Índios Frustrados*

renato-russoAs letras de Renato Russo dariam, se é que já não deram, maravilhosos tópicos para mestrados e doutorados, dos mais diversos temas, da psicologia à literatura. São infinitos os assuntos abordados em suas músicas e infinitos também as suas interpretações. É impressionante ver as pessoas buscarem os mais variados significados, mesmo que errôneos, em músicas como Meninos e Meninas, Pais e Filhos, Giz e até mesmo na saga de João de Santo Cristo, em Faroeste Caboclo. Na primeira ele assume sua homossexualidade, a segunda fala dos erros cotidianos que tanto distanciam as pessoas. Na terceira, Renato lembra sua infância, enquanto na última, brinca com a carência de heróis nacionais e a migração desordenada do povo, em busca de uma vida melhor na Capital Federal. Basta digitar algo relacionado no Google para encontrar diversas discussões em fóruns e blogs pela internet.

Entre todas essas letras, verdadeiros poemas, talvez a mais intrigante e passível de interpretações seja a música “Índios” (assim mesmo, com aspas), divulgada ao público no álbum “Dois” da Legião Urbana. Nela existem, a cada estrofe, frustrados apelos por impossibilidades que tanto afligem a alma: “Quem me dera/Ao menos uma vez…”

Para entender a música completamente, é preciso primeiro conhecer o contexto no qual ela foi composta, em 1984: Renato Russo acabava de se recuperar de uma tentativa de suicídio na qual havia cortado os pulsos. O motivo ninguém sabe ao certo. O próprio cantor disse ter sido por acidente, não para se “matar nem nada. Foi frescura, estava bêbado”, foi sua explicação. Por acidente ou não, Renato estava depressivo e parecia estar fazendo um balanço de toda a vida, que lhe passava diante dos olhos, e “Índios” parece ter sido a válvula de escape da época: preto no branco tudo o que ele sentia em relação à vida e ao mundo naquele momento. Foi assim que, a cada estrofe, o cantor citou vários e complexos problemas, não só dele, mas de toda a humanidade.legiao-dois

A primeira estrofe da música faz alusão aos próprios índios colonizados: Quantas pessoas nos roubam nossa essência e dizem que, ao nos doarmos, estamos dando uma prova de amizade: o ouro dos antigos índios?

Os índios só são citados novamente na 12ª estrofe, já próximo da conclusão, dessa vez fazendo alusão ao fato da “inocência”, em seu sentido mais amplo, nos tornar alvos de pessoas corruptíveis, o que nos faz facilmente domesticáveis. Mas a inocência não era pra ser algo bom?

O que estas estrofes querem dizer é que somos todos índios nas mãos dos colonizadores: constantemente enganados, comprados e escravizados, tudo em nome do nosso próprio bem.

Mas não é dos índios que quero falar aqui. Então passemos adiante.

A terceira estrofe é uma das mais interessantes: quem de nós consegue explicar o que ninguém consegue entender? E já pararam pra pensar que os fatos do passado teimam em se repetir no futuro? E os versos mais interessantes: “o futuro não é mais/como era antigamente.” Nestes últimos versos, Renato fala de sonhos e planos que, por mais que os realizemos, nunca são como realmente queríamos. Nosso futuro nunca será exatamente da forma como sonhamos ser.

Os sonhos são citados novamente na décima estrofe. Dessa vez um sonho coletivo: a felicidade plena de todo o mundo. Como realmente seria bom para nós, mesmo que não fosse verdade, “acreditar/ que o mundo é perfeito/ e que todas as pessoas/ são felizes.” Seria um alívio para os mais sensíveis corações humanos, pelo menos “por um instante”.

E o culpado de tudo isso, Renato só apresenta nos dois últimos versos da quinta estrofe: “nos deram espelhos/ e vimos o mundo doente.” Eis que o tumor do mundo está em nós mesmos. Basta olharmos para nossa própria face e veremos que não é a ação de terceiros sobre nós, mas também a ação de nós sobre os outros. Não é só o mal que nos causam, mas o mal que causamos!

E isso nos leva ao assunto principal a ser abordado aqui: o porquê da corrupção da inocência, da frustração diante dos sonhos realizados e da ganância e materialismo citados em outras estrofes da música. A culpa que deriva de nós e nos é apresentada no refrão. Afinal, quem é o “você” pelo qual o cantor suplica no refrão de “Índios“?

renato-russo-2“Eu quis o perigo/ e até sangrei sozinho./ Entenda!/ Assim pude trazer/ você de volta pra mim.” É este “você” o único capaz de entendê-lo, “do início ao fim”. Outra parte interessante do refrão é quando Renato diz sentir saudades de tudo o que ainda não viu. Ou seja, de um futuro que nunca existiu, a não ser nos sonhos. E o único capaz de curar essa saudade, seria o mesmo “você” citado acima.

Os dois primeiros versos do refrão são fáceis de entender. Renato havia cortado os pulsos e sangrara sozinho em busca de alguém. Alguém que conseguisse curar suas frustrações. Mas quem? A resposta está nas 6ª e 11ª estrofes, respectivamente:

“Quem me dera
Ao menos uma vez
Entender como um só Deus
Ao mesmo tempo é três
Esse mesmo Deus
Foi morto por vocês
Sua maldade, então
Deixaram Deus tão triste.”

“Quem me dera
Ao menos uma vez
Fazer com que o mundo
Saiba que seu nome
Está em tudo e mesmo assim
Ninguém lhe diz
Ao menos, obrigado.”

Sim, a conclusão é exatamente essa: homossexual, alcólatra e viciado em drogas, depressivo e solitário, mesmo rodeado de sua legião de fãs, Renato Russo, naquele momento quase derradeiro, se apegou a Deus. O Deus Único, Católico ou Protestante, não importa.

Renato pode não ter confessado em entrevistas, mas confessou em sua música o motivo daquela tentativa de se matar. Ele estava só. Aquela solidão que nenhum ser humano é capaz de preencher. Renato Russo se sentia afastado de algo superior que antes dava um sentido maior à sua vida. Talvez essa conclusão seja um bocado pretenciosa, mas é apenas a interpretação deste simples orc perante a mente genial de um Monstro da música. No início, a própria conclusão da música parece ser irônica, mas ao fim ela se mostra bem sólida em seu caminho.

Além de um desabafo, “Índios” é um espelho. Ouvir a música nos faz pensar em nós mesmos. Afinal, os males do mundo estão em nós. Todos temos as mesmas frutrações. Nos doamos e nada ganhamos. E quantas vezes nos doam sem nada darmos em troca. Sonhamos e nunca realizamos, pelo menos não como deveria ser. Nos frustramos, nos frustramos e nos frustramos. Em maior ou menor grau, eis o eptáfio de todo ser humano.

Quanto ao motivo pelo qual a música se chama “Índios”, talvez eu não saiba responder, mas Renato, uma vez indagado sobre isso, respondeu: “Essa música não fala sobre índios. Fala sobre ‘Índios'”. E quem são os índios? E quem somos nós?

Leia também as análises de:

Geração Coca-cola

Daniel na Cova dos Leões

*ABAIXO SE ENCONTRAM, PARA MELHOR ENTENDIMENTO DO LEITOR, UM CLIP DA MÚSICA E SUA LETRA:

 

“Índios”

Quem me dera
Ao menos uma vez
Ter de volta todo o ouro
Que entreguei a quem
Conseguiu me convencer
Que era prova de amizade
Se alguém levasse embora
Até o que eu não tinha

Quem me dera
Ao menos uma vez
Esquecer que acreditei
Que era por brincadeira
Que se cortava sempre
Um pano-de-chão
De linho nobre e pura seda

Quem me dera
Ao menos uma vez
Explicar o que ninguém
Consegue entender
Que o que aconteceu
Ainda está por vir
E o futuro não é mais
Como era antigamente.

Quem me dera
Ao menos uma vez
Provar que quem tem mais
Do que precisa ter
Quase sempre se convence
Que não tem o bastante
Fala demais
Por não ter nada a dizer.

Quem me dera
Ao menos uma vez
Que o mais simples fosse visto
Como o mais importante
Mas nos deram espelhos
E vimos um mundo doente.

Quem me dera
Ao menos uma vez
Entender como um só Deus
Ao mesmo tempo é três
Esse mesmo Deus
Foi morto por vocês
Sua maldade, então
Deixaram Deus tão triste.

Eu quis o perigo
E até sangrei sozinho
Entenda!

Assim pude trazer
Você de volta pra mim
Quando descobri
Que é sempre só você
Que me entende
Do início ao fim.

E é só você que tem
A cura do meu vício
De insistir nessa saudade
Que eu sinto
De tudo que eu ainda não vi.

Quem me dera
Ao menos uma vez
Acreditar por um instante
Em tudo que existe
E acreditar
Que o mundo é perfeito
Que todas as pessoas
São felizes…

Quem me dera
Ao menos uma vez
Fazer com que o mundo
Saiba que seu nome
Está em tudo e mesmo assim
Ninguém lhe diz
Ao menos, obrigado.

Quem me dera
Ao menos uma vez
Como a mais bela tribo
Dos mais belos índios
Não ser atacado
Por ser inocente.

Eu quis o perigo
E até sangrei sozinho
Entenda!

Assim pude trazer
Você de volta pra mim
Quando descobri
Que é sempre só você
Que me entende
Do início ao fim.

E é só você que tem
A cura pro meu vício
De insistir nessa saudade
Que eu sinto
De tudo que eu ainda não vi.

Nos deram espelhos
E vimos um mundo doente
Tentei chorar e não consegui.

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45 respostas em “Índios Frustrados*

  1. Oi!!!

    Cheguei aqui a partir do blog Leituras & Releituras, da Míriam Fajardo…
    Me encantei com tua proposta… os Contos do Covil!
    Vou indicar teu espaço para minhas (meus) alun@s do curso normal…

    Com certeza, andarei sempre por aqui…

    Abraços!

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  2. É oreiudo… sou tarada por legião e vim parar aqui através dos blogs diversos do Edu. Amei a interpretação. É fantástica, é viajada sim, mas tudo em cima da lógica! Parabéns menino!
    bjão

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    • Leia 1984 george orwell e vc entenderá a música “Indios”

      Winston desamarrou o barbante que servia de cinto ao macacão. Havia muito tempo que se fôra o zip, violentamente arrancado. Não podia se recordar de nenhuma ocasião, desde que fôra preso. em que se despira totalmente. Por baixo do macacão, tinha o corpo enrolado em imundos trapos amarelados, mal reconhecíveis como restos de roupa de baixo. Ao largá-las no chão, viu que havia no extrêmo do aposento um jôgo de três espelhos. Aproximou-se dêle e parou de repente. Um grito involuntário lhe rompeu dos lábios.
      – Anda – disse O’Brien. – Cola-te entre os espelhos. Poderás te ver de lado, como de frente.

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  3. Estou trabalhando o processo de colonização das américas com uma das minhas turmas e seu post me inspirou para uma aula. Vou passar o clipe e a letra para os alunos e pedir que eles escrevam um texto contextualizando a música e a história.
    Obrigada pela inspiração

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  4. Pode ter se empolgado um pouco ao falar o que a música fala para vc… na verdade acho que cada ouvinte, se for um bom ouvinte consegue dela tirar inúmeras interpretações a cada escutada…
    Mas não discordo da tua opinião… apenas acho que ela é uma entre as mil existentes…. ela cabe em inúmeros momentos de revolta, de tristeza de libertação… ela fala por si e não precisa de real interpretação… mas toda interpretação é válida…
    E tua forma de interpretar me fez parar por aqui e te visitar com frequência.

    Sou viciada em legião… sou apaixonada ao extremo… pra mim, é quase hino!
    <3

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  5. Boa explicação, me faz pensar que tudo aquilo que já interpretei estava errado e que escutando ela novamente após ler pensei de forma mais matura sobre algo que eu sempre gostei.
    Parabéns e gostarei de ver outras interpretações desse e outros artistas.

    Vinicius(limpe), Eternamente Legionario.

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  6. Cara, achei alguns problemas dessa sua interpretação.

    Ele não escreveu a música para “desabafar” dos momentos de dor dele, uma vez que a música não foi escrita assim de uma hora para outra. Na verdade, ele levou anos e anos para ser feita.

    Toda a música é a fala de um índio diante de um colonizador. Não é o Renato falando, mas um eu-lírico dele.

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    • A música é um desabafo metafórico e o eu-lírico sempre é um eu metafórico.

      Tanto é que o próprio título da música é apresentado entre aspas, o que dá a entender que dá a entender que a palavra usada não é bem o que ela diz ser.

      Além do mais, o “você” nada tem a ver com o “colonizador”, com quem o índio narrador estaria conversando.

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      • Quando ouvia música, eu interpretava como se o “você” da letra fosse o Deus da tribo que índio venera, pq quando ele diz “Eu quis o perigo e até sangrei sozinho/ Entenda, só assim pude trazer você de volta para mim”, eu achei que ele estava falando de uma fuga da escravização… =s

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    • vc está errado querido. após sua tentativa de suicídio estava o dado e o bonfá dic q faltava uma musica para fechar o disco.ele com faixa no pulso se trancou em seu quarto e dic q não queria ser incomodado para não irem embora a mãe e o pai de Renato estavam juntos. Esperaram e ele saiu com a letra prontinha e quentinha. isso saiu da boca do próprio bonfá. e quanto a interpretação não vi problema ela foi correta,precisa e perfeita. então faça vc mesmo a sua para compararmos se vc conseguir é claro.

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  7. Gostei de sua interpretação da música, sou professora de história e estou levando letra e música pra sala de aula hoje, vou deixar meus alunos “viajarem” nela.

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  8. “eu quis o perigo, e até sosinho entenda…assim pude trazer vc de volta pra mim…(jesus aceitou os pecados do mundo para só assim nos salvar)
    “Quem me dera Ao menos uma vez Entender como um só Deus Ao mesmo tempo é três” ( pai, filho e espirito santo)
    Quem me dera Ao menos uma vez Explicar o que ninguém Consegue entender Que o que aconteceu Ainda está por vir ….(a segunda vinda de cristo….o segundo advento)
    Quem me dera Ao menos uma vez Fazer com que o mundo Saiba que seu nome
    Está em tudo e mesmo assim Ninguém lhe diz Ao menos, obrigado. (ta falando de Deus…o Seu nome ta em tudo…ninguem agradece ….
    bom…..interpretação é bem pessoal, mas eu discordo na maioria dos estroes que você…..é isso q torna espaços como esses legal. um abraço e Jesus te abençoe.

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    • Não deixa de ser uma interpretação parecida, Vitor.
      Só discordo de algumas partes, principalmente a do “eu sangrei sozinho”, pois claramente ela faz menção ao próprio Renato e sua então recente tentativa de suicídio. E a fonte dessa informação foi o documentário da Globo “Por Toda a Minha Vida”.
      A Sagrada Trindade eu concordo. Não a citei pois é bem óbvia e não achei necessário, mas é bem isso que você disse.
      “O que aconteceu ainda está por vir” bem poderia mesmo fazer referência a Cristo. Nunca tinha pensado nisso e é bem interessante. Porém o verso seguinte “e o futuro não é mais como era antigamente” explica tudo de uma forma diferente. Na verdade ele fala de sentimentos e deja vús, como na música de Cazuza na qual ele diz “eu vejo um museu de grandes novidades”, ou seja, nada muda, as coisas sempre se repetem, nada é novidade no meundo.
      Enfim, as músicas de Renato aceitam diversas interpretações, e o espaço aqui está aberto mesmo para isso! Espero que volte mais vezes.

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      • “Eu quis o perigo
        E até sangrei sozinho
        Entenda!

        Assim pude trazer
        Você de volta pra mim”

        Acredito que ele realmente fale sobre Jesus nessa parte da música (assim como em muitos outros versos).
        O “eu” quis o perigo e sangrou sozinho, para que assim pudesse trazer o “você” de volta para ele.
        Isso bate perfeitamente com o que prega o cristianismo sobre a morte de Jesus na cruz.

        Em outra parte:
        “Quem me dera
        Ao menos uma vez
        Como a mais bela tribo
        Dos mais belos índios
        Não ser atacado
        Por ser inocente.”

        Acredito que novamente faz menção a Jesus, atacado pelos ‘índios’ de Jerusalém (que teria sido a mais bela tribo, eleitos por Deus) apenas por ser inocente.

        Mas provavelmente também viajei… a verdade, só o próprio Renato poderia dizer… ;)

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  9. Não sei se pode ser isso, mas uma vez li numa revista de psicanálise (leiga que sou) um artigo que comentava sobre uns índios que cortavam a garganta por não quererem mais falar, porque a fala era a morada da alma, e eles já não queriam mais pertencer ao mundo desumano que estava tomando de conta das suas culturas.
    Renato tentou suicídio. Sei lá se ele sabia desses índios e misturou aí na música, com a própria voz. (Renato lia demais)

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  10. Sua interpretação de “Ìndios” e deveras intereçante, principalmente por estar bastante contextualizada e nao tratar-se apenas de espelculações vagas.
    A parte que fala sobre o verso “ofuturo não é mais como era antigamente”, é realmente uma grande sacada(das pessoas que discuto sobre legião urana, 1 de 5 concordou comigo quando cheguei a essa conclusão). Só acho que foi longe demais em algumas partes, mas afinal pontos de vista são o q são ate que mudem. etc..etc..etc
    Em fim so tenho a dizer que escreves muito bem e queria te fazer uma pegunta:

    Sendo renato um grande criador de metaforas melodicas, oq devemos fazer- dismistificas as musicas para as pessoas que ñ conseguem ou estão tentando, tornado nossas conclusões pessoais as delas ou permanescer estaticos deante de interpretações “erronea”

    Não estou criticando oq você fez, nem dizendo para não publicar mais textos semelhantes, so acho que é um questionamento valido para reflexão

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    • Não discordo da sua sugestão, Heliton.
      Eu mesmo achei uma grande ousadia de minha parte tentar interpretar textualmente uma das maiores metáforas do Renato: “Índios”.

      Bem disse ao fim do artigo, é uma conclusão pretenciosa, mas humilde diante da grandiosidade do músico.

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  11. concordo com todos vocês o Renato era um ótimo cantor e compositor,mas tinha muitos problemas sentimentais e não acredito que cortou os pulsos por acidente ele queira se matar por algum problema que não quis revelar.
    Segundo especialistas os índio que Renato falava na música éramos nós.

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  12. a música índios de Renato Russo foi composta após uma tentativa de suicpidio,o que trasparece no verso “eu quis o perigo e até sangrei sozinho…”.De acordo com especialistas,Renato dizia que a música não era sobre “os índios” e sim sobre “índios’

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  13. Primeiramente, sou obrigada a te parabenizar pela interpretação!
    Considerando todo o contexto da musica, tudo o que voce diz faz sentido !
    A letra é muito intrigante, faz pensar , refletir. Mesmo depois de ter escutado essa música muuitas vezes e ter tido diferentes impressões em cada uma das vezes que a ouvi, tua interpretação me fez analisar tudo de novo. Principalmente quanto à essa questão de se sentir só. Um vazio interior talvez , um sentimento de insegurança com relação ao futuro e impotência com relação ao presente.
    E sim, a conclusão é bastante pretenciosa, mais eu concordo com ela ! haha
    mais uma vez, parabéns !

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  14. Olá, Cristiane! Que bom que gostou da minha análise e que concordou com ela! Fico feliz em saber que meu texto está servindo para os fã tenham uma melhor visão (ou uma interpretação alternativa) sobre a música de Renato!
    Espero que volte sempre ao Covil!
    Abraços!

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  15. Muito, mas muito itneressante tua interpretação! Sob o meu olhar, quando Reanto fala: “e é só você que tem a cura pro meu vício de insistir nessa saudade que eu sinto de tudo que eu ainda não vi” Penso que ele reconhece em Deus a unica possibilidade de encontro com um Real paraíso, impossível ao homem por isos a dependência de Deus.

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  16. PS: Te amei e amei tuas interpretações! Po faz uma de Sampa! Talvez tenha te gostado (rsrsrsrs) por que “narcizo acha feio o que não éspelho e a mente apavora o que ainda não é mesmo velho nada do que não era antes quando não somos mutantes!” penso que me encontrei em tuas formas de itnerpretar que NÃO VEJO como óbvias, “Pois a arte nos aponta uma resposta e é preciso SIMPLICIDADE para fazê-la florescer!

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    • Olá, Cintya! Tantos elogios me encabulam! hehe
      Mas fico feliz que tenha gostado de minha interpretação de “Índios”.
      Quanto ao que me pediu, até posso tentar, porém, apesar de gostar muito, não sou um entusiasta de Caetano e Sampa é uma música bem biográfica. Teria que conhecer bastante da história do compositor para entendê-la melhor, além do óbvio que se percebe ao lê-la pela primeira vez.
      Já a última citação que você fez, do Montenegro, está incompleta. hehe
      A frase inteira é: “Que a arte nos aponte uma resposta, mesmo que ela não saiba. E que ninguém a tente complicar, porque é preciso simplicidade para fazê-la florecer.” E sobre este, sim, eu escreveria com muito prazer, pois sou apaixonado pela obra de Oswaldo Montenegro! Faz parte da minha vida quase tanto quanto Renato Russo.

      Espero que volte mais vezes e comente mais!
      Grande abraço!

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  17. Na parte da música: nos deram espelhos e vimos um mundo doente… numa perspectiva histórica, podemos dizer que se trata do “escambo” realizado para que os colonizadores portugueses explorassem o pau-brasil e outras riquezas, em troca dos espelhos para a “ilusão” das índias, tendo em vista sua inocência/ingenuidade ou curiosidade perante o diferente. E essa troca continua acontecenco com os novos “índios”, uma herança bem antiga que insiste em se repetir em nossa história!
    Bem, é só mais uma interpretação… o que você acha?

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    • Olá, Lilian!
      Primeiramente, obrigado pela visita e pelo comentário.

      Como bem lembrou nosso amigo Rodolfo ali acima, a música se refere às palavras de um índio ao seu colonizador. Então, sim, de maneira direta e concreta, os espelhos fazem menção aos presentes dados aos índios pelos colonizadores – assim como várias partes da música podem assim também ser interpretadas.
      A intenção, no entanto, era buscar a metáfora, o abstrato por detrás da narrativa concreta da música.

      Mas como disse o Heliton ali acima, cada um busca suas próprias interpretações, algumas erradas, outras mais certas. Como disse Wilde, a arte reflete o espectador e não a vida, ou seja, a interpretação pertence ao observador. E somos milhões de observadores!

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  18. parabéns, uma boa interpretação isso nós mostra que todos nós sempre vamos uma hora pensar e até chamar ao unico DEUS… como ele fez num momento fragil da vida dele . E sobre nome “indioos” na musica como eu vi muitas pessoas falando que é por causa de nossos indios que foram roubados no passado . Não é esse indio que ele expoe na musica e sim nós mesmos . um grande abraço

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  19. Fantástica interpretação.
    Estou a muitos anos impregnada a canção ” índios”, sei bem ao certo o que você disse e senti toda a emoção que ela é capaz de causar. Quando atingimos um estagio em nossa vida onde nada tem sentido e que os nossos erros são maiores que nossos acertos, o peso de indignação por colecionarmos tantos méritos por esses mesmos acertos sem sermos merecedores de nenhum nos mostra bem ao certo que caminho temos de seguir. Desejo ardentemente todos os dias com a real realização dos sonhos de tudo aquilo que ainda não vivi e que sei que só serei feliz quando realiza-los por completo, mas tenho consciência que jamais conseguirei sozinha. O Renato descobriu isso, ele venceu na tarefa de entender que ‘SÓ’ ele nunca esteve e que só Deus é capaz de curar os vícios de insistirmos em sermos felizes a qualquer custo.Só seremos felizes quando curarmos a podridão que há dentro de nós. Os males do mundo está em nós! Quem tiver duvidas a respeito disso que se olhe nos espelho e tire sua própria conclusão. Um abraço!

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  20. concordo plenamente com sua interpretação e posso até complementar . A parte em q ele canta ” Eu quis o perigo e até sangrei sozinho entenda/assim pude trazer você de volta pra mim.” Se vc for na Bíblia vc vai entender bem q Renato na verdade está falando de Jesus q sendo Deus se fez homem correndo assim todos os riscos q a humanidade está sujeita, morreu de morte em cruz sozinho pois naquele momento a palavra fala q por expiação ele teria q sentir tudo aquilo sozinho, e tudo isso pq( minha tecla de interrogação está com defeito) pra trazer a humanidade de volta ao relacionamento com o Pai o único q agora de uma vez por todas pode entender e nos dar tudo q precisamos através de Jesus O Cristo.

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  21. Concordo plenamente com a sua interpretação. Infelizmente, pelo mundo não oferecer musicas de qualidade, as pessoas quando expostas a esse tipo de música simplesmente não entendem. Renato Russo era uma pessoa com um conhecimento muito grande, e por isso em suas músicas ele recorre a fatos históricos ou as vezes faz referências a Bíblia e a Deus.

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  22. Excelente interpretação. Renato Russo era um excelente compositor e tinha muito conhecimento. Por isso que, primeiramente a música está dizendo o que aparece, mas se tratando de Renato Russo tem sempre um significado de fundo. Como você escreveu, ele faz referência a Deus, não somente nessa música, mas em muitas outras.

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  23. “Quem me dera ao menos uma vez
    Entender como um só Deus
    Ao mesmo tempo é três
    E esse mesmo Deus
    Foi morto por vocês
    Só maldade então
    Deixaram Deus tão triste”

    A referência é à Santíssima Trindade, mas é também às três grandes religiões monoteístas do mundo, que veneram o mesmo Deus mas vivem em guerra entre si. E o primeiro ato de hostilidade entre uma e outra foi quando os judeus mataram Jesus (que é Deus). A partir daí, foi só maldade. Cruzadas, holocausto, guerras no oriente médio até hoje, atentados terroristas. Tudo em nome de um mesmo Deus, e isso deixa Deus triste.

    Isso é algo que causa perplexidade a alguém inocente, puro, a uma criança. Acho que essa música de maneira geral se refere à perplexidade que o mundo causa a alguém jovem, que começa a perceber como o mundo é cruel. Pode-se talvez traçar um paralelo entre ela e “Homem Primata” dos Titãs, que fala da mesma coisa, mas de uma maneira menos sutil e mais agressiva.

    Enfim, os índios são inocentes, e o homem branco lhes rouba essa pureza (tudo bem que isso é algo meio rousseauniano, com o que não concordo muito). Isso de certa forma “passa” um pouco quando a pessoa encontra alguém para amar – isso alivia o desespero com o mundo. Seja Deus, seja uma outra pessoa. “É sempre só você que me entende do início ao fim”.

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  24. Renato próprio fala que essa é uma letra seríssima. Então é óbvio que não se trata apenas de uma canção de amor. Ele também disse em entrevista que era Católico Apostólico Romano. E o centro dessa música é JESUS CRISTO. Além de claro, comparar a inocência Dele com a dos índios.

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  25. Para mim Renato deu voz ao seu mundo interior em cada letra de suas músicas. Com ele nos adentramos num mergulho fascinante em meio a sua linguagem marcante, por muito séria, rebelde e até delicada. Que sem dúvida nos remetem a questionar padrões já estabelecidos. Seja no âmbito social, pessoal ou familiar. É lindo acompanhar suas canções de amor, pelas letras que soam puras e sinceras. Como também é estimulante seguir o ritmo e melodia daquelas palavras que por ele foram ditas como um grande desabafo, nas músicas de euforia conjunta. Um homem com imaginação, intuição e inspiração aflorada. Um grande mestre poeta que tentou desbravar seus próprios medos, desconsolos, solidão, timidez, estranheza, angústias por meio de seu compor e cantar ao mundo. Uma leva de gerações ainda prestigiam suas músicas. Pois em certas letras a canção cabe como uma luva nos dias atuais. Nos quais insistiremos em sentir saudade igual a dele, de tudo que ainda não vimos.

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  26. Na última linha da canção existe ” ” , ficando assim, “tentei chorar e não consegui”. Podendo ser conferido no encarte do disco e do CD. Certa vez em entrevista Renato afirmou ser uma afirmativa depois da canção já terminada. Quando esta foi tocada pela primeira vez para seus amigos, sendo estes Herbert do Paralamas, Dinho do Capital, Phillipe Seabra da Plebe entre outros, todos estavam emocionados no fim da canção. Dinho estava chorando de fato. Mas Renato afirmou que tentou chorar e não conseguiu.

    Nunca saberemos se foi assim de fato, ou só mais um grande conto criado pelo Renato.

    Na minha opnião creio ser verdade uma vez que os outros envolvidos ainda estão vivos.

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