Somos Monstros

Frankenstein

Mary Shelley (1797-1851)Tudo começou com um desafio feito a Mary Shelley (1797-1851), então uma jovem de 21 anos, por Lord Byron. Na época, 1816, Byron propôs a Mary e seu marido que escrevessem um conto de terror, uma maneira de passar o tempo, já que suas férias estavam sendo consumidas intediantemente pelo mau tempo. Mary foi a última a dar início ao seu conto, que acabou baseado em um pesadelo que teve numa daquelas noites de chuva. E, dentre todos, o conto de Shelley foi o que mais surpreendeu e arrepiou. Insentivada a continuar, Mary Shelley desenvolveu ainda mais sua história e transformou-a em um dos mais conhecidos e celebrados livros da História: Frankenstein.

Victor Frankenstein era um jovem curioso, com sede de conhecimento, apaixonado pela ciência, intrigado com os segredos da vida e louco para deixar sua marca no mundo. Havia aprendido sozinho em casa sobre as fantasias da Alquimia, no entanto apenas na universidade ele foi descobrir que toda sua bagagem de conhecimento estava ultrapassada há muito. Acabou se tornando um aluno exemplar, dedicado à química e à biologia. Foi assim que, sozinho em seu laboratório em Ingolstadt, Victor deu início à sua criação, misturando seus conhecimentos teóricos de fisiologia e filosofia natural com princípios de mecânica, decido a descobrir se o princípio que mantinha animado o corpo poderia pernecer mesmo após a morte. Como Victor fez isso, todos já sabemos: deu vida a uma criatura formada por partes de cadáveres, de tamanho descomunal (cerca de 2,5m de altura) e aparência horripilante. E é aqui que dá-se início ao grande trunfo da história!

Ao despertar da Criatura, Frankenstein acaba por cair na realidade vendo como era realmente feia sua criação, com seus membros desproporcionais, seu olhos aquosos e amarelos, incompleta a ponto de seus tecidos nem sequer cobrirem todo o corpo, deixando à mostra músculos e ossos. Desesperado e com medo, arrependido de sua audácia, Victor abandona sua Criatura, decaindo num súbito acesso de náusea e lucidez.

Frankenstein por Robert De NiroPobre Criatura, um ser vazio de conhecimentos, ignorante em relação ao convívio social, solto num mundo de pessoas preconceituosas e indiferentes. A personificação perfeita da famosa teoria de Rousseau, a do “bom selvagem”, que diz que todo o homem nasce “puro” e é corrompido pela sociedade violenta, viciosa e materialista. Quem lê a história de Frankenstein espera encontrar terror, suspense e aventura, onde um monstro estaria a solta para destruir e matar. No entanto descobre um mundo onde nós humanos somos totalmente repugnantes e no qual o único ser que realmente tem algum valor é o monstro excluído por todos. Poucos livros retratam tão bem a indiferença humana e a nossa mania de dar mais valor às aparências do que aos sentimentos, carater e virtudes.

Mary Shelley escreveu uma autêntica obra-prima da literatura universal, um romance capaz de despertar no leitor a pena e a compaixão por um monstro e a repugnância de nossa própria raça. Uma lição que ainda não foi aprendida, mesmo depois de quase 200 anos.

Ficha Técnica

Título: Frankestein (Frankenstein; or the Modern Prometheus)
Autor: Mary Shalley
País: Inglaterra
Publicação Original: 1818
Publicação Lida: Martin Claret Editora, 2001

Anúncios

10 respostas em “Somos Monstros

  1. Pingback: Drácula - A História Real é mais Legal! « Covil do Orc

  2. Pingback: O Enterro « Contos do Covil

  3. o que chama a atenção é que o livro foi escrito por uma mulher, por ter como tema rituais de medicina e criação de um monstro.
    em seguida o lado terno e humano do “monstro” nos faz entender que o tema foi escrito por uma mulher. Apenas o sexo feminino tem facilidade em expor este sentimento.

    Curtir

  4. Snaga, ja que vc gostou do Frankenstein tenho um filme que pode te interessar se chama ´´O Homem Elefante“é um filme meio antigo e em preto e branco mais vale a pena por que mostra muito bem sobre esse lado repugnante nosso sem dizer que é baseado em fatos reais

    Curtir

  5. Sem querer ser chato, mas há um pequeno erro de datação logo no início do texto. Acredito que a data seja “1818” e você colocou “1918”.
    Adorei conhecer esse fato aqui descrito, muito interessante. Este site como um todo é fantástico ! Parabéns !

    Curtir

    • Olá, Guilherme!
      O texto está no ar há mais de 5 anos e só hoje alguém percebeu o erro. haha
      Obrigado.
      Refiz a pesquisa e corrigi o texto. Na verdade, 1818 é a data de publicação original do livro. A reunião do casal Shelley com Bayron e Polidori ocorreu ainda dois anos antes, em 1816. Agora está corrigido.
      Mais uma vez obrigado, não só pela correção, mas pelos elogios também!
      Abraços!

      Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s