A Dança do Quadrado e a Sociedade Pós Moderna

24 09 2008

Mais um artigo enviado pelo caríssimo amigo Lucas Magalhães, o Magá.
Dessa vez ele discorre sobre o paradoxo do individualismo cultural,
ou a multicultura individual. Fala também da falta de valores 
comuns da atual sociedade, afinal “o poder de decidir
nunca esteve tão nas mãos de cada um de nós.”
Só para lembrar, o Magá agora tem um blog próprio, o
Vilarejo de Macondo.

O que é a verdade? O que é o bem? E o mal? É perturbador reconhecer que não temos respostas prontas para essas questões, no entanto é compreensível não tê-las. São reflexos de um tempo que pensadores como Frederich Nieztche, Martin Heidegger e Jean Paul Sartre batizaram de sociedade pós-moderna.

Entre outras características da época em que vivemos, está  a falta de exemplos, de líderes ideológicos. Hoje cada um pode ter sua própria ideologia, ou seguir muitas ideologias  e ser respeitado por isso. É o tempo das minorias. Por que a sociedade está fragmentada e por vezes sem rumo. Não cabe para os parâmetros de hoje valores absolutos, definições completas e certeiras do que seja a verdade, ou o bem, ou o mal. Não há pureza para esses conceitos. O homem, hoje, é o parâmetro si mesmo.

Líderes como Che Guevara, Karl Mark, Martin Luther King, Carlos Prestes, Renato Russo, Cazuza, Paulo Freire ficaram no que sobrou da modernidade. Atualmente no mesmo iPod, mp4 ou mp3 players convivem tranquilamente Bob Dylan e grupo Soweto. É tranqüilo de se admitir, atualmente, que um cidadão admire o Dalai Lama, comungue na missa de domingo e leia Deepak Choopra.

Não há caminho seguro, na pós-modernidade, o desafio é fazê-lo. Não há ninguém para dizer o que seja certo e errado. Como já profetizava Raul Seixas, “ói, olhe o mal, vem de braços e abraços com o bem num romance astral”. Os conceitos se fundem. E surge o que mais pode amedrontar um ser humano na pós-modernidade: o poder de decidir nunca esteve tão na mão de cada um de nós. Decidimos o que é o bem, decidimos o que é o mal. Estamos entregues à nossa própria responsabilidade e isso, é de fato, algo com que o homem nunca esteve acostumado a lidar. É a cultura do depende. Depende como fazemos, como entendemos, como vivemos cada uma das situações de nossas vidas que nos exigem tomar posições.  

Assim, as pessoas têm visto menos pontos em comum uns com os outros, têm se identificado menos com grupos, as tribos têm se esvaziado. Por que a cobrança de andar nesta ou naquela companhia deixou de ser uma condição para ser aceito. É admissível que uma mesma pessoa freqüente shows de rock, ande de terno, faça musculação e freqüente micaretas. Ninguém é de ninguém, são todos de todos e ao mesmo tempo, de ninguém. Assim, os relacionamentos cada vez mais superficiais, e ai de quem discorde que isso seja aceitável. Daí uma completa desorientação e descomprometimento de uma geração que não tem a menor idéia para onde vai. E que não obstante se fecha em guetos cada vez mais reduzidos.

Em outra palavras é a sociedade do ‘cada um no seu quadrado’ … e olhe lá quem ousar achar ruim do meu quadrado meio diferente!…

Lucas Magalhães é estudante de Jornalismo e estagiário no Diário Correio do Sul





Trama Inteligente, Tema Pouco Atraente

15 09 2008

Lembram-se daquele velho ditado das indústrias norte-americanas que dizia: “feito por americanos, para americanos”? Pois bem, não existe nada melhor a ser dito sobre Ponto de Impacto, o terceiro livro publicado pelo escritor Dan Brown e que terminei de ler ontem.

O romance, logo no início, nos apresenta Rachel Sexton, uma agente do NRO e filha do Senador Sedgewick Sexton, o mais forte candidato à presidência na eleição que se aproximava. Rachel, sem motivos muito fortes, é convocada às pressas pelo atual presidente, concorrente de seu pai, para fazer parte de uma equipe de civis que estão ajudando a NASA (a Agência Espacial Norte-americana) a comprovar a autenticidade de um meteorito encontrado nas profundezas do Ártico: um pedaço de rocha carbonizada que pode mudar pra sempre a compreensão do ser humano sobre o Universo. No entanto, ao chegar à desolada plataforma de gelo Milne, a destemida agente se vê em meio a uma conspiração capaz de destruir a NASA e dar início a uma crise política sem precedentes. Ao tentar entrar em contato com o Presidente e exclarecer toda a situação, Rachel e seus companheiros passam a ser perseguidos por assassinos profissionais, a Força Delta, comandados por alguém capaz de fazer qualquer coisa para manter a verdade encoberta. Porém a história toda não consegue cativar.

Dan Brown tenta sempre abordar temas polêmicos em seus livros. Em Fortaleza Digital, Brown abordou o tema da falta de privacidade na internet, levantando a possibilidade do governo dos EUA ter total acesso a todas as mensagens trocadas pela rede, até mesmo esses e-mails que você troca com seus amigos sobre a baladinha de ontem. Um livrinho muito sem sal. Em Anjos de Demônios, o escritor aborda o tema da Igreja Católica ser sempre contra o avanço da Ciência e também o fato da Física tentar provar a existência de Deus. Já em O Código Da Vinci, com certeza o mais polêmico deles, Brown coloca em prova a divindade de Cristo, expondo uma antiga teoria de que Jesus teria tido filhos com Maria Madalena e que sua linhagem permanecia ainda hoje, dando início a uma moderna caçada pelo Santo Graal.

Todos esses três temas abordam crenças e interesses do mundo todo, independente da nacionalidade do leitor: o mundo todo usa a internet, e boa parte das pessoas têm como base de vida as crenças cristãs e o respeito a Igreja Católica.

Já em Ponto de Impacto, o assunto abordado é mais fechado aos norte-americanos: a serventia da NASA para o desenvolvimento da ciência espacial e os perigos que ela pode trazer à segurança nacional. O tema pode ser do interesse dos estadunidenses, mas não é algo que atraia a atenção de leitores de outros países. Saber se a NASA vai permancer como está, ou se vai ser englobada pelos militares, ou mesmo se será privatizada, não é algo que desperte o interesse de seus leitores estrangeiros. O que me importa se a NASA está dando prejuíso para os cofres públicos e gerando conflitos internos no alto escalão do Governo? Claro que é interessante saber o que acontece por trás das cortinas da Agência que levou o homem à Lua, mas o leitor de outros países não tem pela NASA o mesmo carinho que lhe é atribuido pelos norte-americanos.

Tudo isso tira parte da empolgação ao se ler o livro. Mas se Brown errou no tema, parece que dessa vez, finalmente, ele acertou em outro ponto: a trama. Pela primeira vez em seus quatro livros, os caminhos da narrativa conseguiram me enganar e a trama toda só me foi revelada nas últimas páginas. Não que ele tenha escondido os pontos culminantes como fazem alguns escritores. Não, dessa vez estava tudo lá, na minha cara, ação após ação, diálogo sobre diálogo, tudo levava a um único suspeito. Só que eu não o descobri e ainda fui tentado e imaginar que era outro o culpado de tudo. Realmente algo surpreendente em se tratando dos livros de Dan Brown, sempre tão fáceis de decifrar.

Porém, mesmo com uma boa trama, continua sendo um Dan Brown e isso quer dizer pobreza literária. Assim como os outros, Ponto de Impacto não tem conteúdo, é corrido como um roteiro de cinema, os personagens não cativam, não existem frases de impacto e o final, assim como em Fortaleza Digital, se arrasta por várias páginas de suspense desnecessário, cuja a intenção clara seria deixar o leitor aflito, mas que só conseguem ser cansativas e entendiantes.

Apenas mais um produto norrte-americando feito para as massas… norte-americanas.

Ficha Tecnica

Título: Ponto de Impacto (Deception Point)
Autor: Dan Brown
País: EUA
Publicação Original: 2001
Publicação Lida: Editora Sextante, 2005

Conselho de amigo: Não leia o Epílogo. É decepcionante!

Leia mais artigos sobre Dan Brown:
“Fortaleza Digital” não Fede nem Cheira





O Céu Embaixo da Terra

11 09 2008

O artigo a seguir é mais um de autoria do Professor Marcelo Gleiser
(na foto abaixo) e fala sobre aquelas partículas invisíveis aos nossos olhos,
mas que vivem cruzando nossos corpos e todo o espaço continuamente,
entre elas a Matéria Escura, que ocupa mais de 80% da massa das Galaxias.
Para saber mais, leia também o artigo anterior: Contos da Infância Galáctica.

 

Quando se pensa em astronomia e astrônomos, a primeira imagem que temos é a de um sujeito sozinho no seu observatório no alto de uma montanha, com o olho fixo na lente de seu enorme telescópio. Existe algo de romântico nessa visão, o homem em busca de uma compreensão mais profunda do Universo, armado apenas de seu instrumento e de sua criatividade.

Não há dúvida de que essa imagem do astrônomo foi inspirada pela prática da astronomia que, tradicionalmente, era mesmo feita assim. Porém, com a automatização dos telescópios e a digitação de sua óptica, hoje controlada por CCDs acoplados a computadores ultra-rápidos, poucos astrônomos precisam ir até seus observatórios para colher dados para pesquisa.

Um exemplo extremo dessa automatização é o Telescópio Espacial Hubble, um dos instrumentos científicos mais bem-sucedidos da história, que é operado inteiramente da Terra por controle remoto. O Hubble não passa de um robô extremamente sofisticado, desenhado para colher imagens de alta precisão de objetos celestes próximos e muito distantes.

Assim como ele, existem muitos outros robôs observatórios colhendo dados em regiões do espectro eletromagnético além das que nos são visíveis. Um exemplo recente é o observatório espacial Glast, que estuda a radiação eletromagnética (RE) mais energética, os raios gama. De passagem, menciono que um dos operadores principais do Glast é o físico brasileiro Eduardo do Couto e Silva (tema da coluna de 15 de junho de 2008).

Mas existe outro tipo de astronomia que, paradoxalmente, para estudar o que existe nos céus, é realizada embaixo da Terra. Para entendermos como isso é possível, é bom lembrar que a luz, os raios X, os raios gama e as várias outras formas de RE são compostas de partículas chamadas fótons. Os telescópios que captam a luz, os raios gama ou outros tipos de RE são, na verdade, detectores de fótons, como se fossem redes de pesca desenhadas para apreender essas partículas.

Neutrinos se chocando contra a Terra

Só que os fótons não são as únicas partículas que existem nos céus. Pelo contrário, muitas outras “chovem” continuamente sobre nós. A maioria faz parte dos chamados raios cósmicos, compostos principalmente de prótons, elétrons e múons, que são elétrons mais pesados. Outras são os neutrinos, as “partículas-fantasma”, produzidas no coração do Sol. Neutrinos são capazes de atravessar a matéria normal como se fossem fantasmas.

Paredes ou mesmo a Terra inteira não são obstáculos para eles. Algumas partículas, como os elétrons e os múons, também penetram a matéria por boas distâncias. Portanto, para estudar os neutrinos sem a interferência de outras partículas, físicos usam cavidades subterrâneas, em geral minas abandonadas. Nelas, montam seus “telescópios”, detectores capazes de identificar as raras colisões de neutrinos com a matéria comum.

Representação gráfica da Mat. Escura

Existem outras partículas cruzando o espaço ainda mais misteriosas do que os neutrinos. Delas sabemos apenas que não são como a matéria comum. Elas não produzem RE, como fazem os elétrons. Portanto, não brilham, sendo conhecidas como “matéria escura”. Sabemos que existem apenas porque sua massa afeta o comportamento das galáxias pela gravidade. Cada galáxia tem uma espécie de véu de matéria escura, com uma massa que chega a ser dez vezes maior do que a massa de todas as suas estrelas.

A matéria escura também é caçada em observatórios subterrâneos. Até agora, nenhuma candidata foi detectada, o que causa uma certa ansiedade nos físicos. Mas também aumenta o seu fascínio. Vivemos numa realidade dominada pelo que nos é invisível.

Marcelo Gleiser é professor de Física Teórica no Dartmouth College, em Hanover (EUA) e autor do livro ”A Harmonia do Mundo”
Artigo originalmente publicado na Folha de São Paulo em março de 2008 





Contos da Infância Galáctica

11 09 2008

Como o Covil anda meio parado, resolvi publicar
alguns artigos de assuntos científicos, curiosos e atemporais,
ou seja, não são notícias passageiras, são curiosidades
sobre astronomia e as relações do homem com o Universo.
O autor deste artigo e do próximo que será
postado é o Professor Marcelo Gleiser, o cara da foto aí debaixo.

 

Sabemos hoje a idade do Universo: em números arredondados, 14 bilhões de anos. Esse é o tempo passado desde o Big Bang, o evento que deu origem a tudo. Sabemos, também, que o Universo é salpicado de centenas de bilhões de galáxias, cada uma com milhões ou até centenas de bilhões de estrelas. Esse é o caso da nossa galáxia, a Via Láctea, onde o Sol é uma humilde estrela em meio a tantas outras. Mas não se iluda pensando que essas estrelas todas estão pertinho umas das outras. Não, o espaço é praticamente vazio, e as distâncias entre as estrelas são em média de dezenas de anos-luz. Ou seja, viajando à velocidade da luz, demoraríamos dezenas de anos para ir de uma a outra.

Mesmo com tantas estrelas, a galáxia em si é tão enorme que as distâncias entre elas são…astronômicas. A Via Láctea tem um diâmetro de 100 mil anos-luz. Com tecnologia atual, demoraríamos em torno de 25 mil anos para atravessar um mero ano-luz. A galáxia inteira tomaria uns 2,5 bilhões de anos. Penso nisso e sinto uma grande solidão: estamos mesmo muito isolados do resto do cosmo, nós e os outros planetas do Sistema Solar, todos eles -ao menos hoje- sem vida.

A Terra é uma ilha de atividade biológica em meio à desolação total que nos cerca por muitos anos-luz. Mas o Sol não é a única estrela. E a Via Láctea não é a única galáxia. Hoje temos uma visão do cosmo que é semelhante à de um campo com árvores de Natal espalhadas na noite escura.

Cada árvore iluminada é uma galáxia, e as luzes, suas estrelas. Na escuridão da noite, vemos apenas as luzes das árvores piscando, parecendo flutuar pelo campo afora. Assim nos parecem as galáxias, formadas apenas de estrelas e gás. De perto, porém, a história é outra. Na árvore de Natal existe uma estrutura que sustenta as lâmpadas, a árvore e os seus galhos. Mas e nas galáxias? O que as sustenta? Em cada uma delas existe também uma estrutura, uma teia invisível de matéria que dá suporte às estrelas e ao gás que produz sua luz.

Só que essa teia invisível não é feita da mesma matéria que as estrelas e as nuvens de gás. Essa “matéria escura” – esse é o seu nome – não tem nada a ver com a matéria comum que conhecemos. Ninguém sabe que matéria é essa. Mas sabemos que cerca de 80% da massa das galáxias corresponde a essa matéria e não às estrelas. Exagerando um pouco a metáfora das árvores de Natal, nelas também a massa em matéria escura – o tronco e os galhos – é bem maior do que a massa total das pequenas lâmpadas.

Uma das questões de ponta em astrofísica, fora, claro, o que é essa matéria escura, é como nasceram as galáxias. Sabemos que a grande escultora das formas cósmicas é a força da gravidade. Dado que 80% da massa das galáxias é em matéria escura, é claro que sua dinâmica de formação também é dominada por esse tipo de matéria. Estudando as propriedades de galáxias quando o Universo tinha 7 bilhões de anos, metade de sua idade atual, astrônomos descobriram que as coisas eram semelhantes; os mesmos tipos de galáxias, com a mesma dinâmica: galáxias espirais cheias de estrelas nascendo e galáxias elípticas com estrelas velhas.

A matéria escura cria poços gravitacionais para onde flui a matéria normal, que forma as estrelas. Esse movimento causa ondas de choque violentas. Quanto mais matéria escura, mais violenta a onda de choque. Nos casos mais dramáticos, o choque pode interromper a formação de estrelas. Galáxias elípticas são as que têm a formação de estrelas interrompida mais cedo. Mesmo que ainda existam muitos pontos obscuros, a infância das galáxias começa a ser desvendada.

Marcelo Gleiser é professor de Física Teórico no Dartmouth College, em Hanover (EUA) e autor do livro “A Harmonia do Mundo”
Este artigo foi originalmente publicado na Folha de São Paulo em 24 de agosto de 2008





Aos Cem Anos de Solidão

1 09 2008

O artigo a seguir é mais um enviado pelo Lucas Magalhães.
Depois de
Qualquer Coisa Universitária, esse seu novo texto tem
um assunto mais voltado para o tema coviliano,
abordando uma grande obra literária:
Cem Anos de Solidão, do escrito colombiano
Gabriel Garcia Márquez. Boa leitura!

Cem Anos de solidão. O leitor não se assuste com o nome desta magnífica obra da literatura mundial. É uma pintura com as palavras, é uma viagem para um mundo que à primeira vista está distante de nós. Mas ao poucos tudo se transforma e o leitor se torna mais um habitante da inusitada vila Macondo. Gabriel Garcia Márquez é um verdadeiro maestro que rege uma sinfonia longa, triste, feliz, delirante que causa em nós os sentimentos mais variados.

Ao compasso de cada capítulo o leitor descobre em si emoções diversas. Hora torcemos, hora choramos, hora nos enraivecemos, mas o mais surpreendente é que depois do décimo capítulo não somos mais leitores, somos cúmplices, somos espectadores silenciosos de uma platéia solitária.

É de fato uma leitura para poucos, sem ser enfadonha. Detalhista sem perder o foco da história.

O que dizer da família protagonista das páginas de Cem Anos de Solidão? O que dizer da matriarca Úrsula, que parece o espírito lúcido de um bando de insanos. O que dizer de José Arcádio Buendia? Uma alma insana, que sem intenção aspergiu o veneno da loucura em todos os membros de sua estirpe. O primogênito desse casal foi José Arcádio, e herdou toda inconseqüência de seu pai. Aureliano, o coronel de batalhas perdidas, seu irmão mais novo, tem a iniciativa de Úrsula e falta de juízo de José Arcádio Buendia. Amaranta, filha caçula dessa linhagem parece ter concentrado todo mal desse mundo em si, em sua chaga na mão esquerda, que só de imaginar sua atadura negra, nos causa comoção e medo. Uma chaga que não é só dela, mas de uma família que caminha em cem anos de contradições inteligentemente desenhadas ao longo da história da América Latina e do povo sofrido pelas opressões. São pessoas, somos nós, é o mundo caricato em uma vila. Macondo é o mundo e sua luta constante entre a insistência reticente e a desistência encorajada.

Seu autor, o colombiano e quase centenário Gabriel Garcia Márquez, tem neste livro uma de suas melhores performances. Foi vencedor em 1982 do prêmio Nobel de Literatura e é considerado o pai do jornalismo literário.

O grande final dessa obra é tão magnífico quanto toda a trajetória dos Buendia. Só posso dizer que é uma leitura, de fato transformante, causadora de reflexão. Cem Anos de Solidão, cem anos em 451 páginas de uma aventura alucinante. Falar desse livro é vago, são palavras que não alcançam a força dessa publicação nem sua profundidade. Pobres palavras essas que se quer tocam a sombra do gigantesco Cem Anos de Solidão.

Lucas Magalhães é estudante de Jornalismo e estagiário no Diário Correio do Sul
Este artigo foi originalmente publicado no Diário Correio do Sul, em Varginha-MG, em 11 de agosto de 2008