Meu Primeiro Filme! Não Percam!!!

16 06 2009

Como já disse num outro post, a faculdade tem roubado todo o meu tempo e até mesmo toda a minha inspiração para escrever aqui.
Dentre outros trabalhos que tanto me estressaram, o principal foi este apresentado abaixo, o Projeto Integrado de 5 disciplinas que foi desenvolvido durante todo o semestre e está finalmente pronto!

Banner Barril

Barril de AmontilladoNa Itália do séc. XIX, Montresor, um jovem burguês, já não suporta toda a humilhação que sofria por seu “amigo”, o nobre Fortunato, sempre superior e arrogante; esnobe mesmo em seus momentos mais ridículos.

Decidido a acabar de vez com sua desonra, Montresor arma sua vingança e, com frieza e metódica, sob o pretexto de possuir um barril do raríssimo vinho de Montilla, consegue atrair Fortunato para sua vingança.

O Barril de Amontillado (Brasil, 2009) é baseado no conto homônimo de Edgar Allan Poe e foi produzido para as disciplinas de Direção de Arte, Roteirização, Design Sonoro, Edição e Direção de Fotografia do 5º período do curso de Rádio e Televisão da Universidade Metodista de São Paulo.

Com direção de Andrews Nascimento, Fotografia de Willian Melo e Direção de Arte de J. V. V. B. Militani (ou seja, eu, o Snaga), o filme conta com 3 minutos. Porém foi pré-produzido em duas semanas, produzido em 2 meses, gravado em 1 único dia e pós-produzido em 2 semanas.

Barril de Amontillado2Minha opinião? Modéstia à parte, a Direção de Arte é o carro chefe do filme. Ele é bonito, e só! Não digo isso por ter sido eu o Diretor de Arte, mas porque é a verdade. O roteiro possui grandes falhas (mesmo com o bom argumento que possuía originalmente), em parte pela má adaptação, em parte devido aos cortes obrigatórios para encaixarmos toda a história dentro dos 3 minutos exigidos pelo projeto acadêmico.

A Fotografia também, devo lembrar, é um espetáculo à parte. E a edição final, feita por Cristiano Siles salvou boa parte do filme, que contava com erros crassos. O resultado, deste modo, é um bonito filme, porém de difícil ou nenhum entendimento!

Portanto não percam: O Barril de Amontillado, com Diego Chimenes e Dionísio Pavan! Em julho, aqui no Covil, ou no YouTube mais próximo de você!!!

Para quem se interessar, o conto original pode se lido na sessão de contos aqui do Covil. Basta clicar aqui.

Abaixo, algumas fotos do dia de filmagens:

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Perfume de Mulher

21 05 2009

Texto de Lucas Magalhães

Perfume de MulherEm Perfume de Mulher (Scent of a Woman, EUA, 1992), um adolescente pobre do interior dos EUA tem a oportunidade de estudar num colégio de segundo grau importante e de alto nível de ensino. Ele é Charlie Simms interpretado por Chris O’Donnell. Simplicidade e ingenuidade levam Charlie a se juntar com alunos burgueses que aprontam uma cilada para o diretor do colégio.

A disciplina no colégio Baird e sua disfarçada hipocrisia deixam os amigos de Charlie revoltados. Assim, numa terça-feira de manhã, o diretor e o carro novo dele são acertados por uma grande quantidade de tinta que mancha o veículo e o ego do educador que passa por uma situação ridícula diante de muitos alunos.

Charlie, embora não tenha participado do plano, viu, ao sair da biblioteca onde trabalhava na noite anterior, quem armou tudo. Junto a outro aluno, são interrogados e ameaçados se não cooperar. Caso não ajudem a descobrir quem fora o autor do peça, Charlie e seu amigo serão expulsos, o que seria o fim dos planos de Charlie para o futuro.

Uma espécie de tribunal interno do Baird será instaurado na próxima segunda-feira, tempo que o diretor do colégio dá a Charlie para pensar se delata ou não seus colegas. Em troca o diretor oferece uma recomendação para que o aluno estude de graça em Harvad. O circo estava armado. Charlie se vê diante de uma situação em que terá que decidir entre entregar seus companheiros ou abandonar a escola.

No final de semana, Charlie consegue um “bico”. Ele precisa de dinheiro para ver os pais no natal. O serviço é cuidar de um idoso cego. O que parecia simples vai levar Charlie a experiências importantes e à chance de resolver seu problema.

Al Pacino interpreta um oficial reformado do Exército Americano, o Coronel Frank Slade. Frank está cego há cinco anos e deprimido. Tem planos de ir a Nova York e viver um último fim de semana de prazeres e depois se matar. Para ajudá-lo convence Charlie a ir com ele. Atrás de toda a ingenuidade do aluno do Baird está um coração puro que além de guiar o coronel nas suas loucuras, o convence a desistir do suicídio.

Perfume de Mulher2Com um final surpreendente, o filme mostra como um velho, cego e inválido oficial do Exército consegue enxergar a partir de Charlie, a razão para continuar vivendo. Diante do Tribunal do colégio, o Coronel auxilia Charlie a se livrar da expulsão sem delatar seus amigos. O discurso de Slade é fantástico vale a pena conferir os detalhes.

Razões e escolhas são as duas nuances que ajudam a interpretar o cenário da obra. Enquanto o Coronel Slade estava internado em seus próprios problemas ele não conseguia ver sentido para continuar vivo, mas ao encontrar e ajudar Charlie, o velho rabujento redescobre o valor que ele mesmo possui. Charlie é um olhar de esperança e amor em direção ao ex-oficial. Ele consegue ver no arrogante Coronel um fio de bondade e valor.

Entre outras coisas o filme mostra que vencer obstáculos na vida também depende de como somos vistos pelos outros. O Coronel conseguiu se livrar das trevas de sua vida a partir de um raio de esperança lançado pelo jovem estudante sobre sua vida. A moral da história é que se alguém acredita em nós, podemos superar nossos limites pessoais. Assista ao filme, vale a pena.





Mentes Perigosas

21 05 2009

Texto de Lucas Magalhães

Mentes PerigosasA história de Mentes Perigosas (Dangerous Minds, EUA, 1995) se passa num bairro da periferia de uma cidade do EUA, onde a maioria dos alunos são negros ou latinos. Todos nós sabemos, embora Obama seja o atual presidente dos EUA, como o preconceito racial é pesado naquele país. O sistema educacional Americano, “empurra” estas etnias para seus guetos e a discrimina. O estado sonega sua intervenção. Só se vê exploração e descaso da maior nação capitalista do mundo.

Nesta escola, existe uma sala em particular onde os piores dos piores alunos estão concentrados. Cerca de três professoras passaram pela turma sem nenhum sucesso, e, antes que um surto psicótico matasse uma delas, as professoras se demitiam. Salário baixo, trabalho ingrato e ninguém à vista para vaga, fizeram a direção da escola contratar a inexperiente professora Louanne Jonhson, interpretada por Michelle Pfeiffer.

Ela, uma ex-integrante da marinha americana parece ter sua vida reduzida à única coisa que lhe sobrou: lecionar. Louanne está em busca de reconstruir sua história e vai em busca da realização desse projeto. Mas o que ela não sabe é que ele lhe custará mais do espera. Assim, no primeiro dia de aula ela entra na sala e o cenário que vê é deprimente. Ao som de muito funk e rap, os alunos estão em plena desordem dentro do recinto. Ela mal consegue se comunicar e ainda é ameaçada de agressão por um aluno, Emíllio Ramirez.

A professora então parte para uma decisão importante, ela escolhe lecionar a qualquer custo. O caminho foi conquistar os alunos para então aí, com o caminho aberto, ensinar literatura e gramática inglesa. Bob Dylan dá uma forcinha, confiram…

Mas os desafios são grandes. Ela precisa mostrar aos alunos o contrário do que o sistema e sociedade americana ensinam. Que aquela escola e, especialmente, aquela classe, tem valor, ainda que ninguém acredite neles. Atrás de uma solução, Louanne estimula e cativa, mostrando a cada um dos alunos o quanto podem render, mesmo que o mundo diga que não. Ela é persistente e elabora os planos mais incríveis para conquistar sua turma.

Mentes Perigosas2Aos poucos, uma profunda amizade entre professora e alunos se forma, o vínculo é tão forte que Louanne empresta uma quantia em dinheiro a um aluno e dá abrigo a outro. Neste momento, quando ela esconde em sua casa Emílio Ramirez, o mesmo que a ameaçara no início do filme, começa uma das cenas mais interessantes da trama. Ramirez está sendo ameaçado de morte, ele passa uma noite na casa da professora e no dia seguinte, atrás de mais proteção, o aluno procura o diretor da escola; ícone de um estado medíocre e hipócrita, que manda Ramirez ir pra casa só por que não bateu à porta de seu escritório antes de entrar. Ramirez sai, e em seguida, a alguns metros da instituição é morto a tiros por um traficante.

Louanne se desespera e decide abandonar aquela escola. O vazio é grande, e a turma de alunos inteira, lamenta a morte do colega e a partida da professora

A cena a seguir é comovente, além de muito bonita, vale a pena ver. Numa interpretação fantástica, Michelle Pfeiffer (Louanne) se abate, mas os alunos promovem uma série de eventos para convencê-la a ficar. Bem, imaginem o final. Mas assistam ao filme, é tocante.

O poder de escolher, e a descoberta e valorização do ser humano são umas das principais lições desta obra. Fatores capazes de fazer-nos driblar as dores desta vida e vencer. A frieza de um estado injusto e preconceituoso, que só piora a vida de classes menos favorecidas, é claramente afrontada pela persistência e amor da professora Louanne Johnson. Ela é capaz de fazer seus os alunos enxergarem o caminho da vitória, por que vê neles sua própria história no ponto de partida para a reconstrução.





O Rei da Pilantragem

13 05 2009

SimonalWilson Sideral, aquele compositor mineiro? Não, não, é Simonal! Wilson Si-mo-nal!

Pois é, é bem diferente, né? Eu também nunca tinha ouvido falar dele. Pelo menos até ontem. E o que houve ontem? Fui convidado a assistir uma sessão especial de pré-lançamento do filme “Simonal – Ninguém Sabe o Duro que Dei” (Brasil, 2009), um documentário da Globo Filmes, dirigido por Micael Langer, Calvito Leal e o casseta Cláudio Manoel, e que estréia nesta sexta-feira, 15, nos cinemas de todo país.

Mesmo ali, na sala de cinema, antes do filme começar, não esperava muita coisa. Pensei que seria algo razoável e que Simonal seria apenas mais um artista que ficou perdido no tempo. No entanto minha surpresa diante do que vi só não foi maior que o talento do cantor!

Para aqueles que não o conhecem, e, muito provavelmente, qualquer um que tenha nascido após a década de 1970 realmente não o conhece, o Simona, como era chamado por alguns amigos, foi o rei dos palcos nos anos 1960 e 70. Ninguém era páreo para ele. E mesmo a Jovem Guarda, liderada por Roberto Carlos, ou a Tropicalha, de Caetano e Gil, foram suplantadas pela “Pilantragem” de Simonal.

Negro e de origem pobre, o cantor conhecia bem a discriminação da época. No entanto sua voz e seu carisma o tiraram da carreira militar, o levaram para os palcos das casas noturnas do Rio e, no auge do sucesso, para a tela da TV, onde teve seu próprio programa, o Show em Si …monal, na TV Record.

Porém tudo acabou repentinamente. Devido a um incidente com a polícia, um caso que nunca foi esclarecido, Simonal passou a ser acusado de informante do DOPS, o departamento do Governo Militar cujo o objetivo era reprimir quaisquer movimentos contrários ao Regime. Desde então Wilson Simonal passou a ser visto com outros olhos e falar em seu caso virou tabu entre os colegas do meio artístico. Até que foi totalmente esquecido, mesmo após o fim da Ditadura Militar. Ainda tentou voltar em meados da década de 1990, porém a lamentosa falta de memória do povo brasileiro já o havia olvidado completamente e Simonal morreu esquecido em 2000.

E é exatamente toda essa história que o documentário tenta resgatar, reconstruindo a carreira de Simonal desde o início e tentando anistiá-lo da acusação de direitista delator.

Simonal01 copyPara tal o filme conta com depoimentos de seus dois filhos, os músicos Wilson Simoninha e Max de Castro, e de ilustres amigos, como Chico Anysio, Castrinho, Pelé, Tony Tornado, entre outros. Além de pesquisadores e até mesmo inimigos de Simonal. Mas principalmente por imagens do próprio cantor, cedidas por emissoras de TV, as quais contam sozinha a história de Wilson Simonal e toda a grandiosidade de seu talento.

Simonal copyPara quem não esperava nada de um documentário brasileiro, eu saí do cinema emocionado e indignado. Emocionado com a voz incomparável e a capacidade ímpar de reger um coro de 30 mil vozes (ou 40, ou 50…). E indignado ao descobrir como um boato pode ser cruel a ponto de destruir um reinado inteiro.

Muito bem feito, “Ninguém Sabe o Duro que Dei” é um filme que merece ser visto por todo o povo brasileiro, pois contém em si um resgate não só de uma vida injustamente esquecida, mas de uma época em que a repressão calou todo um país, menos a voz de Wilson Simonal, o Rei da Pilantragem!

 

Para quem quiser saber mais sobre o filme, saber as salas de exibição ou mesmo assistir aos trailers, acesse os sites: www.moviemobz.com/simonal ou www.simonal.com





Borboletas e Tufões

5 02 2009

efeito-borboletaExistem escolhas certas? É possível saber, já no primeiro passo, qual o melhor caminho a ser tomado? A estrada de mão única do Tempo não nos permite perceber quais escolhas são certas ou quais são erradas. Mas e se fosse possível testar os caminhos antes de tomá-los definitivamente? Andar um pouco e voltar novamente ao início… Será que a vida seria melhor se pudéssemos manipular as ações tomadas no decorrer do tempo? Diz a Teoria do Caos (que explica o funcionamento de alguns sistemas físicos e matemáticos) que “algo tão pequeno como o rufar das asas de uma borboleta pode causar um tufão do outro lado do mundo”. É o fenômeno chamado “efeito borboleta”. Assustador, não? Mas em outras palavras, quer dizer que uma pequena ação hoje pode ter conseqüências gigantescas no futuro. Então será que realmente vale a pena testar esses caminhos?

Pergunte tudo isso a um físico ou um filósofo, talvez eles saibam responder. Ou então assista a Efeito Borboleta (The Butterfly Effect, EUA, 2004), que trata exatamente sobre esse tema: as conseqüências de pequenos atos tomados no decorrer da vida. Claro que o filme não resolve esse problema, porém ilustra bem o que nos poderia acontecer se pudéssemos manipular o Tempo.

Tudo começa com Evan (Ashton Kutcher) invadindo uma sala, se trancando lá dentro e escrevendo uma carta derradeira onde diz ser aquela sua última chance. Caso algo desse errado ele então estaria morto. Daí o filme salta 13 anos no passado, quando Evan tinha 7 anos de idade, e discorre por alguns momentos de sua infância e adolescência, até chegar novamente à juventude e voltar a Kutcher.

Apesar de ter Ashton Kutcher no papel principal, o que acende alguns preconceitos, afinal Kutcher é figurinha carimbada em comédias de segunda classe e besteiróis americanos, Efeito Borboleta é um filme sério, com um roteiro criativo e bem fechado.

borboleta4Até onde o filme nos mostra, Evan é um bom garoto, preocupado com os amigos e com a mãe, porém carente do pai, Jason (Callum Keith Rennie), que está internado em um manicômio. À parte essas questões, Evan tem um problema sério: lapsos de memória, o mesmo problema que enlouqueceu seu pai. A qualquer momento, independente da situação, a memória do garoto apaga, deixando uma lacuna de alguns minutos em suas lembranças. Recomendado por um médico, Evan começa a escrever diários para treinar sua memória. E só mais tarde, já na faculdade, estudando Psicologia, por acidente, o maduro Evan descobre poder acessar, através dos diários, suas antigas memórias perdidas. E não só, consegue também voltar sua consciência no passado e até mesmo modificar antigos fatos de sua vida. Em outras palavras, Evan descobre ser capaz de voltar no tempo!

A partir daí ele resolve consertar todos os erros do passado e fazer o máximo para melhorar a vida de seu grande amor, a vizinha Kayleigh (Amy Smart), que ele não via desde a infância. Entretanto, para sua surpresa, para cada pequeno ato que mudava em seu passado, um turbilhão de modificações acontecia em sua vida presente. A velha história do efeito efeitoborboletaborboleta citado acima. E a maior parte dessas mudanças não era nada boa.

Indo e vindo através de sua consciência, Evan nos ensina que o destino não existe. O sucesso ou a derrota estão nas mãos de cada um de nós e depende apenas de nossas próprias escolhas. É o Livre Arbítrio de cada ser. Além disso, Efeito Borboleta nos dá uma grande lição sobre o arrependimento: o que fizemos é conseqüência de nós mesmo, não pode ser mudado, mas pode ser vencido.

Repetindo a primeira pergunta deste texto: existem mesmo escolhas certas? Evan, ao fim de tudo, descobre que sim: a escolha certa é não interferir e deixar que o tempo conserte os erros passados de cada um.