“Fortaleza Digital” não fede nem cheira!

23 06 2008

Uma vez um amigo me disse que lendo um Dan Brown, se lê todos! E, de certa forma, até que ele estava certo. Independente da temática, as histórias contadas pelo senhro Brown são sempre iguais: um vilão X querendo modificar algo de alguma maneira catastrófica que mudaria a história do mundo; um mocinho que nada tem a ver com aquilo, mas que, por ser especialista em determinado assunto, é convocado às pressas para ser o grande herói; e claro, uma mocinha que nunca tem nada de indefesa, é sempre muito inteligente e acaba por se envolver com o mocinho de uma maneira mais emocional (nesses últimos dois papeis, os gêneros podem se inverter). Resumindo, é isso aí.

Vejam o exemplo de “Anjos e Demônios”, seu segundo livro, no qual o professor norte-americano Robert Langdon, especializado em simbologia e história da arte, é convocado às pressas para salvar o Vaticano da destruição total; ali conhece Vittoria Vetra, uma cientista de pulso forte e determinada a ajudar, mesmo sabendo que o Vaticano é contra tudo o que ela estava pesquisando; e o fim surpreendente (e mirabolante) onde o vilão se mostra ser o mais improvável dentre os personagens.

Ou mesmo o exemplo do seu mais famoso romance, “O Código Da Vinci”, no qual o mesmo Robert Langdon cai de pára-quedas no meio de uma conspiração que pode ruir com os dois mil anos de histórida da Igreja Católica, uma espécie de “Indiana Jonnes e a Última Cruzada” que, porém, se envereda por caminhos menos sacros. Dessa vez, apesar de ainda sonhar com Vetra, Langdon se envolve com Sophie Neveu, uma criptologista da Polícia Francesa. Apesar de bem menos empolgante que o primeiro, “O Código” é bem mais polêmico e seu vilão é, pra surpresa de todos (uau!), o mais improvável dos personagens (tenho a impressão de já ter dito isso).

O último que li foi “Fortaleza Digital”, o primeiro romance de Dan Brown, publicado em 1998. Segue por assuntos bem diferentes dos dois citados acima, algo mais tecnológico e menos histórico/artístico. E também os gêneros se invertem entre os personagens principais. Dessa vez a protagonista é uma mulher, Susan Fletcher, uma criptologista da NSA, a Agência de Segurança Nacional dos EUA. E seu noivo, David Beker, é somente um coadjuvante presente apenas para “encher linguiça” no decorrer do livro, pois sua presença ali se mostra totalmente inútil ao fim da história.

Até agora é o pior Dan Brown que li. Nesta conspiração, o autor cria um super-computador, o brinquedinho secreto da NSA chamado TRANSLTR, com 3 milhões de processadores capazes de desencripitar qualquer e-mail suspeito em apenas 6 minutos. Uma espécie de Big Brother da Internet. Apesar de secreto, várias pessoas e organizações desconfiam de sua existem e, pelo bem da privacidade na rede, lutam para que a NSA assuma sua existência e desative-o. O romance tenta mostrar, através dos diálogos, os benefícios que uma máquina dessas pode gerar em prol da paz mundial, porém não consegue feder nem cheirar, e o TRANSLTR não consegue convencer o leitor, seja para o bem o para o mal.

Entre os que são contra sua existência está Ensei Tankado, um japonês que ajudou na construção do super-computador e agora tenta obrigar a NSA a expô-lo ao mundo. Para isso, Tankado cria um padrão de encriptação que não pode ser quebrado, nem mesmo pelo TRANSLTR, e ameaça solta-lo na rede. Do outro lado, no departamente de Criptografia da NSA, estão o Comandante Strathmore e sua protegida, Susan, fazendo o máximo para impedir esse novo padrão criado por Tankado. No entanto Tankado morre misteriosamente e a chave secreta para desativar sua criação é perdida. Devido a isso, David Becker é enviado para Espanha e 50% do livro contam suas aventuras por lá: uma caça ao tesouro frustrada. Frustrada mesmo!!!

A conspiração gira toda em volta deste super-computador. Até mesmo os personagens ficam meio apagados e os sentimentos de cada um deles que movem boa parte das ações do livro acabam por ganhar pouco espaço, tirando, assim, suas capacidades de comover o leitor. Sem contar que a trama toda não é difícil de ser descoberta ainda no meio da história. O restante é pura correria. E os momentos finais, que caberiam facilmente em um única folha, se alogam por umas vinte!

Mas ”Fortaleza Digital” tem um ponto positivo: os vilões (se é que podem ser chamados assim – afinal, quem leu O Código, sabe o que quer dizer “vilão”) não são totalmente vilões. São mais uns desastrados. A maior parte do mal presente no romance acontece devido às escolhas errados destes personagens. O próprio Tankado é um pacifista e queria apenas proteger a privacidade dos usuários da Internet. E essa é uma característica interessante, fugindo do rígido padrão “Bem contra o Mal”, o que torna os antagonistas (assim são melhor definidos) mais cativantes e desperta o raciocínio do leitor para que ele próprio escolha o certo e o errado do livro.

No fim das contas, “Fortaleza” é uma leitura simples e até mesmo agradável. Não tem tantas curiosidades quanto às aventura de Langdon, mas é bem mais dinâmico na maior parte do tempo. Quase um roteiro de cinema, de tão corrido. O mais interessante foi descobrir a origem da palavra ”bug” (usada como erro/defeito de computador).

Mas uma coisa não se pode negar, Dan Brown, por mais pobres que sejam suas histórias, consegue prender o leitor do início ao fim. Seus livros misturam ficção com realidade, e nunca se sabe onde começa uma e termina a outra. E, apesar de não ser uma leitura de profundidade e seus livros não passarem nenhuma mensagem ou não conterem nenhuma alegoria capaz de expôr os defeitos e qualidades da raça humana, ou seja, apesar de não ter nada que um bom livro deveria ter, eles são cheios de curiosidades históricas, artísticas e tecnológicas que despertam o interesse para um mundo novo, muitas vezes desconhecido totalmente pelo leitor. Curiosidades que envolvem grandes personalidades da história, como Da Vinci, Rafael, Newton… e grandes movimentos e passagens históricas, como as Cruzadas, os Iluminati etc. Tal como curiosidades tecnológicas presentes em “Fortaleza Digital”.

Dan Brown não vai entrar pra história como um grande escritor, mas vai conseguir cativar um grande público por um bom tempo ainda. E despertar nestes, eu esperto, o interesse pela arte, ciência e tecnologia. Se assim o for, ele não será de todo mau!

Ficha Técnica

Título: Fortaleza Digital (Digital Fortress)
Autor: Dan Brown
País: EUA
Publicação Original: 1998
Publicação Lida: Editora Sextante, 2006





A Saga do Anel?

18 06 2008

Não, não. A Saga da Aliança!

E foi realmente uma saga fazer esse trabalho! O pedido do professor era para que fizéssemos uma fotonovela de 12 fotos baseada no conto “A Aliança” de Luis Fernando Veríssimo. E o que parecia ser bem divertido, se mostrou muito cansativo! A começar pela adaptação e storyboard, passando pela escolha de um bom cenário, com boa iluminação e com bons ângulos de câmera, até, finalmente, a diagramação.

De início, adaptamos a história para ser contada em um restaurante, afinal era uma locação mais fácil. Conseguimos permissão de um rodízio aqui perto e fizemos a primeira sessão de fotos. Mas só com as fotos nas mãos é que vimos que o figurino não estava legal. Sem contar que algumas saíram escuras (até mesmo pra consertar no Photoshop). Ótimo, o próximo passo era apenas… recomeçar!

Fomos para o shopping ABC Plaza, em Santo André: ruído demais. O excesso de cores mataria as fotos.

Então a um café dentro do Extra, ali do lado: proíbido fotografar.

Um teatro abandonado lá na P… que Pariu: paredes horríveis, péssimo pra compor cenário, iluminação muito precária.

Estávamos mortos de cansaço e fome, depois de andar das 10h às 15h sem almoço. O jeito era modificar a adaptação e tentar algo mais fiel, tirar o restaurante e voltar pra sala de uma casa. Mas qual casa? Nossas salas são horríveis, desbotadas e mal iluminadas.

Ah, mas o papai aqui conseguiu, de última hora, faltando apenas 4 dias para entregar o trabalho, a sala da vizinha, aconchegante, com cores mais acolhedoras e um janelão de frente para o sol da manhã! E vamos nós às pressas pra lá, passar uma manhã inteira e fazer uma nova sessão de fotos!

E finalmente, depois de 5 locações e uma tentativa frustrada, conseguimos realizar um ótimo trabalho! A diagramação foi algo a parte, que consumiu mais um dia e meio de trabalho. O resultado tá aí do lado, só clicar pra ampliar a imagem.

Ah, claro, não posso deixar de dizer que fomos aprovados com honras, entre os melhores trabalhos da sala, com elogios inflamados dos dois professores mais exigentes que temos e, também, de dar os créditos ao pessoal e:

- Paulo fez a adaptação, a atuação e a diagramação;
- Greice fez a atuação;
- Eu fiz as fotos e a diagramação;
- Moisés cuidou da iluminação; e
- Barbara… deu um ótimo apoio moral!

Enfim, dêem-nos os parabéns!





Drácula – A História Real é mais Legal!

12 06 2008

Quem nunca ouviu falar no Conde Drácula, o vampiro da  Transilvânia?! Seja por quadrinhos, cinema, TV ou qualquer outra bobagem cultural que difunde seu nome, não importa, ele é sempre o mais temido de todos os vilões, e também o mais sedutor! O vampirão talvez seja o personagem mais pop da literatura (Harry Potter não chega nem aos seus pés no quesito popularidade), no entanto são poucos que realmente conhecem o texto original, e menos ainda aqueles que sabem que o Drácula foi inspirado numa história real.

Vlad III, O EmpaladorCalma, calma, vampiros não existem (ou pelo menos isso ainda não foi comprovado). O personagem que inspirou Bram Stoker a escrever seu livro foi o príncipe Vlad III (1431-1476), da Valáquia – uma província da Romênia, ao norte do rio Danúbio. Vlad é considerado ainda hoje um grande herói em sua terra, lembrado como um cavaleiro cristão por lutar contra o expansionismo islâmico. Entretanto, fora dali, ficou conhecido como Vlad Tepes, ou Vlad, o Empalador, devido ao seu hábito de trespassar todos os seus inimigos vencidos com uma estaca de madeira. Além da lenda (ou história) que chegou até nós sobre sua mania de beber o sangue dos inimigos mais poderosos por achar que assim absorveria sua força e vitalidade.

Bram Stoker foi além dessa “história simplória” e desenvolveu em torno dela a lenda do mais celebrado e temido morto-vivo de todos os tempos: Conde Drácula, o mais poderoso dos vampiros. Porém sua história não é lá essas coisas e deixa muito a desejar.

Separei meus últimos dois meses para ler os três maiores clássicos do terror. E deixei Drácula por último, já imaginando que seria o melhor. Mas pra minha surpresa, cada um dos três se mostrou ser completamente diferente do que eu imaginava. Frankenstein abriu meus olhos para os sentimentos mesquinhos e superficiais do ser humano. O Médico e o Monstro reacendeu em mim a eterna discussão entre a ambiguidade da mente. E Drácula me fez cair no tédio!

A idéia que se tem do Conde, dinfundida em tantos filmes e outras mídias, é a de que ele é intocável eDrácula e suas noivas quase invencível, sedutor, dissimulado e astuto. Porém não é isso que se encontra no livro. Aqui a história é bem mais simples e mal explicada: Drácula, por algum motivo tosco qualquer, deixa seu castelo na Transilvânia e parte para Londres. Ali ele começa a fazer suas vítimas e logo um grupo de pessoas se volta contra ele. No entanto o livro se arrasta por descrições e divagações dos personagens e por cenas repetitivas que acabam por afundar o leitor no tédio. Sem contar o fato do Conde se mostrar bem mais vulnerável do que se imagina, sempre fugindo, se esquivando, agindo às escondidas. E vários pontos importantes sequer são citados, como a origem de seus poderes, como e porque se tornou aquela criatura e porque diabos ele foi pra Londres!

A história não é contada por um único narrador. Stoker resolveu publicar sua lenda em forma de diários, onde cada personagem conta uma parte da história pelo seu ponto de vista. E isso seria um grande trunfo se a idéia fosse melhor trabalhada. Por ser o ponto de vista dos personagens, a única coisa que se tem são seus planos, discussões e sofrimentos, enquanto o antagonista é apenas uma ameaça distante, que quase nunca dá as caras. Sem contar que esse tipo de narrativa quebra muito do suspense, afinal, não importa quão perigosa seja a aventura, o narrador estará vivo no final. E isso se descobre logo ao ler os títulos dos capitulos (por exemplo: “Do Diário de Jonathan Harker”).

Garry Oldman como DráculaOs únicos momentos que realmente valem a pena são o início da história, os quatro primeiros capítulos nos quais Jonathan está aprisionado no Castelo de Drácula em meio a dezenas de acontecimentos sobrenaturais: mulheres sensuais que aparecem em meio a uma neblina, lobos que obedecem um simples olhar do Vampiro, morcegos e ciganos, muita sombra e escuridão.

Depois disso, a única ânsea do leitor é para que aconteça alguma coisa. Porque nunca nada acontece e os momentos-chave ficam muito distantes um dos outros. E o fim nunca chega! Mas, repente, eis que tudo acontece de uma só vez nas últimas páginas do livro e o ápice de toda a história se desfáz num piscar de olhos. E fim! Acabou! Tal como este texto!

Ficha Técnica

Título: Drácula
Autor: Bram Stoker
País: Inglaterra
Publicação Original: 1897
Publicação Lida: L&PM Pocket, 1998 (Vale ressaltar que essa publicação é cheia de erros ortográficos e de pontuação)