Breve Intensidade

Absorvido por sua leitura de “Furacão Regina”
e pela recente mini-série da Globo “Maysa”,
Magá compõe mais um artigo,
desta vez falando sobre como a vida intensa de certas
celebridades acaba por matá-las,
na maior parte das vezes, cedo demais.
Enfim… abaixo está postado mais um belo texto do Magalhães.

elis-regina-e-maysa

Enquanto todo o país assistia os devaneios da cantora Maysa, na minissérie da TV, eu me pego absorvido na leitura da biografia de Elis Regina em Furacão Elis da jornalista Regina Echeverria. Se as semelhanças entre as duas é grande, a distância entre elas também é expressiva, no entanto, uma coisa chama a atenção em ambas: a breve intensidade de suas vidas.

Parece que as pessoas que vivem intensamente, como elas e como outros nomes da música, da literatura e da política são muito mais dos outros do que deles mesmos. Parece que a intensidade com que experimentam as coisas, as consomem, as expõem. Viver assim pode até ser bonito, mas também é doloroso. Leva rápido gente que admiramos, e só admiramos, por que são assim. São acima de tudo personagens interessantíssimas, um pouco perdidas, e sempre com uma pergunta à frente de suas vidas.

A resposta? Difícil de dizer, nem todo o sexo, nem todo o dinheiro e fama puderam lhes dar a paz que buscavam. Assim, acontece também conosco, meros mortais de um circo de fantasias chamado mundo. As pessoas intensas, são sobre tudo pessoas marcadas pela falta. Seres faltosos, isso, somos todos nós, mas alguns estão mais submetidos a elas. Desta forma, não raro, são essas intensas-faltosas-breves existências que têm as grande sacadas sobre o mundo. A grande dúvida de Cazuza no final de sua vida foi exatamente essa, será que se ele tivesse uma existência mais simples seria feliz? De novo, difícil responder, penso que se não fosse intenso e complexo não seria Cazuza, seria outra pessoa.

Enfim, a intensidade com que vivemos certas experiências são acompanhadas dos buracos que nossa vida apresenta. Quem se entrega aos excessos, está na verdade tentando se encontrar, e se encontrar é o grande desafio de nossas vidas. É o que tenta nos dizer Jacques Lacan, com seu côncavo e convexo. O lado convexo avança, a intensidade nos leva a experimentar coisas novas e fortes, andamos pra frente, aprendemos, muito. O lado convexo, o buraco, é que empurra nossas vidas para novas buscas para preencher o vazio dessa realidade côncova.

Elis e Maysa, uma história de intensidade que poderia ter durado mais tempo. E nós quanto tempo vamos durar nessa luta? Alguém arrisca pular fora?

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Uma resposta em “Breve Intensidade

  1. Olá,
    Navgando pelas ‘tags’, deparei-me com tua postagem, com a qual concordo em número, gênero e grau.

    Para mim, os maiores exemplos de vidas conturbadas/intensas foram Anais Nïn/Fida Kalo, Diego Rivera/Henry Müller. Percebo tantas similaridades entre elas/eles, que, apesar de terem profissões distintas, penso, por vezes, que são a mesma pessoa (ao menos, internamente).

    Quanto à felicidade, não acho que ela seja algo que se obtém, não acho que se pode vivê-la o tempo todo; acho que existem apenas ‘momentos felizes’.

    Recentemente, conversava com meu namorado e contei a ele o que achava da vida; que ela era 70% trabalho, 27% preocupações, 2% alegria e 1% felicidade. Esse 1% geralmente se apresenta (ao menos para nós, reles mortais) em momentos do cotidiano e passam-nos desapercebidos.

    A ‘chave’ para sentir-se bem seria, então, conseguir perceber esses momentos quando eles ocorrem, podendo assim vivê-los intensamente.

    Bom, paro por aqui, sou prolixa demais e sua postagem me fez ‘divagar’ um pouquinho….

    Abração [e perdoe a filosofia de almanaque :P ]
    o/

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