Literatura, podcasts e sentimentos

Sentimentos à Flor da PeleNos antigos mitos das civilizações ancestrais, os deuses eram a personificação de sentimentos humanos ou de eventos da natureza, como o amor, a morte, a sexualidade, o ódio e tantos outros. Parece-nos natural humanizar as emoções, através das atitudes de personagens, para que possamos entendê-las melhor. Foi baseado nessa idéia que um grupo de podcasters brasileiros se uniu para criar a antologia Sentimentos à Flor da Pele, um pequeno livro com dez contos curtos, mas profundos em significados.

Os podcasts dedicados à literatura estão entre os mais populares da podosfera brasileira. Vários programas abordam a temática dos livros e seus participantes cativam ouvintes, incentivam a leitura e apontam dicas de boas histórias, muitas vezes desconhecidas. No entanto, esses podcasters, apaixonados pelo mundo das narrativas, tão acostumados a criar conteúdo em diferentes mídias da internet, tecendo críticas, elogios e resenhas a obras consagradas, foram desafiados não a falar sobre literatura, mas produz-la.

Seguindo a proposta dos organizadores Anna Schermak (ex-participante do LiterárioCast) e Vilto Reis (apresentador do 30:Min), cada um dos autores escolheu um sentimento como guia e, a partir dele, desenvolveu sua narrativa. Solidão, depressão, obsessão, apatia, raiva, ódio, nostalgia, medo, escapismo e poder se tornam protagonistas em seus respectivos contos.

As dez histórias presentes na antologia são narradas de forma ágil, sem floreios, contando situações que fogem à realidade, mas servem de contexto para o surgimento e desenvolvimento do sentimento-protagonista. Alguns dos autores não são escritores, no entanto a narrativa de todos é concisa e bem desenvolvida. É preciso que se diga que alguns dos contos fogem ligeiramente da proposta ou alguns personagens não representam bem o sentimento que lhes foi designado. Talvez pelo tamanho imposto a cada uma das histórias (apenas 8 páginas por autor) tenha faltado espaço para aprofundar as narrativas e desenvolver melhor cada um dos personagens.

Mesmo assim o livro possui uma qualidade indiscutível: a visão de diferentes pessoas sobre determinados sentimentos humanos. Afinal, sendo algo abstrato, cada qual possui sua própria interpretação de determinada emoção, mas, vista pelos olhos dos outros, o ódio pode ser mais próximo do amor que a obsessão. Ou a raiva pode se aproximar mais da apatia que a depressão. Conhecer como um autor representa suas aflições é um modo de entender melhor nossos próprios sentimentos.

Além dos organizadores, os outros oito autores são participantes dos programas CabulosoCast, LivroCast e O Drone Saltitante. A idéia do livro surgiu através da internet e sua publicação também usou da rede para se realizar. Os gastos de impressão foram pagos através de financiamento coletivo – crowdfunding – realizado através do site Catarse. Pessoas de todo o país, fãs dos podcasts literários, contribuíram com a produção do volume, num processo que transformou podcasters em escritores, com a ajuda de ouvintes que se tornaram leitores.

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Livros de 2011 – Parte 2

Os dois livros apresentados abaixam foram-me presenteados pelos próprios autores, com direito a dedicatória e autógrafo. O primeiro veio de longe, do outro lado do Atlântico, e foi escrito pelo meu amigo português Rodrigo McSilva. O segundo é um livro independente, impresso à custa do próprio autor, Lázaro Marback d’Oliveira.

Para ver a primeira parte deste post, clique aqui.

Escritos dos Ancestrais – Campos de Odelberon

E se todos os deuses de todos os povos realmente tivessem existido num passado remoto do mundo? Não apenas deuses, mas todos os seres fantásticos dos folclores das mais diversas culturas… E se fossem reais? É partindo dessa premissa que o escritor português Rodrigo McSilva desenvolveu o livro Escritos dos Ancestrais, o primeiro volume da saga Campos de Odelberon. Baseando-se nas mitologias grega, nórdica, celta e indo-europeia, o autor montou um compêndio de personagens e histórias que se desenrolam num mundo em comum, onde Zeus e Odin, entre outros, dividem um mesmo continente do mundo fantástico chamado Odelberon.

No princípio dos tempos, humanos, animais, deuses e seres mágicos habitavam juntos a Terra. Mas com o assassinato do deus Balder, que poderia dar início ao Ragnarock (o apocalipse da mitologia nórdica), o Ente Uno, decide dividir o Tempo, para assim salvar a realidade Terrena: “’Que a linha do tempo seja doravante como um punhal, mas com duas faces, esquerda e direita, que jamais se verão’. Assim os condenou a uma estéril dualidade. Os mortais habitariam o ‘Gume Terrestre’, desenvolvendo a ciência e a técnica, mas trabalhando na dúvida e na incerteza, enquanto os deuses e os que os haviam seguido habitariam o invisível ‘Gume de Odelberon’ numa eternidade imutável”.

Assim segue-se todo este primeiro volume, com a chegada dos seres fantásticos a Odelberon, a colonização do novo mundo, a divisão de suas regiões, as alianças entre deuses de várias mitologias e a associação de seus respectivos antagonistas. McSilva peca pelo excesso de personagens, nomes e lugares, além de inundar páginas com enormes narrativas da colonização de Odelberon, sendo tão minucioso a ponto de beirar o maçante. Mas sua extensa pesquisa – que durou 7 anos – vale por qualquer defeito que o livro venha a ter, enriquecendo a narrativa dos Escritos dos Ancestrais, mantendo viva as características dos míticos personagens e desenvolvendo seu enredo tendo por base a cultura de cada mitologia. De acordo com o próprio McSilva, porém, a partir do próximo livro a história se limita aos protagonistas que acompanharão a saga até seu fim. Que venham os próximos!

Nota: Campos de Odelberon ainda não foi publicado no Brasil, mas pode ser importado de Portugal. Para mais informações, acessem o link www.odelberon.com

Súmulas do Valor da Vida

Lázaro Marback d’Oliveira não tem a literatura por profissão. Dedicou-se à arte somente após sua aposentadoria e reuniu alguns de seus contos num volume de publicação independente, o qual chamou de Súmulas do Valor da Vida.

Baseado em histórias do dia-a-dia do autor, as Súmulas vagam entre espiritismo, umbanda e o cotidiano do Rio de Janeiro. D’Oliveira desenvolve muito bem seus contos e tem uma narrativa fluente e criativa, porém seus finais desagradam e para cada história parece faltar uma conclusão satisfatória. Para quem quiser conferir, um de seus contos, Clarisse Dançava, foi gentilmente cedido pelo autor e pode ser lido aqui mesmo no Covil. Basta clicar no link acima.

Nota: O livro de Marback pode ser adquirido diretamente com o autor e o custo é revertido para caridade. Entrem em contato com ele através do Facebook clicando aqui.

Meu Primeiro Filme! Não Percam!!!

Como já disse num outro post, a faculdade tem roubado todo o meu tempo e até mesmo toda a minha inspiração para escrever aqui.
Dentre outros trabalhos que tanto me estressaram, o principal foi este apresentado abaixo, o Projeto Integrado de 5 disciplinas que foi desenvolvido durante todo o semestre e está finalmente pronto!

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Barril de AmontilladoNa Itália do séc. XIX, Montresor, um jovem burguês, já não suporta toda a humilhação que sofria por seu “amigo”, o nobre Fortunato, sempre superior e arrogante; esnobe mesmo em seus momentos mais ridículos.

Decidido a acabar de vez com sua desonra, Montresor arma sua vingança e, com frieza e metódica, sob o pretexto de possuir um barril do raríssimo vinho de Montilla, consegue atrair Fortunato para sua vingança.

O Barril de Amontillado (Brasil, 2009) é baseado no conto homônimo de Edgar Allan Poe e foi produzido para as disciplinas de Direção de Arte, Roteirização, Design Sonoro, Edição e Direção de Fotografia do 5º período do curso de Rádio e Televisão da Universidade Metodista de São Paulo.

Com direção de Andrews Nascimento, Fotografia de Willian Melo e Direção de Arte de J. V. V. B. Militani (ou seja, eu, o Snaga), o filme conta com 3 minutos. Porém foi pré-produzido em duas semanas, produzido em 2 meses, gravado em 1 único dia e pós-produzido em 2 semanas.

Barril de Amontillado2Minha opinião? Modéstia à parte, a Direção de Arte é o carro chefe do filme. Ele é bonito, e só! Não digo isso por ter sido eu o Diretor de Arte, mas porque é a verdade. O roteiro possui grandes falhas (mesmo com o bom argumento que possuía originalmente), em parte pela má adaptação, em parte devido aos cortes obrigatórios para encaixarmos toda a história dentro dos 3 minutos exigidos pelo projeto acadêmico.

A Fotografia também, devo lembrar, é um espetáculo à parte. E a edição final, feita por Cristiano Siles salvou boa parte do filme, que contava com erros crassos. O resultado, deste modo, é um bonito filme, porém de difícil ou nenhum entendimento!

Portanto não percam: O Barril de Amontillado, com Diego Chimenes e Dionísio Pavan! Em julho, aqui no Covil, ou no YouTube mais próximo de você!!!

Para quem se interessar, o conto original pode se lido na sessão de contos aqui do Covil. Basta clicar aqui.

Abaixo, algumas fotos do dia de filmagens:

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A Biblioteca de Contos do Covil do Orc

São poucos os que sabem (eu ainda não divulguei como deveria), porém, em maio, foi escavado um novo e gigantesco salão bem ao fundo do Covil: uma biblioteca de contos dos mais clássicos autores da História!

No topo deste blog, entre os links das páginas, existe um com o nome Contos do Covil. Dentro desta página é possível ter acesso a quase 400 contos de 32 autores. Todos muito bem selecionados entre os melhores e mais aplaudidos escritores do mundo. 

De Leonardo da Vinci a Machado de Assis! De Fábulas a Ficção Científica! Tudo com acesso rápido e fácil: basta clicar e ler!

E é bom lembrar que essa ‘contoteca’ está em constante crescimento, sempre com novidades. Não só novos contos, mas também novos autores sempre surgem por lá!

Se preferir, em vez de usar o link sugerido acima, também é possível acessar diretamente a página exclusiva dos contos através do link: www.contosdocovil.wordpress.com

Boa leitura à todos!!!