2012 e sua Fórmula Mágica

Imagine a fórumla A + B + C = Sucesso!!! Podemos representá-la de várias formas, invertendo os fatores (B + C + A = Sucesso) ou mesmo mascarando cada um deles: B + C + A, B + C + A, B + C + A. Não importa a ordem ou a máscara que usemos, os fatores serão sempre os mesmos e o resultado será sempre o Sucesso (ou não)! Pois bem, foi essa a fórmula mágica descoberta pelo diretor Roland Emmerich, que já a usou em filmes como Independecy Day e O Dia Depois de Amanhã, e agora a repete em 2012 (idem, EUA, 2009), seu novo filme catástrofe – que de “novo” não tem nada.

O longa conta as histórias paralelas de Adrian Helmsley (Chiwetel Ejiofr), o cientista americano que descobre com antecedência os fenômenos que culminarão no fim do mundo e toda a sua fraca labuta para que o governo dos EUA salve, mesmo que secretamente, o maior número de pessoas; e de Jackson Curtis (Jonhn Cusack), o escritor que descobre por acidente os segredos sobre o fim do mundo e dispara filme em frente para salvar sua família.

Baseado na teoria maia na qual o mundo acabaria em 2012, mas aproveitando muito pouco dessa idéia, que mal é citada no decorrer do longa, Emmerich conta uma história padrão, tão conceitual e repetitiva em filmes do gênero – nada que o espectador já não tenha visto em produções semelhantes. O mesmo pai divorciado de Guerra dos Mundos que tenta reconquistar o amor dos filhos; os mesmos tsunamis de Impacto Profundo e O Dia Depois de Amanhã; as mesmas cidades destruídas de Independence Day; as mesmas erupções de Volcano e O Inferno de Dante! Está tudo ali. Com um tempero diferente, um pouco mais salgado, porém o mesmo arroz com feijão de Hollywood.

Há ainda as cenas repetitivas que cansam o espectador. O famoso “enchendo lingüiça”! Primeiro os protagonistas fogem de carro, e o mundo desaba atrás deles. Depois de bimotor e o mundo desaba atrás deles. Em seguida em um gigantesco avião russo e o mundo (deja vu?) acabando atrás deles.

E o fato de que, indo na contra-mão de tudo o que poderia acontecer de caótico com a sociedade no meio de uma catástrofe, Emmerich, em todos os seus filmes, sempre coloca as pessoas se ajudando, como almas caridosas em um bom senso de conservação social – e não individual. O mesmo se repete em 2012. Até mesmo o empresário russo, o único que pode ser interpretado como antagonista, tem seu momento de redenção. Aliás, essa é a palavra que define todos os personagens e as situações da fita: ao fim, todos buscam sua própria redenção. Até mesmo o presidente negro busca se redimir por brincar de Deus ao escolher as almas que se salvarão e as que perecerão e por  não avisar toda a população a tempo (uma alusão descarada a Barack Obama e a situação em que assumiu o governo imperialista de Bush sobre o mundo).

Se “redenção” define as conjunturas do filme, “clichê” define o filme em si, por inteiro! Tão, mas tão clichê, que o espectador consegue antever todas as suas cenas: a rachadura separando os dedos de Deus e de Adão na pintura de Michelangelo, a ninfeta russa empinando o dedo do meio num momento de júbilo, a destruição do Cristo Redentor (afinal também há “redenção” em seu nome) e até mesmo o final com sua carga extremada de esperança – afinal não importam as desgraças, sempre há redenção e salvação.

Clichê! Chavão! Lugar-comum! Alienígenas, meteoros, aquecimento global e agora o vento solar! Uma Arca de Noé da Era Moderna! O estilo de filme que se vale pelos efeitos visuais e não pelo roteiro. Um filme que irá morrer e ser esquecido logo que adentrarmos no ano de 2013 incólumes. Vejamos por mais quanto tempo essa fórmula mágica de Emmerich continuará resultando em Sucesso. Pelo menos enquanto o público continuar aceitando essa mesmice do cinema catástrofe!

Um Faroeste Americano em Paris

Banner Bastardos

Bastardos Inglórios copyQuentin Tarantino tem um modo extremamente peculiar de realizar seus filmes. Não só abusa de elementos tirados de histórias em quadrinhos, como também surpreende nas cores, enquadramentos e na montagem final do filme. Sem contar claro, a violência extremada, o excesso de sangue e os roteiros absurdos, tremendamente sarcásticos. É sabendo de tudo isso e ainda dando a Tarantino certa (ou grande) “licença poética” para contar sua história, que o espectador deve entrar no cinema e se preparar para assistir ao último filme de Quentin, Bastardos Inglórios (Inglorious Bastards, EUA, 2009).

O novo longa, que estreou no Brasil no último dia 23, conta uma história ficcional de fundo histórico, que se desenrola na França ocupada, por volta de 1944. Nele, Brad Pitt é Aldo Rayne, um tenente ianque que agrupa uma milícia formada por judeus-americanos, cuja missão seria desembarcar atrás das linhas inimigas e atormentar os nazistas, usando de táticas de guerrilha, muita crueldade e nada de honra. Além destes, Bastardos ainda conta a história paralela de Shoshanna Dreyfus (a belíssima Mélanie Laurent), uma judia que, após testemunhar a morte da família, consegue escapar viva e, aproveitando de uma oportunidade única, planeja se vingar dos nazistas – matando não só o assassino de seus pais como também todos os membros de Terceiro Reich.

Tarantino cria aqui um universo paralelo e caricato, com personagens que beiram o burlesco. A começar por Aldo, o Apache, que é descendente de índios. Sim, Brad Pitt, loiro e de olhos azuis, descende de índios – e exige de cada um de seus soldados cem escalpos nazistas! Além disso, ainda temos a francesinha judia que arrebata o coração de um nazista; o herói de guerra alemão que vira estrela de cinema; a atriz alemã que trabalha como agente dupla para a Inglaterra; e, não poderia faltar, o próprio Hitler, que fala aos supetões e com gestos largos, sempre irado e gritando.

Como é comum nas obras de Tarantino, Bastardos Inglórios também é dividido em capítulos, contando histórias paralelas que, ao se cruzarem, culminam num destino inesperado. No entanto, diferente de seus filmes anteriores, essa divisão parece não causar confusão ao espectador. Talvez porque o longa tenha poucos personagens e pouquíssimos cenários. Ao todo são apenas três cenários principais – onde ocorrem as cenas fundamentais – e alguns poucos que servem para quebrar a constância das imagens sempre iguais.

Hans Landa

Hans Landa (Christoph Waltz)

O “Capítulo 1” é, com certeza, o mais tenso. Só por ele já vale a pena assistir ao filme todo. É apenas um diálogo entre Hans Landa (Christoph Waltz) e um fazendeiro francês (interpretado por Denis Menochet), porém Tarantino consegue arrancar da cena toda a tensão que não só resume tudo o que virá a seguir, como também dá o tom das quase duas horas e meia de fita. Menochet consegue expressar muito com quase nada, uma curta, mas excelente atuação. Já Waltz é o terror em pessoa, mostrando toda a sua frieza e sagacidade que lhe daria o apelido de Caçador de Judeus.

Apesar de a crítica estrangeira cair pesadamente sobre a atuação de Pitt, ela nem está tão ruim. O ator faz bem o seu papel de ianque, o perfeito estereótipo do militar norte-americano, sisudo, convencido e dono de si. O problema maior para ele foi contracenar com Christoph Waltz, no papel do coronel nazista Hans Landa. Não importa o momento do filme ou com quem ele encena – seja nas horas de rigidez ou em seus instantes de ironia – Waltz sempre rouba o ato, chamando toda a atenção para si.

Aldo Ray

Aldo, o Apache - ele é índio!

Como já é habitual na filmografia de Tarantino, também neste filme acontece toda uma mistura de linguagens. Bastardos Inglórios tem muito de faroeste. Não só pela trilha sonora, com baladas de Ennio Morricone, mas também pelo fato de o personagem de Pitt descender de índios, escalpelar inimigos e ainda ser inspirado em atores como Aldo Ray (comparem os nomes) ou mesmo John Wayne. Outras características lembram muito os westerns americanos, como a divisão clara entre mocinho e bandido; a exaltação do bandido sobre o herói (Waltz tem muito mais destaque que Brad Pitt) e as cenas de duelo, com personagens se encarando sempre de frente.

Um destaque extra vai para os enquadramentos singulares do longa. E mesmo que tenham um dedo de Tarantino, o elogio aqui fica para Robert Richardson, o diretor de fotografia (vencedor do Oscar em 2005 pelo filme O Aviador). Os ângulos das tomadas são criativos e o cenário muito bem enquadrado. Um deleite a mais, que ajudou bastante a enriquecer o roteiro.

A conclusão é uma só: Bastardos Inglórios é um disparate do começo ao fim. Portanto se sua intenção ao ir assisti-lo é ver um filme sobre a Segunda Guerra, esqueça! A época e o local estão certos, porém aquela não é a Segunda Guerra, é apenas uma maluquice saída da mente perturbada de Tarantino. A coisa toda é tão absurda, que ao fim torna-se divertida e esse parece ser o principal intuito do longa: entreter. E nada mais. Nesse ponto, porém, Tarantino nunca erra.

Perde-se um Herói

BesouroCovilOs chineses são exímios cineastas quando os temas de seus longas são suas artes-marciais. Diferentes dos filmes de pancadaria hollywoodianos (os Van Daimes da vida), longas como O Tigre e o Dragão ou O Clã das Adagas Voadoras se bastam apenas por suas sequências de luta, tornando essa arte milenar algo belo de se ver, misturando-as à trama e ao drama dos personagens. Os roteiros podem até ser um pouco confusos, mas suas lutas contam uma história própria. Sem contar o design e a fotografia, que compõem quadros belíssimos em seu decorrer.

Ora, se o kung-fu dos chineses – considerado uma arte milenar – e as belezas naturais da China podem ser tema e cenários perfeitos para se contar belas histórias, porque a nossa capoeira (também muito antiga) e os paradisíacos cenários brasileiros não podem também servir de enredo para um clássico filme de ação, aventura e artes-marciais?

Pois bem, eles servem! Mas é preciso muito cacife e talento para saber usá-los! Qualidades, aliás, que João Daniel Tikhomiroff não teve em seu primeiro longa-metragem, Besouro (Brasil, 2009), que estreou no dia 30 de outubro em mais de 130 salas em todo o país.

Tikhomiroff

O Diretor João Daniel Tikhomiroff

Tikhomiroff é um dos publicitários mais premiados do mundo, com mais de 50 Leões de Ouro no Festival de Publicidade de Cannes. Para rodar Besouro, ele investiu pesado (mais de 10 milhões de reais que conseguiu de orçamento) em detalhes técnicos, fotografia e nas sequências de ação do filme. Sua intenção não era apenas contar a história real de um capoeirista baiano, mas também transformar a capoeira em um espetáculo cinematográfico, tal qual o kung-fu dos chineses ou o karatê dos japoneses, além de alavancar a presença do fantástico e do sobrenatural no cinema brasileiro. Não conseguiu, infelizmente.

Besouro, o personagem título do longa, é um capoeirista do sertão baiano que viveu no início do século XX. Era o melhor discípulo de seu mestre, porém um tremendo de um irresponsável. Escolhido como guarda-costas de seu mestre – jurado de morte devido aos seus ideais sociais – deixa-o sozinho para se divertir nas rodas de capoeira com os amigos. Resultado: seu mestre morre e Besouro, sentindo-se culpado, foge para o mato. A partir daí começa-se a labuta do filme para transformar Besouro em um herói – ato praticamente impossível devido ao roteiro aberto, sem clímax ou sequer um eixo central. Em momento algum o protagonista consegue convencer o espectador de que sua luta e seu caráter são dignos de admiração. Pelo contrário, é mais fácil ser seduzido pelos antagonistas. Besouro não cativa e ainda rouba a namorada do melhor amigo – ato falho de exclusividade do diretor, pois a personagem Dinorá, envolvida no triângulo amoroso, não existia na história real, foi criada para ser um clichê, pois, de acordo com o diretor, todo o herói deve possuir um grande amor.

Existem os lados ruins e bons dentro do longa de Tikhomiroff, entretanto, se colocados na balança, os contras pesam mais que os prós. Foi extremamente profissional e competente de sua parte ao contratar o chinês Huen Chiu Ku para coreografar as lutas (o mesmo responsável pelos combates nos filmes Kill Bill e O Tigre e o Dragão) e também fez uma grande façanha ao investir em fotografia e efeitos visuais e especiais, extremamente bons para os padrões brasileiros. Porém pecou por demais no roteiro, deixando a história confusa e sem sal: não existe (ou pelo menos não se consegue perceber) drama, humor, paixão…

BesouroExúOutras falhas gravíssimas foram a ambientação e o elenco. Nenhum dos protagonistas é ator, devido à isso as interpretações são todas amadorísticas. Cada personagem parece apenas estar recitando seu texto. E o tempo da história, passada na década de 1920, é outro problema que não se consegue resolver. A pronúncia dos atores, as palavras que eles usam, o jeito de falar, nada disso é capaz de convencer que se trata de um ambiente de época. As vezes nem mesmo a cenografia é capaz de persuadir quem assiste.

Besouro, concluindo, era uma grande promessa, mas acabou por ficar apenas nisso. É triste ver uma iniciativa tão original e inédita no cinema nacional terminar dessa maneira entediante. Porém que Besouro sirva como precedente para outras grandes produções nesse estilo e que a coragem de Tikhomiroff sirva como exemplo a outros cineastas, mostrando que o cinema brasileiro não precisa mostrar apenas a realidade da pobreza, as favelas, o crime e a corrupção, mas que também pode mostrar a fantasia que habita esse país, rico em lendas e mitologia! Perdemos um herói… mas ganharemos outros!

Perfume de Mulher

Texto de Lucas Magalhães

Perfume de MulherEm Perfume de Mulher (Scent of a Woman, EUA, 1992), um adolescente pobre do interior dos EUA tem a oportunidade de estudar num colégio de segundo grau importante e de alto nível de ensino. Ele é Charlie Simms interpretado por Chris O’Donnell. Simplicidade e ingenuidade levam Charlie a se juntar com alunos burgueses que aprontam uma cilada para o diretor do colégio.

A disciplina no colégio Baird e sua disfarçada hipocrisia deixam os amigos de Charlie revoltados. Assim, numa terça-feira de manhã, o diretor e o carro novo dele são acertados por uma grande quantidade de tinta que mancha o veículo e o ego do educador que passa por uma situação ridícula diante de muitos alunos.

Charlie, embora não tenha participado do plano, viu, ao sair da biblioteca onde trabalhava na noite anterior, quem armou tudo. Junto a outro aluno, são interrogados e ameaçados se não cooperar. Caso não ajudem a descobrir quem fora o autor do peça, Charlie e seu amigo serão expulsos, o que seria o fim dos planos de Charlie para o futuro.

Uma espécie de tribunal interno do Baird será instaurado na próxima segunda-feira, tempo que o diretor do colégio dá a Charlie para pensar se delata ou não seus colegas. Em troca o diretor oferece uma recomendação para que o aluno estude de graça em Harvad. O circo estava armado. Charlie se vê diante de uma situação em que terá que decidir entre entregar seus companheiros ou abandonar a escola.

No final de semana, Charlie consegue um “bico”. Ele precisa de dinheiro para ver os pais no natal. O serviço é cuidar de um idoso cego. O que parecia simples vai levar Charlie a experiências importantes e à chance de resolver seu problema.

Al Pacino interpreta um oficial reformado do Exército Americano, o Coronel Frank Slade. Frank está cego há cinco anos e deprimido. Tem planos de ir a Nova York e viver um último fim de semana de prazeres e depois se matar. Para ajudá-lo convence Charlie a ir com ele. Atrás de toda a ingenuidade do aluno do Baird está um coração puro que além de guiar o coronel nas suas loucuras, o convence a desistir do suicídio.

Perfume de Mulher2Com um final surpreendente, o filme mostra como um velho, cego e inválido oficial do Exército consegue enxergar a partir de Charlie, a razão para continuar vivendo. Diante do Tribunal do colégio, o Coronel auxilia Charlie a se livrar da expulsão sem delatar seus amigos. O discurso de Slade é fantástico vale a pena conferir os detalhes.

Razões e escolhas são as duas nuances que ajudam a interpretar o cenário da obra. Enquanto o Coronel Slade estava internado em seus próprios problemas ele não conseguia ver sentido para continuar vivo, mas ao encontrar e ajudar Charlie, o velho rabujento redescobre o valor que ele mesmo possui. Charlie é um olhar de esperança e amor em direção ao ex-oficial. Ele consegue ver no arrogante Coronel um fio de bondade e valor.

Entre outras coisas o filme mostra que vencer obstáculos na vida também depende de como somos vistos pelos outros. O Coronel conseguiu se livrar das trevas de sua vida a partir de um raio de esperança lançado pelo jovem estudante sobre sua vida. A moral da história é que se alguém acredita em nós, podemos superar nossos limites pessoais. Assista ao filme, vale a pena.

Mentes Perigosas

Texto de Lucas Magalhães

Mentes PerigosasA história de Mentes Perigosas (Dangerous Minds, EUA, 1995) se passa num bairro da periferia de uma cidade do EUA, onde a maioria dos alunos são negros ou latinos. Todos nós sabemos, embora Obama seja o atual presidente dos EUA, como o preconceito racial é pesado naquele país. O sistema educacional Americano, “empurra” estas etnias para seus guetos e a discrimina. O estado sonega sua intervenção. Só se vê exploração e descaso da maior nação capitalista do mundo.

Nesta escola, existe uma sala em particular onde os piores dos piores alunos estão concentrados. Cerca de três professoras passaram pela turma sem nenhum sucesso, e, antes que um surto psicótico matasse uma delas, as professoras se demitiam. Salário baixo, trabalho ingrato e ninguém à vista para vaga, fizeram a direção da escola contratar a inexperiente professora Louanne Jonhson, interpretada por Michelle Pfeiffer.

Ela, uma ex-integrante da marinha americana parece ter sua vida reduzida à única coisa que lhe sobrou: lecionar. Louanne está em busca de reconstruir sua história e vai em busca da realização desse projeto. Mas o que ela não sabe é que ele lhe custará mais do espera. Assim, no primeiro dia de aula ela entra na sala e o cenário que vê é deprimente. Ao som de muito funk e rap, os alunos estão em plena desordem dentro do recinto. Ela mal consegue se comunicar e ainda é ameaçada de agressão por um aluno, Emíllio Ramirez.

A professora então parte para uma decisão importante, ela escolhe lecionar a qualquer custo. O caminho foi conquistar os alunos para então aí, com o caminho aberto, ensinar literatura e gramática inglesa. Bob Dylan dá uma forcinha, confiram…

Mas os desafios são grandes. Ela precisa mostrar aos alunos o contrário do que o sistema e sociedade americana ensinam. Que aquela escola e, especialmente, aquela classe, tem valor, ainda que ninguém acredite neles. Atrás de uma solução, Louanne estimula e cativa, mostrando a cada um dos alunos o quanto podem render, mesmo que o mundo diga que não. Ela é persistente e elabora os planos mais incríveis para conquistar sua turma.

Mentes Perigosas2Aos poucos, uma profunda amizade entre professora e alunos se forma, o vínculo é tão forte que Louanne empresta uma quantia em dinheiro a um aluno e dá abrigo a outro. Neste momento, quando ela esconde em sua casa Emílio Ramirez, o mesmo que a ameaçara no início do filme, começa uma das cenas mais interessantes da trama. Ramirez está sendo ameaçado de morte, ele passa uma noite na casa da professora e no dia seguinte, atrás de mais proteção, o aluno procura o diretor da escola; ícone de um estado medíocre e hipócrita, que manda Ramirez ir pra casa só por que não bateu à porta de seu escritório antes de entrar. Ramirez sai, e em seguida, a alguns metros da instituição é morto a tiros por um traficante.

Louanne se desespera e decide abandonar aquela escola. O vazio é grande, e a turma de alunos inteira, lamenta a morte do colega e a partida da professora

A cena a seguir é comovente, além de muito bonita, vale a pena ver. Numa interpretação fantástica, Michelle Pfeiffer (Louanne) se abate, mas os alunos promovem uma série de eventos para convencê-la a ficar. Bem, imaginem o final. Mas assistam ao filme, é tocante.

O poder de escolher, e a descoberta e valorização do ser humano são umas das principais lições desta obra. Fatores capazes de fazer-nos driblar as dores desta vida e vencer. A frieza de um estado injusto e preconceituoso, que só piora a vida de classes menos favorecidas, é claramente afrontada pela persistência e amor da professora Louanne Johnson. Ela é capaz de fazer seus os alunos enxergarem o caminho da vitória, por que vê neles sua própria história no ponto de partida para a reconstrução.

Borboletas e Tufões

efeito-borboletaExistem escolhas certas? É possível saber, já no primeiro passo, qual o melhor caminho a ser tomado? A estrada de mão única do Tempo não nos permite perceber quais escolhas são certas ou quais são erradas. Mas e se fosse possível testar os caminhos antes de tomá-los definitivamente? Andar um pouco e voltar novamente ao início… Será que a vida seria melhor se pudéssemos manipular as ações tomadas no decorrer do tempo? Diz a Teoria do Caos (que explica o funcionamento de alguns sistemas físicos e matemáticos) que “algo tão pequeno como o rufar das asas de uma borboleta pode causar um tufão do outro lado do mundo”. É o fenômeno chamado “efeito borboleta”. Assustador, não? Mas em outras palavras, quer dizer que uma pequena ação hoje pode ter conseqüências gigantescas no futuro. Então será que realmente vale a pena testar esses caminhos?

Pergunte tudo isso a um físico ou um filósofo, talvez eles saibam responder. Ou então assista a Efeito Borboleta (The Butterfly Effect, EUA, 2004), que trata exatamente sobre esse tema: as conseqüências de pequenos atos tomados no decorrer da vida. Claro que o filme não resolve esse problema, porém ilustra bem o que nos poderia acontecer se pudéssemos manipular o Tempo.

Tudo começa com Evan (Ashton Kutcher) invadindo uma sala, se trancando lá dentro e escrevendo uma carta derradeira onde diz ser aquela sua última chance. Caso algo desse errado ele então estaria morto. Daí o filme salta 13 anos no passado, quando Evan tinha 7 anos de idade, e discorre por alguns momentos de sua infância e adolescência, até chegar novamente à juventude e voltar a Kutcher.

Apesar de ter Ashton Kutcher no papel principal, o que acende alguns preconceitos, afinal Kutcher é figurinha carimbada em comédias de segunda classe e besteiróis americanos, Efeito Borboleta é um filme sério, com um roteiro criativo e bem fechado.

borboleta4Até onde o filme nos mostra, Evan é um bom garoto, preocupado com os amigos e com a mãe, porém carente do pai, Jason (Callum Keith Rennie), que está internado em um manicômio. À parte essas questões, Evan tem um problema sério: lapsos de memória, o mesmo problema que enlouqueceu seu pai. A qualquer momento, independente da situação, a memória do garoto apaga, deixando uma lacuna de alguns minutos em suas lembranças. Recomendado por um médico, Evan começa a escrever diários para treinar sua memória. E só mais tarde, já na faculdade, estudando Psicologia, por acidente, o maduro Evan descobre poder acessar, através dos diários, suas antigas memórias perdidas. E não só, consegue também voltar sua consciência no passado e até mesmo modificar antigos fatos de sua vida. Em outras palavras, Evan descobre ser capaz de voltar no tempo!

A partir daí ele resolve consertar todos os erros do passado e fazer o máximo para melhorar a vida de seu grande amor, a vizinha Kayleigh (Amy Smart), que ele não via desde a infância. Entretanto, para sua surpresa, para cada pequeno ato que mudava em seu passado, um turbilhão de modificações acontecia em sua vida presente. A velha história do efeito efeitoborboletaborboleta citado acima. E a maior parte dessas mudanças não era nada boa.

Indo e vindo através de sua consciência, Evan nos ensina que o destino não existe. O sucesso ou a derrota estão nas mãos de cada um de nós e depende apenas de nossas próprias escolhas. É o Livre Arbítrio de cada ser. Além disso, Efeito Borboleta nos dá uma grande lição sobre o arrependimento: o que fizemos é conseqüência de nós mesmo, não pode ser mudado, mas pode ser vencido.

Repetindo a primeira pergunta deste texto: existem mesmo escolhas certas? Evan, ao fim de tudo, descobre que sim: a escolha certa é não interferir e deixar que o tempo conserte os erros passados de cada um.

A Volta ao Mundo em 1 Segundo

Já pensou em tomar café da manhã em Paris, pegar um bronzeado no Saara e, mais tarde, sair pra passear pelas ruas de Londres?! Tirar uma sonequinha em alguma ilha deserta do Pacífico, tomar um bom vinho em Buenos Aires e terminar o dia cantando algumas gatinhas em Los Angeles?! Divertido, mas impossível, não é?! Não para David Rice, protagonista de Jumper (ídem, 2008). 

Dirigido por Doug Liman, de Identidade de Bourne e Sr. e Sra. Smith, o filme mostra a história de David Rice (Hayden Christensen[…]), que nasceu com o superpoder de se teletransportar para qualquer canto do planeta que a mente dele desejar. Em fração de segundos, ele pode atravessar paredes, dar a volta ao mundo e retornar para onde estava no início. Consegue até mesmo entrar em cofres de segurança máxima recheados de dólares sem ser notado pelo sistema de segurança.
[…]
David descobre que é um Jumper na adolescência, quando, durante um acidente em um lago congelado, se teletransporta para uma biblioteca pública . Depois disso, não pára mais.  

[Omelete.com]

Como todo filme hollywoodiano, tudo gira em torno de um romancezinho barato, porém o casal principal não tem aquela química necessária para impulssionar o filme e Millie Harris (Rachel Bilson) deveria ser usada apenas para fazer a ligação entre o passado frustrado de David e sua vida sem limites, sempre tentando compensar o que havia perdido na adolescência. Todavia, este nao deveria ser o fio condutor do filme, que teria muito mais a oferecer que uma simples historinha de amor.

A idéia do longa é interessante e pouco explorada pelo cinema (com excessão do Noturno, de X-man, nunca vi outro personagem que se teletransportasse). No entanto muito mal trabalhada. O roteiro foca demais em David e Millie, e se esquece de outros personagens chave, como Griffin (Jamie Bell) e o Paladino Roland (Samuel L. Jackson, com vistosos cabelos brancos), muito mais importantes que a mocinha indefesa.

Algo muito interessante e pouco explorada foi a origem dos Paladinos, apenas citada por Roland em uma única frase em todo o filme. Simplesmente dizer que eles existiam desde a antiguidade e pra isso citar a Inquisição e a Caça às Bruxas foi de uma infantilidade tremenda. A vida de Griffin também poderia ter sido melhor abordada, afinal ele é o único elo de David com a origem dos Jumpers.

E o drama que melhor poderia definir o filme foi totalmente deixado de lado: a misteriosa mãe de David que sumiu quando ele ainda tinha 5 anos. Esta trama sim deveria ter sido o fio condutor de todo o longa, que bateria de frente com a voracidade implacável do antagonista e daria um belo substituto para o insosso romance do filme.

A salvação de Jumper é que, dizem os boatos, este é somente o primeiro, apenas a apresentação dos personagens. O desenrolar da trama virá nas continuações. E outro ponto forte são os efeitos especiais que, na minha opinião, ficaram muito bons.

Pelo menos tem potencial pra cair nas graças da Sessão da Tarde!