Espártaco – Igualdade e Liberdade

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Espártaco era um escravo, filho de um escravo que era filho de outro escravo. Nascera na servidão e esta situação era a única vida que conhecia. Porém havia nele algo de diferente, tanto daqueles que o antecederam quanto daqueles que o rodeavam. Havia uma paixão em seus olhos, um fervor fraternal que o fez ser chamado de “Pai” tanto pelos mais novos quanto pelos mais velhos. Espártaco nascera escravo… mas era um líder!

Escrito por Howard Fast em 1951, o livro é baseado na história real do personagem título, que viveu por volta dos anos 120 a.C. a 70 a.C., no Império Romano. Maltratado pelo chicote de seus donos, cansado pelo trabalho ininterrupto, devastado pelo descaso e pela escravidão… assim era Espártaco, o escravo que passou a gladiador;o gladiador que se tornou líder de uma revolução; o homem que, por pouco, não derrubou o maior dos impérios com suas próprias mãos.

Muitíssimo bem escrito, capaz de prender o leitor do começo ao fim, a narrativa acompanha a dura vida de Espártaco através da escravidão, das lutas na arena e por sua fuga, dando início, finalmente, à Terceira Guerra Servil Romana, ocorrida por volta do ano de 73 a.C. Por onde passava este novo líder, homens e mulheres o seguiam e Espártaco chegou a reunir um exército com mais de 100 mil escravos, que aos poucos foram se organizando sob a bandeira da igualdade e da liberdade. Diferentes dos soldados romanos, que lutavam por ordem de seus superiores, o exército servil lutava por um ideal de justiça comum e, dessa forma, durante meses eles dizimaram as legiões do império.

Estátua de mármore de Espártaco, por Louis-Ernest Barrias, (1871)
Estátua de mármore de Espártaco, por Louis-Ernest Barrias, (1871)

Muito além da vida de escravos e das Guerras Servis, no entanto, o livro de Fast se aprofunda na podridão da sociedade romana, no fascínio dos cidadãos pela violência e a morte e no descaso pela vida dos escravos, considerados animais (os romanos realmente acreditavam nisso, chegando a se espantar quando ouviam seus servos pronunciarem palavras em latim – coisa que nenhum outro animal era capaz de fazer). Variando o foco narrativo e até mesmo o tempo em que a história se passa (ela é quase toda um flashback), o romance compara de maneira profunda os sofrimentos dos escravos e gladiadores com a futilidade dos cidadãos romanos, que chegam a achar normal a proposta de se fazer salsichas com a carne dos mortos em guerra.

Mais espantoso, porém, é perceber que a sociedade apodrecida do Império Romano, com seus senadores corruptos, sua política vendida, seu povo fútil e suas classes servis, nada mais é que a raiz de nossa própria e atual sociedade; que em nada evoluímos nestes últimos dois mil anos de História. Na dedicatória ao início do livro, Howard Fast diz que este “é o relato da vida de homens e mulheres corajosos, que existiram há muito e cujos nomes jamais foram esquecidos. Os heróis deste romance amavam a liberdade e a dignidade humanas e viveram bem e com nobreza.” E conclui: “Escrevi-o para que os que o lessem conseguissem obter forças para o nosso problemático futuro e assim poderem lutar contra a opressão e a injustiça [...] para que o sonho de Spartaco possa se realizar em nosso próprio tempo.” Mas será que entre nós ainda existe alguém digno de ser chamado de “Pai”?

Nota: O presente romance apresenta uma visão idealizada sobre a vida do herói, incorruptível e sem mácula. Existem outras versões da história de Espártaco, como no livro “The Gladiators” (de Arthur Koestler), em filmes como “Spartacus” (EUA, 1960 – dirigido por Kubrick) e a recente série de TV “Spartacus: Blood and Sand”, de 2010.

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5 comentários sobre “Espártaco – Igualdade e Liberdade

    HUGO GUEDES disse:
    abril 29, 2012 às 9:17 am

    SNAGA. GOSTEI DE SEU BLOG. FIQUEI VÁRIAS HORAS LENDO CONTOS. SÓ LAMENTO QUE VOCÊ NÃO TENHA TODOS OS LIVROS QUE INDICA. SEREI MAIS CLARO. O SPARTACUS, POR EXEMPLO, VOCÊ APRESENTA UM RESUMO DE TODO O LIVRO. MAS, O IDEAL É QUE VOCÊ TIVESSE NO BLOG O TEXTO INTEGRAL DO PRÓPRIO LIVRO. SEI QUE ISSO PE IMPOSSÍVEL NÃO SÓ PELAS DIFICULDADES DE EDIÇÃO, COMO POR QUESTÕES DE DIREITO AUTORAL. MAS ISSO SERIA O IDEAL. CONTINUE FIRME E UM FORTE ABRAÇO.

      Snaga respondido:
      abril 29, 2012 às 1:15 pm

      Ola’, Hugo! Fico feliz que tenha gostado e passeado pelo Covil. Mas existem propostas diferentes entre os dois blogs que voce visitou.
      Aqui no Covil estao apenas textos de minha propria autoria, seja sobre livros, filmes, musica ou qualquer outro tema que me agrade ou mereca uma opiniao.
      O “Contos do Covil” e’ um outro blog, com outra proposta. La’ reuni centenas de contos dos mais variados autores. Mesmo no blog de contos, a ideia e’ que fique apenas com contos, fabulas, pequenos textos e lendas. Nada de romances.
      Mas volte mais vezes. Leia tambem minhas opinioes aqui mesmo no Covil. Basta clicar nos botoes ao lado e escolher a categoria que melhor que aprouver!

      Abracos do orc!
      (e perdoe-me a falta de acentuacao, o teclado de onde estou e’ maluco)

    lucs disse:
    abril 17, 2013 às 5:26 am

    Espártaco não era escravo no inicio e sim era um homem livre, depois virou escravo

      Snaga respondido:
      abril 17, 2013 às 5:44 am

      Olá, Lucs! Obrigado pela visita e pelo comentários.

      Mas então, quanto à diferença entre as histórias, é como eu disse na nota ao fim do texto: existem várias versões da lenda de Espártaco. Essa que li é a versão do Howard Fast, que forma um romance idealizado, com valores humanos e sociais.

      E obrigado pelo link para o documentário do NatGeo. Não conhecia. Vou assistir!

      Abraços.

    leticia disse:
    março 12, 2014 às 10:56 pm

    eu gostei eu gosto mais do filme e no filme spartacus deve um final feliz e ele no final foi papai.

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