É preciso entender que Somos Tão Jovens (Brasil, 2013) não é um filme biográfico, mas mitográfico. O roteiro de Marcos Bernstein não trata Renato Russo como pessoa, mas como ídolo, como mito. Está ali o cantor-herói, erudito e tão imerso em suas próprias composições. Estão ali também todas as lendárias histórias do rock brasiliense, os personagens marcantes e as famosas canções. Enfim, o filme do diretor Antônio Carlos Fontoura não trás nenhuma novidade e é tão leve quantos seus longas anteriores.
A história inicia-se com uma rápida passagem pela epifisiólise de Renato Russo, a doença que, aos 15 anos de idade, o deixou acamado por seis meses e outros doze com dificuldades para andar. E daí conta toda a trajetória do jovem, sua paixão por música, sua conversão ao punk, as influências, os amigos, a formação do Aborto Elétrico, até chegar à famosa Legião Urbana.
Mesmo que o roteiro seja morno, o filme é cheio de pontos fortes e tem muito para ser apreciado. A começar pela ótima escolha de Thiago Mendonça para o papel principal. Ao representar Renato Russo, o ator convence até o fã mais crítico, tanto com seus trejeitos quanto com sua voz ao cantar. A abertura do filme, aliás, chega a confundir o expectador: afinal de contas, quem está cantando? Renato ou Thiago?

Outros atores também estão excelentes em seus papéis. Laila Zaid ajuda a conduzir o filme todo e é capaz de salvar muitas cenas, apenas por estar presente. Edu Moraes, apesar de parecer um pouco caricato, incorpora com maestria a personalidade do músico Hebert Viana e imita sua voz com perfeição. A família Manfredini também está impecável, com destaque para a lindíssima Bianca Comparato, que faz uma divertida interpretação de Carmem Teresa, a irmã de Renato. Mas o restante do elenco, apesar de muito bem caracterizados e fisicamente parecidos com seus originais, faz feio a maior parte do filme, com interpretações fracas e caricatas.
A caracterização, aliás, é uma das maiores qualidades de Somos Tão Jovens. É muito fácil reconhecer no elenco a identidade dos personagens reais, em parte pelo trabalho de maquiagem e figurino, em parte pelas tomadas muito bem escolhidas.
Alguns fortes contraste entre luz e sombra e a câmera em constante movimento compõem ótimas sequências de drama. De um modo geral, a Fotografia criada pelo estreante Alexandre Ermel ajuda a enriquecer o longa, situá-lo em sua época (o início da década de 1980) e compor sua história.
O único e maior problema do longa fica mesmo por conta do péssimo roteiro. O experiente Marcos Bernstein – roteirista de Chico Xavier, o tocante O outro Lado da Rua e o premiadíssimo Central do Brasil – erra mão ao manter nivelada a história de Somos Tão Jovens. Não há um ápice no roteiro, as pequenas tramas não se fecham em seu decorrer, não há curva dramática e sequer há um final. O filme termina em aberto, apenas com um letreiro na tela, discorrendo sobre o futuro da Legião Urbana.
Os diálogos criados por Bernstein não ficam naturais na boca dos personagens e, devido a isso, a vida de Renato Russo parece se tornar artificial. Apesar da brilhante atuação de Thiago Mendonça, aquele não é o Renato homem, mas o cantor mito, que dialoga através de versos, que usa de sua poesia para conversar no dia-a-dia e que se apresenta sempre (e sem dúvidas) como o grande astro que será no futuro – como se já fosse um rock-star desde a mais tenra infância.
Os dramas pessoais são quase totalmente deixados de lado e dão lugar à explicações ilógicas sobre a composição de suas músicas, tentando contextualizar cada um de seus versos mais famosos. Enquanto na cinebiografia de Cazuza, sua música era usada como complemento para o filme, em Somos Tão Jovens, o filme é usado como complemento para as canções.
A homossexualidade de Renato é apresentada de forma quase lúdica e muito pouco explorada. As drogas e o alcoolismo apenas pincelados. Renato Russo, o lendário rock-star, está ali presente, como sempre fora apresentado pela mídia, mas Renato Manfredini Júnior, o homem por detrás do mito, com sua mente conturbada, suas tendências depressivas e sua intimidade, não está presente neste longa. É mais fácil encontrá-lo em sua própria poesia.


O mais novo hit da música mundial veio lá do outro lado do mundo, com língua quase impossível de se pronunciar e entender e é cantado por um rapper gordinho em um clipe aparentemente sem noção. Em contrapartida, aqui no Brasil, esta mesma canção foi copiada e deturpada pelo cantor pop/funkeiro Latino.
E tudo isso é reflexo da educação e do desenvolvimento cultural e social do público. Enquanto os coreanos aceitam com facilidade um rapper com responsabilidade social, os brasileiros insistem no funk da sacanagem. Uma sociedade bem educada presa por valores que vão além do “puxar, beijar, vou te pegar… eu quero sexo pra galopar”. Um jovem bem educado valora a si mesmo e sabe valorar os demais à sua volta, sem tratar como objeto aqueles que o rodeiam, sem se prestar à orgia como um modo natural de diversão.
sacrifício, mas sim devido à especulação imobiliária, que tornou a região extremamente valorizada, cuja média de preço de um apartamento é de US$ 716 mil e com escolas cerca de quatro vezes mais caras que no restante do país. Parece estranho para nós brasileiros, mas sim, são ricos excluídos do restante da sociedade.
Entre os dias 9 e 19 deste mês ocorreu a 22ª Bienal do Livro de São Paulo. E lá fui eu, no último dia, marcar minha presença na feira, mesmo que apenas a passeio – a experiência adquirida em 2010 já me dizia que eu não compraria nenhum livro, afinal os preços são salgados, mesmo nas promoções de encerramento. No entanto, após horas caminhando em círculos pelo labirinto de estandes, acabei adentrando um cantinho escuro do pavilhão e, escondido lá no fundo, no último corredor, descobri algo que não esperava: o selo Vermelho Marinho, da editora Usina das Letras, e fiquei maravilhado.
Saltei, portanto, para os estandes seguintes. Estes não eram de editoras, mas particulares: pequenas cabines individuais, onde autores independentes expunham suas desconhecidas obras. Passei por dois e, no terceiro, fui fisgado pelo carisma do professor Alberico Rodrigues, um senhor baiano, já com seus 60 anos. Não resisti e comprei dois de seus livros: “Zé Batalha – O Herói da Minha Infância” e “A Saga de um Baiano na Cidade de São Paulo”. Este segundo ainda não li, porém o primeiro devorei em apenas algumas horas.
Zé Batalha é o mito vivo, cuja lenda diz que pode se transformar em vários animais. Tudo isso, porém, é ligeira introdução. A história em si se ocupa apenas de um único dia, iniciando-se na boca da noite para terminar no fim da manhã seguinte. Nada de grandioso, nada de complexo. Apenas uma história simples do interior brasileiro, mas para o jovem Albe, uma lembrança marcante de sua infância saudosa. E no fim, o negro é tornado herói.





Cerca de 15 minutos antes da sessão e a sala começa a se encher. É um documentário, gênero pouco quisto pelo expectador brasileiro, e o filme já está em cartaz há uma semana; mesmo assim o público é grande e as fileiras ficam quase todas lotadas. “Por isso que eu gosto de maconha: um tapinha e a gente relaxa por umas três horas”, comenta alguém na fila de trás. “É sério, tem uma ladeira lá onde o carro sobe sozinho. Só soltar o freio de mão e ele vai subindo”, retruca um outro, referindo-se à cidade de São Tomé das Letras. São jovens e senhores, mas também crianças, muito provavelmente levadas pelos pais, burlando a classificação de 14 anos, para que assim conheçam o grande ídolo de suas juventudes.


Snaga é um sonhador, alguém que criou seu próprio mundo e hoje vive boa parte do tempo nele e em função dele. É fanático por cinema, literatura e música de qualidade; formado em Comunicação e trabalha com TV e Cinema. Vive para criar e dar vida, afinal "criamos tal como fomos criados".
































