O deputado Ernesto Alves (Rubens de Falco – morto na semana passada) precisa lavar milhares de reais que está em seu escritório e não tem idéia de como fazê-lo. Seu filho ameaça jogar tudo pela janela e é desafiado pelo pai. Daí em diante, devido a um telefonema anônimo, espalha-se pelos radio-taxis da cidade o boato de que está chovendo dinheiro em algum lugar de São Paulo e toda a confusão dá-se início. Um jornalista desempregado, Artur (Leonardo Medeiros), precisa de uma matéria exclusiva, mas, sem achar a chuva de dinheiro, resolve ele próprio forjar uma. Além destes, diversos personagens conduzem o filme a um paradóxo entre honestidade e corrupção, tentando definir onde começa uma, onde termina a outra.
Alheio a tudo isso está uma tribo de índios que não vai mais fazer a dança da chuva de graça e passa a cobrar por isso. Coincidência ou não, as chuvas cessam e as represas baixam. E vem o apagão! Com isso, um grupo de velhinhos motociclistas são privados de seu único passa-tempo: a TV.
Apesar do roteiro parecer confuso e ter núcleos demais, Fim da Linha é bem organizado, mostrando como é fácil se corromper quando o assunto é dinheiro. A crítica feita ao mundo consumista e capitalista, que são sempre maçantes nesses tipos de discurso, são tão bem trabalhadas, moldadas para serem divertidas, sob atos do cotiadiano elevados à mirabolância, que nem se percebe que estão ali.
O únicos problemas do filme são técnicos: cintilância demais na tela, enquadramentos ruins, péssimas composições de cenários internos e algumas atuações pobres. E uma única cena próxima ao final, quando Artur e o Deputado estão cara a cara, fica no ar, sem finalização, não conduzindo a conclusão alguma. De resto é tudo maravilhoso! Inclusive o título, que só fica claro ao final do filme, quando todo o roteiro se fecha o especador vê qual é realmente o “Fim da Linha”.
Quem quiser saber mais, acesse o site do filme, assistam ao trailer, participem da promoção. Vamos valorizar o cinema nacional (se isso não for apelo demais pro final do deste post).


Snaga é um sonhador, alguém que criou seu próprio mundo e hoje vive boa parte do tempo nele e em função dele. É fanático por cinema, literatura e música de qualidade e, não à toa, faz faculdade de comunicação. Vive para criar e dar vida, afinal "criamos tal como fomos criados".

Comentários