Aos Cem Anos de Solidão

O artigo a seguir é mais um enviado pelo Lucas Magalhães.
Depois de
Qualquer Coisa Universitária, esse seu novo texto tem
um assunto mais voltado para o tema coviliano,
abordando uma grande obra literária:
Cem Anos de Solidão, do escrito colombiano
Gabriel Garcia Márquez. Boa leitura!

Cem Anos de solidão. O leitor não se assuste com o nome desta magnífica obra da literatura mundial. É uma pintura com as palavras, é uma viagem para um mundo que à primeira vista está distante de nós. Mas ao poucos tudo se transforma e o leitor se torna mais um habitante da inusitada vila Macondo. Gabriel Garcia Márquez é um verdadeiro maestro que rege uma sinfonia longa, triste, feliz, delirante que causa em nós os sentimentos mais variados.

Ao compasso de cada capítulo o leitor descobre em si emoções diversas. Hora torcemos, hora choramos, hora nos enraivecemos, mas o mais surpreendente é que depois do décimo capítulo não somos mais leitores, somos cúmplices, somos espectadores silenciosos de uma platéia solitária.

É de fato uma leitura para poucos, sem ser enfadonha. Detalhista sem perder o foco da história.

O que dizer da família protagonista das páginas de Cem Anos de Solidão? O que dizer da matriarca Úrsula, que parece o espírito lúcido de um bando de insanos. O que dizer de José Arcádio Buendia? Uma alma insana, que sem intenção aspergiu o veneno da loucura em todos os membros de sua estirpe. O primogênito desse casal foi José Arcádio, e herdou toda inconseqüência de seu pai. Aureliano, o coronel de batalhas perdidas, seu irmão mais novo, tem a iniciativa de Úrsula e falta de juízo de José Arcádio Buendia. Amaranta, filha caçula dessa linhagem parece ter concentrado todo mal desse mundo em si, em sua chaga na mão esquerda, que só de imaginar sua atadura negra, nos causa comoção e medo. Uma chaga que não é só dela, mas de uma família que caminha em cem anos de contradições inteligentemente desenhadas ao longo da história da América Latina e do povo sofrido pelas opressões. São pessoas, somos nós, é o mundo caricato em uma vila. Macondo é o mundo e sua luta constante entre a insistência reticente e a desistência encorajada.

Seu autor, o colombiano e quase centenário Gabriel Garcia Márquez, tem neste livro uma de suas melhores performances. Foi vencedor em 1982 do prêmio Nobel de Literatura e é considerado o pai do jornalismo literário.

O grande final dessa obra é tão magnífico quanto toda a trajetória dos Buendia. Só posso dizer que é uma leitura, de fato transformante, causadora de reflexão. Cem Anos de Solidão, cem anos em 451 páginas de uma aventura alucinante. Falar desse livro é vago, são palavras que não alcançam a força dessa publicação nem sua profundidade. Pobres palavras essas que se quer tocam a sombra do gigantesco Cem Anos de Solidão.

Lucas Magalhães é estudante de Jornalismo e estagiário no Diário Correio do Sul
Este artigo foi originalmente publicado no Diário Correio do Sul, em Varginha-MG, em 11 de agosto de 2008

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