No quarto perído da faculdae, ainda em 2008, tivemos nossa primeira experiência com dramaturgia audiovisual. O exercício era simples, porém deu trabalho – e muito.
Era necessário escolher uma cena de, no máximo, um minuto de duração, seja de um filme, uma novela, um comercial de TV ou um clip musical. E depois reproduzí-la da maneira mais fiel possível, tanto nas falas e nos movimentos dos atores, como também na iluminação, enquadramento e cenários. O sucesso da realização do exercício dependia da exatidão do conjunto.
Nossa equipe escolheu um trecho de 37 segundos do filme Clube da Luta (Fight Club, EUA, 1999), com a participação de Edward Norton e Brad Pitt e, a partir daí, começamos a pesquisar todo o material e equipamento que seria necessário para a reprodução da arte e da fotografia. Além claro, de ensaiar os atores.
Claro que muito do sucesso devemos ao talento dos atores Victor Cassoni e Wagner Galvão, que se dedicaram com afinco ao trabalho e fizeram uma imitação impecável dos personagens originais. E, puxando a sardinha para mim, devo dizer que fui eu quem os ensaiou, contando tempo, indicando marcações e repassando movimentos. Foram dias muito divertidos!
O vídeo que é apresentado abaixo foi editado para ser exposto de maneira contínua e seus créditos foram suprimidos. No DVD entregue aos professores, cada trecho foi apresentado em uma faixa diferente: Vídeo, Imagem Comparada e Making-of.
CRÉDITOS:
Elenco:
VICTOR CASSONI – Norton
WAGNER GALVÃO – Pitt
Só quem já escalou uma montanha sabe como é grandiosa a sensação de se chegar ao cume, mesmo que lá em cima não tenha nada. Após quatro anos de faculdade, eis que também chego ao cume, no ápice do curso, o momento final que separa o estudante do profissional! E para a conclusão desses quatro anos, apresentei na última quinta-feira, dia 25, o nosso trabalho derradeiro, o último, que vem sendo desenvolvido desde agosto do ano passado: Post Scriptum, a série!
Há um ano e meio minha equipe e eu estamos trabalhando duro, em diversas áreas, para realizar um trabalho desafiador e que, por muitas vezes, parecia estar além das nossas capacidades. No início foram apenas pesquisas – passeios históricos pela Literatura, o Cinema, o Teatro, as Histórias em Quadrinhos, a TV e por diversos jornais e revistas, acumulando todo o conhecimento possível sobre uma peculiar e consagrada criatura mística que a todos seduz com grande facilidade: o Vampiro! Da Grécia Antiga ao Brasil Moderno, passando pela China e pelos vampiros Andinos; de Polidori a Stephani Meyer, passando por Stoker e Rice; do expressionismo alemão, passando pelo terror adolescente dos anos 1980, até chegar ao terror romântico das atuais produções vampirescas… Todo o caminho foi percorrido para que a pré-banca, em novembro de 2009, aprovasse com louvores o nosso projeto! E só então passamos à parte prática.
Paralelamente aos demais trabalhos da faculdade, começamos, ainda em janeiro, a desenvolver o roteiro da série e a criar os personagens. E assim Post Scriptum começou a tomar forma: uma micro-série de seis episódios por temporada, com 40 minutos de duração cada, projetada para um canal a cabo. Claro que não gravamos todos. A exigência da faculdade é que se faça apenas o programa piloto, ou seja, apenas o primeiro episódio. Os demais foram entregues no papel mesmo.
Após um debate sobre a Copa do Mundo (outro trabalho da faculdade, que, infelizmente, ainda não apresentei aqui no Covil) estávamos finalmente com o roteiro pronto, em junho deste ano. Daí partimos para a fase de produção. Entre julho e agosto aconteceram muitas coisas, as quais não vou entrar em detalhes, mas que resultaram em desistências, brigas, 3500 reais jogados no lixo e um recomeçar do zero. Não foi exagero quando nosso colega Will nos comparou a Fenix, pois realmente renascemos das cinzas e superamos as expectativas de todos que apostavam no fim do projeto. Voltando à idéia da montanha, caímos de um abismo e tivemos que reescalar todo um contraforte. Mesmo com a frustração, nós continuamos.
Agosto, setembro, outubro e agora novembro, sempre produzindo e gravando, nos divertindo e nos matando, elogiando e, algumas vezes, esgoelando alguns atores. Mas tudo deu certo e a edição feita pelo Kikito fechou o trabalho com chave de ouro! E ao fim, a apresentação final, o desafio da Banca, o recebimento da nota e, com honras, o fim da faculdade!!! A chegada ao cume.
Ao fim de tudo, eu mesmo me achei um chato. Antes da entrega aos professores, quando finalmente assisti ao piloto pronto, fiz diversas críticas e não gostei de muitas coisas. Porém, para minha surpresa, tudo o que eu apontei como defeito, durante a banca foi apontado como qualidade pelos professores. Desde o Barril, nunca vi um trabalho ser tão elogiado. Eu realmente não esperava tantos comentários positivos da banca e ainda aqui reforço meu desgosto por alguns trechos. Mesmo assim, se a banca disse, então tá dito!
Em resumo, nós fomos aprovados com grande glória, sob aplausos, abraços, lágrimas e elogios!
Mas o que é Post Scriptum?
A série nos conta a história de duas vampiras paulistanas, as irmãs Júlia e Sofia, que há 15 anos foram mordidas e transformadas pelo cínico e secular vampiro Felipe. Porém a personalidade forte de Sofia e a morte súbita de Felipe, fazem com que as irmãs, mesmo com a nova dieta, continuem a levar uma vida relativamente normal, alheias ao sub-mundo dos demais vampiros. Mas a vida tranqüila das irmãs começa a virar de ponta-cabeça quando elas descobrem que alguém mais sabe sobre seus segredos. Será que Felipe está de volta? Ou algo ainda pior está caçando Sofia e sua irmã?
E o cenário dessa aventura de suspense e terror é a imensa cidade de São Paulo, com suas típica paisagens cinzentas, tempo chuvoso, trânsito fechado, drogas e violência.
Em breve, não percam a estréia do episódio piloto, aqui mesmo no Covil! Por enquanto, deixo apenas o trailer para vocês terem um gostinho do é todo o episódio.
A resenha a seguir foi feita às pressas
para cumprimento de uma das matérias da faculdade.
Trate-se de apenas 1/4 do livro
de Schafer e a publico aqui apenas a título de curiosidade.
Resultado dos estudos do pedagogo e compositor canadense R. Murray Schafer, A Afinação do Mundo é um livro que trata da relação entre o homem e o ambiente sonoro que o envolve, cujo o próprio autor denominou “Paisagem Sonora”. A resenha que é aqui apresentada refere-se à segunda parte do livro, a qual contém um exame detalhado da paisagem sonora pós-industrial, a revolução elétrica e um ensaio sobre a relação da música com o ambiente sonoro do compositor.
No primeiro capítulo desta parte, o destaque vai para a Revolução Industrial e todo o montante de novos sons que se originaram dela, inundando os grandes centros urbanos com o que, mais tarde, foi chamado de poluição sonora. Schafer nos mostra como a nova gama de materiais (como o ferro fundido) e de fontes de energia (como o carvão e o vapor) mudaram amplamente a paisagem sonora das cidades, substituindo os sons das ferramentas manuais e veículos de madeira, da música operária e do canto dos pássaros pelos sons pesados do martelar contínuo das indústrias, pelo resfolegar e o silvo agudo das locomotivas, ou, mais tarde, pelo ronco forte dos motores a combustão e as buzinas dos trânsitos das grandes cidades. Começa-se aqui uma das críticas mais relevantes de Schafer: a relação do som com a qualidade de vida, pois, é dito no livro, que ainda na primeira fase da Revolução Industrial, muitos dos operários fabris passaram a sofrer de surdez.
Já no capítulo seguinte, referente à Revolução Elétrica, a crítica do autor se torna mais subjetiva, relacionando as capacidades tecnológicas de gravação e transmissão de sons a longas distâncias como algo depredatório. Dá-se a entender (pois nos são apresentados apenas esses tipos de exemplos) que o rádio, invadindo sem permissão nossa privacidade doméstica, com sua programação contínua, desprovida de silêncio, se tornou um vilão para os apreciadores dos sons e ruídos, naturais ou artificiais do ambiente. Ou mesmo um vilão para a própria música. Seria essa a esquizofonia cunhada pelo autor: o “empacotamento e estocagem do som e o afastamento dos sons de seus contextos originais.” Algo difícil de ser concebido hoje, 40 anos após a publicação do estudo, numa sociedade cada vez mais dependente e vivente dessas tecnologias.
R. Murray Schafer
Há ainda neste capítulo, uma seção inteiramente dedicada à Moozak, com citação, até mesmo, a um documento produzido pela UNESCO, em 1969, e que se diz contra esse suposto mau uso da música. Moozak, de acordo com o livro, é a redução da música a ruído de fundo, som ambiental, ou, simplesmente, a música para não ser ouvida. São as discretas músicas de elevadores e supermercados. O documento da UNESCO dizia que tais músicas eram uma “invasão à liberdade individual” e pede ao Comitê e às autoridades competentes, “medidas capazes de pôr fim a esse abuso”. Uma petição altamente conservadora e difícil de entender hoje em dia, afinal a tal Moozak ainda existe e, quando não relaxante, simplesmente nos passa despercebida e sem incômodos ao ouvinte, seja no elevador, no restaurante ou no mercadinho da esquina.
O terceiro e último capítulo desta segunda parte d’A Afinação do Mundo refere-se a essa mudança de percepção da música. Para os apreciadores de tal arte, este talvez seja o melhor capítulo do livro, afinal não só trata de canções e melodias, como também da história da música em si, citando nomes como os de Beethoven, Wagner, Weber etc, além de suas respectivas composições. Aqui o autor discorre da relação do músico com a atmosfera na qual este vivia, sugerindo em vários momentos quais seriam as inspirações de alguns deles, como os motivos para Haendel e Haydn descreverem tão bem a natureza em suas obras, enquanto Beethoven usava de elementos industriais em suas composições. Pena Schafer expor aqui suas idéias de uma maneira tão restritiva, o que dificulta bastante o entendimento de um leigo. Ao meu próprio exemplo, a única de suas considerações que compreendi se referia ao uso dos pássaros como um contraponto à brutalidade na ópera do Anel dos Nebelungos, de Wagner, a única das citadas que conheço com certa profundidade. Devido a isso, capítulo acaba por deixar certo grau de frustração no leitor desavisado.
Aliás, essa parece ser a conclusão de todo o livro, ou pelo menos desta segunda parte, pós-industrial, aqui referida: a frustração diante de um monólogo altamente restritivo. Sem contar muitas conclusões e acusações do autor, por vezes infelizes ou deliberadas. Como o fato de dizer que, “se o canhão não fizesse barulho, não seria usado na guerra”, como se apenas o som fosse capaz de intimidar. Ou o momento em que compara um carro a um ânus e ainda cita Freud, em contexto deslocado, como para dar mais importância à amalucada comparação. Ou ainda sua irritação ao contar que uma aeromoça interrompeu uma obra de Wagner para anunciar que os banheiros do avião estavam entupidos.
Apesar de parecer enfadonho e às vezes desequilibrado, o livro de R. Murray Schafer tem seu quê de pragmático, tentando resgatar o paraíso auditivo inicial do homem e propondo um programa sistemático de treinamento dos ouvidos para escutarem de maneira mais distinta os sons, em especial os do ambiente. E ainda expõe, mesmo que de maneira não muito clara, alternativas para que o homem contemporâneo – imerso em um mundo de sons e ruídos que muitas vezes passam despercebidos – não ensurdeça perante a parafernália sonora que ele mesmo criou.
Baseado na obra homônima de Edgar Allan Poe, apresento abaixo “O Barril de Amontillado”, curta-metragem de 3 minutos produzido pela minha equipe da faculdade.
Para assistir em “tela cheia/inteira” clique no penúltibo botão da janela do vídeo.
Detalhes técnicos:
Foram cerca de duas semanas de pré produção.
Mais de dois meses de produção.
Porta volta de 16 horas de gravações (em um único dia).
E outras duas semanas de pós produção.
Gravado em half HD (aqui no Covil tem apenas metade da qualidade do DVD).
Formato 16:9 (widescreen).
A catacumba foi construída no estúdio da faculdade.
Para o salão de festa foi usado como locação o hall do Salão Nobre da UMESP.
Ficha técnica: Se encontra nos créditos finais do filme. Portanto assiste e leia!
Como já disse num outro post, a faculdade tem roubado todo o meu tempo e até mesmo toda a minha inspiração para escrever aqui.
Dentre outros trabalhos que tanto me estressaram, o principal foi este apresentado abaixo, o Projeto Integrado de 5 disciplinas que foi desenvolvido durante todo o semestre e está finalmente pronto!
Na Itália do séc. XIX, Montresor, um jovem burguês, já não suporta toda a humilhação que sofria por seu “amigo”, o nobre Fortunato, sempre superior e arrogante; esnobe mesmo em seus momentos mais ridículos.
Decidido a acabar de vez com sua desonra, Montresor arma sua vingança e, com frieza e metódica, sob o pretexto de possuir um barril do raríssimo vinho de Montilla, consegue atrair Fortunato para sua vingança.
O Barril de Amontillado (Brasil, 2009) é baseado no conto homônimo de Edgar Allan Poe e foi produzido para as disciplinas de Direção de Arte, Roteirização, Design Sonoro, Edição e Direção de Fotografia do 5º período do curso de Rádio e Televisão da Universidade Metodista de São Paulo.
Com direção de Andrews Nascimento, Fotografia de Willian Melo e Direção de Arte de J. V. V. B. Militani (ou seja, eu, o Snaga), o filme conta com 3 minutos. Porém foi pré-produzido em duas semanas, produzido em 2 meses, gravado em 1 único dia e pós-produzido em 2 semanas.
Minha opinião? Modéstia à parte, a Direção de Arte é o carro chefe do filme. Ele é bonito, e só! Não digo isso por ter sido eu o Diretor de Arte, mas porque é a verdade. O roteiro possui grandes falhas (mesmo com o bom argumento que possuía originalmente), em parte pela má adaptação, em parte devido aos cortes obrigatórios para encaixarmos toda a história dentro dos 3 minutos exigidos pelo projeto acadêmico.
A Fotografia também, devo lembrar, é um espetáculo à parte. E a edição final, feita por Cristiano Siles salvou boa parte do filme, que contava com erros crassos. O resultado, deste modo, é um bonito filme, porém de difícil ou nenhum entendimento!
Portanto não percam: O Barril de Amontillado, com Diego Chimenes e Dionísio Pavan! Em julho, aqui no Covil, ou no YouTube mais próximo de você!!!
Snaga é um sonhador, alguém que criou seu próprio mundo e hoje vive boa parte do tempo nele e em função dele. É fanático por cinema, literatura e música de qualidade; formado em Comunicação e trabalha com TV e Cinema. Vive para criar e dar vida, afinal "criamos tal como fomos criados".