Operação Valquíria: a outra Face da Alemanha Nazista

Capa Operação ValquíriaNa escola, quando o assunto é Segunda Grande Guerra, aprendemos como Hitler fez a cabeça de todos os alemães, reergueu o país e dominou metade da Europa, se aproveitando do trabalho escravo dos judeus. Nos cinemas, através dos olhos da vitória, vemos sempre os judeus sofredores, os alemães tiranos, o exército sem escrúpulos. Um país de bárbaros que acreditava que a raça ariana era superiora às demais e que, devido a isso, poderia conquistar o mundo e execrar o restante da humanidade.

Estamos acostumados a ver sempre o nosso lado da Segunda Grande Guerra. Seja nas matérias da escola, seja no cinema ou em romances, observamos os fatos sempre sob a mesma perspectiva: a dos Aliados, a vitoriosa. E se, ao ler um único livro, você descobrisse que a coisa toda não é bem assim? Que a História como a conhecemos é falha e extremamente parcial? Que o exército alemão era formado de homens honrados, aplaudidos e respeitados até pelos inimigos; leais única e exclusivamente ao país e não ao Führer?

Pois é o que se descobre ao conhecer a narrativa em primeira pessoa do alemão Philipp Freiherr von Boeselager, o último conspirador que sobreviveu à retaliação contra o complô que pretendia matar Hitler, denominado por eles próprio de Operação Valquíria.

Seguindo sua memória, Philipp, que morreu em 2008, narra parte da sua infância, da criação liberal que recebeu de seus pais e da educação rígida e cheia de princípios morais nos colégios cristãos. Nesse íntere, mostra como era a Alemanha após sua derrota na Primeira Grande Guerra, e como o país partiu da depressão imposta pela Tríplice Entende à emersão do Partido Nazista e o retorno à categoria de Potência. Até chegar, finalmente, ao cenário da Segunda Guerra Mundial.

Philipp Boeselager1945

Philipp em 1945

Através do testemunho de Phiplipp, conhecemos um outro lado do exército alemão, honrado, leal, justo com seus inimigos, e com homens que se tratavam como uma grande família. Além da fraternidade entre os próprios germanos, existia também a compaixão para com os inimigos, como no dia em que Georg, irmão de Philipp, tomou um vilarejo inteiro se bastando apenas da diplomacia e, ao fim, ainda promoveu uma grande ceia onde alemães e ingleses comeram juntos e amigavelmente.

Partindo do front oeste para o leste, já na campanha contra a Rússia, existe também no livro o precioso relato do jovem Karl von Wendt, um precioso cronista da companhia de Georg: “O povo russo recusa cada vez mais esta guerra à medida que progredimos, e chega a tratar o próprio exército russo de ‘bolcheviques’[…] Prisioneiros apresentam medalhas religiosas como prova de sua boa-fé quando lhes perguntamos se são bolcheviques. Na população civil, não se passa quase um dia sem que pessoas, em geral de uma certa idade, nos digam que comunistas continuam escondidos na floresta. […] Creio que a população civil está 70% do nosso lado – sobretudo depois de conviverem alguns dias com soldados alemães e poderem observar que não somos assassinos nem ladrões como os vermelhos […].”

O que dá-se a entender no desenrolar da narrativa, é que o exército pouco sabia das barbáries nazistas. Histórias sobre os campos de concentração e a dizimação de judeus e ciganos chegavam ao front apenas como boatos. Os homens sabiam que algo acontecia, mas não tinham certeza. E chega a conclusão de que as atrocidades e o terrorismo racista eram cometidos única e exclusivamente pelos SS, a organização paramilitar ligada ao Partido Nazista.

Finalmente, quando já não se podia mais negar o Holocausto e, principalmente, quando parte do exército viu-se massacrada sem piedade numa guerra que já estava perdida, grandes nomes surgem na narrativa de Philipp e, no mais absoluto sigilo, dá-se início ao complô contra do Führer. Liderado pela mente afiada do general Tresckow, a Operação Valquíria agiu às escondidas, se preparando para o atentado que daria fim à vida de Hitler e ao seu regime de terror.

Mais do que um simples grupo de conspiradores, a Operação Valquíria estava pronta para dar um golpe de estado, tendo sob seu comando uma companhia inteira de cavalaria, com cerca de mil homens.

DV207933

Philipp em 2004

Infelizmente, como é do conhecimento de todos, nenhum dos atentados, por mais que tenham sido minuciosamente planejados, surtiu efeito algum e Hitler continuou no poder até o final da Guerra. E num tempo de luto, como o próprio título do capitulo final já sugere, todos os envolvidos foram caçados e mortos pelo regime. Com exceção de um único que, não acreditando no acaso, sabe que sobreviveu para testemunhar ao mundo que existia, sim, honra e justiça bem no coração da Alemanha Nazista.

Curiosidade: Existem 3 livros com o título de “Operação Valquíria”, publicados recentemente no Brasil. O livro de Philipp, que realmente vivenciou os fatos, e outros dois escritos por historiadores. O recente filme de Hollywood, entretanto, não foi baseado diretamente em nenhum dos três livros.

Ficha Técnica:
Título:
Operação Valquíria (Wir Wollten Hitler Töten)
Autor: Philipp Freiherr von Boeselager
País: Alemanha
Publicação Original:
Publicação Lida:
Editora Record, 2009

Anúncios

8 respostas em “Operação Valquíria: a outra Face da Alemanha Nazista

  1. Gostei do post! É sempre bom termos acesso aos dois lados da moeda. E quando os temas são Alemanha Nazista, Hitler e a 2ª Guerra Mundial (entre outros também), poucas são as informações que temos deste outro lado; como em livros didáticos, séries de documentários ou livros e filmes (como você disse no começo do post) que temos acesso apenas ao lado “aliado” da história.

    Curtir

  2. Esse filme é um ícone de como o cinema pode contribuir na formação histórica da sociedade. Mostra um contraponto. Mostra um insurgência realmente levante dentro de um mar insandice como foi a Alemanha na era Nazista.

    Recomedo.

    Curtir

  3. Primoooooooo tanto vi seu blog quanto li e quanto to comentando!!!
    Nem sei o que que ce ta fazendo ai ainda que não começou a escrever um livro!!! è de família mesmo só que você escreve coisa decente kkkkk
    beijos saudade de vc mtoooo
    Ps: o seu blog ja ta nos meus favoritos!!!

    Curtir

  4. Eis mais um rrevés da história. Mas custo a acreditar que esses oficiais nazistas não tinham as mãos sujas de sangue, não tinham conhecemento do que o regime nazista fazia com os “inferiores”. Fato é que os líderes desse atentado eram descendentes de nobres pruscos e não estavam satisfeitos em ver um “plebeu” não germânico, liderando e sendo ovacionado pelos alemães.

    Curtir

  5. Ninguém esquece que a Alemanha deu ao Mundo Kant, Hegel, Marx, Nietzsche, Max Weber… e que os alemães foram considerados um dos povos mais cultos, portador da melhor educação clássica. Todavia, a alma germânica foi devorada por Adolph Hitler, com a assertiva inconcussa de que a violência adquire densidade com o acumpliciamento dos que diante dela, silenciam. Há quem diga que quando a vida está em jogo, dilui-se o espírito de solidariedade. Então, curvemo-nos e veneremos os heróis, fazendo as perguntas que não querem calar: de onde surgiram estes seres intrepidamente indômitos? Eles não pertencem à desmesurada família etiquetada espécie humana? Quando se fala em “Holocausto”, incontinenti, emerge o antissemitismo (a perseguição implacável aos judeus). Observe-se que a tentativa de volatilizar – literalmente – os judeus talmúdicos, envolveu com seus tentáculos os ciganos, marxistas, eslavos, desafetos políticos, homossexuais, maçons, culminando no paroxismo da vesânia de executar os doentes mentais. Destarte, quem não pecou por ação, tornou-se cúmplice do mesmo delito, pela omissão silente. O que se deseja é equipar a Humanidade de pensamento analítico, capacidade de ordenação metódica e dialética habilidosa, ou seja: introspecção, formação de pensadores (recusando os repetidores de informação), seres dotados de mentes livres, libertas e emancipadas, ideias arejadas e horizontes mentais largos. O Nazismo não mutilou apenas e tão somente os judeus, mas a nossa espécie. E, ela, é formada por judeus, muçulmanos, europeus, asiáticos… a Humanidade tem que se prevenir contra a entronização de novos ditadores. É fácil repelir políticos psicopatas durante a brisa suave, mas numa histeria socioeconômica quem possui espírito crítico para encará-los? O paroxismo da crueldade nazista é o grande tema para despertar de eventual anestesiamento cada mulher, cada homem, cada idoso, cada jovem. Muitos silenciaram e, depois, ousaram pedir perdão. Quem pode concedê-lo são unicamente os mortos, porém, eles trasladam a impossibilidade de serem novamente alcançados pela… VIDA! (Carlyle Cláudio Pereira – escritor – Barra Velha – SC – 15 DEZ 2O12 – 1Oh1Om).

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s