Pasta de Direção de Arte

Há alguns dias anunciei aqui o lançamento do meu filme, um curta metragem de 3 minutos realizado no decorrer do 5º período da faculdade. Além do trabalho prático – a produção em si – ainda é exigido pelos professores um trabalho teórico: as “Pastas”, como as chamamos. Cada disciplina pede uma pasta, ou seja, o Diretor de Arte (eu) entrega uma pasta de Arte; o de Fotografia, uma pasta de Fotografia; os roteirias, uma pasta de roteiro e o editor e sonorizador, uma pasta de edição e sonorização.

Sendo assim, apresento abaixo partes (e de maneira resumida) daquela que coube a mim fazer, a Pasta de Direção de Arte. Nela está detalhado todo o trabalho realizado na comcepção dos cenários e figurinos. Boa leitura!

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INTRODUÇÃO À DIREÇÃO DE ARTE

Catacumba

Tumba de S. Pedro - inspiração p/ o cenário

A pesquisa para a Arte começou a ser desenvolvida ainda em cima do conto original. Seguindo as descrições e a narrativa em primeira pessoa do personagem principal, Montresor, chegou-se  às temáticas essenciais da história e que, com certeza, seriam abordadas no roteiro e mostradas no filme, como o período em que a história se desenrola, as catacumbas (que também são uma adega) e o carnaval italiano.

Com essa certeza em mente, foram escolhidos livros que descreviam e ilustravam os cenários e as temáticas que precisaríamos, como “As Catacumbas de Roma”, de Benjamim Scott e “La Tumba de San Pietro y las Catacumbas Romanas”, de Engelberto Kirschbaum; além de pesquisas na web, em sites especializados, sobre o Carnaval de Veneza, suas fantasias e máscaras.

Os projetos cenográfico e de figurino só tiveram início depois, após a formulação do roteiro e do argumento do filme. Só então o cenário começou a ser esquematizado, através de desenhos e plantas baixas. Em paralelo ao cenário, aconteceu a idealização do figurino e a escolha de suas cores.

Finalmente, baseando-se na interpretação inicial do conto e no roteiro final, foi decidido que o filme se passaria na Itália do século XIX, no período do carnaval, durante uma única noite.

PROJETO

O filme conta com três (3) cenas, sendo uma delas em flashback. Para isso, usamos dois (2) cenários diferentes: uma catacumba romana (cenas 1 e 3) e o hall de entrada de um salão de festas da nobreza italiana (cena 2).

Cenário Catacumba Cenas 1 e 3):

Por se tratar de uma cena de terror e suspense em lugar subterrâneo, optou-se por um ambiente de baixa luz e cores escuras, como as das paredes que variam entre preto, cinza e marrom escuro, causando assim uma perda no contraste e nas nuances.

Apesar das cores escuras, a ação dos personagens ganha uma tonalidade mais quente devido à iluminação amarela do lampião e das velas.

Cenário Salão de Festa  (cena 2)

Em contraste com as cenas escuras das catacumbas, esta mostra um ambiente bem mais iluminado, principalmente por tratar-se de uma festa da nobreza, e possui cores quentes e vivas, destacando amarelo e vermelho de um dos figurinos, além de tons mais sóbrios como o vinho e o branco das cortinas, tapeçarias e o mármore do chão.

Estética

“O Barril de Amontillado” se passa em meados do séc. XIX, tratando-se, assim, de um filme de época. Predominam-se as cores quentes. Por se passar em um única noite, os ambientes são escuros ou nitidamente iluminados com luz artificial.

Como o filme ressalta os contrastes entre os dois personagens, os cenários e os figurinos buscam sempre essa oposição: uma cena clara, outra escura; um figurino sóbrio, outro espalhafatoso.

CENOGRAFIA

Catacumba Italiana

DSC_0017Foram usadas três tapadeiras confeccionadas especialmente para o projeto. Duas delas foram revestidas de papel marchê para, assim, assemelharem-se à textura de paredes de terra escavada (como um túnel). Estas, que foram usadas ao fundo do cenário, possuem 2x2m e 3,5×1,2m, sendo que na mais longa existe um lóculo, um buraco na parede onde os corpos eram depositados.

A terceira tapadeira da catacumba foi encaixada de maneira transversal às demais, encoberta por blocos de espuma floral pintados de marrom e contornados com a mesma massa de papel marchê, para assim se assemelhar a uma parede de alvenaria, sendo que as espumas serias os tijolos e o papel marchê seria a massa de rejunte.

Uma quarta estrutura, também confeccionada por nós, e que também recebeu o tratamento com papel marchê, foi encaixada sobre o cenário, formando um teto curvo.

Para fixar toda essa estrutura de paredes e teto, foram usadas duas tapadeiras do estúdio, apenas como apoio para as demais já citadas.

Para o chão foi usado uma mistura de húmus de minhoca e terra vegetal.

Este ambiente, apesar de ser uma catacumba, é usado pelo personagem como um adega. Por este motivo aparecem, além de ossos, caixas, engradados e garrafas de vinho.

Ainda foi cogitado, no decorrer do projeto, o uso de goteiras e umidade, entretanto levou-se em consideração o aspecto destoante entre a umidade e a poeira. Ou seja, ou o ambiente seria úmido, ou seria empoeirado, sendo que este último foi a opção final.

Tratamento cenográfico:

Todos os objetos que aparecem em cena passaram por tratamento para ganharem aspecto envelhecido.

– Caixotes de vinho foram lixados e sujos com carvão, terra e tinta.

– O lampião foi revestido por uma camada de tinta marrom, assemelhando-se a ferrugem.

– Sobre todos os objetos de cena foi peneirado uma mistura de pó de carvão e gesso, simulando poeira.

– As velas foram queimadas com antecedência, para que a cera derretida escorresse pelas garrafas (usadas como castiçais).

– Todas as garrafas foram cheias com uma mistura de água e corante roxo (com exceção da garrafa erguida pelo personagem, que continha suco de uva).

Outras Observações:

– Para o revestimento das tapadeiras, foram gastos cerca de 670 rolos de papel higiênico (rolos de 30 m), além de 10 litros de cola branca, 10 quilos de gesso e cerca de 2 litros de corantes marrom e preto.

– O esqueleto humano foi confeccionado a partir de gravetos e massa de Durepox.

Salão de Festa

Usamos como locação o hall de entrada do Salão Nobre da UMESP, decorando-o com tecidos, tapeçarias e candelabros, encobrindo, dessa forma, detalhes modernos da locação, como o corrimão de metal e as paredes de vidro, dando ao cenário uma aparência mais luxuosa e nobre.

FIGURINOS

Montresor

Figurino MontresorComo que alheio a todo aquele clima carnavalesco da nobreza, o figurino de Montresor, com cores neutras, deixa transparecer sobriedade e seriedade. Levando em conta o contraste de sua caracterização com o período festivo do filme, o figurino nos dá a sensação de frieza e metódica do personagem, que usa apenas um traje social típico daquele século e uma máscara de festa para ocultar sua face.

O traje é composto de uma camisa branca, um colete acastanhado, fraque preto, uma gravata estilo dândis preta, roquelaire preto, cartola, calças sociais e um par de sapatos, os três últimos também pretos.

Máscara

Máscara MontresorA máscara usada por ele esconde sua face, mas não sua personalidade e suas intenções. Dividida ao meio, mostrando dois sentimentos em uma mesma face, deixa transparecer as características do personagem: por um lado, introvertido, recessivo e tristonho, porém, por outro, oculto para momentos oportunos, debochado e sarcástico, vingativo e rancoroso.

Fortunato

Fortunato usa uma fantasia completa de Arlequim (truão, bobo da corte) e uma máscara do mesmo personagem.

Ao contrário de Montresor, Fortunato possui em seu figurino cores mais quentes e vivas, passando-nos um pouco de seu espalhafato. Além disso, sua fantasia nos conta um pouco da situação dos nobres daquela época: em decadência.

PierrôBaseando-se em estudos de heráldica, chegou-se às duas cores do figurino (vermelho e amarelo), por melhor representarem a nobreza italiana, pois são as cores mais presentes em todos os brasões, armas e escudos das cidades e das famílias italianas. Além de o amarelo representar sua riqueza e o vermelho podendo representar seu poder.

Máscara

A máscara de Fortunato foi inspirada no Pierrô, típico personagem do carnaval italiano, semelhante ao Arlequim, porém de feições mais tristes. 

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2 respostas em “Pasta de Direção de Arte

  1. Mais uma vez a Elite-Sub mostrou que as dificuldades sempre nós perseguem, e mais uma vez conseguimos a vitória com muito elogios e notas invejadas na sala. Realmente tivemos muito trabalho nesse semestre, muito cansaço, muitos gastos, muitas brigas… E ai está, mais uma vez conseguimos vencer as barreiras. E certamente não me arrependo de nada, adorei ter participado dessa bela produção e gostaria que tudo continuasse como está (salva 3 exceções) mas isso é coisa para depois.
    Gostaria de deixar uma mensagem que um professor nos passou….
    “Se vocês estão brigando, não estão conseguido conviver entre si… E dai??? No mercado não vai ser diferente… E se estamos conseguindo com todos esses problemas realizar um trabalhp como esse, então vamos continuar nosso trabalho pois sei que mais desafios estão por vir”

    Parabéns a Todos!

    Curtir

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