
Tudo começou com um desafio feito a Mary Shelley (1797-1851), então uma jovem de 21 anos, por Lord Byron. Na época, 1918, Byron propôs a Mary e seu marido que escrevessem um conto de terror, uma maneira de passar o tempo, já que suas férias estavam sendo consumidas intediantemente pelo mau tempo. Mary foi a última a dar início ao seu conto, que acabou baseado em um pesadelo que teve numa daquelas noites de chuva. E, dentre todos, o conto de Shelley foi o que mais surpreendeu e arrepiou. Insentivada a continuar, Mary Shelley desenvolveu ainda mais sua história e transformou-a em um dos mais conhecidos e celebrados livros da História: Frankenstein.
Victor Frankenstein era um jovem curioso, com sede de conhecimento, apaixonado pela ciência, intrigado com os segredos da vida e louco para deixar sua marca no mundo. Havia aprendido sozinho em casa sobre as fantasias da Alquimia, no entanto apenas na universidade ele foi descobrir que toda sua bagagem de conhecimento estava ultrapassada há muito. Acabou se tornando um aluno exemplar, dedicado à química e à biologia. Foi assim que, sozinho em seu laboratório em Ingolstadt, Victor deu início à sua criação, misturando seus conhecimentos teóricos de fisiologia e filosofia natural com princípios de mecânica, decido a descobrir se o princípio que mantinha animado o corpo poderia pernecer mesmo após a morte. Como Victor fez isso, todos já sabemos: deu vida a uma criatura formada por partes de cadáveres, de tamanho descomunal (cerca de 2,5m de altura) e aparência horripilante. E é aqui que dá-se início ao grande trunfo da história!
Ao despertar da Criatura, Frankenstein acaba por cair na realidade vendo como era realmente feia sua criação, com seus membros desproporcionais, seu olhos aquosos e amarelos, incompleta a ponto de seus tecidos nem sequer cobrirem todo o corpo, deixando à mostra músculos e ossos. Desesperado e com medo, arrependido de sua audácia, Victor abandona sua Criatura, decaindo num súbito acesso de náusea e lucidez.
Pobre Criatura, um ser vazio de conhecimentos, ignorante em relação ao convívio social, solto num mundo de pessoas preconceituosas e indiferentes. A personificação perfeita da famosa teoria de Rousseau, a do “bom selvagem”, que diz que todo o homem nasce “puro” e é corrompido pela sociedade violenta, viciosa e materialista. Quem lê a história de Frankenstein espera encontrar terror, suspense e aventura, onde um monstro estaria a solta para destruir e matar. No entanto descobre um mundo onde nós humanos somos totalmente repugnantes e no qual o único ser que realmente tem algum valor é o monstro excluído por todos. Poucos livros retratam tão bem a indiferença humana e a nossa mania de dar mais valor às aparências do que aos sentimentos, carater e virtudes.
Mary Shelley escreveu uma autêntica obra-prima da literatura universal, um romance capaz de despertar no leitor a pena e a compaixão por um monstro e a repugnância de nossa própria raça. Uma lição que ainda não foi aprendida, mesmo depois de quase 200 anos.
Ficha Técnica
Título: Frankestein (Frankenstein; or the Modern Prometheus)
Autor: Mary Shalley
País: Inglaterra
Publicação Original: 1818
Publicação Lida: Martin Claret Editora, 2001
Snaga é um sonhador, alguém que criou seu próprio mundo e hoje vive boa parte do tempo nele e em função dele. É fanático por cinema, literatura e música de qualidade e, não à toa, faz faculdade de comunicação. Vive para criar e dar vida, afinal "criamos tal como fomos criados".

[...] pra minha surpresa, cada um dos três se mostrou ser completamente diferente do que eu imaginava. Frankenstein abriu meus olhos para os sentimentos mesquinhos e superficiais do ser humano. O Médico e o Monstro [...]
[...] Este conto foi escrito por Byron por ocasião da famosa disputa entre ele, Polidori, Shelley e Mary Shelley, quando de um período em que passavam férias juntos. Byron não terminou sua história, por isso [...]
o que chama a atenção é que o livro foi escrito por uma mulher, por ter como tema rituais de medicina e criação de um monstro.
em seguida o lado terno e humano do “monstro” nos faz entender que o tema foi escrito por uma mulher. Apenas o sexo feminino tem facilidade em expor este sentimento.