2012 e sua Fórmula Mágica

20 11 2009

Imagine a fórumla A + B + C = Sucesso!!! Podemos representá-la de várias formas, invertendo os fatores (B + C + A = Sucesso) ou mesmo mascarando cada um deles: B + C + A, B + C + A, B + C + A. Não importa a ordem ou a máscara que usemos, os fatores serão sempre os mesmos e o resultado será sempre o Sucesso (ou não)! Pois bem, foi essa a fórmula mágica descoberta pelo diretor Roland Emmerich, que já a usou em filmes como Independecy Day e O Dia Depois de Amanhã, e agora a repete em 2012 (idem, EUA, 2009), seu novo filme catástrofe – que de “novo” não tem nada.

O longa conta as histórias paralelas de Adrian Helmsley (Chiwetel Ejiofr), o cientista americano que descobre com antecedência os fenômenos que culminarão no fim do mundo e toda a sua fraca labuta para que o governo dos EUA salve, mesmo que secretamente, o maior número de pessoas; e de Jackson Curtis (Jonhn Cusack), o escritor que descobre por acidente os segredos sobre o fim do mundo e dispara filme em frente para salvar sua família.

Baseado na teoria maia na qual o mundo acabaria em 2012, mas aproveitando muito pouco dessa idéia, que mal é citada no decorrer do longa, Emmerich conta uma história padrão, tão conceitual e repetitiva em filmes do gênero – nada que o espectador já não tenha visto em produções semelhantes. O mesmo pai divorciado de Guerra dos Mundos que tenta reconquistar o amor dos filhos; os mesmos tsunamis de Impacto Profundo e O Dia Depois de Amanhã; as mesmas cidades destruídas de Independence Day; as mesmas erupções de Volcano e O Inferno de Dante! Está tudo ali. Com um tempero diferente, um pouco mais salgado, porém o mesmo arroz com feijão de Hollywood.

Há ainda as cenas repetitivas que cansam o espectador. O famoso “enchendo lingüiça”! Primeiro os protagonistas fogem de carro, e o mundo desaba atrás deles. Depois de bimotor e o mundo desaba atrás deles. Em seguida em um gigantesco avião russo e o mundo (deja vu?) acabando atrás deles.

E o fato de que, indo na contra-mão de tudo o que poderia acontecer de caótico com a sociedade no meio de uma catástrofe, Emmerich, em todos os seus filmes, sempre coloca as pessoas se ajudando, como almas caridosas em um bom senso de conservação social – e não individual. O mesmo se repete em 2012. Até mesmo o empresário russo, o único que pode ser interpretado como antagonista, tem seu momento de redenção. Aliás, essa é a palavra que define todos os personagens e as situações da fita: ao fim, todos buscam sua própria redenção. Até mesmo o presidente negro busca se redimir por brincar de Deus ao escolher as almas que se salvarão e as que perecerão e por  não avisar toda a população a tempo (uma alusão descarada a Barack Obama e a situação em que assumiu o governo imperialista de Bush sobre o mundo).

Se “redenção” define as conjunturas do filme, “clichê” define o filme em si, por inteiro! Tão, mas tão clichê, que o espectador consegue antever todas as suas cenas: a rachadura separando os dedos de Deus e de Adão na pintura de Michelangelo, a ninfeta russa empinando o dedo do meio num momento de júbilo, a destruição do Cristo Redentor (afinal também há “redenção” em seu nome) e até mesmo o final com sua carga extremada de esperança – afinal não importam as desgraças, sempre há redenção e salvação.

Clichê! Chavão! Lugar-comum! Alienígenas, meteoros, aquecimento global e agora o vento solar! Uma Arca de Noé da Era Moderna! O estilo de filme que se vale pelos efeitos visuais e não pelo roteiro. Um filme que irá morrer e ser esquecido logo que adentrarmos no ano de 2013 incólumes. Vejamos por mais quanto tempo essa fórmula mágica de Emmerich continuará resultando em Sucesso. Pelo menos enquanto o público continuar aceitando essa mesmice do cinema catástrofe!





Um Faroeste Americano em Paris

9 11 2009

A crítica abaixo, escrita por mim,
foi publicada originalmente na revista
Minas de Cabo a Rabo, edição de novembro de 2009.

Banner Bastardos

Bastardos Inglórios copyQuentin Tarantino tem um modo extremamente peculiar de realizar seus filmes. Não só abusa de elementos tirados de histórias em quadrinhos, como também surpreende nas cores, enquadramentos e na montagem final do filme. Sem contar claro, a violência extremada, o excesso de sangue e os roteiros absurdos, tremendamente sarcásticos. É sabendo de tudo isso e ainda dando a Tarantino certa (ou grande) “licença poética” para contar sua história, que o espectador deve entrar no cinema e se preparar para assistir ao último filme de Quentin, Bastardos Inglórios (Inglorious Bastards, EUA, 2009).

O novo longa, que estreou no Brasil no último dia 23, conta uma história ficcional de fundo histórico, que se desenrola na França ocupada, por volta de 1944. Nele, Brad Pitt é Aldo Rayne, um tenente ianque que agrupa uma milícia formada por judeus-americanos, cuja missão seria desembarcar atrás das linhas inimigas e atormentar os nazistas, usando de táticas de guerrilha, muita crueldade e nada de honra. Além destes, Bastardos ainda conta a história paralela de Shoshanna Dreyfus (a belíssima Mélanie Laurent), uma judia que, após testemunhar a morte da família, consegue escapar viva e, aproveitando de uma oportunidade única, planeja se vingar dos nazistas – matando não só o assassino de seus pais como também todos os membros de Terceiro Reich.

Tarantino cria aqui um universo paralelo e caricato, com personagens que beiram o burlesco. A começar por Aldo, o Apache, que é descendente de índios. Sim, Brad Pitt, loiro e de olhos azuis, descende de índios – e exige de cada um de seus soldados cem escalpos nazistas! Além disso, ainda temos a francesinha judia que arrebata o coração de um nazista; o herói de guerra alemão que vira estrela de cinema; a atriz alemã que trabalha como agente dupla para a Inglaterra; e, não poderia faltar, o próprio Hitler, que fala aos supetões e com gestos largos, sempre irado e gritando.

Como é comum nas obras de Tarantino, Bastardos Inglórios também é dividido em capítulos, contando histórias paralelas que, ao se cruzarem, culminam num destino inesperado. No entanto, diferente de seus filmes anteriores, essa divisão parece não causar confusão ao espectador. Talvez porque o longa tenha poucos personagens e pouquíssimos cenários. Ao todo são apenas três cenários principais – onde ocorrem as cenas fundamentais – e alguns poucos que servem para quebrar a constância das imagens sempre iguais.

Hans Landa

Hans Landa (Christoph Waltz)

O “Capítulo 1” é, com certeza, o mais tenso. Só por ele já vale a pena assistir ao filme todo. É apenas um diálogo entre Hans Landa (Christoph Waltz) e um fazendeiro francês (interpretado por Denis Menochet), porém Tarantino consegue arrancar da cena toda a tensão que não só resume tudo o que virá a seguir, como também dá o tom das quase duas horas e meia de fita. Menochet consegue expressar muito com quase nada, uma curta, mas excelente atuação. Já Waltz é o terror em pessoa, mostrando toda a sua frieza e sagacidade que lhe daria o apelido de Caçador de Judeus.

Apesar de a crítica estrangeira cair pesadamente sobre a atuação de Pitt, ela nem está tão ruim. O ator faz bem o seu papel de ianque, o perfeito estereótipo do militar norte-americano, sisudo, convencido e dono de si. O problema maior para ele foi contracenar com Christoph Waltz, no papel do coronel nazista Hans Landa. Não importa o momento do filme ou com quem ele encena – seja nas horas de rigidez ou em seus instantes de ironia – Waltz sempre rouba o ato, chamando toda a atenção para si.

Aldo Ray

Aldo, o Apache - ele é índio!

Como já é habitual na filmografia de Tarantino, também neste filme acontece toda uma mistura de linguagens. Bastardos Inglórios tem muito de faroeste. Não só pela trilha sonora, com baladas de Ennio Morricone, mas também pelo fato de o personagem de Pitt descender de índios, escalpelar inimigos e ainda ser inspirado em atores como Aldo Ray (comparem os nomes) ou mesmo John Wayne. Outras características lembram muito os westerns americanos, como a divisão clara entre mocinho e bandido; a exaltação do bandido sobre o herói (Waltz tem muito mais destaque que Brad Pitt) e as cenas de duelo, com personagens se encarando sempre de frente.

Um destaque extra vai para os enquadramentos singulares do longa. E mesmo que tenham um dedo de Tarantino, o elogio aqui fica para Robert Richardson, o diretor de fotografia (vencedor do Oscar em 2005 pelo filme O Aviador). Os ângulos das tomadas são criativos e o cenário muito bem enquadrado. Um deleite a mais, que ajudou bastante a enriquecer o roteiro.

A conclusão é uma só: Bastardos Inglórios é um disparate do começo ao fim. Portanto se sua intenção ao ir assisti-lo é ver um filme sobre a Segunda Guerra, esqueça! A época e o local estão certos, porém aquela não é a Segunda Guerra, é apenas uma maluquice saída da mente perturbada de Tarantino. A coisa toda é tão absurda, que ao fim torna-se divertida e esse parece ser o principal intuito do longa: entreter. E nada mais. Nesse ponto, porém, Tarantino nunca erra.





Perde-se um Herói

9 11 2009

BesouroCovilOs chineses são exímios cineastas quando os temas de seus longas são suas artes-marciais. Diferentes dos filmes de pancadaria hollywoodianos (os Van Daimes da vida), longas como O Tigre e o Dragão ou O Clã das Adagas Voadoras se bastam apenas por suas sequências de luta, tornando essa arte milenar algo belo de se ver, misturando-as à trama e ao drama dos personagens. Os roteiros podem até ser um pouco confusos, mas suas lutas contam uma história própria. Sem contar o design e a fotografia, que compõem quadros belíssimos em seu decorrer.

Ora, se o kung-fu dos chineses – considerado uma arte milenar – e as belezas naturais da China podem ser tema e cenários perfeitos para se contar belas histórias, porque a nossa capoeira (também muito antiga) e os paradisíacos cenários brasileiros não podem também servir de enredo para um clássico filme de ação, aventura e artes-marciais?

Pois bem, eles servem! Mas é preciso muito cacife e talento para saber usá-los! Qualidades, aliás, que João Daniel Tikhomiroff não teve em seu primeiro longa-metragem, Besouro (Brasil, 2009), que estreou no dia 30 de outubro em mais de 130 salas em todo o país.

Tikhomiroff

O Diretor João Daniel Tikhomiroff

Tikhomiroff é um dos publicitários mais premiados do mundo, com mais de 50 Leões de Ouro no Festival de Publicidade de Cannes. Para rodar Besouro, ele investiu pesado (mais de 10 milhões de reais que conseguiu de orçamento) em detalhes técnicos, fotografia e nas sequências de ação do filme. Sua intenção não era apenas contar a história real de um capoeirista baiano, mas também transformar a capoeira em um espetáculo cinematográfico, tal qual o kung-fu dos chineses ou o karatê dos japoneses, além de alavancar a presença do fantástico e do sobrenatural no cinema brasileiro. Não conseguiu, infelizmente.

Besouro, o personagem título do longa, é um capoeirista do sertão baiano que viveu no início do século XX. Era o melhor discípulo de seu mestre, porém um tremendo de um irresponsável. Escolhido como guarda-costas de seu mestre – jurado de morte devido aos seus ideais sociais – deixa-o sozinho para se divertir nas rodas de capoeira com os amigos. Resultado: seu mestre morre e Besouro, sentindo-se culpado, foge para o mato. A partir daí começa-se a labuta do filme para transformar Besouro em um herói – ato praticamente impossível devido ao roteiro aberto, sem clímax ou sequer um eixo central. Em momento algum o protagonista consegue convencer o espectador de que sua luta e seu caráter são dignos de admiração. Pelo contrário, é mais fácil ser seduzido pelos antagonistas. Besouro não cativa e ainda rouba a namorada do melhor amigo – ato falho de exclusividade do diretor, pois a personagem Dinorá, envolvida no triângulo amoroso, não existia na história real, foi criada para ser um clichê, pois, de acordo com o diretor, todo o herói deve possuir um grande amor.

Existem os lados ruins e bons dentro do longa de Tikhomiroff, entretanto, se colocados na balança, os contras pesam mais que os prós. Foi extremamente profissional e competente de sua parte ao contratar o chinês Huen Chiu Ku para coreografar as lutas (o mesmo responsável pelos combates nos filmes Kill Bill e O Tigre e o Dragão) e também fez uma grande façanha ao investir em fotografia e efeitos visuais e especiais, extremamente bons para os padrões brasileiros. Porém pecou por demais no roteiro, deixando a história confusa e sem sal: não existe (ou pelo menos não se consegue perceber) drama, humor, paixão…

BesouroExúOutras falhas gravíssimas foram a ambientação e o elenco. Nenhum dos protagonistas é ator, devido à isso as interpretações são todas amadorísticas. Cada personagem parece apenas estar recitando seu texto. E o tempo da história, passada na década de 1920, é outro problema que não se consegue resolver. A pronúncia dos atores, as palavras que eles usam, o jeito de falar, nada disso é capaz de convencer que se trata de um ambiente de época. As vezes nem mesmo a cenografia é capaz de persuadir quem assiste.

Besouro, concluindo, era uma grande promessa, mas acabou por ficar apenas nisso. É triste ver uma iniciativa tão original e inédita no cinema nacional terminar dessa maneira entediante. Porém que Besouro sirva como precedente para outras grandes produções nesse estilo e que a coragem de Tikhomiroff sirva como exemplo a outros cineastas, mostrando que o cinema brasileiro não precisa mostrar apenas a realidade da pobreza, as favelas, o crime e a corrupção, mas que também pode mostrar a fantasia que habita esse país, rico em lendas e mitologia! Perdemos um herói… mas ganharemos outros!





O Barril de Amontillado (Brasil, 2009)

6 07 2009

Banner BarrilBaseado na obra homônima de Edgar Allan Poe, apresento abaixo “O Barril de Amontillado”, curta-metragem de 3 minutos produzido pela minha equipe da faculdade.


Para assistir em “tela cheia/inteira” clique no penúltibo botão da janela do vídeo.

Detalhes técnicos:

Foram cerca de duas semanas de pré produção.
Mais de dois meses de produção.
Porta volta de 16 horas de gravações (em um único dia).
E outras duas semanas de pós produção.
Gravado em half HD (aqui no Covil tem apenas metade da qualidade do DVD).
Formato 16:9 (widescreen).
A catacumba foi construída no estúdio da faculdade.
Para o salão de festa foi usado como locação o hall do Salão Nobre da UMESP.

Ficha técnica: Se encontra nos créditos finais do filme. Portanto assiste e leia!

 

Links relacionados:

Pasta de Direção de Arte
Meu Primeiro Filme! Não Percam!!!





Pasta de Direção de Arte

5 07 2009

Há alguns dias anunciei aqui o lançamento do meu filme, um curta metragem de 3 minutos realizado no decorrer do 5º período da faculdade. Além do trabalho prático - a produção em si - ainda é exigido pelos professores um trabalho teórico: as “Pastas”, como as chamamos. Cada disciplina pede uma pasta, ou seja, o Diretor de Arte (eu) entrega uma pasta de Arte; o de Fotografia, uma pasta de Fotografia; os roteirias, uma pasta de roteiro e o editor e sonorizador, uma pasta de edição e sonorização.

Sendo assim, apresento abaixo partes (e de maneira resumida) daquela que coube a mim fazer, a Pasta de Direção de Arte. Nela está detalhado todo o trabalho realizado na comcepção dos cenários e figurinos. Boa leitura!

 Banner Barril

INTRODUÇÃO À DIREÇÃO DE ARTE

Catacumba

Tumba de S. Pedro - inspiração p/ o cenário

A pesquisa para a Arte começou a ser desenvolvida ainda em cima do conto original. Seguindo as descrições e a narrativa em primeira pessoa do personagem principal, Montresor, chegou-se  às temáticas essenciais da história e que, com certeza, seriam abordadas no roteiro e mostradas no filme, como o período em que a história se desenrola, as catacumbas (que também são uma adega) e o carnaval italiano.

Com essa certeza em mente, foram escolhidos livros que descreviam e ilustravam os cenários e as temáticas que precisaríamos, como “As Catacumbas de Roma”, de Benjamim Scott e “La Tumba de San Pietro y las Catacumbas Romanas”, de Engelberto Kirschbaum; além de pesquisas na web, em sites especializados, sobre o Carnaval de Veneza, suas fantasias e máscaras.

Os projetos cenográfico e de figurino só tiveram início depois, após a formulação do roteiro e do argumento do filme. Só então o cenário começou a ser esquematizado, através de desenhos e plantas baixas. Em paralelo ao cenário, aconteceu a idealização do figurino e a escolha de suas cores.

Finalmente, baseando-se na interpretação inicial do conto e no roteiro final, foi decidido que o filme se passaria na Itália do século XIX, no período do carnaval, durante uma única noite.

PROJETO

O filme conta com três (3) cenas, sendo uma delas em flashback. Para isso, usamos dois (2) cenários diferentes: uma catacumba romana (cenas 1 e 3) e o hall de entrada de um salão de festas da nobreza italiana (cena 2).

Cenário Catacumba Cenas 1 e 3):

Por se tratar de uma cena de terror e suspense em lugar subterrâneo, optou-se por um ambiente de baixa luz e cores escuras, como as das paredes que variam entre preto, cinza e marrom escuro, causando assim uma perda no contraste e nas nuances.

Apesar das cores escuras, a ação dos personagens ganha uma tonalidade mais quente devido à iluminação amarela do lampião e das velas.

Cenário Salão de Festa  (cena 2)

Em contraste com as cenas escuras das catacumbas, esta mostra um ambiente bem mais iluminado, principalmente por tratar-se de uma festa da nobreza, e possui cores quentes e vivas, destacando amarelo e vermelho de um dos figurinos, além de tons mais sóbrios como o vinho e o branco das cortinas, tapeçarias e o mármore do chão.

Estética

“O Barril de Amontillado” se passa em meados do séc. XIX, tratando-se, assim, de um filme de época. Predominam-se as cores quentes. Por se passar em um única noite, os ambientes são escuros ou nitidamente iluminados com luz artificial.

Como o filme ressalta os contrastes entre os dois personagens, os cenários e os figurinos buscam sempre essa oposição: uma cena clara, outra escura; um figurino sóbrio, outro espalhafatoso.

CENOGRAFIA

Catacumba Italiana

DSC_0017Foram usadas três tapadeiras confeccionadas especialmente para o projeto. Duas delas foram revestidas de papel marchê para, assim, assemelharem-se à textura de paredes de terra escavada (como um túnel). Estas, que foram usadas ao fundo do cenário, possuem 2×2m e 3,5×1,2m, sendo que na mais longa existe um lóculo, um buraco na parede onde os corpos eram depositados.

A terceira tapadeira da catacumba foi encaixada de maneira transversal às demais, encoberta por blocos de espuma floral pintados de marrom e contornados com a mesma massa de papel marchê, para assim se assemelhar a uma parede de alvenaria, sendo que as espumas serias os tijolos e o papel marchê seria a massa de rejunte.

Uma quarta estrutura, também confeccionada por nós, e que também recebeu o tratamento com papel marchê, foi encaixada sobre o cenário, formando um teto curvo.

Para fixar toda essa estrutura de paredes e teto, foram usadas duas tapadeiras do estúdio, apenas como apoio para as demais já citadas.

Para o chão foi usado uma mistura de húmus de minhoca e terra vegetal.

Este ambiente, apesar de ser uma catacumba, é usado pelo personagem como um adega. Por este motivo aparecem, além de ossos, caixas, engradados e garrafas de vinho.

Ainda foi cogitado, no decorrer do projeto, o uso de goteiras e umidade, entretanto levou-se em consideração o aspecto destoante entre a umidade e a poeira. Ou seja, ou o ambiente seria úmido, ou seria empoeirado, sendo que este último foi a opção final.

Tratamento cenográfico:

Todos os objetos que aparecem em cena passaram por tratamento para ganharem aspecto envelhecido.

- Caixotes de vinho foram lixados e sujos com carvão, terra e tinta.

- O lampião foi revestido por uma camada de tinta marrom, assemelhando-se a ferrugem.

- Sobre todos os objetos de cena foi peneirado uma mistura de pó de carvão e gesso, simulando poeira.

- As velas foram queimadas com antecedência, para que a cera derretida escorresse pelas garrafas (usadas como castiçais).

- Todas as garrafas foram cheias com uma mistura de água e corante roxo (com exceção da garrafa erguida pelo personagem, que continha suco de uva).

Outras Observações:

- Para o revestimento das tapadeiras, foram gastos cerca de 670 rolos de papel higiênico (rolos de 30 m), além de 10 litros de cola branca, 10 quilos de gesso e cerca de 2 litros de corantes marrom e preto.

- O esqueleto humano foi confeccionado a partir de gravetos e massa de Durepox.

Salão de Festa

Usamos como locação o hall de entrada do Salão Nobre da UMESP, decorando-o com tecidos, tapeçarias e candelabros, encobrindo, dessa forma, detalhes modernos da locação, como o corrimão de metal e as paredes de vidro, dando ao cenário uma aparência mais luxuosa e nobre.

FIGURINOS

Montresor

Figurino MontresorComo que alheio a todo aquele clima carnavalesco da nobreza, o figurino de Montresor, com cores neutras, deixa transparecer sobriedade e seriedade. Levando em conta o contraste de sua caracterização com o período festivo do filme, o figurino nos dá a sensação de frieza e metódica do personagem, que usa apenas um traje social típico daquele século e uma máscara de festa para ocultar sua face.

O traje é composto de uma camisa branca, um colete acastanhado, fraque preto, uma gravata estilo dândis preta, roquelaire preto, cartola, calças sociais e um par de sapatos, os três últimos também pretos.

Máscara

Máscara MontresorA máscara usada por ele esconde sua face, mas não sua personalidade e suas intenções. Dividida ao meio, mostrando dois sentimentos em uma mesma face, deixa transparecer as características do personagem: por um lado, introvertido, recessivo e tristonho, porém, por outro, oculto para momentos oportunos, debochado e sarcástico, vingativo e rancoroso.

Fortunato

Fortunato usa uma fantasia completa de Arlequim (truão, bobo da corte) e uma máscara do mesmo personagem.

Ao contrário de Montresor, Fortunato possui em seu figurino cores mais quentes e vivas, passando-nos um pouco de seu espalhafato. Além disso, sua fantasia nos conta um pouco da situação dos nobres daquela época: em decadência.

PierrôBaseando-se em estudos de heráldica, chegou-se às duas cores do figurino (vermelho e amarelo), por melhor representarem a nobreza italiana, pois são as cores mais presentes em todos os brasões, armas e escudos das cidades e das famílias italianas. Além de o amarelo representar sua riqueza e o vermelho podendo representar seu poder.

Máscara

A máscara de Fortunato foi inspirada no Pierrô, típico personagem do carnaval italiano, semelhante ao Arlequim, porém de feições mais tristes.