8 comentários em “Coloridos: A Geração Perdida

  1. Há tempos não entrava por aqui admito… mas fico feliz que tenha me enviado o link.
    Conversei sobre isso ontem mesmo com minha mãe.. estavamos vendo uma reprise de uma entrevista da Gabi com o Restart. Tenho que dizer que aquela mulher faz qualquer coisa parecer bom, por pior que seja. Os meninos até parecem que tem uma cabecinha legal… mas isso diante do que o sucesso faz com eles obviamente.
    Mas no quesito “Por que” disso tudo são totalmente falhos… não têm atitudes, não têm motivos, não têm dentro deles a paixão e a força que cantores tinham em outros tempos.
    Até aqueles que não fazem composições e são apenas intérpretes, como Ney Matogrosso consegue passar em suas canções mais emoção, vibração e vida quando canta…
    Parece que a geração errada de hoje veio para atrair menininhas gritando seus nomes, escandalizando e seguindo seus passos… se rebelando literalmente sem causa quando repreendidos.

    Sinceramente acho que falta a paixão do Chico, o atrevimento do Renato, a loucura de um Oswaldo na geração atual… A mídia cria estrelas e não pensadores musicais e intérpretes dignos, e isso pra quem aprecia música, e quem gosta do que ela deveria passar, é bem complicado.

    Acredito que teu post, assim como meu comentário serão alvos de muitas negativações de fãs, mas definitivamente essa era musical é tão insosa que quase enoja!

    Amei o post, orc!
    =**

  2. Que belo post, meu amigo! A música deixou, há muito, na maioria dos casos, de expressar a atitude de jovens e adolescentes descontentes com aquilo que acontecia.

    Hoje percebemos que vivemos em um mundo despolitizado, e nosso país caminha cada vez mais ao buraco porque as velhas raposas continuam no poder enquanto os jovens pouco se interessam pela política e movimentos sociais, atraídos, especialmente, por vertentes vazias de ideologias como Cine e Restart.

    Mas acho que ainda há alguns que se salvam. É complicado, por motivos óbvios eu defender, mas na música pop, que é o que eu ouço, existe muito dessa coisa de se lutar pela igualdade, especialmente no que se refere aos direitos LGBT. E não se pode esquecer que Ana Carolina e até a citada Maria Gadu são exemplos de feminismo, por mais que não sejam tão feministas assim.

    Wanessa é embaixatriz da ONG SOS Mata Atlântica, e empresta seu nome para defender questões ambientais no Brasil, lutar por políticas públicas que se relacionem com esse tema e desenvolve uma ação de monitoramento do trecho poluído do Tietê.

    Ou seja. Mesmo no extremamente comercial, ainda há esperança para esse nosso mundo musical vazio de lutas e objetivos. O que nos entristece é saber que, ao contrário de antigamente, os “lutadores” são minoria.

  3. Falando sério agora.

    Você mesmo disse no seu post que música ruim sempre existiu. E nem só música considerada ruim, mas música ruim mesmo, sem conteúdo, sem propósito, nada eque, inclusive, não são a representação de nenhum povo ou cultura. Por exemplo, Calypso é o lixo, mas é a síntese de uma cultura do norte do país que não diz nada pra você, mas diz muita coisa para milhares de pessoas, portanto, não pode ser simplesmente jogado no lixo e descartado como sem valia.

    Agora, Restar é Menudos. É Backstreet Boys e por aí vai. São bandas/grupos/cantores resultantes única e exclusivamente da ação de produtores bons. São produtos pop desenhados pra serem cd’s, shows, camisetas, revistas, álbuns, pôsteres, etc. São desenhados para agradar à meninos de cabeça fraca e mêninas naquele limbo entre a infância e a puberdade.

    E isso nunca vai morrer, porque são essas merdas que geram muita grana.

    Agora, falar que no passado existia alternativa e hoje não tem mais é puro saudosismo barato.

    Alternativa sempre tem, aos montes. Eu me arrisco a dizer que hoje tem mais coisa boa do que antes, mas você tem que ir atrás, tem que correr e procurar e se esforçar, porque o que a gente tem agora é um mar de coisas, uma mar de movimentos, um mar de artistas, um mar de manifestações culturais. Porque os meios foram democratizados e o pensamento também foi democratizado.

    Era melhor no passado também não é coisa de hoje em dia.

    Saca essa letra aqui:
    ___________________________
    Como Nossos Pais
    Elis Regina
    Composição : Belchior
    Não quero lhe falar,
    Meu grande amor,
    Das coisas que aprendi
    Nos discos…

    Quero lhe contar como eu vivi
    E tudo o que aconteceu comigo
    Viver é melhor que sonhar
    Eu sei que o amor
    É uma coisa boa
    Mas também sei
    Que qualquer canto
    É menor do que a vida
    De qualquer pessoa…

    Por isso cuidado meu bem
    Há perigo na esquina
    Eles venceram e o sinal
    Está fechado prá nós
    Que somos jovens…

    Para abraçar seu irmão
    E beijar sua menina na rua
    É que se fez o seu braço,
    O seu lábio e a sua voz…

    Você me pergunta
    Pela minha paixão
    Digo que estou encantada
    Como uma nova invenção
    Eu vou ficar nesta cidade
    Não vou voltar pro sertão
    Pois vejo vir vindo no vento
    Cheiro de nova estação
    Eu sei de tudo na ferida viva
    Do meu coração…

    Já faz tempo
    Eu vi você na rua
    Cabelo ao vento
    Gente jovem reunida
    Na parede da memória
    Essa lembrança
    É o quadro que dói mais…

    Minha dor é perceber
    Que apesar de termos
    Feito tudo o que fizemos
    Ainda somos os mesmos
    E vivemos
    Ainda somos os mesmos
    E vivemos
    Como os nossos pais…

    Nossos ídolos
    Ainda são os mesmos
    E as aparências
    Não enganam não
    Você diz que depois deles
    Não apareceu mais ninguém
    Você pode até dizer
    Que eu tô por fora
    Ou então
    Que eu tô inventando…

    Mas é você
    Que ama o passado
    E que não vê
    É você
    Que ama o passado
    E que não vê
    Que o novo sempre vem…

    Hoje eu sei
    Que quem me deu a idéia
    De uma nova consciência
    E juventude
    Tá em casa
    Guardado por Deus
    Contando vil metal…

    Minha dor é perceber
    Que apesar de termos
    Feito tudo, tudo,
    Tudo o que fizemos
    Nós ainda somos
    Os mesmos e vivemos
    Ainda somos
    Os mesmos e vivemos
    Ainda somos
    Os mesmos e vivemos
    Como os nossos pais…
    _________________

    Essa é uma das músicas que a superexposição matou, mas presta atenção no que ela fala. Os ídolos ainda são os mesmos, o sinal está fechado pra nós, DEPOIS DELES NÃO APARECEU MAIS NINGUÉM. Aparece. E continua aparecendo.

    A vida continua linda, Snaga.

  4. Olá Snaga, tudo bom!
    Passei pra retribuir a visita que vc fez ao meu Blog Jeito Lunático. :) :)
    Muito linda sua postagem de “Indios”.
    Apareça sempre!
    Seu Blog é muito bom! *)

  5. Bom, vou deixar o meu comentário!
    Pessoas que gostam de artistas do passado, por acharem que eles eram melhores, mais engajados na arte e na política. Com certeza eles eram, era um outro momento histórico, aquele momento propiciava que tivesse artistas que desafiassem a política naquele momento. As pessoas lutaram, provocaram e fizeram as manifestações necessárias.
    Hoje ainda temos pelo o que reivindicar, mas os nossos propósitos de alguma forma falharam, caíram por terra. Assim como diz uma música do Cazuza, meus ídolos morreram de overdose e os meus inimigos estão no poder. Perdemos a fé, naquilo que talvez nunca conseguiremos alcançar, uma verdadeira revolução de sentidos e ideais, de política e arte, cultural principalmente. E o que vemos agora é uma geração acomodada, e que deixa isso assim que está tudo bem. Uma geração que briga pelas coisas erradas, que faz manifestos em prol de coisas equivocadas.
    Penso, que com a internet que nos dá milhões de possibilidades, como músicas, filmes, notícias, livros, política e uma infinidade de coisas, porque tantas pessoas aceitam engolir aquilo que a mídia manda. E com tantas formas de protestos, porque ainda permanecemos absolvendo e digerindo tudo com tamanha tranquilidade? Acho que talvez aquele pesadelo, tão bem descrito no 1984, talvez tenha se tornado realidade, e nós ainda não percebemos.
    Pronto! Deixei o comentário! rsrsrs

  6. Faz tanto que tempo que eu não comento no seu blog, saudade disso!
    Enfiim, concordo em partes com o que vc disse. O estilo de músicas dos “coloridos” é sem conteúdo, é modinha e é pra ganhar dinheiro. São bandas muito parecidas e falam dos mesmos temas românticos de sempre. Mas vc tem que pensar que são músicos adolescentes que fazem música pra adolescentes de 11 a 15, no máximo. O público dessas bandas e as proprias bandas ainda têm muito que amadurecer musicalmente. No texto, vc comparou com os hippies, mas o movimento hippie era composto principalmente de universitários e de bandas muito mais adultas. Você também compara com os Emos, mas eles são um grupo fechado que nunca chegou a ser moda. Eles chocaram na época porque as idéias eram muito radicais, mas eles são como os punks. Esse tipo de tribo fechada com ideologia fixa e radical nunca chega a ser moda.
    No texto, vc compara esse movimento com outros do passado, mas isso não pode ser feito. As modas e as músicas estão atreladas ao seu tempo e à mentalidade da sociedade da época. Você acha que as bandas que falavam de política, movimento social e estudantil fariam sucesso hoje? As pessoas buscam na música o que elas estão vivendo no momento. E se o país vive em um estado de comodidade política, digamos assim, as bandas que falam desses temas não fazem sucesso e não crescem.
    Não devemos abraçar o movimento dos “coloridos” como as adolescentes fazem, mas negar totalmente o que é novo é ceticismo. Eu acho que alguns dessas bandas ainda podem crescer amadurecer, sair da “mesmice” e se tornarem boas e com músicos habilidosos. Afinal de contas, muitas bandas excelentes que temos hoje em dias começaram como modinha e mudaram. E dentre essas ou posso citar a minha preferida, Metallica e até o Roberto Carlos que você citou. Eles não são perdidos, mas tem um longo caminho a ser percorrido pra se tornarem bons.

  7. Que bom que ainda temos pessoas dispostas a debater, discordar e tentar tirar nosso mundinho (gigante) desse longo estado cataléptico, precisamos nos juntar pois somos muitos, apenas estamos desorganizados, ou ocupados demais para levantar qualquer bandeira, simbora minha gente por mais que a frase seja antiga, espera ainda não é fazer.

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