Dinheiro Cai do Céu

Fim da Linha

Uma tribo de índios em greve, um bebê sequestrado num shopping de São Paulo, um deputado corrúpto que já ganhou 1313 vezes na loteria, um grupo de velhinhos motociclistas, um reporter que há muito não ganha dinheiro com suas matérias, uma mendiga surda-muda, um catador de papel com vários parafusos a menos. Tudo isso e mais um pouco é o que forma o filme Fim da Linha, do diretor Gustavo Steimberg, que entra em cartaz dia 7 de março em São Paulo e no Rio. Uma comédia crítica, com um humor inteligente e tema pra lá de interessante!Ontem foi a pré-estréia de Fim da Linha aqui na faculdade. Quem olha para o cartaz (cujo parte está aí no topo da notícia), pensa que o longa trata de pobreza, favela e coisas do tipo, como já é comum no atual momento do cinema brasileiro. Mas me surpreendi quando o drama virou comédia e arrancou gargalhadas das quase duzentas pessoas presentes.

O deputado Ernesto Alves (Rubens de Falco – morto na semana passada) precisa lavar milhares de reais que está em seu escritório e não tem idéia de como fazê-lo. Seu filho ameaça jogar tudo pela janela e é desafiado pelo pai. Daí em diante, devido a um telefonema anônimo, espalha-se pelos radio-taxis da cidade o boato de que está chovendo dinheiro em algum lugar de São Paulo e toda a confusão dá-se início. Um jornalista desempregado, Artur (Leonardo Medeiros), precisa de uma matéria exclusiva, mas, sem achar a chuva de dinheiro, resolve ele próprio forjar uma. Além destes, diversos personagens conduzem o filme a um paradóxo entre honestidade e corrupção, tentando definir onde começa uma, onde termina a outra.

Alheio a tudo isso está uma tribo de índios que não vai mais fazer a dança da chuva de graça e passa a cobrar por isso. Coincidência ou não, as chuvas cessam e as represas baixam. E vem o apagão! Com isso, um grupo de velhinhos motociclistas são privados de seu único passa-tempo: a TV.

Apesar do roteiro parecer confuso e ter núcleos demais, Fim da Linha é bem organizado, mostrando como é fácil se corromper quando o assunto é dinheiro. A crítica feita ao mundo consumista e capitalista, que são sempre maçantes nesses tipos de discurso, são tão bem trabalhadas, moldadas para serem divertidas, sob atos do cotiadiano elevados à mirabolância, que nem se percebe que estão ali.

O únicos problemas do filme são técnicos: cintilância demais na tela, enquadramentos ruins, péssimas composições de cenários internos e algumas atuações pobres. E uma única cena próxima ao final, quando Artur e o Deputado estão cara a cara, fica no ar, sem finalização, não conduzindo a conclusão alguma. De resto é tudo maravilhoso! Inclusive o título, que só fica claro ao final do filme, quando todo o roteiro se fecha o especador vê qual é realmente o “Fim da Linha”.

Quem quiser saber mais, acesse o site do filme, assistam ao trailer, participem da promoção. Vamos valorizar o cinema nacional (se isso não for apelo demais pro final do deste post).

2 respostas em “Dinheiro Cai do Céu

  1. Você tanto do filme durante o final de semana que estou super curiosa…vou pegar um dia da semana pra ir ver, nem que seja sozinha.

    O cinema nacional tem mudado muito, está mais atraente, ao menos quanto aos roteiros. Este me parece um que tem muito o que dizer, apesar de ser um pouco surreal, talvez por isso tenha me chamado tanto atenção.

    Bjs moço

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