Diário de um Genealogista Amador

Até onde minhas lembranças se estendem, sempre gostei de coisas antigas, daquele tipo que quase mais ninguém dá valor. Nos dias chuvosos da minha infância, quando brincar na rua não era possível, lembro-me que minha principal diversão era ver e rever as centenas de fotos antigas que minha família ainda guarda nos maleiros dos guarda-roupas. Deleitava-me em ver antepassados que nunca conheci, todos em preto e branco, rostos sérios e poses pomposas. Perguntava a minha mãe e minhas tias o nome de cada um e qual relação tínhamos com aquelas pessoas. Eram tios e tias, avôs e avós, primos e primas, todos de várias gerações diferentes e vários graus de parentesco. Devido a isso, acabei por conhecer muito bem minha família, de ponta a ponta.

Anos mais tarde, ao conhecer a Obra de Tolkien em meados da minha adolescência, acabei me deparando com estudos detalhados da genealogia de personagens ficcionais, habitantes da Terra-média, o mundo imaginário tolkieniano. Em seus livros, Tolkien traça árvores genealógicas gigantesca, ligando seus personagens e criando famílias imensas, sejam de hobbits, elfos, ou humanos.

Eis então que uma coisa incentivou a outra e vice-versa e, agora, numa fase totalmente diferente da minha vida, após terminar a faculdade e começar a trabalhar de verdade, resolvi correr atrás das minhas origens, conhecer melhor meus antepassados, suas histórias, e toda a dinastia que se iniciou no Sul de Minas e se estendeu por todo o país.

Em meados de novembro de 2010, dei início aos primeiros estudos deste projeto, coletando dicas na internet, procurando orientação de pessoas mais experientes no assunto e conhecendo softwares de genealogia (dos quais escolhi o MyHeritage) que pudessem me ajudar na organização e estruturação das pesquisas.

Para o meu desespero, porém, a empreitada se mostrou muito mais difícil do que eu imaginava, por diversos motivos. O principal (e este eu até já esperava) é a distância: estando eu em São Paulo e minha família em Minas, o contato para coleta de informações se complica. Restou-me então abusar da internet, distribuir e-mails e recados em redes como Orkut e Facebook e, quando possível fazer visitas rápidas, sempre em companhia do laptop. Outro empecilho nesta jornada é o descaso de um ou outro com quem me deparo. Não os culpo, afinal, cada um tem seus interesses e, convenhamos, ficar listando nomes e datas de pessoas mortas há anos não parece nada útil ou divertido. Por outro lado, para compensar, encontro vez ou outra com pessoas interessadas e prontas a ajudar.

É desta forma que venho, aos poucos, garimpando a matéria prima para compor minha árvore genealógica de ambos os lados da família: os Vilas Boas e os Militani. Nestes cinco meses, já coletei 326 nomes, mas apenas a minoria possui a ficha completa com datas e informações. Todo o restante não passa de nomes que nem mesmo sei se estão grafados corretamente. Minhas fontes orais estão se extinguindo e dentro em breve terei de partir para o próximo passo das pesquisas: cartórios e cemitérios.

Parece complicado e um trabalho grande demais para se desenvolver um estudo cujo interesse se restringe a apenas alguns membros da família, porém a satisfação ultrapassa os resultados. O caminho percorrido é o que mais satisfaz, afinal estou fazendo contato com pessoas que há muito não via ou não conversava e familiares distantes que não conhecia; estou matando saudades e conhecendo pessoas novas. De árvore, a idéia se estendeu para um documento maior, talvez até mesmo um livro. O caminho para isso ainda é longo e o resultado ainda irá demorar para ser atingido. Mas continuarei. E com o tempo, postarei mais informações, de acordo que for completando novos estágios. Só espero que alguém mais se interesse em ler.

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6 respostas em “Diário de um Genealogista Amador

  1. Cara, tb entrei numa empreitada como essa. Por um caminho muito parecido com este que vc relatou. Realmente, é a jornada de poucos (ou apenas um) na família. E garimpar pessoas mortas não é nada atrativo à maioria dos familiares. Além disso, alguns, mais anciãos, até desconversam achando que estou atrás de heranças perdidas, tornando difícil acessar alguns dados familiares.
    Bom, a jornada é grande e nada fácil.

    Sucesso!

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    • Obrigado pelos votos de sucesso, Will.
      Realmente a empreitada segue a trancos e barrancos, mas vamos indo!
      Coloquei agora a família mais próxima para ajudar, distribuindo algumas fichas para alguns familiares com quem não tenho muito contato. Acho que vai ajudar bastante!

      ABraços!

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  2. Snaga, faço minha as palavras do Sr. Will, perfeito! Estou na mesma busca faz 12 anos e o fator pessoal a principal dificuldade das pesquisas. As pessoas em geral não fazem idéia da seriedade deste trabalho, no meu caso descobri 3 gerações que perderam seus pais com 18 anos de idade e todos filhos caçula, sou o terceiro da lista. Se quiser dicas para pesquisa me coloco a sua disposição. Esse negócio pode virar uma obsessão perigosa, cautela, serenidade e muito auto controle para que sua saúde física e mental se mantenham equilibradas. daoudmaria-aintourine@hotmail.com

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    • Olá, Miguel!

      Realmente a tarefa se torna uma obsessão! Até porque é um trabalho gostoso de se realizar!
      Agradeço muito seu interesse e disposição em ajudar! Caso eu precise de algo (e muito provavelmente precisarei), tenha certeza de que entrarei em contato!

      Existe algum lugar na net onde eu possa ver sua árvore? Com 12 anos de trabalho, deve estar realmente bela de se ver!

      Valew mesmo!

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  3. Também tenho a mesma empreitada. Passo a mesma coisa que vocês em questão de descaso dos familiares quanto a me ajudar e temo pensarem que estou atrás de alguma herança perdida. A diferença é que comecei a poucos anos e de forma esparsa, para então neste ano de 2012 levar a coisa a sério. Infelizmente não tenho a genealogia na net. Desconfiava se o MyHeritage valia à pena, mas depois da sua dica e da similaridade do seu caso com o meu, resolvi tentar. Achei seu site buscando entender sobre genealogia e como fazê-la. Vi que existem formações, regras a serem respeitadas e que a trabalheira é grande, mas vi também que a recompensa vale a pena. Sua jornada e a dos colegas aqui dos comentários me inspira a continuar. Força para nós, amantes da história das famílias!

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    • Devo admitir que minha empreitada anda parada. Desde janeiro não busco novidades para minha árvore, mas pretendo mudar isso em breve.

      Quanto ao MyHeritage, reforço aqui minha dica: use-o! Todas essas formações e regras que você citou são muito bem aplicadas e facilitadas nele.

      Boa sorte, Verônica, e espero que nos encontremo mais vezes para trocar mais dicas.

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