Já pensou em tomar café da manhã em Paris, pegar um bronzeado no Saara e, mais tarde, sair pra passear pelas ruas de Londres?! Tirar uma sonequinha em alguma ilha deserta do Pacífico, tomar um bom vinho em Buenos Aires e terminar o dia cantando algumas gatinhas em Los Angeles?! Divertido, mas impossível, não é?! Não para David Rice, protagonista de Jumper (ídem, 2008).
Dirigido por Doug Liman, de Identidade de Bourne e Sr. e Sra. Smith, o filme mostra a história de David Rice (Hayden Christensen[...]), que nasceu com o superpoder de se teletransportar para qualquer canto do planeta que a mente dele desejar. Em fração de segundos, ele pode atravessar paredes, dar a volta ao mundo e retornar para onde estava no início. Consegue até mesmo entrar em cofres de segurança máxima recheados de dólares sem ser notado pelo sistema de segurança.
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David descobre que é um Jumper na adolescência, quando, durante um acidente em um lago congelado, se teletransporta para uma biblioteca pública . Depois disso, não pára mais.
Como todo filme hollywoodiano, tudo gira em torno de um romancezinho barato, porém o casal principal não tem aquela química necessária para impulssionar o filme e Millie Harris (Rachel Bilson) deveria ser usada apenas para fazer a ligação entre o passado frustrado de David e sua vida sem limites, sempre tentando compensar o que havia perdido na adolescência. Todavia, este nao deveria ser o fio condutor do filme, que teria muito mais a oferecer que uma simples historinha de amor.
A idéia do longa é interessante e pouco explorada pelo cinema (com excessão do Noturno, de X-man, nunca vi outro personagem que se teletransportasse). No entanto muito mal trabalhada. O roteiro foca demais em David e Millie, e se esquece de outros personagens chave, como Griffin (Jamie Bell) e o Paladino Roland (Samuel L. Jackson, com vistosos cabelos brancos), muito mais importantes que a mocinha indefesa.
Algo muito interessante e pouco explorada foi a origem dos Paladinos, apenas citada por Roland em uma única frase em todo o filme. Simplesmente dizer que eles existiam desde a antiguidade e pra isso citar a Inquisição e a Caça às Bruxas foi de uma infantilidade tremenda. A vida de Griffin também poderia ter sido melhor abordada, afinal ele é o único elo de David com a origem dos Jumpers.
E o drama que melhor poderia definir o filme foi totalmente deixado de lado: a misteriosa mãe de David que sumiu quando ele ainda tinha 5 anos. Esta trama sim deveria ter sido o fio condutor de todo o longa, que bateria de frente com a voracidade implacável do antagonista e daria um belo substituto para o insosso romance do filme.
A salvação de Jumper é que, dizem os boatos, este é somente o primeiro, apenas a apresentação dos personagens. O desenrolar da trama virá nas continuações. E outro ponto forte são os efeitos especiais que, na minha opinião, ficaram muito bons.
Pelo menos tem potencial pra cair nas graças da Sessão da Tarde!

Snaga é um sonhador, alguém que criou seu próprio mundo e hoje vive boa parte do tempo nele e em função dele. É fanático por cinema, literatura e música de qualidade e, não à toa, faz faculdade de comunicação. Vive para criar e dar vida, afinal "criamos tal como fomos criados".

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