de expressão”. Além de insignificante dizer isso, em uma época de abundantes formas de expressão, a frase que serviu de principal argumento sobre a votação do diploma para o Supremo Tribunal, tem muito a dizer e está sufocada de vozes enrustidas. Em outras palavras o discurso permite interpretar que o Judiciário Brasileiro está bradando: não estudem comunicação, não vale a pena. Claro que não disseram isso explicitamente, o que seria um erro, mas com uma sutileza apenas perceptível a quem está acostumado a analisar certos discursos, percebemos que o veneno foi lançado. Não, não aboliram o curso de jornalismo, fizeram pior, desestimularam a pesquisa e busca pela formação. Deram um golpe também na educação do país.

Bem, tempestade a parte, existem coisas a serem analisadas aqui. Para quem esperava que um papel nos desse a alcunha de jornalista o golpe foi ainda mais mortífero. A escolha pela profissão agora passa a ser uma decisão de foro íntimo e intransferível. O STF fez um favor, tirou a máscara que encobria a profissão de um status ilusório, de um estrelismo ufanista não condizente com a realidade da profissão no Brasil. Não, não temos que pedir bênção ao STF, Congresso e Câmara dos Deputados para nos sentirmos e considerarmos jornalistas, o somos por escolha e esta escolha envolve formação acadêmica e compromisso com a democracia.
Agora, mais do que nunca, os jornalistas com formação acadêmica estão diante do desafio de comprovar por que escolheram estudar esta disciplina, qual é de fato nosso diferencial.
O tempo e outras variáveis vão trazer ainda, muitas respostas, ou contradizer as presentes.

Jornalismo Cirúrgico, Medicina de Reportagem

Texto escrito por Lucas Magalhães durante um devaneio,
após uma longa noite de bebedeira!

Claro que isso não é verdade, mas parece.
O legal é que os argumentos dele convencem.

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Embora existam diferenças óbvias, andei pensando como o jornalismo conserva pontos comuns com a medicina. Bem, então muitos paralelos começaram a surgir, como por exemplo: médicos e jornalistas vivem uma realidade que, muitas vezes, lhes cortam da vida pessoal, ou seja, os plantões das redações e dos hospitais. A partir disso, tanto profissionais de uma área ou de outra, que realmente gostam do que fazem, encaram suas profissões como um sacerdócio, uma questão de honra e amor.

Erros. Esses abriram minha reflexão sobre o tema. Bem, erros médicos com certeza são catastróficos, e em muitos casos, imperdoáveis. Já na comunicação, é como dizia um velho ditado, entre as três coisas que não voltam, entre elas está a palavra mal proferida que também causa um rastro de estragos. Equívocos tanto na medicina quanto no jornalismo costumam ter uma repercussão muito intensa junto à opinião pública. Exemplo? Caso Paula na Suíça para o jornalismo, caso da mulher de 31 anos que teve o lado errado do cérebro operado e acabou falecendo, para medicina.

Já que estou falando de erros, vamos além. O médico diagnostica o paciente, enquanto o bom jornalista analisa as doenças sociais e delas levanta pautas. O médico opera o paciente, enquanto o bom jornalismo tem a ambição de operar na sociedade mudanças positivas. Quer ver mais uma? Caligrafia. Médicos e jornalistas se tornaram especialistas em decifrar o que eles mesmos escreveram. Notícia. O médico é portador, não poucas vezes, de más notícias. Nós jornalistas, nem preciso dizer que somos especialistas nelas.

Mortes, nascimentos, batidas de automóveis, jogo de finais de campeonato, passeatas sob sol ou chuva forte, enfim, tudo que, de relevante, acontece na sociedade, de uma certa forma, acaba repercutindo nas redações e nos hospitais. Imaginem, quem mais que jornalistas e médicos trabalhou, quando o avião da TAM saiu da pista de pouso e atingiu um prédio em São Paulo em 2007. Quem mais que jornalistas, médicos, bombeiros, que de uma forma são noticiadores e socorristas, trabalhou, no incidente do Word Trade Center em 2001.

Enfim, em ambas as profissões, detalhes não só podem, como fazem toda a diferença.

Agora, cada um, também, aprende com a profissão do outro. Por exemplo, jornalistas atentos aprendem o rigor cirúrgico dos médicos para elaborar suas pautas. Enquanto médicos assimilam a capacidade crítica dos bons jornalistas para entender melhor seus pacientes em seu contexto social.

Profissões ímpares no manejo da vida. Profissões que requerem a prerrogativa de que seus nobres cavaleiros tenham no sangue a vocação às questões sociais. Claro que muitos se desvirtuam dos ideais jurado no dia da formatura, mas isso é com cada um. Carreiras que podem dar ou não muito dinheiro e poder, mas que não podem ser feitas sem idealismo.

A Revolução Silenciosa

Diego Casagrande, jornalista gaucho, publicou em seu site em julho do ano passado, um artigo sobre a revolução silenciosa que está acontecendo em nosso país. Um movimento discreto da esquerda brasileira, que usa de escolas de ensino fudamental e médio, atingindo a mente de nossas crianças. Mas não só. Esse movimento da extrema esquerda tem transformado a mente de nosso cidadãos, impondo o ideal de que a ordem é contra a democracia e deveres suplantam os direitos.

O motivo para republicar aqui no Covil este artigo, não é um mero impulso de um leitor intimidado pelo texto, mas uma tentativa de expôr ao mundo algo que eu mesmo já presenciei: durante um ano, na faculdade, fui bombardeado com ideais comunistas que idolatravam Chaves e Castro, além de outros regimes que geraram apenas morte e pobreza!

Abaixo está reproduzido na íntegra o artigo Revolução Silenciosa, de Diego Casagrande:

Não espere tanques, fuzis e estado de sítio. Não espere campos de concentração e emissoras de rádio, tevê e as redações ocupadas pelos agentes da supressão das liberdades. Não espere tanques nas ruas. Não espere os oficiais do regime com uniformes verdes e estrelinha vermelha circulando nas cidades. Não espere nada diferente do que estamos vendo há pelo menos duas décadas.

Não espere porque você não vai encontrar, ao menos por enquanto.

A revolução comunista no Brasil já começou e não tem a face historicamente conhecida. Ela é bem diferente. É hoje silenciosa e sorrateira. Sua meta é o subdesenvolvimento. Sua meta é que não possamos decolar. Age na degradação dos princípios e do pensar das pessoas. Corrói a valoração do trabalho honesto, da pesquisa e da ordem. Para seus líderes, sociedade onde é preciso ser ordeiro não é democrática. Para seus pregadores, país onde há mais deveres do que direitos não serve. Tem que ser o contrário para que mais parasitas se nutram do Estado e de suas indenizações. Essa revolução impede as pessoas de sonharem com uma vida econômica melhor, porque quem cresce na vida, quem começa a ter mais, deixa de ser “humano” e passa a ser um capitalista safado e explorador dos outros. Ter é incompatível com o ser.

Esse é o princípio que estamos presenciando. Todos têm de acreditar nesses valores deturpados que só impedem a evolução das pessoas e, por conseqüência, o despertar de um país e de um povo que deveriam estar lá na frente.

Vai ser triste ver o uso político-ideológico que as escolas brasileiras farão das disciplinas de filosofia e sociologia, tornadas obrigatórias no ensino médio a partir do ano que vem. A decisão é do ministério da Educação, onde não são poucos os adoradores do regime cubano mantidos com dinheiro público. Quando a norma entrar em vigor, será uma farra para aqueles que sonham com uma sociedade cada vez menos livre, mais estatizada e onde o moderno é circular com a camiseta de um idiota totalitário como Che Guevara.

A constatação que faço é simples. Hoje, mesmo sem essa malfadada determinação governamental – que é óbvio faz parte da revolução silenciosa – as crianças brasileiras já sofrem um bombardeio ideológico diário. Elas vêm sendo submetidas ao lixo pedagógico do socialismo, do mofo, do atraso, que vê no coletivismo econômico a saída para todos os males. E pouco importa que este modelo não tenha produzido uma única nação onde suas práticas melhoraram a vida da maioria da população. Ao contrário, ele sempre descamba para o genocídio ou a pobreza absoluta para quase todos.

No Brasil, são as escolas os principais agentes do serviço sujo. São elas as donas da lavagem cerebral da revolução silenciosa. Há exceções, é claro, que se perdem na bruma dos simpatizantes vermelhos. Perdi a conta de quantas vezes já denunciei nos espaços que ocupo no rádio, tevê e internet, escolas caras de Porto Alegre recebendo freis betos e mantendo professores que ensinam às cabecinhas em formação que o bandido não é o que invade e destrói a produção, e sim o invadido, um facínora que “tem” e é “dono” de algo, enquanto outros nada têm. Como se houvesse relação de causa e efeito.

Recebi de Bagé, interior do Rio Grande do Sul, o livro “Geografia”, obrigatório na 5ª série do primeiro grau no Colégio Salesiano Nossa Senhora Auxiliadora. Os autores são Antonio Aparecido e Hugo Montenegro. O Auxiliadora é uma escola tradicional na região, que fica em frente à praça central da cidade e onde muita gente boa se esforça para manter os filhos buscando uma educação de qualidade. Através desse livro, as crianças aprendem que propriedades grandes são de “alguns” e que assentamentos e pequenas propriedades familiares “são de todos”. Aprendem que “trabalhar livre, sem patrão” é “benefício de toda a comunidade”. Aprendem que assentamentos são “uma forma de organização mais solidária… do que nas grandes propriedades rurais”. E também aprendem a ler um enorme texto de… adivinhe quem? João Pedro Stédile, o líder do criminoso MST que há pouco tempo sugeriu o assassinato dos produtores rurais brasileiros. O mesmo líder que incentiva a invasão, destruição e o roubo do que aos outros pertence. Ele relata como funciona o movimento e se embriaga em palavras ao descrever que “meninos e meninas, a nova geração de assentados… formam filas na frente da escola, cantam o hino do Movimento dos Sem-Terra e assistem ao hasteamento da bandeira do MST”.

Essa é a revolução silenciosa a que me refiro, que faz um texto lixo dentro de um livro lixo parar na mesa de crianças, cujas consciências em formação deveriam ser respeitadas. Nada mais totalitário. Nada mais antidemocrático. Serviria direitinho em uma escola de inspiração nazi-fascista.

Tristes são as conseqüências. Um grupo de pais está indignado com a escola, mas não consegue se organizar minimamente para protestar e tirar essa porcaria travestida de livro didático do currículo do colégio. Alguns até reclamam, mas muitos que se tocaram da podridão travestida de ensino têm vergonha de serem vistos como diferentes. Eles não são minoria, eles não estão errados, mas sentem-se assim. A revolução silenciosa avança e o guarda de quarteirão é o medo do que possam pensar deles.

O antídoto para a revolução silenciosa? Botar a boca no trombone, alertar, denunciar, fazer pensar, incomodar os agentes da Stazi silenciosa. Não há silêncio que resista ao barulho.

Texto publicado originalmente no site DiegoCasagrande.com.br